{"id":19535,"date":"2015-08-24T13:47:10","date_gmt":"2015-08-24T13:47:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=199205"},"modified":"2015-08-25T13:14:28","modified_gmt":"2015-08-25T13:14:28","slug":"america-latina-ouvira-alerta-da-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/america-latina-ouvira-alerta-da-china\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina ouvir\u00e1 alerta da China?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_199206\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/estadio.jpg\"><img class=\"wp-image-199206\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/estadio.jpg\" alt=\"O Est\u00e1dio Nacional da Costa Rica, doado pela China como presente pelo estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es bilaterais em 2007, constru\u00eddo entre 2009 e 2010 por uma companhia do pa\u00eds asi\u00e1tico com m\u00e3o de obra procedente daquele pa\u00eds. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS\" width=\"340\" height=\"191\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O Est\u00e1dio Nacional da Costa Rica, doado pela China como presente pelo estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es bilaterais em 2007, constru\u00eddo entre 2009 e 2010 por uma companhia do pa\u00eds asi\u00e1tico com m\u00e3o de obra procedente daquele pa\u00eds. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\r\n<p><em>Por\u00a0Diego Arguedas Ortiz, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\r\n<p>San Jos\u00e9, Costa Rica, 24\/8\/2015 \u2013 Durante anos a Am\u00e9rica Latina exportou suas mat\u00e9rias-primas para as vorazes f\u00e1bricas chinesas e assim alimentou sua economia. Mas agora que a China passou a priorizar o consumo de seus cidad\u00e3os sobre a produ\u00e7\u00e3o industrial, como a regi\u00e3o vai reagir? A vertiginosa expans\u00e3o chinesa impulsionou economicamente as na\u00e7\u00f5es latino-americanas, e em troca a regi\u00e3o recebeu os produtos acabados das ind\u00fastrias desse pa\u00eds, cr\u00e9ditos de seu sistema banc\u00e1rio internacional e forte investimento em infraestrutura.<\/p>\r\n<p>Mas, diante do freio a esse explosivo crescimento, os pa\u00edses latino-americanos t\u00eam duas op\u00e7\u00f5es: avan\u00e7ar para uma economia de maior valor agregado ou perder relev\u00e2ncia com um modelo econ\u00f4mico obsoleto herdado do s\u00e9culo 20, segundo v\u00e1rios especialistas ouvidos pela IPS.<\/p>\r\n<p>\u201cNos \u00faltimos cinco anos, a rela\u00e7\u00e3o entre Am\u00e9rica Latina e China esteve dominada pelo envio por parte dos latinos de algumas mat\u00e9rias-primas para a China, e pela exporta\u00e7\u00e3o por este pa\u00eds de bens manufaturados para os pa\u00edses latino-americanos\u201d, explicou a norte-americana especialista em China, Rebecca Ray. \u201cMas isto pode estar prestes de mudar\u201d, afirmou a tamb\u00e9m pesquisadora da Universidade de Boston e coautora do Boletim Econ\u00f4mico China-Am\u00e9rica Latina da Iniciativa Mundial de Gest\u00e3o Econ\u00f4mica (Gegi).<\/p>\r\n<p>Segundo Ray, os governantes chineses est\u00e3o se voltando para uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento com \u00eanfase em crescimento lento mas sustentado, que prioriza o consumo interno de seus cidad\u00e3os sobre a produ\u00e7\u00e3o de suas f\u00e1bricas, o que abre espa\u00e7os para importa\u00e7\u00e3o de bens manufaturados de outros pa\u00edses.<\/p>\r\n<p>O caminho para esse futuro foi um dos eixos dos debates do F\u00f3rum de Coopera\u00e7\u00e3o Am\u00e9rica Latina-\u00c1sia do Leste, reunido nesta capital costa-riquenha entre os dias 18 e 21 deste m\u00eas, do qual participaram chanceleres e altos funcion\u00e1rios de 36 pa\u00edses, sob o conceito de \u201cduas regi\u00f5es, uma vis\u00e3o\u201d.<\/p>\r\n<p>Diante do esfriamento da economia chinesa, os tomadores de decis\u00e3o \u00e9 que devem assumir a iniciativa e propor alternativas econ\u00f4micas de maior valor agregado, conforme sugeriram de forma un\u00e2nime os especialistas consultados. At\u00e9 agora a regi\u00e3o demorou em dar o salto. Apenas cinco produtos prim\u00e1rios (soja, ferro, petr\u00f3leo, cobre bruto e cobre refinado) representam 75% das exporta\u00e7\u00f5es para a China e a presen\u00e7a de bens manufaturados \u00e9 m\u00ednima.<\/p>\r\n<div id=\"attachment_199207\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Brasil-chica-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-199207\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Brasil-chica-629x472.jpg\" alt=\"\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Parte do porto Ponta da Madeira, no nordeste brasileiro, de onde partem navios carregados com ferro, cujo maior destino \u00e9 a China. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\r\n<p>Entretanto, o outro grande eixo econ\u00f4mico entre China e Am\u00e9rica Latina, o investimento em infraestrutura, poderia, paradoxalmente, se beneficiar com a desacelera\u00e7\u00e3o e a reforma na dire\u00e7\u00e3o da economia chinesa, acrescentaram os especialistas. O freio da locomotiva econ\u00f4mica global desde 2014, quando o crescimento chin\u00eas foi de 7,4%, o menor em 24 anos, \u201cpode afetar as economias que dependem dessas mat\u00e9rias-primas. Mas, por outro lado, os investimentos chineses em infraestrutura podem ajudar outras ind\u00fastrias\u201d, afirmou Ray.<\/p>\r\n<p>Para esta especialista, bem administrados, os projetos com capital chin\u00eas podem fechar as hist\u00f3ricas brechas da regi\u00e3o em infraestrutura e servir de plataforma para o desenvolvimento de outras ind\u00fastrias, que possam se valer do investimento em transporte e energia, dois grandes eixos para os asi\u00e1ticos. \u201cEsperamos que os tomadores de decis\u00f5es usem esta oportunidade para potencializar o desenvolvimento de ind\u00fastrias n\u00e3o tradicionais\u201d, acrescentou.<\/p>\r\n<p>Keiji Inoue e Sebati\u00e1n Herreros, da Divis\u00e3o de Com\u00e9rcio Internacional e Integra\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal), concordam em apontar que a nova realidade chinesa alimenta essa oportunidade. \u201cNa medida em que esses projetos estejam alinhados com as prioridades dos pa\u00edses da regi\u00e3o, uma presen\u00e7a maior chinesa poder\u00e1 contribuir para fechar gradualmente a brecha de infraestrutura que caracteriza a Am\u00e9rica Latina, e deste modo fortalecer a integra\u00e7\u00e3o regional e melhorar sua competitividade internacional\u201d, afirmaram em uma an\u00e1lise conjunta elaborada para a IPS.<\/p>\r\n<p>Recordaram que a voca\u00e7\u00e3o chinesa pela infraestrutura latino-americana tem entre seus componentes a busca de seus bancos para colocar super\u00e1vits na poupan\u00e7a dessas economias. Mas o modelo da crescente rela\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o com a China n\u00e3o permite o otimismo. At\u00e9 agora, as exporta\u00e7\u00f5es regionais para esse pa\u00eds \u201ccriam menos empregos, geram mais gases-estufa e usam mais \u00e1gua do que outras exporta\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina e do Caribe\u201d, segundo uma an\u00e1lise do Gegi.<\/p>\r\n<p>Entretanto, a China propicia e financia pol\u00eamicos megaprojetos na regi\u00e3o, como o Grande Canal da Nicar\u00e1gua, a cargo do grupo chin\u00eas Hong Kong Nicaragua Canal Development (HKND-Group), no valor de US$ 50 bilh\u00f5es, e a Ferrovia Transcontinental de cinco mil quil\u00f4metros, destinada a ligar Brasil e Peru, ainda em fase explorat\u00f3ria.<\/p>\r\n<div id=\"attachment_199208\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Chica-Nica-1-629x421.jpg\"><img class=\"wp-image-199208\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Chica-Nica-1-629x421.jpg\" alt=\"Executivos da empresa chinesa HKDN-Group atr\u00e1s de uma grande faixa, no dia 22 de setembro de 2014, em Brito Rivas, na costa do Oceano Pac\u00edfico, no ato de in\u00edcio formal da gigantesca obra do Grande Canal da Nicar\u00e1gua, que dividir\u00e1 o pa\u00eds em dois. Foto: Mario Moncada\/IPS\" width=\"340\" height=\"228\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Executivos da empresa chinesa HKDN-Group atr\u00e1s de uma grande faixa, no dia 22 de setembro de 2014, em Brito Rivas, na costa do Oceano Pac\u00edfico, no ato de in\u00edcio formal da gigantesca obra do Grande Canal da Nicar\u00e1gua, que dividir\u00e1 o pa\u00eds em dois. Foto: Mario Moncada\/IPS<\/p><\/div>\r\n<p>Os investimentos chineses tamb\u00e9m potencializam uma rela\u00e7\u00e3o comercial baseada em mat\u00e9rias-primas. Segundo a Cepal, entre 2010 e 2013 quase 90% do investimento chin\u00eas na regi\u00e3o se dirigiu a atividades extrativistas, particularmente min\u00e9rios e hidrocarbonos. \u201cDesta perspectiva, efetivamente, a importante demanda da China em n\u00edvel global por mat\u00e9rias-primas consolidou e refor\u00e7ou a especializa\u00e7\u00e3o nesses processos, tamb\u00e9m conhecido como \u2018reprimariza\u00e7\u00e3o\u2019 econ\u00f4mica\u201d, explicou \u00e0 IPS o coordenador do Centro de Estudos China-M\u00e9xico, Enrique Dussel.<\/p>\r\n<p>Entretanto, o pesquisador da Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico foi enf\u00e1tico ao afirmar que, diante dos sinais, os pa\u00edses latino-americanos devem responder. \u201cA responsabilidade e necessidade de uma tomada de decis\u00e3o est\u00e1 do lado da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, e n\u00e3o da China\u201d, ressaltou.<\/p>\r\n<p>Esta reprimariza\u00e7\u00e3o regional ocorreu quando a Am\u00e9rica Latina se deixou seduzir pelas ondas de pre\u00e7os altos das mat\u00e9rias-primas durante a d\u00e9cada passada e priorizou estas exporta\u00e7\u00f5es sobre outras de maior valor agregado. Assim, a participa\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios nas exporta\u00e7\u00f5es regionais aumentou de 44%, no in\u00edcio deste s\u00e9culo, para mais de 60%, cifra in\u00e9dita desde o come\u00e7o da d\u00e9cada de 1990, segundo estudos da Cepal.<\/p>\r\n<p>Por sua vez, os produtos manufaturados somam 64% das exporta\u00e7\u00f5es chinesas para a regi\u00e3o e compreendem bens menos sens\u00edveis a varia\u00e7\u00f5es nos pre\u00e7os, como m\u00e1quinas e artigos eletr\u00f4nicos. Entre 2000 e 2014 as importa\u00e7\u00f5es totais da China passaram de representar 2% para 14% do total regional.<\/p>\r\n<p>Dussel explicou que o crescimento chin\u00eas ressaltou os graves problemas das exporta\u00e7\u00f5es regionais. A seu ver, estes n\u00e3o residem necessariamente na preval\u00eancia de mat\u00e9rias-primas, mas no fato de estas ind\u00fastrias terem \u201cvalor agregado e n\u00edvel tecnol\u00f3gico m\u00ednimos\u201d.<\/p>\r\n<p>Para Inoue e Herreros, da Cepal, h\u00e1 uma oportunidade nas mudan\u00e7as de orienta\u00e7\u00e3o do desenvolvimento chin\u00eas. Afirmaram que, \u201cem termos simples, o redirecionamento chin\u00eas tem o objetivo de reduzir a import\u00e2ncia relativa do investimento e das exporta\u00e7\u00f5es no crescimento de sua economia, apoiando-se em um maior peso do consumo das fam\u00edlias. Na medida em que este processo tiver efeito, isso dever\u00e1 favorecer a diversifica\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es latino-americanas para a China\u201d.<\/p>\r\n<p>Os dois especialistas esperam que setores como a agroind\u00fastria e os alimentos pesados possam ganhar protagonismo na regi\u00e3o, embora alertem que os efeitos dever\u00e3o demorar anos para serem vistos, e, para que se concretizem, os tomadores de decis\u00f5es dever\u00e3o dar passos ambiciosos para a consolida\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o como um bloco comercial.<\/p>\r\n<p>\u201cTamb\u00e9m \u00e9 preciso avan\u00e7ar mais decididamente para um mercado regional verdadeiramente integrado. Isso aumentaria a atra\u00e7\u00e3o e o poder de negocia\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina frente \u00e0 China, ao restante da \u00c1sia e diante dos outros grandes atores da economia mundial\u201d, ressaltara Inoue e Herreros. Envolverde\/IPS<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Diego Arguedas Ortiz, da IPS &ndash;&nbsp; San Jos&eacute;, Costa Rica, 24\/8\/2015 &ndash; Durante anos a Am&eacute;rica Latina exportou suas mat&eacute;rias-primas para as vorazes f&aacute;bricas chinesas e assim alimentou sua economia. Mas agora que a China passou a priorizar o consumo de seus cidad&atilde;os sobre a produ&ccedil;&atilde;o industrial, como a regi&atilde;o vai reagir? 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