{"id":19558,"date":"2015-08-26T13:00:30","date_gmt":"2015-08-26T13:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=199380"},"modified":"2015-08-26T13:00:30","modified_gmt":"2015-08-26T13:00:30","slug":"portas-abertas-a-geotermia-na-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/portas-abertas-a-geotermia-na-america-do-sul\/","title":{"rendered":"Portas abertas \u00e0 geotermia na Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_199381\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/El-Tatio.jpg\"><img class=\"wp-image-199381\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/El-Tatio.jpg\" alt=\" Parte do campo de g\u00eaiseres de El Tatio, na regi\u00e3o de Antofagasta, norte do Chile. A energia geot\u00e9rmica nasce do calor interno da Terra e a for\u00e7a gerada pelo vapor \u00e9 usada para mover uma turbina capaz de movimentar um gerador el\u00e9trico. Foto: Marianela Jarroud\/IPS\" width=\"340\" height=\"225\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\"><br \/> Parte do campo de g\u00eaiseres de El Tatio, na regi\u00e3o de Antofagasta, norte do Chile. A energia geot\u00e9rmica nasce do calor interno da Terra e a for\u00e7a gerada pelo vapor \u00e9 usada para mover uma turbina capaz de movimentar um gerador el\u00e9trico. Foto: Marianela Jarroud\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Marianela Jarroud, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Ollag\u00fce, Chile, 26\/8\/2015 \u2013 O Chile, um territ\u00f3rio cheio de vulc\u00f5es e g\u00eaiseres, iniciou a constru\u00e7\u00e3o da primeira usina geot\u00e9rmica da Am\u00e9rica do Sul, um projeto que busca ser a porta de entrada desse tipo de gera\u00e7\u00e3o de energia no pa\u00eds, cuja matriz energ\u00e9tica \u00e9 composta majoritariamente por combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>O projeto da Central Geot\u00e9rmica Cerro Pabell\u00f3n tem \u201cuma import\u00e2ncia gigantesca\u201d para o Estado chileno, que h\u00e1 mais de 40 anos \u201ciniciou a explora\u00e7\u00e3o e perfura\u00e7\u00e3o para fins de geotermia\u201d, sem que at\u00e9 agora se concretizasse um projeto, explicou \u00e0 IPS o gerente geral da estatal Empresa Nacional do Petr\u00f3leo (Enap), Marcelo Tokman.<\/p>\n<p>Localizada no munic\u00edpio rural de Ollag\u00fce, 1.377 quil\u00f4metros ao norte de Santiago, em pleno altiplano andino, na regi\u00e3o de Antofagasta, Cerro Pabell\u00f3n \u201cn\u00e3o ser\u00e1 apenas a primeira usina geot\u00e9rmica do Chile e da Am\u00e9rica do Sul, mas tamb\u00e9m a primeira do mundo a ser constru\u00edda a 4.500 metros de altitude\u201d, acrescentou Tokman.<\/p>\n<p>A usina, propriedade da empresa italiana Enel Green Power (51%) e da Enap (49%), \u00e9 composta de duas unidades com capacidade instalada bruta durante a primeira fase de 24 megawatts (MW) cada uma, mas com a vantagem de poder gerar de forma cont\u00ednua. Essa capacidade se iguala em termos de gera\u00e7\u00e3o anual a uma central fotovoltaica ou e\u00f3lica de 200 MW.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o \u00e9 que a primeira etapa entre em opera\u00e7\u00e3o no primeiro trimestre de 2017 e um ano depois sejam incorporados outros 24 MW. Mas estima-se que a usina possa gerar cerca de 100 MW no m\u00e9dio prazo, em uma instala\u00e7\u00e3o que ocupar\u00e1 136 hectares. Tokman afirmou que, uma vez em opera\u00e7\u00e3o, Cerro Pabell\u00f3n ser\u00e1 capaz de produzir cerca de 340 gigawatts (GW)\/hora por ano, que ir\u00e3o para o sistema interligado nacional e que s\u00e3o equivalentes \u00e0s necessidades de consumo de aproximadamente 154 mil fam\u00edlias chilenas, em um pa\u00eds de 17,6 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, evita-se a emiss\u00e3o anual de mais de 155 mil toneladas de di\u00f3xido de carbono, ao reduzir o consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis, destacou o gerente da Enap. Na fase de explora\u00e7\u00e3o foram investidos US$ 60 milh\u00f5es e estima-se que ser\u00e3o investidos mais US$ 320 milh\u00f5es, destinados em parte \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma linha de transmiss\u00e3o el\u00e9trica de 73 quil\u00f4metros.<\/p>\n<div id=\"attachment_199382\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/deserto-do-Atacama.jpg\"><img class=\"wp-image-199382\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/deserto-do-Atacama.jpg\" alt=\"O deserto de Atacama, o mais \u00e1rido do mundo, acolhe parte importante do potencial geot\u00e9rmico do Chile e \u00e9 o local da primeira usina sul-americana para aproveitar essa energia. Foto: Marianela Jarroud\/IPS\" width=\"340\" height=\"225\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O deserto de Atacama, o mais \u00e1rido do mundo, acolhe parte importante do potencial geot\u00e9rmico do Chile e \u00e9 o local da primeira usina sul-americana para aproveitar essa energia. Foto: Marianela Jarroud\/IPS<\/p><\/div>\n<p>A energia geot\u00e9rmica \u00e9 produzida pelo calor interno da Terra, que se concentra no subsolo em lugares conhecidos como dep\u00f3sitos geotermais, que produzem energia limpa de forma indefinida. Essa energia cal\u00f3rica \u00e9 transmitida para a superf\u00edcie e a for\u00e7a gerada pelo vapor \u00e9 aproveitada para impulsionar um turbina capaz de movimentar um gerador el\u00e9trico.<\/p>\n<p>As Filipinas possuem tr\u00eas das dez maiores centrais geot\u00e9rmicas do mundo, seguida por Estados Unidos e Indon\u00e9sia com duas cada, It\u00e1lia, M\u00e9xico e Isl\u00e2ndia com uma cada. O Chile, segundo estudos, \u00e9 um dos pa\u00edses com maior potencial geot\u00e9rmico na Am\u00e9rica Latina. Seu territ\u00f3rio longo e estreito se estende por 4.270 quil\u00f4metros sobre as faldas da Cordilheira dos Antes, a maior cadeia vulc\u00e2nica da Terra. O pa\u00eds tamb\u00e9m faz parte do Cintur\u00e3o de Fogo do Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Para os ambientalistas, a geotermia \u00e9 uma forma de gera\u00e7\u00e3o de relativo baixo impacto, desde que sejam respeitados par\u00e2metros de escala e localiza\u00e7\u00e3o. \u201cA geotermia \u00e9 uma energia renov\u00e1vel n\u00e3o convencional, na medida em que tem pertin\u00eancia territorial e cultural. A energia por si s\u00f3 n\u00e3o garante sua sustentabilidade social e ambiental\u201d, apontou \u00e0 IPS o engenheiro de geod\u00e9sia Lucio Cuenca, diretor do Observat\u00f3rio Latino-Americano de Conflitos Ambientais, com sede em Santiago. Respeitando esses par\u00e2metros, a geotermia \u201c\u00e9 uma \u00f3tima alternativa energ\u00e9tica\u201d para o pa\u00eds, acrescentou.<\/p>\n<p>No caso de Cerro Pabell\u00f3n, as comunidades pr\u00f3ximas pertencem \u00e0 reserva natural de Alto El Loa, formada pelas aldeias e comunidades de Caspana, Ayquina, Turi, Chiu Chiu, Cupo, Valle de Lasana, Taira e Ollag\u00fce, que, em conjunto, pouco superam os mil habitantes, na maioria ind\u00edgenas de atacamenhos e qu\u00e9chuas.<\/p>\n<p>O Conselho de Povos Origin\u00e1rios de Alto El Loa conseguiu que a Enap e a Enel assinassem um grupo de conv\u00eanios com essa representa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena para a implanta\u00e7\u00e3o de projetos de desenvolvimento social para essas comunidades, em compensa\u00e7\u00e3o pelo impacto do projeto, especialmente da linha de transmiss\u00e3o. Para os moradores de Alto El Loa, espalhados em lugares distantes em meio ao deserto de Atacama, se o projeto for sustent\u00e1vel e beneficiar sua comunidade, \u00e9 positivo.<\/p>\n<p>Entretanto, alertam para sua preocupa\u00e7\u00e3o a respeito de suas tradi\u00e7\u00f5es. \u201cGostaria que houvesse maior ajuda e, se isso serve, bem-vindo seja. \u00c0s vezes nos sentimos um pouco abandonados e isolados\u201d, contou \u00e0 IPS a atacamenha Luisa Ter\u00e1n, da comunidade de Caspana. \u201cMas deve ser com respeito \u00e0s nossas tradi\u00e7\u00f5es e isso \u00e9 o que mais exigem nossos av\u00f3s\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Outros, por\u00e9m, rejeitam o projeto por consider\u00e1-lo \u201cantinatural\u201d e \u201cviolento\u201d para o habitat da regi\u00e3o. \u201cSe algu\u00e9m causa dano \u00e0 Terra, de alguma forma esta vai cobrar. N\u00e3o se pode perfurar quil\u00f4metros para baixo e nada acontecer\u201d, pontuou \u00e0 IPS o guia tur\u00edstico V\u00edctor Arque, de San Pedro de Atacama, povoado do altiplano a cerca de 290 quil\u00f4metros de Ollag\u00fce.<\/p>\n<div id=\"attachment_199383\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/El-Tatio2.jpg\"><img class=\"wp-image-199383\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/El-Tatio2.jpg\" alt=\"Amanhecer entre os vapores dos g\u00eaiseres de El Tatio, norte do Chile, onde se come\u00e7a a tirar proveito dessa energia limpa e infinita com a constru\u00e7\u00e3o da Central Geot\u00e9rmica Cerro Pabell\u00f3n, no munic\u00edpio rural de Ollag\u00fce. Foto: Marianela Jarroud\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Amanhecer entre os vapores dos g\u00eaiseres de El Tatio, norte do Chile, onde se come\u00e7a a tirar proveito dessa energia limpa e infinita com a constru\u00e7\u00e3o da Central Geot\u00e9rmica Cerro Pabell\u00f3n, no munic\u00edpio rural de Ollag\u00fce. Foto: Marianela Jarroud\/IPS<\/p><\/div>\n<p>O Chile foi um pa\u00eds pioneiro no estudo do potencial geot\u00e9rmico. A primeira explora\u00e7\u00e3o foi realizada em 1907, em El Tatio, um campo de g\u00eaiseres a 200 quil\u00f4metros de Cerro Pabell\u00f3n e 4.300 metros de altitude. \u00c9 o terceiro do mundo, ap\u00f3s um nos Estados Unidos e outro na R\u00fassia. Em 1931, foram perfurados dois po\u00e7os nessa \u00e1rea e, no final da d\u00e9cada de 1960, o governo realizou explora\u00e7\u00f5es mais sistem\u00e1ticas, posteriormente abandonadas.<\/p>\n<p>Em 2008, a companhia Geot\u00e9rmica do Norte, do cons\u00f3rcio energ\u00e9tico italiano Enel, iniciou uma explora\u00e7\u00e3o na Quebrada do Zoquete, a poucos quil\u00f4metros de El Tatio, utilizando os equipamentos ali instalados. Em setembro do ano seguinte, uma coluna de vapor de \u00e1gua de 60 metros de altura se levantou de um dos po\u00e7os onde a empresa extra\u00eda e reinjetava fluidos geot\u00e9rmicos. Essa anomalia, provocada pela falha de uma das v\u00e1lvulas, durou mais de tr\u00eas semanas e levou o governo a revogar a permiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Tokman, ent\u00e3o ministro da Energia, recordou o epis\u00f3dio. \u201cFelizmente se tomou a precau\u00e7\u00e3o de exigir para esse projeto diferentes instrumentos de medi\u00e7\u00e3o para garantir que o reservat\u00f3rio-fonte fosse mais profundo e diferente do de El Tatio\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para Cuenca, o erro foi \u201cter reiniciado um programa de geotermia no Chile fazendo tudo o que n\u00e3o deveria ser feito, isto \u00e9, intervir em um lugar onde h\u00e1 comunidades ind\u00edgenas, que t\u00eam alto apre\u00e7o tur\u00edstico e econ\u00f4mico, s\u00f3 com a finalidade de aproveitar a infraestrutura que j\u00e1 estava instalada.<\/p>\n<p>Contudo, os especialistas alertam que a geotermia n\u00e3o \u00e9 nenhuma panaceia para resolver o d\u00e9ficit de energia do Chile, pois, se h\u00e1 algo que o pa\u00eds aprendeu, \u00e9 que \u00e9 preciso ter uma matriz diversificada. Mas, se for confirmado o potencial que o Chile apresenta, Cerro Pabell\u00f3n poderia abrir as portas para um desenvolvimento maior da geotermia, n\u00e3o apenas no pa\u00eds, mas tamb\u00e9m na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p><strong>Avan\u00e7os sul-americanos<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil tem as duas maiores reservas subterr\u00e2neas de \u00e1gua doce do mundo: o Aqu\u00edfero Guarani e Alter do Ch\u00e3o, mas sem potencial geot\u00e9rmico, segundo um estudo de 1984 atualmente em reavalia\u00e7\u00e3o. Dentro de um acordo com a Alemanha para buscar fontes alternativas de energia, est\u00e1 inclu\u00edda a geotermia.<\/p>\n<p>S\u00e3o seis os pa\u00edses latino-americanos que integram o Cintur\u00e3o de Fogo do Pac\u00edfico, um cord\u00e3o vulc\u00e2nico com territ\u00f3rios virgens para a explora\u00e7\u00e3o da geotermia: Argentina, Bol\u00edvia, Chile, Col\u00f4mbia, Equador e Peru.<\/p>\n<p>Em 1988, a Argentina construiu Copahue I, uma central geot\u00e9rmica experimental de capital japon\u00eas, que fornecia 0,67 MW e ficou inoperante. Atualmente, entre seus projetos energ\u00e9ticos est\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o da central geot\u00e9rmica Copahue II, nas termas de Copahue, na prov\u00edncia de Neuqu\u00e9n, que geraria 100 MW.<\/p>\n<p>No Peru, um estudo preliminar da Ag\u00eancia Internacional de Coopera\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o e do Minist\u00e9rio de Minas e Energia revelou, em 2013, que o pa\u00eds tem um potencial geot\u00e9rmico de tr\u00eas mil MW\/hora. Mas at\u00e9 agora n\u00e3o h\u00e1 projetos de usinas geot\u00e9rmicas.<\/p>\n<p>Em fevereiro, o presidente da Bol\u00edvia, Evo Morales, anunciou que, a partir de 2019, o pa\u00eds exportar\u00e1 eletricidade para seus vizinhos, procedente da Usina Geot\u00e9rmica Laguna Colorada. O projeto, financiado pelo Jap\u00e3o, tem duas etapas, cada uma de 50 MW. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Marianela Jarroud, da IPS &ndash;&nbsp; Ollag&uuml;e, Chile, 26\/8\/2015 &ndash; O Chile, um territ&oacute;rio cheio de vulc&otilde;es e g&ecirc;iseres, iniciou a constru&ccedil;&atilde;o da primeira usina geot&eacute;rmica da Am&eacute;rica do Sul, um projeto que busca ser a porta de entrada desse tipo de gera&ccedil;&atilde;o de energia no pa&iacute;s, cuja matriz energ&eacute;tica &eacute; composta majoritariamente por combust&iacute;veis f&oacute;sseis. 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