{"id":19560,"date":"2015-08-27T13:49:43","date_gmt":"2015-08-27T13:49:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=199434"},"modified":"2015-08-27T13:49:43","modified_gmt":"2015-08-27T13:49:43","slug":"america-latina-longe-da-meta-de-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/america-latina-longe-da-meta-de-internet\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Latina longe da meta de internet"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_199435\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/cepalmapa3-559x472-1.jpg\"><img class=\"wp-image-199435\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/cepalmapa3-559x472-1.jpg\" alt=\"Mapa da velocidade da banda larga na Am\u00e9rica Latina no final de 2014, segundo a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal). Foto: Cepal\" width=\"340\" height=\"287\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mapa da velocidade da banda larga na Am\u00e9rica Latina no final de 2014, segundo a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal). Foto: Cepal<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Emilio Godoy, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 27\/8\/2015 \u2013 Os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) incluir\u00e3o entre suas metas o fortalecimento da internet, e a Am\u00e9rica Latina come\u00e7ar\u00e1 seu cumprimento com atraso em aspectos importantes para ampliar seu uso educacional ou m\u00e9dico e aumentar sua seguran\u00e7a e a banda larga. Esse atraso se observa especialmente na constru\u00e7\u00e3o de pontos de interc\u00e2mbio de tr\u00e1fego da internet (IXP) e a migra\u00e7\u00e3o do protocolo de internet da vers\u00e3o 4 para a 6 (IPv6).<\/p>\n<p>No primeiro caso, esses pontos neutros de interconex\u00e3o permitem a gest\u00e3o veloz de maior qualidade de dados, porque circulam no territ\u00f3rio nacional sem necessidade de acessos para o exterior. Dessa forma baixam os custos e aumenta a qualidade do servi\u00e7o. No segundo, a vers\u00e3o IPv6 fornece espa\u00e7o de endere\u00e7os praticamente infinito, melhor suporte para seguran\u00e7a, computa\u00e7\u00e3o m\u00f3vel, melhor qualidade de servi\u00e7o e melhor desenho para o transporte de tr\u00e1fego multim\u00eddia em tempo real. Isso representa um enorme potencial para sua aplica\u00e7\u00e3o social em temas como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Lacier Dias, professor da consultoria brasileira VLSM, o avan\u00e7o no Brasil n\u00e3o \u00e9 suficiente. \u201cFalta investimento e mais infraestrutura. \u00c9 um desafio levar a internet para todo o pa\u00eds, pelo tamanho do territ\u00f3rio e pela dist\u00e2ncia. Outro desafio \u00e9 oferecer banda larga a todos os usu\u00e1rios\u201d, pontuou o especialista \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o, o Brasil lidera a opera\u00e7\u00e3o IXP, com 31 pontos, segundo o estudo de 2014, intitulado <em>Expans\u00e3o de Infraestrutura Regional para a Interconex\u00e3o de Tr\u00e1fego da Internet na Am\u00e9rica Latina<\/em>, elaborado pela Corpora\u00e7\u00e3o Andina de Fomento (CAF), que funciona como banco de desenvolvimento regional.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o do Brasil segue uma pol\u00edtica p\u00fablica a favor dessa infraestrutura, combinada com uma ag\u00eancia multissetorial eficaz, o Comit\u00ea Gestor da Internet (CGI), que administra a rede no pa\u00eds, com participa\u00e7\u00e3o do governo, das empresas, de acad\u00eamicos e da sociedade civil. Em 2004, o CGI lan\u00e7ou a iniciativa Ponto de Interc\u00e2mbio de Tr\u00e1fego para instalar mais IXPs entre universidades e provedores de servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00f5es e internet.<\/p>\n<p>Os 31 IXPs cobrem pelo menos 16 dos 26 Estados brasileiros, com pico de tr\u00e1fego agregado de 250 gigabytes. Foram identificados 16 pontos potenciais de IXP, enquanto pelo menos 47 est\u00e3o em avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_199436\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/cepal2.jpg\"><img class=\"wp-image-199436\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/cepal2.jpg\" alt=\"Evolu\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios de internet na Am\u00e9rica Latina, pa\u00eds por pa\u00eds, entre 2006 e 2013. Foto: Cepal\" width=\"340\" height=\"193\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Evolu\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios de internet na Am\u00e9rica Latina, pa\u00eds por pa\u00eds, entre 2006 e 2013. Foto: Cepal<\/p><\/div>\n<p>Na Argentina, o primeiro IXP foi instalado em 1998, e agora s\u00e3o 11 operando em cinco prov\u00edncias. Com isso se entrela\u00e7am mais de 80 operadores de redes mediante um n\u00f3 em Buenos Aires. O tr\u00e1fego total supera os oito gigabytes por segundo. Este concentrador, tamb\u00e9m conhecido pelo voc\u00e1bulo ingl\u00eas <em>hub<\/em>, \u00e9 administrado pela C\u00e2mara Argentina de Bases de Dados e Servi\u00e7os Online, que aglutina provedores de internet, telefonia e conte\u00fados online.<\/p>\n<p>O M\u00e9xico abriu seu \u00fanico IXP em 2014, administrado pelo Cons\u00f3rcio para o Interc\u00e2mbio de Tr\u00e1fego por Internet, integrado pela Corpora\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria para o Desenvolvimento de Internet e provedores de servi\u00e7os cibern\u00e9ticos. Os usu\u00e1rios desses pontos s\u00e3o provedores de internet, sistemas educacionais, governos e outros.<\/p>\n<p>Em uma c\u00fapula que reunir\u00e1 chefes de Estado e de governo na sede da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), em Nova York, entre os dias 25 e 27 de setembro, ser\u00e3o adotados os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), com 169 metas espec\u00edficas a serem alcan\u00e7adas at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>O nono ODS se refere a \u201cdesenvolver infraestruturas resilientes, promover a industrializa\u00e7\u00e3o inclusiva e sustent\u00e1vel, e fomentar a inova\u00e7\u00e3o\u201d, e dentro dele a meta 9-C fala em \u201cincrementar significativamente o acesso \u00e0 tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e das comunica\u00e7\u00f5es e se esfor\u00e7ar para proporcionar acesso universal \u00e0 internet nos pa\u00edses menos adiantados at\u00e9 2020\u201d.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, ao contr\u00e1rio da Europa, ainda n\u00e3o operam IXPs regionais para agregar tr\u00e1fego entre pa\u00edses.<\/p>\n<p>O informe <em>Estado da Banda Larga 2015<\/em>, lan\u00e7ado em julho pela Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal), indica que quase metade da popula\u00e7\u00e3o latino-americana usa internet. Chile, Argentina e Uruguai, nessa ordem, s\u00e3o os pa\u00edses com mais usu\u00e1rios conectados, enquanto Guatemala, Honduras e Nicar\u00e1gua t\u00eam menor n\u00famero, em uma regi\u00e3o dominada pela brecha no acesso entre as zonas rurais e urbanas.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 banda larga, o acesso \u00e0 internet de alta velocidade segundo padr\u00f5es da Comiss\u00e3o Federal das Comunica\u00e7\u00f5es, dos Estados Unidos, o estudo da Cepal indica que Uruguai, Argentina, Chile e M\u00e9xico apresentam as maiores conex\u00f5es superiores a dez megabytes por segundo, seguidos de Peru, Costa Rica, Venezuela e Bol\u00edvia. Por\u00e9m, o maior consumo de banda larga por dispositivos m\u00f3veis se d\u00e1 em Costa Rica, Brasil, Uruguai e Venezuela, e o menor ocorre em Paraguai, Guatemala, Peru e Nicar\u00e1gua.<\/p>\n<div id=\"attachment_199437\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/cepal13.jpg\"><img class=\"wp-image-199437\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/cepal13.jpg\" alt=\"Velocidade da banda larga nas conex\u00f5es fixas e m\u00f3veis em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, junto com outros de refer\u00eancia do Norte industrial. Foto: Cepal\" width=\"340\" height=\"189\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Velocidade da banda larga nas conex\u00f5es fixas e m\u00f3veis em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, junto com outros de refer\u00eancia do Norte industrial. Foto: Cepal<\/p><\/div>\n<p>\u201cA regi\u00e3o deve se interconectar mais, e para isso \u00e9 preciso fomentar o tr\u00e1fego de IXPs regionais. Em interc\u00e2mbio de tr\u00e1fego h\u00e1 muito por ser feito. N\u00e3o h\u00e1 n\u00f3s. \u00c9 preciso construir infraestrutura, com an\u00e9is regionais\u201d, disse \u00e0 IPS o secret\u00e1rio nacional de Tecnologias da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o do Paraguai, David Ocampos. Esse pa\u00eds constr\u00f3i seu primeiro ponto IXP.<\/p>\n<p>De todo o conte\u00fado consultado na Am\u00e9rica Latina, apenas 30% s\u00e3o produzidos em alguns de seus pa\u00edses, o que \u00e9 atribu\u00eddo \u00e0 disponibilidade de banda larga e a infraestruturas como pontos IXP e IPv6, segundo o estudo <em>O Ecossistema e a Economia Digital na Am\u00e9rica Latina<\/em>, elaborado pelo Centro de Estudos de Telecomunica\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina\u201d.<\/p>\n<p>Dos cem sites mais populares na regi\u00e3o, apenas 26 s\u00e3o criados em algum de seus pa\u00edses, embora o consumo de cibertr\u00e1fego por usu\u00e1rio tenha subido 62% nos \u00faltimos anos, acima do crescimento m\u00e9dio mundial. Nos pa\u00edses latino-americanos foram investidos US$ 150 bilh\u00f5es em telecomunica\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos sete anos, mas para os pr\u00f3ximos sete s\u00e3o necess\u00e1rios mais US$ 400 bilh\u00f5es para fechar a brecha digital.<\/p>\n<p>O CAF prop\u00f5e a constru\u00e7\u00e3o de tr\u00eas IXPs inter-regionais, situados em Brasil, Panam\u00e1 e Peru, bem como tr\u00eas tipos de conex\u00e3o nacionais no resto da regi\u00e3o, para se integrarem \u00e0s primeiras.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao IPv6, lan\u00e7ado mundialmente em 2012, a Am\u00e9rica Latina e o Caribe transitam lentamente para esse padr\u00e3o. A regi\u00e3o esgotou oficialmente, em junho de 2014, o espa\u00e7o de endere\u00e7os IPv4 que lhe foi designado. No ano passado, o Brasil possu\u00eda quase 54% desse espa\u00e7o regional, o M\u00e9xico 10%, Argentina 10%, Chile quase 6% e Col\u00f4mbia quase 4%, segundo estat\u00edsticas do Registro de Endere\u00e7os de Internet para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe.<\/p>\n<p>No protocolo IPv6, o Brasil comanda a lista, com 70%, Argentina 9%, Col\u00f4mbia 3%, Chile 2,5% e M\u00e9xico 2,3%. \u201cCom o IPv6 pode-se abarcar todos os usu\u00e1rios de internet, redes de terceira gera\u00e7\u00e3o, m\u00f3veis. A partir deste ano, o Brasil s\u00f3 compra equipamentos tecnol\u00f3gicos que suportem IPv6\u201d, afirmou Dias.<\/p>\n<p>Por sua vez, Ocampos ressaltou que \u201ctodos apostam no IPv6, \u00e9 a migra\u00e7\u00e3o natural da internet. Com mais IXPs, vem a passagem para o IPv6. A banda larga impulsiona o IPv6 e permite o aumento do n\u00famero de usu\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>A Cepal indica que, em 2013, a penetra\u00e7\u00e3o de banda larga fixa ficou em 9% na regi\u00e3o e em 30% na m\u00f3vel. Dos 18 pa\u00edses analisados, em 16 h\u00e1 maior penetra\u00e7\u00e3o de banda larga m\u00f3vel do que fixa. A Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas, que re\u00fane 12 pa\u00edses, constr\u00f3i um anel de mais de dez mil quil\u00f4metros de fibra \u00f3tica para unir os integrantes do bloco. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Emilio Godoy, da IPS &ndash;&nbsp; Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 27\/8\/2015 &ndash; Os Objetivos de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ODS) incluir&atilde;o entre suas metas o fortalecimento da internet, e a Am&eacute;rica Latina come&ccedil;ar&aacute; seu cumprimento com atraso em aspectos importantes para ampliar seu uso educacional ou m&eacute;dico e aumentar sua seguran&ccedil;a e a banda larga. 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