{"id":19562,"date":"2015-08-28T12:29:35","date_gmt":"2015-08-28T12:29:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=199497"},"modified":"2015-08-28T13:45:35","modified_gmt":"2015-08-28T13:45:35","slug":"criancas-africanas-vitimas-da-miseria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/criancas-africanas-vitimas-da-miseria\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as africanas v\u00edtimas da mis\u00e9ria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_199498\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/infancia-629x420.jpg\"><img class=\"wp-image-199498\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/infancia-629x420.jpg\" alt=\"As crian\u00e7as da \u00c1frica continuam sendo as principais v\u00edtimas da mis\u00e9ria no continente. Foto: Jeffrey Moyo\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As crian\u00e7as da \u00c1frica continuam sendo as principais v\u00edtimas da mis\u00e9ria no continente. Foto: Jeffrey Moyo\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Jeffrey Moyo, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Harare, Zimb\u00e1bue, 28\/8\/2015 \u2013 \u201cA pobreza se converteu em parte de mim\u201d, afirmou Aminata Kabangele, origin\u00e1ria da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. \u201cAprendi a viver com a realidade de que ningu\u00e9m se preocupa por mim\u201d, acrescentou. Esta adolescente de 13 anos, que fugiu de seu pa\u00eds depois que toda sua fam\u00edlia foi assassinada por rebeldes armados e vive no acampamento de Tongogara, em Chipinge, na fronteira oriental do Zimb\u00e1bue, contou \u00e0 IPS que n\u00e3o tem outra op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser se conformar com seu destino de pobreza.<\/p>\n<p>O primeiro dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM), com os quais se comprometeram os governos do mundo em 2000, era o de erradicar a pobreza extrema e a fome at\u00e9 2015, mas a realidade \u00e9 que milh\u00f5es de africanos sobrevivem na mis\u00e9ria e que suas meninas e seus meninos s\u00e3o as principais v\u00edtimas. \u201cEm qualquer pa\u00eds da \u00c1frica que se olhe, as crian\u00e7as s\u00e3o as que sofrem a pobreza e muitas ficam \u00f3rf\u00e3s\u201d, ressaltou \u00e0 IPS Melody Nhemachena, trabalhadora social independente no Zimb\u00e1bue.<\/p>\n<p>Com base em um informe do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), de 2003, o Banco Mundial estima que cerca de 400 milh\u00f5es de crian\u00e7as menores de 17 anos viviam em condi\u00e7\u00f5es de extrema pobreza no mundo, a maioria delas na \u00c1frica e na \u00c1sia. Defensores dos direitos humanos dizem que a crescente pobreza que sofrem as fam\u00edlias africanas tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pelo fato de aproximadamente 200 mil menores \u2013 segundo estimativas da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) \u2013 acabarem escravizados a cada ano.<\/p>\n<p>\u201cMuitas fam\u00edlias vivem em uma pobreza abjeta na \u00c1frica e se veem obrigadas a entregar seus filhos em troca de comida, para pessoas que supostamente os empregar\u00e3o ou cuidar\u00e3o deles, mas n\u00e3o costuma ser assim e acabam realizando trabalhos for\u00e7ados e ganhando quase nada\u201d, explicou \u00e0 IPS Amukusana Kalenga, defensora dos direitos da inf\u00e2ncia em Z\u00e2mbia. A \u00c1frica ocidental \u00e9 uma das regi\u00f5es deste continente onde o trabalho escravo moderno tamb\u00e9m afeta os menores de idade.<\/p>\n<p>Para muitas fam\u00edlias de Benin, um dos pa\u00edses mais pobres do mundo, \u201cse algu\u00e9m se oferece para levar as crian\u00e7as, \u00e9 quase um al\u00edvio\u201d, segundo Mike Sehil, que viajou \u00e0 \u00c1frica ocidental pela organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria brit\u00e2nica Anti-Slavery International para fotografar menores escravos ou em casamento for\u00e7ado.<\/p>\n<p>A rede mundial de sindicatos, professores e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil Global March Against Child Labour (Marcha Global Contra o Trabalho Infantil), informou que um estudo de 2010 concluiu que \u201ca arrepiante quantidade de 1,8 milh\u00e3o de crian\u00e7as de cinco a 17 anos trabalham em fazendas de cacau na Costa do Marfim e em Gana, com sequelas para seu bem-estar f\u00edsico, emocional, cognitivo e moral\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO tr\u00e1fico de menores \u00e9 real\u201d, destacou M\u00e9lanie Mbadinga Mtsanga, diretora geral de Assuntos Sociais do Gab\u00e3o, em uma confer\u00eancia sobre preven\u00e7\u00e3o ao tr\u00e1fico infantil realizada na cidade de Pointe Noire, no Congo, em 2012. \u201cO Gab\u00e3o, por exemplo, \u00e9 considerado um Eldorado e concentra muitos imigrantes da \u00c1frica ocidental que traficam menores\u201d, acrescentou. Esse pa\u00eds \u00e9 um importante lugar de destino e tr\u00e2nsito de mulheres e menores submetidos a trabalho for\u00e7ado e tr\u00e1fico sexual, segundo o relat\u00f3rio sobre tr\u00e1fico de pessoas de 2011 do Departamento de Estado norte-americano.<\/p>\n<p>Na Nig\u00e9ria, o pa\u00eds mais povoado da \u00c1frica, um estudo sobre pobreza infantil concluiu que mais de 70% das crian\u00e7as n\u00e3o foram registradas ao nascerem, enquanto mais de 30% sofrem grave car\u00eancia educional. Segundo o Unicef, na Nig\u00e9ria, cerca de 4,7 milh\u00f5es de meninos e meninas em idade escolar n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 escola.<\/p>\n<p>\u201cAlgumas dessas crian\u00e7as, entre as quais h\u00e1 as de apenas 13 anos, servem em grupos terroristas como o Boko Haram e frequentemente participam de opera\u00e7\u00f5es suicidas ou espionagem\u201d, detalhou \u00e0 IPS a nigeriana Hillary Akingbade, especialista independente em gest\u00e3o de conflitos. \u201cAs crian\u00e7as costumam terminar como escravas sexuais, enquanto outras s\u00e3o sequestradas ou recrutadas \u00e0 for\u00e7a, e outras, ainda, se unem por desespero, acreditando que os grupos armados s\u00e3o sua melhor op\u00e7\u00e3o para sobreviver\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Akingbade tamb\u00e9m apontou a realidade de pobreza em que vivem os menores na Rep\u00fablica Centro-Africana, onde se estima que entre seis mil e dez mil crian\u00e7as se integraram a grupos armados ap\u00f3s o come\u00e7o da cruel guerra civil, em dezembro de 2012, segundo a organiza\u00e7\u00e3o Save the Children. A viol\u00eancia se disseminou nesse pa\u00eds quando o rebelde grupo mu\u00e7ulmano S\u00e9l\u00e9ka assumiu o controle da capital, Bangui, em mar\u00e7o de 2013, o que gerou uma rea\u00e7\u00e3o violenta das mil\u00edcias crist\u00e3s.<\/p>\n<p>Um informe da Save the Children, de 2013, indica que na Rep\u00fablica Centro-Africana os grupos armados recrutam menores de apenas oito anos, alguns obrigados a integrar suas fileiras e outros empurrados pela pobreza imperante.<\/p>\n<p>No ano passado, a ONU denunciou que o recrutamento de menores no contexto da guerra civil do Sud\u00e3o do Sul era \u201cenorme\u201d e estimou que havia 11 mil meninos e meninas tanto em fileiras rebeldes como governamentais, alguns deles tendo se unido de forma volunt\u00e1ria, enquanto outros foram obrigados por seus pais, sempre com a esperan\u00e7a de melhorar sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Enquanto isso, no acampamento de refugiados de Tongogara, no Zimb\u00e1bue, Kabangele est\u00e1 resignada. \u201cCa\u00ed na pior pobreza desde que cheguei aqui com outros congolenses que fugiam e, para muitas crian\u00e7as do acampamento como eu, a pobreza est\u00e1 na ordem do dia\u201d, lamentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Jeffrey Moyo, da IPS &ndash;&nbsp; Harare, Zimb&aacute;bue, 28\/8\/2015 &ndash; &ldquo;A pobreza se converteu em parte de mim&rdquo;, afirmou Aminata Kabangele, origin&aacute;ria da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo. &ldquo;Aprendi a viver com a realidade de que ningu&eacute;m se preocupa por mim&rdquo;, acrescentou. 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