{"id":19567,"date":"2015-08-28T12:47:19","date_gmt":"2015-08-28T12:47:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=199521"},"modified":"2015-08-28T12:47:19","modified_gmt":"2015-08-28T12:47:19","slug":"a-guerra-do-mexico-contra-os-imigrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/a-guerra-do-mexico-contra-os-imigrantes\/","title":{"rendered":"A guerra do M\u00e9xico contra os imigrantes"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_199522\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/mexico-463x472.jpg\"><img class=\"wp-image-199522\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/mexico-463x472.jpg\" alt=\"Familiares cobram uma investiga\u00e7\u00e3o oficial sobre o que ocorreu com os migrantes desaparecidos, bem como a cria\u00e7\u00e3o de uma base de dados. Foto: Emilio Godoy\/IPS\" width=\"340\" height=\"347\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Familiares cobram uma investiga\u00e7\u00e3o oficial sobre o que ocorreu com os migrantes desaparecidos, bem como a cria\u00e7\u00e3o de uma base de dados. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Carolina Jim\u00e9nez*<\/em><\/p>\n<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 28\/7\/2015 \u2013 \u201cRezem por mim\u201d. Essas foram as \u00faltimas palavras que a hondurenha Eva Hern\u00e1ndez disse a sua m\u00e3e, \u00c9lida, em uma p\u00e9ssima liga\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica na noite de 22 de agosto de 2010. A jovem de 25 anos estava prestes a embarcar em um ve\u00edculo que a levaria, junto com outros 72 homens e mulheres, \u00e0 fronteira de Honduras com o M\u00e9xico e depois para os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Eva queria chegar ao que considerava como \u201cterra prometida\u201d e encontrar um trabalho que lhe desse dinheiro suficiente para manter seus pais e seus tr\u00eas filhos pequenos em El Progresso, Honduras. Mas ela e seus companheiros de viagem, com exce\u00e7\u00e3o de um, n\u00e3o chegaram ao destino desejado. Dois dias mais tarde, quando \u00c9lida assistia ao notici\u00e1rio noturno na televis\u00e3o, seu pior pesadelo se fez realidade.<\/p>\n<p>As imagens dos corpos sem vida de 71 homens e mulheres encheram a tela, v\u00edtimas do que agora se conhece como o primeiro massacre de San Fernando, localidade do Estado mexicano de Tamaulipas. \u00c9lida reconheceu a roupa de sua filha em um dos cad\u00e1veres. \u201cNo dia seguinte, compramos os jornais para ver se pod\u00edamos confirmar que era ela pelas fotos. Sentia que era ela, mas n\u00e3o estava certa, ningu\u00e9m quer ver sua filha morta desse jeito\u201d, contou \u00c9lida.<\/p>\n<p>A \u00fanica informa\u00e7\u00e3o sobre como aconteceu o massacre surgiu do testemunho de seu \u00fanico sobrevivente, que desde ent\u00e3o vive o terror, por receber numerosas amea\u00e7as de morte. \u00c9lida n\u00e3o tinha dinheiro suficiente pra viajar a Tegucigalpa e exigir mais informa\u00e7\u00e3o ou medidas da embaixada mexicana na capital hondurenha. E tamb\u00e9m ningu\u00e9m se comunicou com ela.<\/p>\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a ganhar ritmo quando uma organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos entrou em contato com a fam\u00edlia. Dois anos se passaram antes que \u00c9lida recebesse um telefonema da embaixada do M\u00e9xico em Tegucigalpa confirmando que Eva havia morrido. \u201cEntrei em choque. Suspeitei que era ela mas nunca se quer aceitar que sua filha est\u00e1 morta. Como Eva, as pessoas morrem nessa rota o tempo todo. Tudo o que quero \u00e9 justi\u00e7a para que isto n\u00e3o volte a acontecer\u201d, alertou.<\/p>\n<p>\u00c9lida n\u00e3o est\u00e1 sozinha. O massacre de San Fernando oferece um ind\u00edcio de uma crise impactante que estava sendo gestada h\u00e1 anos. Homens, mulheres e crian\u00e7as, em uma busca desesperada por melhores oportunidades de vida ou sob amea\u00e7a de morte por parte de grupos criminosos em uma Am\u00e9rica Central marcada pela viol\u00eancia, se aventuram nesta perigosa travessia com pouco a perder, salvo suas vidas.<\/p>\n<p>Esses grupos criminosos \u2013 que se acredita operam em coniv\u00eancia com as autoridades mexicanas \u2013 atacam os migrantes no caminho. As mulheres s\u00e3o v\u00edtimas de tr\u00e1fico sexual. Os homens s\u00e3o torturados e muitos acabam sequestrados para obter resgate. Poucos chegam \u00e0 fronteira sem ter sofrido abuso de seus direitos humanos. Muitos desaparecem no caminho e nunca mais s\u00e3o encontrados.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros s\u00e3o impactantes e apenas come\u00e7am a contar sua hist\u00f3ria. Seis meses depois do massacre de San Fernando, 193 cad\u00e1veres foram encontrados em 47 fossas comuns na mesma localidade. Um ano depois, 49 torsos desmembrados, aparentemente de migrantes ilegais, apareceram na cidade de Cadereyta Jim\u00e9nez, no vizinho Estado de Nuevo Le\u00f3n. Em 2013, uma comiss\u00e3o forense formada pelos familiares dos migrantes, organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, antrop\u00f3logos forenses e funcion\u00e1rios governamentais come\u00e7ou a identificar os restos dos massacres.<\/p>\n<p>Segundo dados do Instituto Nacional de Migra\u00e7\u00e3o do M\u00e9xico, os sequestros de migrantes aumentaram dez vezes entre 2013 e 2014, com 62 den\u00fancias registradas em 2013 e 682 no ano seguinte. As autoridades mexicanas se apressaram a culpar pelos abusos os poderosos grupos criminosos, fazendo caso omisso da evid\u00eancia que aponta para o fato de as for\u00e7as de seguran\u00e7a tamb\u00e9m costumarem estar envolvidas nos sequestros e assassinatos.<\/p>\n<p>Mas os desaparecidos do M\u00e9xico s\u00e3o invis\u00edveis. Ou as autoridades fazem vista grossa. No entanto, os relatos de morte e sofrimento continuam aumentando. Poucos dias depois do massacre de San Fernando, o ent\u00e3o presidente mexicano, Felipe Calder\u00f3n, se comprometeu a aplicar um plano coordenado que acabasse com os sequestros e assassinatos dos migrantes. Cinco anos depois, pouco foi feito. J\u00e1 o presidente atual, Enrique Pe\u00f1a Nieto, escolheu uma estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a, e n\u00e3o de direitos humanos, para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para a crise de migrantes que seu pa\u00eds vive.<\/p>\n<p>Em recente visita a Washington, felicitou seu colega norte-americano, Barack Obama, por seu plano para proteger da deporta\u00e7\u00e3o milh\u00f5es de imigrantes ilegais que vivem nos Estados Unidos, e o descreveu como um \u201cato de justi\u00e7a\u201d. Simultaneamente, Nieto fez muito pouco para remediar os abusos contra os migrantes que acontecem em seu pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00e3o existem f\u00f3rmulas m\u00e1gicas que resolvam este complexo emaranhado de crimes, drogas, viol\u00eancia e coniv\u00eancia oficial, mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que as autoridades mexicanas podem e devem fazer mais para acabar com ele. Destinar mais e melhores recursos para realiza\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00f5es eficazes dos massacres e oferecer prote\u00e7\u00e3o aos milhares de migrantes que cruzam o pa\u00eds s\u00e3o duas medidas que n\u00e3o podem demorar mais.<\/p>\n<p>Ao fazer isso, o M\u00e9xico enviar\u00e1 a forte mensagem de que as autoridades desse pa\u00eds querem verdadeiramente aplicar a justi\u00e7a no caso dos migrantes. J\u00e1 conhecemos as macabras consequ\u00eancias de n\u00e3o se fazer o suficiente. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Carolina Jim\u00e9nez <\/strong>\u00e9 subdiretora de Pesquisa para as Am\u00e9ricas da Anistia Internacional.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Carolina Jim&eacute;nez* Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 28\/7\/2015 &ndash; &ldquo;Rezem por mim&rdquo;. 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