{"id":19571,"date":"2015-08-27T13:26:26","date_gmt":"2015-08-27T13:26:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=199509"},"modified":"2015-08-27T13:26:26","modified_gmt":"2015-08-27T13:26:26","slug":"mudanca-climatica-afeta-pesca-e-lagos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/mudanca-climatica-afeta-pesca-e-lagos\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a clim\u00e1tica afeta pesca e lagos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_199510\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/uganda1-629x387.jpg\"><img class=\"wp-image-199510\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/uganda1-629x387.jpg\" alt=\"Estudos demonstram que as esp\u00e9cies locais de peixes de Uganda, capturadas no lago Victoria, diminuem devido \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da temperatura em raz\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Foto: Wambi Michael\/IPS\" width=\"340\" height=\"209\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Estudos demonstram que as esp\u00e9cies locais de peixes de Uganda, capturadas no lago Victoria, diminuem devido \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da temperatura em raz\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Foto: Wambi Michael\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Wambi Michael, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Kampala, Uganda, 27\/8\/2015 \u2013 A mudan\u00e7a clim\u00e1tica reduz o n\u00famero de algumas esp\u00e9cies de peixes nos lagos de Uganda e de seus vizinhos na \u00c1frica oriental, com consequ\u00eancias negativas para milh\u00f5es de pessoas que dependem da pesca para se alimentar e ganhar a vida. Numerosos estudos realizados em lagos deste pa\u00eds, inclusive no Victoria, compartilhado por tr\u00eas pa\u00edses, indicam que esp\u00e9cies locais de peixes diminu\u00edram devido ao aumento da temperatura da \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201cNo lago Victoria e em outros h\u00e1 uma mudan\u00e7a na composi\u00e7\u00e3o dos peixes. Antes dominavam exemplares grandes, e agora a reserva est\u00e1 composta de peixes pequenos\u201d, disse \u00e0 IPS Jackson Efitre, especialista em gest\u00e3o pesqueira e ci\u00eancias aqu\u00e1ticas da Universidade de Makerere, em Uganda. \u201cIsso significa que esses s\u00e3o os que se adaptaram bem \u00e0s condi\u00e7\u00f5es vari\u00e1veis\u201d, acrescentou. \u201cSe continuar assim, a pergunta \u00e9 se veremos nossa popula\u00e7\u00e3o de peixes dominada por exemplares de tamanho e valor menores\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Em Uganda, a pesca representa 2,5% do or\u00e7amento nacional e 12,5% do produto interno bruto (PIB) agr\u00edcola. Emprega 1,2 milh\u00e3o de pessoas, gera cerca de US$ 100 milh\u00f5es em exporta\u00e7\u00f5es e fornece aproximadamente 50% das prote\u00ednas da dieta dos seu habitantes.<\/p>\n<p>Efitre participou do estudo <em>Aplica\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas Para Enfrentar a Influ\u00eancia da Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica nos Ecossistemas Ribeirinhos e Aqu\u00e1ticos Internos, na Pesca e nos Modos de Vida<\/em>, que analisa a influ\u00eancia da variabilidade clim\u00e1tica e da mudan\u00e7a nos recursos pesqueiros e no modo de vida, com estudos de casos dos lagos Wamala e Kawi, nas bacias dos rios Victor e Kyoga. Tamb\u00e9m avalia at\u00e9 que ponto as pol\u00edticas atuais podem ser aplicadas para amenizar os impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, bem como qualquer outro problema relacionado.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es do estudo indicam que as temperaturas no entorno dos lagos sempre variaram, mas aumentam de forma constante entre 0,02 e 0, 03 graus Celsius ao ano desde a d\u00e9cada de 1980, e que as precipita\u00e7\u00f5es se desviaram das m\u00e9dias hist\u00f3ricas, sendo que no lago Wamala, mas n\u00e3o no Kawi, se situam, geralmente, acima da m\u00e9dia desde ent\u00e3o. Os resultados s\u00e3o consistentes com o informe do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC) de 2007 e 2014 para a regi\u00e3o da \u00c1frica oriental.<\/p>\n<p>\u201cOs peixes dependem do ambiente\u201d, afirmou Mark Olokotum, outro dos pesquisadores. \u201cE se aumenta a quantidade de peixes capturados para se ter mais exemplares ou se adquire mais equipamentos para pescar mais. Quando isso acontece, se passa mais tempo pescando, e se ganha muito menos apesar de o pre\u00e7o ser alto porque n\u00e3o h\u00e1 peixes. Por isso, as pessoas comem o que encontram\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Olokotum explicou que o equil\u00edbrio h\u00eddrico da maioria dos sistemas aqu\u00e1ticos de Uganda est\u00e1 determinado pelas chuvas, e a temperatura pela evapora\u00e7\u00e3o. Cerca de 80% do ganho de \u00e1gua no lago Wamala procede da chuva, enquanto 86% da perda \u00e9 pela evapora\u00e7\u00e3o, o que leva a um equil\u00edbrio negativo e \u00e0 impossibilidade de o lago reter os n\u00edveis hist\u00f3ricos de \u00e1gua, destacou.<\/p>\n<p>\u201cEmbora se preveja que as chuvas aumentar\u00e3o na \u00c1frica oriental pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica, o ganho poder\u00e1 ficar neutralizado pela maior evapora\u00e7\u00e3o associada \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da temperatura, a menos que o aumento das chuvas supere a perda de evapora\u00e7\u00e3o\u201d, destacou Olokotum.<\/p>\n<p>Essas mudan\u00e7as dificultaram a vida de pessoas como Clement Opedum e seus oito filhos, que dependem do lago para se alimentar e ganhar a vida. Opedum sempre dependeu do lago Wamala para viver. Antes, a venda de til\u00e1pia, com a qual vivia toda sua fam\u00edlia e as de outros pescadores, era r\u00e1pida nos distritos vizinhos, e alguns compradores procediam da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Ao longo dos anos, o lago se afastou de sua antiga faixa costeira, deixando Opedum e seus vizinhos desprovidos e diante da amea\u00e7a de seu desaparecimento total.<\/p>\n<p>Outro pescador da regi\u00e3o, Charles Lugambwa, teve que se dedicar \u00e0 agricultura e agora cultiva inhame, batata doce e feij\u00f5es, em um terreno que antes estava debaixo da \u00e1gua. Ele contou \u00e0 IPS que, al\u00e9m da til\u00e1pia, come\u00e7aram a desaparecer outras esp\u00e9cies do lago, em 30 ou mais anos em que reside na regi\u00e3o. \u201cEm 1994, o lago secou completamente, mas voltou em 1998 ap\u00f3s fortes chuvas. Costum\u00e1vamos pescar til\u00e1pias bem grandes, mas agora s\u00e3o bem pequenas, apesar de serem exemplares adultos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Cientistas explicam que as causas da redu\u00e7\u00e3o do lago incluem a evapora\u00e7\u00e3o, o aumento de cultivos em suas margens, o corte de \u00e1rvores e a destrui\u00e7\u00e3o dos mangues, enquanto a redu\u00e7\u00e3o do tamanho da til\u00e1pia se relaciona com o aumento da temperatura devido ao aquecimento global.<\/p>\n<p>O pesquisador Richard Ogutu-Ohwayo, do Instituto Nacional de Pesquisa de Recursos Pesqueiros, disse \u00e0 IPS que a resposta \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica em Uganda se concentra na agricultura, na pecu\u00e1ria e na silvicultura, praticamente sem atender o setor pesqueiro. \u201c\u00c9 hora de o governo tomar medidas para incorporar os ecossistemas aqu\u00e1ticos e a pesca \u00e0s respostas contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Segundo Ogutu-Ohwayo, a Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica e a Pol\u00edtica da Comunidade da \u00c1frica Oriental sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica preveem constru\u00e7\u00e3o de capacidades, gera\u00e7\u00e3o de conhecimento e identifica\u00e7\u00e3o de medidas de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o para reduzir os impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, mas apenas se forem implantadas.<\/p>\n<p>Uganda possui uma pol\u00edtica h\u00eddrica que prev\u00ea a prote\u00e7\u00e3o e a gest\u00e3o do recurso, pontuou Ogutu-Ohwayo, e \u201cdevemos aplic\u00e1-la para administrar a \u00e1gua nos lagos Wamala, Kawi e outros, mediante um enfoque integrado que inclua a prote\u00e7\u00e3o dos mangues, as margens lacustres e as margens fluviais, bem como controlar a extra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua\u201d. Como outras na\u00e7\u00f5es da \u00c1frica oriental, Uganda tem uma grande depend\u00eancia da captura pesqueira ou da pesca natural, com uma tend\u00eancia a marginalizar a aquicultura na hora de destinar recursos e desenvolver recursos humanos.<\/p>\n<p>Como a mudan\u00e7a clim\u00e1tica faz com que diminua o tamanho dos peixes e das reservas pesqueiras, os especialistas dizem que a pesca nos lagos j\u00e1 n\u00e3o basta para atender a demanda, seja do consumo local ou para exporta\u00e7\u00e3o. As unidades de processamento de pescado pr\u00f3ximas ao lago Victoria, por exemplo, operam com menos de 50% de sua capacidade e algumas j\u00e1 fecharam.<\/p>\n<p>Justus Rutaisire, respons\u00e1vel de agricultura na Organiza\u00e7\u00e3o Nacional para a Pesquisa em Agricultura de Uganda, observou \u00e0 IPS que essa t\u00e9cnica poderia ser usada como uma das medidas de adapta\u00e7\u00e3o para ajudar as comunidades pesqueiras a completar suas necessidades. Mas acrescentou que, na maioria dos pa\u00edses da \u00c1frica oriental, o desenvolvimento da aquicultura est\u00e1 limitado pela pouca ado\u00e7\u00e3o das tecnologias apropriadas, pelo inadequado investimento em pesquisa e em servi\u00e7os de extens\u00e3o. \u201cSe n\u00e3o podemos acordar medidas e implant\u00e1-las com rapidez, estamos condenando \u00e0 morte essas comunidades\u201d, alertou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Wambi Michael, da IPS &ndash;&nbsp; Kampala, Uganda, 27\/8\/2015 &ndash; A mudan&ccedil;a clim&aacute;tica reduz o n&uacute;mero de algumas esp&eacute;cies de peixes nos lagos de Uganda e de seus vizinhos na &Aacute;frica oriental, com consequ&ecirc;ncias negativas para milh&otilde;es de pessoas que dependem da pesca para se alimentar e ganhar a vida. 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