{"id":19573,"date":"2015-08-31T13:15:38","date_gmt":"2015-08-31T13:15:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=199535"},"modified":"2015-08-31T13:15:38","modified_gmt":"2015-08-31T13:15:38","slug":"o-brasil-a-beira-do-equilibrio-instavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/08\/ultimas-noticias\/o-brasil-a-beira-do-equilibrio-instavel\/","title":{"rendered":"O Brasil \u00e0 beira do equil\u00edbrio inst\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_199536\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Fernando.jpg\"><img class=\"wp-image-199536\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Fernando.jpg\" alt=\"Fernando Cardim de Carvalho. Foto: IPS\" width=\"340\" height=\"191\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Fernando Cardim de Carvalho. Foto: IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Fernando Cardim de Carvalho*\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, agosto\/2015 \u2013 Enquanto a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil parece alcan\u00e7ar um estado de equil\u00edbrio inst\u00e1vel, ou, mais diretamente, que a instabilidade se transforma em um ponto morto, a economia continua se deteriorando.<\/p>\n<p>O agravamento dos conflitos pol\u00edticos que poderiam levar ao colapso absoluto da economia parece ter se atenuado pela passagem, no dia 7 de abril, do poder pol\u00edtico real da presidente Dilma Rousseff para o vice-presidente Michel Temer.<\/p>\n<p>Temer conseguiu trazer de volta o grupo governamental de Renan Calheiros, o presidente do Senado, com um acordo de divis\u00e3o do poder destinado a isolar o presidente da C\u00e2mara Federal, Eduardo Cunha, que assumiu uma postura muito mais radical.<\/p>\n<p>O acordo funciona at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p>A press\u00e3o para que a presidente demita, ou para que os \u00f3rg\u00e3os competentes iniciem os procedimentos de julgamento pol\u00edtico, parece ter alcan\u00e7ado seu limite.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o popular ao governo federal, que \u00e9 bem forte em S\u00e3o Paulo \u2013 como demonstraram as manifesta\u00e7\u00f5es maci\u00e7as de mar\u00e7o e abril e, mais recentemente, do dia 16 deste m\u00eas \u2013, n\u00e3o teve o crescimento de bola de neve que seus dirigentes esperavam.<\/p>\n<p>Em resumo, as posi\u00e7\u00f5es parecem ter se solidificado na medida em que se alcan\u00e7ou certo grau de acordo pol\u00edtico.<\/p>\n<p>O PMDB tomou a dianteira do lado do governo, e a oposi\u00e7\u00e3o formal a Dilma Rousseff, inclu\u00eddo o partido que lidera nominalmente a oposi\u00e7\u00e3o, o PSDB, se reuniu em torno de Cunha, que continua sendo sua melhor esperan\u00e7a para o caminho de um julgamento pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Nesse ponto as manifesta\u00e7\u00f5es de rua n\u00e3o parecem capazes de mudar o cen\u00e1rio. Mas cabe assinalar que somente a oposi\u00e7\u00e3o foi capaz de organizar protestos com multid\u00f5es. As tentativas dos grupos pr\u00f3-governamentais de fazer o mesmo a favor do governo tiveram pouco ou escasso \u00eaxito.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a economia brasileira continua se deteriorando. O impacto de contra\u00e7\u00e3o do ajuste fiscal foi maior do que o esperado, porque ningu\u00e9m pode prever o que vir\u00e1, embora, de fato, as medidas anunciadas venham a ser implantadas, enquanto as dificuldades atuais, inclu\u00eddas as fiscais, continuar\u00e3o crescendo.<\/p>\n<p>O governo federal n\u00e3o conseguiu aprovar as medidas de contra\u00e7\u00e3o que, segundo argumentava, eram essenciais, criando, assim, um beco sem sa\u00edda pelo qual se prev\u00ea que o \u00eaxito do governo ser\u00e1 muito ruim para o pa\u00eds, mas o seu fracasso ser\u00e1 ainda pior.<\/p>\n<p>Muitos economistas fazem um progn\u00f3stico de queda, em 2015, do produto interno bruto (PIB) pr\u00f3xima dos 2%, e adiam a possibilidade de recupera\u00e7\u00e3o at\u00e9 2017, pelo menos.<\/p>\n<p>Se essa contra\u00e7\u00e3o realmente acontecer, ser\u00e1 uma das recess\u00f5es mais graves da hist\u00f3ria recente, muito pior do que a ocorrida em 2008 e 2009.<\/p>\n<p>Os motivos s\u00e3o complexos e o governo tem raz\u00e3o, em parte, ao apontar a piora do cen\u00e1rio pol\u00edtico externo. A China j\u00e1 n\u00e3o pode impulsionar o crescimento do Brasil. A recupera\u00e7\u00e3o da economia norte-americana \u00e9 fraca e vol\u00e1til. A Europa n\u00e3o consegue superar seus fossilizados pontos de vista sobre as virtudes da austeridade, o que faz tremer toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Naturalmente, essa desculpa s\u00f3 \u00e9 v\u00e1lida at\u00e9 certo ponto.<\/p>\n<p>Muitos analistas chamaram a aten\u00e7\u00e3o das autoridades governamentais para o fato de que o crescimento durante os dois mandatos do presidente Luis In\u00e1cio Lula da Silva (2003-2011) poderia se desvanecer, caso a China perdesse seu impulso, o que aconteceu.<\/p>\n<p>O pa\u00eds perdeu a oportunidade de realizar investimentos, sobretudo em infraestrutura, o que teria aumentado sua capacidade produtiva.<\/p>\n<p>Com esse fim deveriam ter sido aplicadas sistematicamente pol\u00edticas industriais eficientes, expandido o investimento p\u00fablico e buscando pol\u00edticas cambi\u00e1rias constantes para modificar a imagem de valoriza\u00e7\u00e3o que asfixia a manufatura nacional, com vaiv\u00e9ns, desde que foi implantado o Plano Real, em 1994.<\/p>\n<p>Praticamente nada disso foi realizado.<\/p>\n<p>Foram anunciados planos de investimento sem consequ\u00eancia alguma, os fabricantes nacionais se converteram cada vez mais em importadores, e as estradas, os portos e a produ\u00e7\u00e3o de energia ficaram para tr\u00e1s diante das necessidades reais, enquanto o governo apresentava as medidas para aumentar o endividamento e ampliar o consumo como uma combina\u00e7\u00e3o bem-sucedida de pol\u00edticas socioecon\u00f4micas.<\/p>\n<p>Nos dois \u00faltimos anos do primeiro mandato de Dilma (2011-2014), essas pol\u00edticas nem mesmo conseguiram elevar as taxas de crescimento e o PIB ficou paralisado, na medida em que o governo tentava reativar a economia recorrendo cada vez mais aos truques, em particular os de car\u00e1ter cont\u00e1bil, e \u00e0 divis\u00e3o de favores para setores com liga\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Em grande parte, o retorno \u00e0 austeridade foi motivado pela incapacidade de reativar a economia, o que duplicou a aposta pelas pol\u00edticas erradas. As medidas de austeridade em uma economia em contra\u00e7\u00e3o s\u00f3 podem acelerar a queda. Mas a dissolu\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico da presidente triplicou essa aposta.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m pode acreditar que Dilma tem o poder de empreender realmente uma trajet\u00f3ria pol\u00edtica alternativa. De fato, se a alternativa \u00e0 austeridade \u00e9 voltar ao que fez em seu primeiro mandato, a mandat\u00e1ria n\u00e3o encontrar\u00e1 quem a apoie, exceto, talvez, o grupo cada vez menor de seus seguidores incondicionais.<\/p>\n<p>Assim, o pa\u00eds encontra-se em ponto morto. Nenhum partido pol\u00edtico parece ter a for\u00e7a suficiente ou o interesse para encontrar uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica alternativa que seja melhor e mais promissora.<\/p>\n<p>Os advers\u00e1rios mais radicais \u2013 o governante PT e o PSDB \u2013 se envolveram em um jogo de culpas m\u00fatuas, na tentativa de determinar qual dos dois presidentes, Fernando Henrique Cardoso ou Lula, foi pior.<\/p>\n<p>Nenhum deles parece ter nada a oferecer.<\/p>\n<p>O PMDB n\u00e3o se ocupa das estrat\u00e9gias no atacado e parece estar mais interessado nas do varejo. Devido \u00e0 forte perda de confian\u00e7a no PT e em seus l\u00edderes, inclu\u00eddo Lula, o partido parece estar exclu\u00eddo de todo acordo de poder que possa ser concebido no futuro pr\u00f3ximo. E suas perspectivas para o futuro no longo prazo s\u00e3o, no m\u00ednimo, muito incertas.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do PSDB n\u00e3o \u00e9 muito melhor, porque tudo o que tem ao seu favor \u00e9 a lembran\u00e7a desbotada do per\u00edodo de FHC, quando praticamente os mesmos problemas eram t\u00e3o graves quanto os atuais e o partido era igualmente incompetente para apontar solu\u00e7\u00f5es como o PT o \u00e9 agora.<\/p>\n<p>Nessa situa\u00e7\u00e3o, o PMDB assumiu a aposta. Alcan\u00e7ou certo grau de estabilidade pol\u00edtica, mas n\u00e3o tem a vis\u00e3o de para onde conduzir a economia. Devido \u00e0 sua estrutura, baseada em uma federa\u00e7\u00e3o de dirigentes estatais, o partido vai melhor com os favores do que com as estrat\u00e9gias.<\/p>\n<p>Como ocorreu durante a presid\u00eancia de Jos\u00e9 Sarney, no final da d\u00e9cada de 1980, isso pode servir \u2013 no melhor dos casos \u2013 para frear a deteriora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, mas n\u00e3o para conduzir \u00e0 reativa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pa\u00eds vai sobreviver, naturalmente, como o fez no passado. O problema \u00e9 que o Brasil tem experi\u00eancia, lamentavelmente de maneira muito frequente, na lideran\u00e7a pol\u00edtica de baixa qualidade, por isso mesmo os analistas otimistas s\u00f3 enxergam dificuldades no futuro. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Fernando Cardim de Carvalho <\/strong>\u00e9 economista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Fernando Cardim de Carvalho*&nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, agosto\/2015 &ndash; Enquanto a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica no Brasil parece alcan&ccedil;ar um estado de equil&iacute;brio inst&aacute;vel, ou, mais diretamente, que a instabilidade se transforma em um ponto morto, a economia continua se deteriorando. 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