{"id":1958,"date":"2006-07-14T00:00:00","date_gmt":"2006-07-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1958"},"modified":"2006-07-14T00:00:00","modified_gmt":"2006-07-14T00:00:00","slug":"populacao-um-planeta-cada-vez-mais-habitado-e-quente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/07\/mundo\/populacao-um-planeta-cada-vez-mais-habitado-e-quente\/","title":{"rendered":"Popula\u00e7\u00e3o: Um planeta cada vez mais habitado e quente"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 14\/07\/2006 &ndash; No come\u00e7o do s\u00e9culo 20, o n\u00famero de habitantes do planeta era inferior a dois bilh\u00f5es, e no alvorecer do s\u00e9culo 21 j\u00e1 supera os seis bilh\u00f5es. Estes n\u00fameros voltaram a ser analisados e a causar preocupa\u00e7\u00e3o nesta ter\u00e7a-feira, Dia Mundial da Popula\u00e7\u00e3o. Segundo o Escrit\u00f3rio do Censo dos Estados Unidos, a popula\u00e7\u00e3o mundial atualmente \u00e9 de 6.527.525.419 habitantes. <!--more--> A cada 14 anos, soma-se mais um bilh\u00e3o de pessoas ao planeta, que, neste ritmo, ter\u00e1 9,1 bilh\u00f5es dentro de 50 anos. Al\u00e9m disso, segundo a organiza\u00e7\u00e3o Population Connection, com sede em Washington, mais da metade da popula\u00e7\u00e3o mundial viver\u00e1 em cidades at\u00e9 2007, \u201co que nos converter\u00e1, pela primeira vez, em esp\u00e9cies urbanas\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, as emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa, que contribuem para a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, tamb\u00e9m aumentaram significativamente desde o in\u00edcio do s\u00e9culo 20. A maioria dos cientistas concorda que o aquecimento do planeta se deve \u00e0s atividades humanas, sobretudo aos gases liberados pela combust\u00e3o de petr\u00f3leo, g\u00e1s e carv\u00e3o, sendo o di\u00f3xido de carbono o principal deles. Esses gases ficam acumulados na atmosfera e, por sua grande capacidade para reter o calor dos raios solares, acentuam o chamado efeito estufa.<\/p>\n<p>\u201cTemos de considerar toda a contribui\u00e7\u00e3o das atividades humanas e como se relaciona com as crescentes emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono desde a industrializa\u00e7\u00e3o\u201d, disse o cientista Jay Gulledge, do Centro Pew sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica. \u201cHouve um aumento de 35% na concentra\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono na atmosfera desde os tempos pr\u00e9vios \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou. O Protocolo de Kyoto que entrou em vigor em fevereiro imp\u00f5e aos pa\u00edses industrializados que o assinaram e ratificaram a obriga\u00e7\u00e3o de reduzir suas emiss\u00f5es de gases a volumes 5,2% menores do que o \u00edndice de 1990,no prazo at\u00e9 2012. As na\u00e7\u00f5es mais industrializadas consomem 60% dos combust\u00edveis f\u00f3sseis do planeta.<\/p>\n<p>Enquanto a popula\u00e7\u00e3o aumenta, sobretudo nas \u00e1reas urbanas, tamb\u00e9m aumenta a demanda energ\u00e9tica, o que significa que ser\u00e3o necess\u00e1rias mais centrais de energia que emitir\u00e3o gases que causam o efeito estufa. O crescimento populacional tamb\u00e9m segue de m\u00e3os dadas com o desmatamento, para a constru\u00e7\u00e3o de cidades. Enquanto as florestas absorvem carbono, as \u00e1rvores mortas e em estado de decomposi\u00e7\u00e3o liberam esse elemento na atmosfera. \u201cUm ter\u00e7o de todas as atuais emiss\u00f5es procede dos autom\u00f3veis. As centrais de energia que queimam carv\u00e3o e a ind\u00fastria pesada tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis pelas emiss\u00f5es desses gases\u201d, disse Gulledge.<\/p>\n<p>\u201cO crescimento populacional e o aquecimento da Terra est\u00e3o definitivamente entrela\u00e7ados. Uma popula\u00e7\u00e3o maior significa um crescente uso de energia\u201d, disse \u00e1 IPS a diretora de pesquisa do Earth Policy Institute, Janet Larsen. Os Estados Unidos concentram 5% da popula\u00e7\u00e3o mundial, mas respondem por 25% de todas as emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa, segundo a organiza\u00e7\u00e3o ambientalista Sierra Club. O presidente George W. Bush retirou a assinatura do Protocolo de Kyoto que seu antecessor, Bill Clinton (1993-2001) havia colocado, afirmando que poderia afetar a economia do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Washington tamb\u00e9m se queixa de que \u00cdndia e China, dois dos grandes emissores de gases que causam o efeito estufa, est\u00e3o isentos dos requisitos do acordo. \u201cO Protocolo de Kyoto foi projetado como um primeiro passo do que deve se converter em um esfor\u00e7o progressivo. Os casos da China e da \u00cdndia dever\u00e3o ser tratados de uma forma significativa em pr\u00f3ximas reuni\u00f5es\u201d, explicou Tim Herzog, pesquisador associado do Instituto Mundial de Recursos. Muitos afirmam que, por ser o pa\u00eds que mais libera gases causadores do efeito estufa, os Estados Unidos deveriam ser mais ativos na busca de solu\u00e7\u00f5es para a mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cOs Estados Unidos consomem mais energia e liberam mais gases que levam ao efeito estufa do que nenhuma outra na\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u00e0 IPS a diretora do Programa de Energia e Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica do Worldwatch Institute, Janet Sawin. \u201cSe forem acrescentadas cem mil pessoas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o aqui (nos EUA) e cem mil pessoas em um pa\u00eds da \u00c1frica subsaariana, o efeito das emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa ser\u00e1 muito maior porque usamos mais energia por habitante\u201d, acrescentou. Os efeitos combinados do aquecimento do planeta e do crescimento populacional parecem evidentes, apesar das opini\u00f5es de organismos como o Centro Nacional para An\u00e1lise de Pol\u00edticas (NCPA), dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O NCPA publicou em outubro de 2005 um relat\u00f3rio assinalando que \u201cos dados hist\u00f3ricos e as atuais pesquisas sobre furac\u00f5es n\u00e3o fornecem a evid\u00eancia suficiente para vincular as atividades humanas com as mais freq\u00fcentes e poderosas tempestades\u201d. Gulledge recha\u00e7ou essas afirma\u00e7\u00f5es. \u201cN\u00e3o falo em termos absolutos porque a ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 absoluta. Mas h\u00e1 evid\u00eancia cient\u00edfica s\u00f3lida de que o aquecimento planet\u00e1rio afeta os furac\u00f5es, tornando-os mais intensos, em geral, e mais freq\u00fcentes no Atl\u00e2ntico norte\u201d, afirmou. \u201cO aquecimento do planeta causa a perda de geleiras, e cerca de dois bilh\u00f5es de pessoas no mundo dependem delas para obter \u00e1gua\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Por sua vez, o presidente da Population Connection, John Seager, disse que, freq\u00fcentemente, o debate sobre crescimento populacional e aquecimento da Terra ignora o tema fundamental do controle da natalidade. \u201cA maioria das discuss\u00f5es sobre como manejar o crescimento populacional est\u00e1 dominada por discuss\u00f5es tecnol\u00f3gicas contra o planejamento familiar\u201d, ressaltou. Segundo Seager, todas as pessoas deveriam estar em condi\u00e7\u00f5es de controlar as decis\u00f5es b\u00e1sicas de quando ter, ou n\u00e3o, filhos. Isto, a longo prazo, poder\u00e1 deter o crescimento populacional e, eventualmente, seus efeitos no meio ambiente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 14\/07\/2006 &ndash; No come\u00e7o do s\u00e9culo 20, o n\u00famero de habitantes do planeta era inferior a dois bilh\u00f5es, e no alvorecer do s\u00e9culo 21 j\u00e1 supera os seis bilh\u00f5es. Estes n\u00fameros voltaram a ser analisados e a causar preocupa\u00e7\u00e3o nesta ter\u00e7a-feira, Dia Mundial da Popula\u00e7\u00e3o. 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