{"id":1963,"date":"2006-07-14T00:00:00","date_gmt":"2006-07-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1963"},"modified":"2006-07-14T00:00:00","modified_gmt":"2006-07-14T00:00:00","slug":"argentina-designer-artesanal-contra-a-marginalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/07\/america-latina\/argentina-designer-artesanal-contra-a-marginalidade\/","title":{"rendered":"Argentina: Designer artesanal contra a marginalidade"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 14\/07\/2006 &ndash; Apoiado por designers, um grupo de coletores informais de lixo da capital argentina criou um projeto para criar e produzir m\u00f3veis e objetos a partir do lixo. Este programa permite que tenham acesso a um trabalho digno, ao mesmo tempo em que os tira da rua e da marginalidade. <!--more--> \u201cFormou-se um bonito grupo. Agora somos seres humanos. Viemos trabalhar, temos nossas responsabilidades. \u00c9 um trabalho digno\u201d, afirma \u00e0 IPS Cristina Lescano, coordenadora do grupo de catadores e uma das protagonistas deste fen\u00f4meno cultural que luta para manter-se em atividade.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia de transformar lixo em objetos artesanais ou industriais n\u00e3o \u00e9 nova. Outros grupos de catadores de lixo, junto com intelectuais ou profissionais, iniciaram uma editora de livros feitos \u00e0 m\u00e3o com papel reciclado. Lescano, que completou o curso secund\u00e1rio, trabalhava como empregada administrativa no Conselho Deliberativo da capital, at\u00e9 ser despedida em 1997. Com tr\u00eas filhos e sem outra op\u00e7\u00e3o, se tornou uma \u201cciruja\u201d, termo comum para o indigente que vive de \u201crevolver os sacos de lixo\u201d, com ela mesma diz.<\/p>\n<p>O projeto \u201cProdu\u00e7\u00e3o Ciruja\u201d conta com 20 coletores informais que fazem parte da Cooperativa El Ceibo de recupera\u00e7\u00e3o de lixo, criada h\u00e1 12 anos, que conta com um programa conhecido oficialmente de separa\u00e7\u00e3o de lixo na origem e dep\u00f3sito, tanto para a classifica\u00e7\u00e3o quanto para a venda. Neste projeto, a capacita\u00e7\u00e3o e vincula\u00e7\u00e3o com o mercado est\u00e3o a cargo das designers industriais \u00c1ngeles Estrada, Victoria D\u00edaz e Natalia Hojean e da arquiteta Mercedes Frassia. O grupo fabrica mesas de centro e bancos de papel\u00e3o, toalhas individuais de mesa com tubos de sif\u00e3o e copos a partir de garrafas.<\/p>\n<p>Os produtos decoram um sal\u00e3o do bar \u201cEl Apile\u201d, da arquiteta Frassia, localizado no hist\u00f3rico bairro de San Telmo, um dos mais antigos emblem\u00e1ticos da cidade. \u201cO objetivo \u00e9 agregar valor ao objeto recuperado, melhorar a qualidade de vida dos que vivem da coleta de lixo, mas tamb\u00e9m criar objetos bonitos, que tornem terap\u00eautica a atividade e permitam que as pessoas possam estar menos na rua\u201d, explica \u00e0 IPS. Frassia assegura que uma garrafa de vidro recuperada, que poderia ser vendida a 10 centavos de peso como lixo recicl\u00e1vel, pode se transformar em um copo que se vende no mercado por um peso (US$ 0,30), ou seja, 10 vezes mais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ganhar dinheiro, o projeto permite aos catadores ganhar experi\u00eancia em um novo of\u00edcio. \u201cIsto \u00e9 fundamental para os \u201cvelhos cirujas\u201d, isto \u00e9, os que t\u00eam mais de 45 anos e sa\u00fade muito deteriorada de tanto viver nas ruas puxando um carrinho debaixo de chuva, no frio ou calor forte. Este grupo j\u00e1 n\u00e3o pode \u201ccirujear\u201d (coletar lixo), mas pode trabalhar na cooperativa\u201d, acrescentou. O programa come\u00e7ou em abril deste ano, e o lan\u00e7amento dos primeiros objetos foi em junho. A etapa seguinte \u00e9 conseguir financiamento para mais seis meses, at\u00e9 que o projeto seja auto-sustent\u00e1vel e, inclusive, n\u00e3o necessite do apoio permanente das profissionais.<\/p>\n<p>Os planos s\u00e3o continuar trabalhando intensamente na oficina e vincular o projeto com espa\u00e7os de comercializa\u00e7\u00e3o deste tipo de objetos, como as feiras que s\u00e3o organizadas no Centro Metropolitano de Designer e no Museu de Arte Latino-Americano de Buenos Aires. \u201cIsto \u00e9 um caminho. Podem aderir mais pessoas \u00e0 oficina, mais profissionais que queiram contribuir com id\u00e9ias e, inclusive, poderiam juntar-se professores de designer da universidade p\u00fablica. Mas enquanto isso n\u00e3o acontece, precisamos garantir um fundo m\u00ednimo para continuar\u201d, explicou a arquiteta.<\/p>\n<p>Para que possam se capacitar, os catadores precisam contar com 15 pesos por dia (cerca de US$ 5,00) que obteriam se sa\u00edssem todo o dia, ou toda noite, em busca de lixo recicl\u00e1vel. A isso se soma o custo dos insumos de produ\u00e7\u00e3o. \u201cSabemos que \u00e9 dif\u00edcil, mas isto \u00e9 a nossa vida agora e vamos continuar\u201d, afirmou Lescano. \u201cCom ou sem dinheiro, todos concordamos que o projeto deve ser mantido e continue criando novos postos de trabalho\u201d, conclui uma confiante Frassia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 14\/07\/2006 &ndash; Apoiado por designers, um grupo de coletores informais de lixo da capital argentina criou um projeto para criar e produzir m\u00f3veis e objetos a partir do lixo. 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