{"id":1966,"date":"2006-07-14T00:00:00","date_gmt":"2006-07-14T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1966"},"modified":"2006-07-14T00:00:00","modified_gmt":"2006-07-14T00:00:00","slug":"uruguai-montevidu-sada-sentena-e-incentiva-o-dilogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/07\/america-latina\/uruguai-montevidu-sada-sentena-e-incentiva-o-dilogo\/","title":{"rendered":"Uruguai: Montevid&eacute;u sa&uacute;da senten&ccedil;a e incentiva o di&aacute;logo"},"content":{"rendered":"<p>Montevid&eacute;u, 14\/07\/2006 &ndash; Em um clima cordial entre os representantes das duas partes junto ao Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a, com sede na cidade holandesa de Haia, foi recebido nesta quinta-feira o pronunciamento favor&aacute;vel ao Uruguai e que n&atilde;o contemplou a demanda da Argentina de suspender a constru&ccedil;&atilde;o de duas f&aacute;bricas de celulose &agrave;s margens de um rio compartilhado. <!--more--> O governo argentino havia denunciado Montevid&eacute;u no dia 4 de maio por sua suposta viola&ccedil;&atilde;o de acordos bilaterais para a administra&ccedil;&atilde;o conjunta do rio, e, ao mesmo tempo, solicitara ao Tribunal que determinasse a suspens&atilde;o das obras das duas unidades que s&atilde;o constru&iacute;das em separado pela companhia finlandesa Botnia e pela Empresa Nacional de Celulose da Espanha (Ence).<\/p>\n<p>A satisfa&ccedil;&atilde;o e o comedimento prevaleceram no governo uruguaio de Tabar&eacute; V&aacute;zquez ao avaliar a decis&atilde;o. Seus porta-vozes insistiram para que n&atilde;o se tome o resultado como uma disputa esportiva, nem que se pense que se \u201cgoleou a Argentina\u201d, como se apressaram a afirmar alguns analisas e meios de comunica&ccedil;&atilde;o nacionais. Agora &eacute; tempo \u201cde se reabrir o di&aacute;logo com Buenos Aires e de se chegar a um acordo para realizar um controle conjunto sobre os impactos ambientais que as f&aacute;bricas acarretam\u201d, como Montevid&eacute;u havia proposto anteriormente, disse o vice-presidente Rodolfo Nin Novoa.<\/p>\n<p>A senten&ccedil;a \u201cimplica para nosso pa&iacute;s uma obriga&ccedil;&atilde;o maior com os assuntos ambientais\u201d, afirmou Novoa, em conson&acirc;ncia com o chanceler Reinaldo Gargano, o qual destacou que \u201co Tribunal de Haia deixou o caminho aberto para que, no futuro, se necess&aacute;rio, a Argentina pe&ccedil;a novas provas\u201d sobre o impacto ambiental das f&aacute;bricas para evitar o preju&iacute;zo que se teme. Entre ambientalistas cr&iacute;ticos, entretanto, a senten&ccedil;a foi vista com al&iacute;vio, mas por raz&otilde;es diferentes das do governo. \u201cN&atilde;o t&iacute;nhamos expectativas sobre o que decidiria o Tribunal quanto &agrave; medida cautelar\u201d pedida pela Argentina, disse &agrave; IPS Mar&iacute;a Selva Ortiz, da organiza&ccedil;&atilde;o ambientalista uruguaia Rede Amigos da Terra. Agora, ser&aacute; poss&iacute;vel abordar a problem&aacute;tica ambiental de fundo, acrescentou.<\/p>\n<p>O pedido argentino de suspens&atilde;o das obras \u201capenas serviu para desviar o debate, que &eacute; sobre o desenvolvimento deste tipo de ind&uacute;stria contaminante e a consolida&ccedil;&atilde;o de um modelo florestal negativo para o pa&iacute;s\u201d, disse Ortiz. O Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a determinou, por 14 votos contra um, que n&atilde;o encontrara \u201cnada na documenta&ccedil;&atilde;o que demonstrasse que a decis&atilde;o do Uruguai de autorizar a constru&ccedil;&atilde;o das f&aacute;bricas represente um risco iminente de dano irrepar&aacute;vel ao meio ambiente aqu&aacute;tico do Rio Uruguai ou aos interesses sociais ou econ&ocirc;micos dos habitantes do lado argentino\u201d.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, \u201ca Argentina n&atilde;o convenceu esta Corte de que a simples constru&ccedil;&atilde;o das f&aacute;bricas represente um dano irrepar&aacute;vel ao meio ambiente, ou que sua mera suspens&atilde;o, pendente da decis&atilde;o final, pudesse reverter ou reparar as conseq&uuml;&ecirc;ncias sociais e econ&ocirc;micas que a Argentina lhe atribui\u201d, afirmaram os ju&iacute;zes. Mas o pronunciamento do Tribunal, lido por sua presidente, Rosalyn Higgins, foi mais al&eacute;m. \u201cCom rela&ccedil;&atilde;o ao in&iacute;cio do funcionamento das f&aacute;bricas, a Corte diz que a Argentina n&atilde;o forneceu evid&ecirc;ncia, at&eacute; o momento, sugerindo que qualquer contamina&ccedil;&atilde;o teria o car&aacute;ter de causar dano irrepar&aacute;vel ao rio. Em todo caso, o perigo de tal contamina&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; iminente, pois as f&aacute;bricas n&atilde;o estar&atilde;o em funcionamento antes de agosto de 2007, em um caso, e junho de 2008, no outro\u201d, acrescentou o Tribunal.<\/p>\n<p>Entretanto, os ju&iacute;zes recordaram ao Uruguai que \u201cnecessariamente suporta todos os riscos de qualquer m&eacute;rito que a Corte decida mais tarde\u201d e que \u201ca constru&ccedil;&atilde;o das unidades em seus lugares atuais n&atilde;o pode ser considerada como um fato irrevers&iacute;vel\u201d. O Tribunal esclareceu que seu pronunciamento corresponde a esta etapa do processo de constru&ccedil;&atilde;o e que portanto n&atilde;o afeta o direito argentino de reclama&ccedil;&atilde;o futura \u201cno caso de haver novos fatos\u201d. O Tribunal tampouco atendeu a segunda parte da solicita&ccedil;&atilde;o de Buenos Aires: ordenar ao Uruguai sua coopera&ccedil;&atilde;o de boa f&eacute; com a Argentina e seu compromisso de n&atilde;o agravar a disputa. Os ju&iacute;zes alegaram que os representantes de Montevid&eacute;u j&aacute; haviam se manifestado dispostos a essa conduta durante as audi&ecirc;ncias de maio.<\/p>\n<p>A demanda principal do governo de N&eacute;stor Kirchner se baseia no suposto descumprimento por parte de Montevid&eacute;u do Estatuto do Rio Uruguai, que, segundo interpreta&ccedil;&atilde;o argentina, obriga a um processo de notifica&ccedil;&atilde;o e consultas entre as partes antes da autoriza&ccedil;&atilde;o para obras no trecho do rio administrado de maneira bilateral. Esse tratado bilateral assinado em 1975 estabelece em um de seus artigos que o Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a tem jurisdi&ccedil;&atilde;o para dirimir os desacordos em rela&ccedil;&atilde;o ao seu cumprimento. O Tribunal poderia demorar v&aacute;rios anos para dar sua senten&ccedil;a sobre esse assunto de fundo e, inclusive, poderia declarar-se sem jurisdi&ccedil;&atilde;o para entender sobre os m&eacute;ritos do mesmo, tal como recordou nos fundamentos do pronunciamento desta quinta-feira.<\/p>\n<p>\u201cO Uruguai certamente perder&aacute;\u201d este julgamento, porque &eacute; comprov&aacute;vel que n&atilde;o pediu autoriza&ccedil;&atilde;o &agrave; Argentina para permitir que as empresas se instalassem, nem realizou estudos ambientais pr&eacute;vios para isso, segundo a ambientalista Ortiz. A a&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais j&aacute; conseguiu deter empr&eacute;stimos banc&aacute;rios para a f&aacute;brica da Botnia e para a da Ence, que finalmente \u201cn&atilde;o se instalar&aacute;\u201d, assegurou Ortiz. Nesta quinta-feira, o chanceler uruguaio, Gargano, e seu colega de Habita&ccedil;&atilde;o e Meio Ambiente, Mariano Arana, exortaram o governo Kirchner a retomar o di&aacute;logo para forma&ccedil;&atilde;o de uma equipe binacional que controle e fa&ccedil;a um acompanhamento das duas f&aacute;bricas de polpa de papel que s&atilde;o erguidas na margem oriental do rio Uruguai.<\/p>\n<p>\u201cO caminho &eacute; o da toler&acirc;ncia e de estender a m&atilde;o ao di&aacute;logo, e n&atilde;o para apoiar-se em falsos triunfalismos\u201d, destacou o chanceler, que n&atilde;o descartou avan&ccedil;os no di&aacute;logo na C&uacute;pula do Mercosul, na pr&oacute;xima semana, na cidade argentina de C&oacute;rdoba, da qual participar&atilde;o V&aacute;zquez e Kirchner. O investimento estimado das duas f&aacute;bricas &eacute; de US$ 1,8 bilh&atilde;o, o maior j&aacute; recebido pelo Uruguai em sua hist&oacute;ria, e suas produ&ccedil;&otilde;es somadas ser&atilde;o de 1,5 milh&atilde;o de toneladas de celulose por ano. A secret&aacute;ria de Meio Ambiente da Argentina, Romina Picolotti, disse \u2013 como Ortiz \u2013 que a campanha contra as f&aacute;bricas consiste em manter a press&atilde;o para travar seu financiamento internacional.<\/p>\n<p>\u201cA decis&atilde;o &eacute; de suma import&acirc;ncia tanto para nossa estrat&eacute;gia judicial quanto para a financeira, pois espero que os bancos entendam que a senten&ccedil;a n&atilde;o significa que as f&aacute;bricas sejam um investimento seguro\u201d, afirmou. \u201cSignifica apenas que o Tribunal n&atilde;o encontra provas suficientes para suspender as obras, por&eacute;m, mais adiante poderia faz&ecirc;-lo. Esta n&atilde;o &eacute; uma decis&atilde;o definitiva e me parece uma mensagem importante para os investidores\u201d, acrescentou perante uma assembl&eacute;ia de moradores de Gualeguaych&uacute;, cidade argentina que fica a cerca de 30 quil&ocirc;metros de Fray Bentos. O Tribunal de Haia tamb&eacute;m deixou nas m&atilde;os do comit&ecirc; binacional de administra&ccedil;&atilde;o do Rio Uruguai a fun&ccedil;&atilde;o de controlar os trabalhos e o poss&iacute;vel impacto ambiental da &aacute;rea. Diante disso, o vice-presidente Novoa entende que a senten&ccedil;a cont&eacute;m uma recomenda&ccedil;&atilde;o ao Uruguai, pois indica algo como \u201c assumam o encargo de que isto n&atilde;o contamine. E nisso estamos trabalhando\u201d, afirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Montevid&eacute;u, 14\/07\/2006 &ndash; Em um clima cordial entre os representantes das duas partes junto ao Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a, com sede na cidade holandesa de Haia, foi recebido nesta quinta-feira o pronunciamento favor&aacute;vel ao Uruguai e que n&atilde;o contemplou a demanda da Argentina de suspender a constru&ccedil;&atilde;o de duas f&aacute;bricas de celulose &agrave;s margens de um rio compartilhado. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/07\/america-latina\/uruguai-montevidu-sada-sentena-e-incentiva-o-dilogo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,11],"tags":[],"class_list":["post-1966","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1966","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1966"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1966\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1966"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1966"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1966"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}