{"id":1969,"date":"2006-07-18T00:00:00","date_gmt":"2006-07-18T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1969"},"modified":"2006-07-18T00:00:00","modified_gmt":"2006-07-18T00:00:00","slug":"mercosul-crises-paralelas-no-afetam-desempenho-do-bloco-afirmam-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/07\/america-latina\/mercosul-crises-paralelas-no-afetam-desempenho-do-bloco-afirmam-especialistas\/","title":{"rendered":"Mercosul: Crises paralelas n&atilde;o afetam desempenho do bloco, afirmam especialistas"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 18\/07\/2006 &ndash; Os recorrentes problemas que irrompem com estrondo entre os pa&iacute;ses do Mercosul est&atilde;o longe de afetar as bases do projeto de integra&ccedil;&atilde;o regional que, mesmo com dificuldades, se mant&eacute;m s&oacute;lido, atrai novos s&oacute;cios e avan&ccedil;a sem pressa, mas sem parar, segundo funcion&aacute;rios e especialistas argentinos. <!--more--> \u201cN&atilde;o compartilhamos as vis&otilde;es negativas que buscam exacerbar cada crise\u201d, afirmou o coordenador do Mercosul na Argentina, Alfredo Chiarad&iacute;a, &agrave;s v&eacute;speras da c&uacute;pula do bloco, formado por este pa&iacute;s mais Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela.<\/p>\n<p>\u201cO Mercosul &eacute; um instrumento fundamental de proje&ccedil;&atilde;o de nossos pa&iacute;ses, e as desaven&ccedil;as que surgem n&atilde;o colocam em d&uacute;vida o projeto\u201d, afirmou Chiarad&iacute;a na sexta-feira em reuni&atilde;o com a imprensa estrangeira para informar sobre a c&uacute;pula que acontecer&aacute; nos dias 20 e 21 deste m&ecirc;s na prov&iacute;ncia argentina de C&oacute;rdoba. O bloco \u201ctem plena vig&ecirc;ncia, apesar de suas dificuldades\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>Segundo dados da chancelaria argentina, o bloco est&aacute; perto de superar este ano a marca de US$ 40 bilh&otilde;es em interc&acirc;mbio atingida em 1998 e, em conjunto, j&aacute; duplicou o com&eacute;rcio com pa&iacute;ses de fora da regi&atilde;o, em rela&ccedil;&atilde;o a esse mesmo ano, ao passar de US$ 133,5 bilh&otilde;es para US$ 227 bilh&otilde;es. A vis&atilde;o otimista sobre a marcha do bloco &eacute; compartilhada pelo ex-secret&aacute;rio de Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria, Dante Sica, hoje presidente da consultora privada Abeceb. \u201cOs discursos pol&iacute;ticos sugerem um ambiente escaldado e de crise cont&iacute;nua entre alguns s&oacute;cios do Mercosul, mas no n&iacute;vel t&eacute;cnico houve avan&ccedil;os substanciais no &uacute;ltimo ano\u201d, destacou o analista perante um grupo de correspondentes estrangeiros, entre eles a IPS.<\/p>\n<p>Para Sica, o conflito no com&eacute;rcio entre Brasil e argentina em alguns itens foi neutralizado com a cria&ccedil;&atilde;o de uma comiss&atilde;o de monitoramento. Houve progressos acentuados na integra&ccedil;&atilde;o aduaneira, vantagens para os pa&iacute;ses menores e um forte impulso ao projeto com a incorpora&ccedil;&atilde;o da Venezuela como membro pleno. \u201cAinda com todas as d&uacute;vidas e complica&ccedil;&otilde;es de sua ades&atilde;o, a inclus&atilde;o da Venezuela &eacute; um fato muito significativo\u201d, disse Sica, ressaltando que a partir de sua incorpora&ccedil;&atilde;o o Mercosul chega a congregar 75% do produto interno bruto sul-americano.<\/p>\n<p>No &uacute;ltimo semestre, durante a presid&ecirc;ncia tempor&aacute;ria do bloco pela Argentina, se agravou a controv&eacute;rsia entre este pa&iacute;s e o Uruguai pelo impacto ambiental de duas f&aacute;bricas de celulose no Rio Uruguai, que faz fronteira entre ambos, assunto levado ao Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a, com sede na cidade holandesa de Haia. Al&eacute;m disso, o bloco sofreu um estremecimento no dia 1&ordm; de maio, com a decis&atilde;o do presidente Evo Morales de nacionalizar os hidrocarbonetos da Bol&iacute;via, um pa&iacute;s associado do Mercosul. Por suas implica&ccedil;&otilde;es regionais, o an&uacute;ncio mereceu uma reuni&atilde;o extraordin&aacute;ria entre os presidentes Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, N&eacute;stor Kirchner, da Argentina e Hugo Ch&aacute;vez, da Venezuela.<\/p>\n<p>A decis&atilde;o boliviana obrigou Buenos Aires a negociar um novo pre&ccedil;o do g&aacute;s natural que lhe vende e abriu uma frente de debate com o Brasil, seu principal investidor na &aacute;rea do petr&oacute;leo. Por sua vez, os novos valores do g&aacute;s boliviano se trasladaram ao Chile, outro Estado associado do bloco, que compra o combust&iacute;vel da Argentina. Esta resolu&ccedil;&atilde;o do governo Kirchner causou mal-estar em Santiago, que o acusou de ter duplo discurso em mat&eacute;ria de integra&ccedil;&atilde;o. Esses conflitos bilaterais n&atilde;o fizeram parte da agenda da c&uacute;pula de C&oacute;rdoba, embora possam influir no clima pol&iacute;tico do encontro. Entretanto, os funcion&aacute;rios argentinos minimizaram esta possibilidade e afirmaram que o projeto de integra&ccedil;&atilde;o &eacute; s&oacute;lido para resistir aos problemas dom&eacute;sticos.<\/p>\n<p>Para Chiarad&iacute;a, a controv&eacute;rsia entre Buenos Aires e Montevid&eacute;u est&aacute; \u201cencapsulada\u201d agora no &acirc;mbito judicial e, embora admita que \u201cgera ru&iacute;do\u201d, n&atilde;o impede que se avance com a agenda do bloco. Al&eacute;m disso, destacou os progressos para conseguir que o Mercosul \u201cseja &uacute;til para todos os s&oacute;cios e tenha benef&iacute;cios equilibrados\u201d. Nesse sentido, disse que nos &uacute;ltimos tempos \u201chouve um reconhecimento do Brasil e da Argentina\u201d sobre a necessidade de \u201ccompensar\u201d o Uruguai e o Paraguai, as economias menores do bloco. A entrada da Venezuela ajudar&aacute; nesse sentido. A respeito da discuss&atilde;o com o Chile pelo aumento do pre&ccedil;o do combust&iacute;vel que a Argentina vende a esse pa&iacute;s, Chiarad&iacute;a a considerou parte \u201cda exist&ecirc;ncia de demanda excedente e necessidades insatisfeitas, nada mais\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, destacou os \u201cavan&ccedil;os substanciais\u201d no processo de integra&ccedil;&atilde;o durante a presid&ecirc;ncia do bloco pela Argentina. Os progressos mais significativos foram no &acirc;mbito aduaneiro, na liberaliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de cada pa&iacute;s e nas contrata&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas (compras governamentais). Ap&oacute;s a decis&atilde;o de eliminar a dupla cobran&ccedil;a de tarifas dentro do bloco, os s&oacute;cios estabeleceram diretrizes comuns para um C&oacute;digo Aduaneiro do Mercosul que dever&aacute; entrar em vigor em 2008. Em C&oacute;rdoba, ser&aacute; dado um aval a este consenso e se estabelecer&aacute; uma comiss&atilde;o que redigir&aacute; o novo c&oacute;digo.<\/p>\n<p>Os pa&iacute;ses membros discutir&atilde;o mecanismos para a distribui&ccedil;&atilde;o da renda aduaneira. \u201c Agora est&aacute; em jogo definir qual organismo cuidar&aacute; de arrecadar e distribuir\u201d esses ganhos, afirmou Chiarad&iacute;a &agrave; IPS, e assegurou que este passo ser&aacute; \u201cfundamental para aperfei&ccedil;oar o bloco\u201d. Os governos tamb&eacute;m decidiram que no final de 2007 dever&aacute; funcionar um sistema de interconex&atilde;o das aduanas a fim de ser poss&iacute;vel monitorar simultaneamente no bloco os produtos que entram por alguns de seus portos.<\/p>\n<p>Na &aacute;rea de servi&ccedil;os, Chiarad&iacute;a destacou que Brasil, Uruguai e Paraguai\u201d assumiram novos compromissos\u201d para a liberaliza&ccedil;&atilde;o de normas em diversos itens, um passo que facilitar&aacute; a opera&ccedil;&atilde;o de empresas de um pa&iacute;s em territ&oacute;rio de outro Estado-membro. A Argentina j&aacute; havia aberto esse mercado. A respeito das contrata&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, ficaram decididos procedimentos de transpar&ecirc;ncia para a participa&ccedil;&atilde;o de empresas do bloco nas diferentes etapas de licita&ccedil;&otilde;es para a aquisi&ccedil;&atilde;o de produtos e servi&ccedil;os por parte dos governos em n&iacute;vel exclusivamente federal.<\/p>\n<p>Em C&oacute;rdoba tamb&eacute;m ser&aacute; assinado um acordo de complementa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica com Cuba e um acordo de com&eacute;rcio que fixar&aacute; as base de um conv&ecirc;nio de prefer&ecirc;ncias com o Paquist&atilde;o; se avan&ccedil;ar&aacute; nas negocia&ccedil;&otilde;es para a incorpora&ccedil;&atilde;o do M&eacute;xico como membro pleno, e continuar&atilde;o as conversa&ccedil;&otilde;es com Israel. Os presidentes tamb&eacute;m ouvir&atilde;o propostas de um grupo de alto n&iacute;vel sobre emprego, que far&aacute; recomenda&ccedil;&otilde;es para incrementar o emprego no Mercosul, e, pela primeira vez, haver&aacute; um f&oacute;rum da sociedade civil convocado pelos governos para que funcione paralelamente &agrave; c&uacute;pula<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 18\/07\/2006 &ndash; Os recorrentes problemas que irrompem com estrondo entre os pa&iacute;ses do Mercosul est&atilde;o longe de afetar as bases do projeto de integra&ccedil;&atilde;o regional que, mesmo com dificuldades, se mant&eacute;m s&oacute;lido, atrai novos s&oacute;cios e avan&ccedil;a sem pressa, mas sem parar, segundo funcion&aacute;rios e especialistas argentinos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/07\/america-latina\/mercosul-crises-paralelas-no-afetam-desempenho-do-bloco-afirmam-especialistas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,5,9],"tags":[],"class_list":["post-1969","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-economia","category-globalizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1969","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1969"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1969\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}