{"id":1972,"date":"2006-07-18T00:00:00","date_gmt":"2006-07-18T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1972"},"modified":"2006-07-18T00:00:00","modified_gmt":"2006-07-18T00:00:00","slug":"cooperao-comunidade-lusfona-busca-aes-concretas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/07\/mundo\/cooperao-comunidade-lusfona-busca-aes-concretas\/","title":{"rendered":"Coopera&ccedil;&atilde;o: Comunidade lus&oacute;fona busca a&ccedil;&otilde;es concretas"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 18\/07\/2006 &ndash; O sentimento comum dos governantes que representam os 220 milh&otilde;es de habitantes de fala portuguesa no planeta n&atilde;o deixa d&uacute;vidas: esta comunidade precisa de menos ret&oacute;rica e mais a&ccedil;&otilde;es concretas para incrementar a coopera&ccedil;&atilde;o entre os oitos pa&iacute;ses que a integram. <!--more--> O principal an&uacute;ncio da C&uacute;pula de Bissau foi o compromisso dos governantes com os Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, aprovados em 2000 pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e que tem como primeira grande meta reduzir a pobreza extrema e a fome no mundo at&eacute; 2015. Ao completar 10 anos de cria&ccedil;&atilde;o formal, a Comunidade de Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Portuguesa (CPLP) reuniu na capital da Guin&eacute;-Bissau, o anfitri&atilde;o, general Jo&atilde;o Bernardo Vieira, e os presidentes Jos&eacute; Eduardo dos Santos, de Angola; Pedro Pires, de Cabo Verde; Armando Guebuza, de Mo&ccedil;ambique, e An&iacute;bal Cavaco e Silva, de Portugal.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m estiveram presentes os primeiros-ministros Tom&eacute; Vera Cruz, de S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe, representando o presidente Fradique de Menezes, e Jos&eacute; S&oacute;crates, de Portugal. Pelo Brasil compareceu o ministro da Educa&ccedil;&atilde;o, Fernando Haddad, representando o presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, que participou como convidado especial da C&uacute;pula do G-8, na R&uacute;ssia. Por Timor Leste esteve presente a ministra do Interior, Ana Pessoa, j&aacute; que a inst&aacute;vel situa&ccedil;&atilde;o interna impediu a viagem do presidente Jos&eacute; Alexandre Xanana Gusm&atilde;o.<\/p>\n<p>Para concretizar os Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, os governantes de l&iacute;ngua portuguesa se comprometeram a realizar esfor&ccedil;os para mobilizar recursos internos e internacionais a serem aplicados em programas de educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, promo&ccedil;&atilde;o da igualdade de g&ecirc;nero e capacita&ccedil;&atilde;o das mulheres. O documento final insiste na aten&ccedil;&atilde;o especial aos problemas de sa&uacute;de reprodutiva, com vistas &agrave; redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade infantil, e o combate a doen&ccedil;as end&ecirc;micas, como aids, mal&aacute;ria e tuberculose. Estes aspectos s&atilde;o parte das metas aprovadas pela ONU.<\/p>\n<p>Os governantes reunidos em Bissau elogiaram a iniciativa do Brasil, que instituiu o dia 5 de novembro como Dia da L&iacute;ngua Portuguesa, bem como os v&aacute;rios programas de coopera&ccedil;&atilde;o que o Pa&iacute;s mant&eacute;m com as na&ccedil;&otilde;es de idioma comum da &Aacute;frica e &Aacute;sia. Durante a c&uacute;pula, ingressaram na CPLP como observadores duas ex-col&ocirc;nias de tempos remotos. As Ilhas Maur&iacute;cio, localizadas no oceano &Iacute;ndico, a mil quil&ocirc;metros da costa africana e dominadas pelos portugueses entre 1510 e 1598, e Guin&eacute; Equatorial, tamb&eacute;m dependente de Lisboa entre 1445 e 1777, sendo em seguida cedida &agrave; Espanha pelos Tratados de Santo lldefonso e Pardo, de 1778, em troca de terras hisp&acirc;nicas no sul do Brasil. A aceita&ccedil;&atilde;o da Guin&eacute; Equatorial, do ditador Teodoro Obiang Ngema, apesar de sua qualidade de observadora, foi duramente criticada por suas caracter&iacute;sticas diametralmente opostas &agrave; declara&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pios democr&aacute;ticos da CPLP, diz um artigo desta segunda-feira do jornal P&uacute;blico de Lisboa.<\/p>\n<p>Intitulado, com ironia \u201cGuin&eacute; Ditatorial\u201d, o jornal deplora o fato de Ngema ter lugar de \u201cobservador no clube lus&oacute;fono\u201d, lembrando que esse pa&iacute;s \u201c&eacute; um dos mais corruptos do mundo, liderado por um general que governa com m&atilde;o-de-ferro, perseguindo e torturando opositores. O pa&iacute;s do presidente Teodoro Obiang Ngema, na costa ocidental africana, fronteiri&ccedil;o com o Gab&atilde;o, &eacute; um dos poucos Estados criminais, onde a viol&ecirc;ncia estatal serve para as estrat&eacute;gias de ac&uacute;mulo de riqueza\u201d, &eacute; a defini&ccedil;&atilde;o que consta do Informe 2004 da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental brit&acirc;nica Global Witness.<\/p>\n<p>Outras decis&otilde;es consideradas importantes foram as nomea&ccedil;&otilde;es como embaixadores da boa vontade dos ex-presidentes Jos&eacute; Sarney, Joaquim Chissano, de Mo&ccedil;ambique, e Jorge Sampaio, de Portugal, enquanto a professora e ling&uuml;ista angolana, Am&eacute;lia Mingas, foi investida no cargo de diretora do Instituto Internacional de L&iacute;ngua Portuguesa, com sede em Cabo Verde. Em seus 10 anos de exist&ecirc;ncia, desde que foi criada em 17 de julho de 1996, por iniciativa, que come&ccedil;ou em 1993, do ex-ministro da Cultura, Jos&eacute; Aparecido de Oliveira, e apadrinhado pelos ent&atilde;o presidentes Itamar Franco, do Brasil, e Mario Soares e Jorge Sampaio, de Portugal, a CPLP tem sido duramente criticada, mas n&atilde;o chegou a ter sua exist&ecirc;ncia colocada em risco.<\/p>\n<p>\u201cPodemos n&atilde;o estar satisfeitos com a totalidade do desempenho da CPLP, mas ningu&eacute;m est&aacute; arrependido, ao contr&aacute;rio\u201d, disse o primeiro-ministro portugu&ecirc;s em uma entrevista ao jornal P&uacute;blico. Dos tr&ecirc;s objetivos anunciados em 1996, a media&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica para resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos, proje&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua portuguesa e coopera&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento entre os pa&iacute;ses, somente o primeiro foi cumprido integralmente, destacando-se o papel da CPLP para conseguir evitar a perpetua&ccedil;&atilde;o de golpes de Estado na Guin&eacute;-Bissau (2003), S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe (2005) e Timor Leste, neste ano.<\/p>\n<p>Entretanto, a l&iacute;ngua portuguesa \u201cn&atilde;o teve um tratamento adequado por parte dos or&ccedil;amentos p&uacute;blicos dos Estados, apesar de ser o fator de integra&ccedil;&atilde;o dos oito pa&iacute;ses que formam a CPLP\u201d, lamentou &agrave; IPS, Aparecido de Oliveira. Por sua vez, o secret&aacute;rio de Estado para a Coopera&ccedil;&atilde;o (vice-chanceler) de Portugal, Jo&atilde;o Gomes Cravinho, afirmou que \u201ca CPLP entrar&aacute; em um per&iacute;odo de maior maturidade\u201d, agora que &eacute; necess&aacute;rio que a organiza&ccedil;&atilde;o profissionalize a coopera&ccedil;&atilde;o e reforce o multilateral.<\/p>\n<p>De concreto, o governante prop&otilde;e outorgar poderes refor&ccedil;ados &agrave; Secretaria Executiva no campo da coopera&ccedil;&atilde;o, atribuindo-lhe \u201cuma nova capacidade de gest&atilde;o, para assim abrir a possibilidade de conseguir recursos financeiros de organiza&ccedil;&otilde;es internacionais. Gomes Cravinho prop&otilde;e acabar com o financiamento exclusivamente interno, porque isso \u201cfecha muitas portas\u201d e impede conv&ecirc;nios com organiza&ccedil;&otilde;es como Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, Banco Mundial, Banco Europeu de Investimentos e Banco Africano de Desenvolvimento.<\/p>\n<p>A t&iacute;tulo de balan&ccedil;o de uma d&eacute;cada, o caboverdiano Lu&iacute;s Fonseca, secret&aacute;rio-executivo da CPLP, disse &agrave; IPS que o trabalho realizado \u201c&eacute; bastante positivo tendo por base os objetivos anunciados: refor&ccedil;o dos la&ccedil;os humanos e a coopera&ccedil;&atilde;o entre os Estados\u201d, que j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o campos exclusivos das chancelarias, \u201cbem como no &acirc;mbito da justi&ccedil;a, educa&ccedil;&atilde;o, cultura e defesa\u201d.<\/p>\n<p>Fonseca diz que, em 10 anos, a CPLP uniu os esfor&ccedil;os de seus membros\u201d, cujos resultados mais vis&iacute;veis &eacute; que agora t&ecirc;m voz na ONU, mediou crises com &ecirc;xito, conseguiu que o portugu&ecirc;s fosse adotado por v&aacute;rios organismos internacionais, reuniu organiza&ccedil;&otilde;es empresariais lus&oacute;fonas e, sobretudo, conseguiu uma grande aproxima&ccedil;&atilde;o da sociedade civil\u201d.<\/p>\n<p>O secret&aacute;rio-executivo rejeitou as analogias com a Comunidade Brit&acirc;nica de Na&ccedil;&otilde;es (Commonwealth), que re&uacute;ne os antigos membros do outrora imp&eacute;rio brit&acirc;nico, \u201conde a lideran&ccedil;a &eacute; claramente de Londres, e com a Francofonia, com evidente condu&ccedil;&atilde;o da Fran&ccedil;a\u201d. Ao marcar a diferen&ccedil;a, Fonseca enfatizou que \u201ceste n&atilde;o &eacute; o caso da CPLP, onde todos os Estados s&atilde;o tratados com igualdade e aqui n&atilde;o &eacute; Portugal que determina o destino de nossa organiza&ccedil;&atilde;o, o que &eacute; feito por todos os pa&iacute;ses, em uma decis&atilde;o coletiva\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 18\/07\/2006 &ndash; O sentimento comum dos governantes que representam os 220 milh&otilde;es de habitantes de fala portuguesa no planeta n&atilde;o deixa d&uacute;vidas: esta comunidade precisa de menos ret&oacute;rica e mais a&ccedil;&otilde;es concretas para incrementar a coopera&ccedil;&atilde;o entre os oitos pa&iacute;ses que a integram. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/07\/mundo\/cooperao-comunidade-lusfona-busca-aes-concretas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,9,4],"tags":[],"class_list":["post-1972","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-globalizacao","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1972","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1972"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1972\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}