{"id":1973,"date":"2006-07-18T00:00:00","date_gmt":"2006-07-18T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1973"},"modified":"2006-07-18T00:00:00","modified_gmt":"2006-07-18T00:00:00","slug":"amrica-latina-avanos-rumo-igualdade-de-gnero-na-poltica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/07\/america-latina\/amrica-latina-avanos-rumo-igualdade-de-gnero-na-poltica\/","title":{"rendered":"Am&eacute;rica Latina: Avan&ccedil;os rumo &agrave; igualdade de g&ecirc;nero na pol&iacute;tica"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, 18\/07\/2006 &ndash; Quais fatores impedem as mulheres de chegarem ao Poder Legislativo? Como funcionam as leis de cotas na Am&eacute;rica Latina? <!--more--> O quanto o Chile est&aacute; perto de aprovar uma lei desse tipo para aumentar sua ainda baixa porcentagem de representa&ccedil;&atilde;o feminina no parlamento? As leis de cotas, ou a&ccedil;&otilde;es positivas que se contrap&otilde;em aos obst&aacute;culos enfrentados pelas mulheres para terem acesso a cargos de decis&atilde;o, seja do Poder Executivo ou Legislativo, consistem em fixar uma porcentagem ou numero m&iacute;nimo de representa&ccedil;&atilde;o feminina, seja nos postos de designa&ccedil;&atilde;o do governo ou atrav&eacute;s das listas eleitorais dos partidos pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p>\u201cEm geral, na Am&eacute;rica Latina as cotas funcionam bem, j&aacute; que aceleraram significativamente a presen&ccedil;a das mulheres no Legislativo, especialmente quando se trata de leis bem refletidas\u201d, disse &agrave; IPS Marcela Rios, uma das autoras do estudo \u201cCotas de G&ecirc;nero: Democracia e Representa&ccedil;&atilde;o\u201d, publicado em junho pela Faculdade Latino-Americana de Ci&ecirc;ncias Sociais (Flacso), com apoio do Instituto Internacional para a Democracia e a Assist&ecirc;ncia Eleitoral.<\/p>\n<p>As estat&iacute;sticas confirmam. Nos pa&iacute;ses da regi&atilde;o onde foram aprovadas leis de cotas para o parlamento as mulheres ocupam, em m&eacute;dia, 20,3% do total das cadeiras nos parlamentos, enquanto naqueles onde n&atilde;o existem iniciativas desse tipo a m&eacute;dia &eacute; de 13,7%. Este mecanismo &eacute; altamente valorizado pela Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe (Cepal), a qual estima que se n&atilde;o fossem aplicadas cotas de g&ecirc;nero nos pa&iacute;ses latino-americanos seria necess&aacute;rio esperar at&eacute; o ano de 2052 para que as mulheres ocupassem apenas 40% das cadeiras nos parlamentos.<\/p>\n<p>Os sistemas de cotas de g&ecirc;nero podem ser criados por via constitucional, legislativa ou por iniciativa dos pr&oacute;prios partidos pol&iacute;ticos, e \u201cse baseiam na vis&atilde;o de que as condi&ccedil;&otilde;es sociais, por si s&oacute;, n&atilde;o solucionam as desigualdades existentes em uma sociedade\u201d, por isso o Estado deve intervir atrav&eacute;s da gera&ccedil;&atilde;o de \u201ca&ccedil;&otilde;es positivas\u201d. Atualmente, 50 pa&iacute;ses adotam leis deste tipo no mundo, 11 deles na Am&eacute;rica Latina e no Caribe, com cotas que variam de 20% a 40%.<\/p>\n<p>A Argentina foi o primeiro pa&iacute;s da regi&atilde;o a aprovar este sistema para o Legislativo, fixando uma porcentagem de 30% tanto para a c&acirc;mara baixa quando para o Senado. A seguiram Costa Rica, M&eacute;xico e Paraguai, em 1996; Brasil, Bol&iacute;via, Equador, Panam&aacute;, Peru e Rep&uacute;blica Dominicana, em 1998; Venezuela, em 1998 (embora, depois tenha prescindido deste mecanismo), e, por fim, Honduras, em 2000. A Col&ocirc;mbia &eacute; o &uacute;nico pa&iacute;s com uma lei de cotas para o Executivo, no qual estabelece uma propor&ccedil;&atilde;o de 30% de mulheres nos altos cargos de decis&atilde;o de todos os organismos estatais.<\/p>\n<p>Ao analisar 18 pa&iacute;ses da regi&atilde;o, 11 deles com cotas e sete sem este mecanismo, a Flacso constatou que nos primeiros a presen&ccedil;a das mulheres nos respectivos parlamentos cresceu 9,5% entre 1995 e 2004, enquanto nos segundos o crescimento foi de apenas 2,9%. Entretanto, estas leis n&atilde;o garantem por si s&oacute; um aumento da participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das mulheres, diz o estudo. A efetividade da cota implementada depende da natureza do sistema eleitoral de cada pa&iacute;s e da din&acirc;mica dos partidos, os quais atuam como \u201cporteiros\u201d nos processos eleitorais.<\/p>\n<p>As leis de cotas conseguem a m&aacute;xima efici&ecirc;ncia nos sistemas de representa&ccedil;&atilde;o proporcional, que utilizam listas fechadas, e quando a lei exige que as mulheres ocupem os primeiros escal&otilde;es, de maneira que tenham possibilidades reais de serem eleitas. Estes fatores explicam o grande &ecirc;xito obtido no crescimento da representa&ccedil;&atilde;o feminina entre 1995 e 2004 no parlamento bicameral argentino, com 28%, e no Congresso da Costa Rica, com 19,5%. Enquanto o impacto do mecanismo &eacute; menor no Equador, M&eacute;xico, Panam&aacute;, Bol&iacute;via e Peru, onde a representa&ccedil;&atilde;o feminina parlamentar cresceu entre 7% e 15%.<\/p>\n<p>A Rep&uacute;blica Dominicana, por sua vez, apresenta um &iacute;ndice \u201cbaixo\u201d de 5,6% de aumento no n&uacute;mero de mulheres parlamentares, enquanto Brasil e Honduras obtiveram, at&eacute; agora, resultados \u201cnulos\u201d, mantendo-se abaixo da m&eacute;dia mundial (16,6%). Para os pesquisadores, a realidade do Brasil \u201coferece uma evid&ecirc;ncia dram&aacute;tica da necessidade de redigir este tipo de lei com extremos cuidados\u201d, que incluam mecanismos de san&ccedil;&atilde;o quando n&atilde;o &eacute; cumprida. No Chile, a representa&ccedil;&atilde;o das mulheres no Congresso (12,6%) est&aacute; abaixo da m&eacute;dia mundial. \u201cHoje em dia, n&atilde;o existe igualdade de competi&ccedil;&atilde;o para ingressar no parlamento chileno\u201d, devido ao sistema eleitoral em vigor e ao comportamento dos partidos pol&iacute;ticos, que n&atilde;o contam com incentivos para incluir um n&uacute;mero maior de mulheres, afirmou Rios.<\/p>\n<p>Apesar de o procedimento eleitoral utilizado neste pa&iacute;s ser considerado proporcional, as listas s&atilde;o abertas e a baixa representa&ccedil;&atilde;o por distritos (com duas cadeiras para cada um) dificulta o acesso da popula&ccedil;&atilde;o feminina. Embora o programa de governo da presidente Michelle Bachellet inclua uma proposta de lei de cotas, as cr&iacute;ticas a essa sugest&atilde;o levaram o Poder Executivo a pensar em outras alternativas, tais como a promulga&ccedil;&atilde;o de protocolos por parte dos partidos pol&iacute;ticos, nos quais se comprometam a incluir mais candidatas, disse &agrave; IPS Laura Albornoz, ministra do Servi&ccedil;o Nacional da Mulher. Bachellet formou um gabinete parit&aacute;rio, com igual propor&ccedil;&atilde;o de homens e mulheres.<\/p>\n<p>\u201cA metade da popula&ccedil;&atilde;o chilena n&atilde;o tem acesso aos lugares onde s&atilde;o tomadas as decis&otilde;es do pa&iacute;s, e a origem deste problema &eacute; a tradicional segrega&ccedil;&atilde;o da mulher no &acirc;mbito dom&eacute;stico. Por isso, como governo, analisamos diferentes mecanismos para reverter esta situa&ccedil;&atilde;o\u201d, explicou Albornoz. No momento, gra&ccedil;as a um projeto de reforma constitucional apresentado pelo governo h&aacute; um m&ecirc;s ao Congresso, se discute a modifica&ccedil;&atilde;o do sistema eleitoral chileno. Esta mo&ccedil;&atilde;o j&aacute; inclui a cria&ccedil;&atilde;o de um incentivo financeiro para que os partidos pol&iacute;ticos incluam mais candidatas em suas listas.<\/p>\n<p>Entretanto a aprova&ccedil;&atilde;o desta e outras medidas ainda &eacute; questionada. Em uma pesquisa feita pela Corpora&ccedil;&atilde;o Humanas com 111 deputados e deputadas, que foram consultados se estavam de acordo com uma lei que garanta a presen&ccedil;a das mulheres no Congresso, 84,8% das e dos representantes do ultradireitista partido Uni&atilde;o Democr&aacute;tica Independente (UDI) se manifestaram contra. Na coaliz&atilde;o de governo tampouco h&aacute; apoio absoluto. Somente 52,4% dos congressistas do Partido Democrata Crist&atilde;o se mostraram a favor desse instrumento.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que a discuss&atilde;o est&aacute; partindo de tr&aacute;s para frente. Antes de legislar sobre uma lei de cotas, que privilegiaria uma elite do pa&iacute;s, se deveria dar aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s reais condi&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o permitem que as mulheres entrem na pol&iacute;tica\u201d, disse &agrave; IPS Karla Rubilar, deputada pela Renova&ccedil;&atilde;o Nacional (RN), partido de direita liberal. Rubilar, cuja coletividade se manifestou publicamente contra esta lei, diz que os partidos n&atilde;o discriminam as mulheres, mas que s&atilde;o elas que n&atilde;o desejam se candidatar, inibidas por uma atividade que requer \u201cum alto n&iacute;vel de sacrif&iacute;cio pessoal\u201d, com reuni&otilde;es at&eacute; muito tarde, al&eacute;m de trabalhos nos finais de semana e feriados.<\/p>\n<p>Postura semelhante tem o ex-candidato presidencial da UDI, Joaqu&iacute;n Lav&iacute;n, que disse em uma coluna de opini&atilde;o publicada no jornal El Merc&uacute;rio que a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica n&atilde;o &eacute; um tema priorit&aacute;rio para as mulheres chilenas, j&aacute; que elas t&ecirc;m problemas mais s&eacute;rios, como o acesso ao mercado de trabalho, a desigualdade de sal&aacute;rios e a viol&ecirc;ncia dentro da fam&iacute;lia. Nenhum destes temas &eacute; excludente, responde a pesquisadora da Flacso, para quem existe grande ignor&acirc;ncia sobre as leis de cotas e os resultados obtidos nos pa&iacute;ses onde foram implementadas, o que se soma &agrave; \u201cresist&ecirc;ncia por parte de alguns setores em mudar as regras do jogo\u201d.<\/p>\n<p>A secret&aacute;ria nacional da RN e ex-deputada, Lily P&eacute;rez, disse em uma entrevista que as cotas \u201cgeram uma situa&ccedil;&atilde;o de inferioridade para a mulher\u201d, j&aacute; que questionam suas capacidades. P&eacute;rez deu como exemplo a elei&ccedil;&atilde;o de Bachellet, que teria vencido gra&ccedil;as aos seus \u201cm&eacute;rito, por seu trabalho, reconhecimento e prepara&ccedil;&atilde;o\u201d individual. Entretanto, Rios espera que durante a atual administra&ccedil;&atilde;o seja aprovada uma lei deste tipo, \u201cporque &eacute; um mecanismo provado em outros pa&iacute;ses que resolve r&aacute;pida e efetivamente o problema da baixa representa&ccedil;&atilde;o das mulheres nos cargos eleitos popularmente\u201d, afirmou. Por sua vez, Albornoz confirmou que se trata de uma das prioridades do atual governo, que terminar&aacute; em 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, 18\/07\/2006 &ndash; Quais fatores impedem as mulheres de chegarem ao Poder Legislativo? 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