{"id":1977,"date":"2006-08-21T00:00:00","date_gmt":"2006-08-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1977"},"modified":"2006-08-21T00:00:00","modified_gmt":"2006-08-21T00:00:00","slug":"mundo-aliana-civil-contra-a-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/08\/mundo\/mundo-aliana-civil-contra-a-pobreza\/","title":{"rendered":"Mundo: Alian&ccedil;a civil contra a pobreza"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, 21\/08\/2006 &ndash; Os 50 pa&iacute;ses menos adiantados necessitam, de acordo com a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, da contribui&ccedil;&atilde;o da sociedade civil para atingirem as metas do Programa de Bruxelas, concebido pela ONU para melhorar as extremas condi&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias de seus 750 milh&otilde;es de habitantes. <!--more--> \u201cSem o apoio das organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais n&atilde;o creio realmente que possamos dar um bom impulso ao Programa de Bruxelas\u201d, afirmou Anwarul K. Chowdhury, subsecret&aacute;rio geral e alto representante das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para estes pa&iacute;ses mais pobres do planeta, para os pa&iacute;ses em desenvolvimento sem litoral e para os pequenos Estados insulares.<\/p>\n<p>Estas associa&ccedil;&otilde;es civis surgem com verdadeiras s&oacute;cias para o desenvolvimento das pa&iacute;ses menos adiantados (PMA), que necessitam delas essencialmente como advogados e paladinos de sua causa, acrescentou Chowdhury. O subsecret&aacute;rio examinou nesta ter&ccedil;a-feira, com representantes de entidades da sociedade civil radicadas em Genebra, a aplica&ccedil;&atilde;o do Plano de A&ccedil;&atilde;o para os PMA na d&eacute;cada 2001-2010, que foi adotado h&aacute; cinco anos na capital belga, para atender esta popula&ccedil;&atilde;o empobrecida que j&aacute; supera 11,5% da humanidade. O quadro que obtivemos dessa avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; misto, pois em algumas &aacute;reas mostra progressos e em outras nem tanto, admitiu Chowdhury &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Entretanto, o que me anima vigorosamente &eacute; comprovar a exist&ecirc;ncia de um compromisso assumido entre os PMA e seus s&oacute;cios para o desenvolvimento, acrescentou o funcion&aacute;rio da ONU. Cabe &agrave;s duas partes mencionadas por Chowdhury a responsabilidade de acelerar o crescimento econ&ocirc;mico e o desenvolvimento sustent&aacute;vel dos PMA, segundo determinou o Programa de Bruxelas. O documento tamb&eacute;m exorta a acabar com a marginaliza&ccedil;&atilde;o nesses pa&iacute;ses, atrav&eacute;s de planos contra a pobreza, as desigualdades e as priva&ccedil;&otilde;es, permitindo assim uma integra&ccedil;&atilde;o ben&eacute;fica &agrave; economia mundial.<\/p>\n<p>Entretanto, os progressos s&atilde;o lentos, devido, principalmente, &agrave; debilidade estrutural dos pa&iacute;ses mais pobres do mundo, derivada de uma combina&ccedil;&atilde;o de pobreza generalizada e da fragilidade das capacidades institucionais, t&eacute;cnicas e humanas dessas na&ccedil;&otilde;es, como diagnosticaram as organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais. Chowdhury admitiu que as infra-estruturas, as capacidades e a governabilidade dos PMA s&atilde;o d&eacute;beis. Portanto, &eacute; preciso superar esses obst&aacute;culos, o que levar&aacute; tempo. O desenvolvimento &eacute; um processo pausado que n&atilde;o ocorre da noite para o dia, ressaltou.<\/p>\n<p>No entanto, o subsecret&aacute;rio disse estar confiante em que os esfor&ccedil;os feitos nos primeiros cinco anos de aplica&ccedil;&atilde;o do Programa de Bruxelas ter&atilde;o resultados no pr&oacute;ximo q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nio. As entidades da sociedade civil participantes do f&oacute;rum de Genebra abra&ccedil;aram a id&eacute;ia de lan&ccedil;ar uma campanha de promo&ccedil;&atilde;o da causa dos PMA para coloc&aacute;-la em primeiro lugar na agenda internacional. Renate Bloem, presidente da confer&ecirc;ncia de Organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais em rela&ccedil;&atilde;o consultiva com a ONU (Congo), patrocinou a incorpora&ccedil;&atilde;o do tema sobre emprego e trabalho decente nessa agenda.<\/p>\n<p>Chowdhury reconheceu que a quest&atilde;o do desemprego esteve ausente das duas &uacute;ltimas iniciativas mais ambiciosas da comunidade internacional: o Programa de Bruxelas e os oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, tamb&eacute;m estabelecidos pela ONU, em 2000 e com prazo at&eacute; 2015. Estas metas, que t&ecirc;m por base indicadores de 1990, s&atilde;o reduzir pela metade a propor&ccedil;&atilde;o de pessoas com fome e indigentes, conseguir educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria universal, promover a igualdade de g&ecirc;nero, reduzir a mortalidade infantil em dois ter&ccedil;os e a materna em tr&ecirc;s quartos, e lutar contra a propaga&ccedil;&atilde;o da s&iacute;ndrome de defici&ecirc;ncia imunol&oacute;gica adquirida (aids), a mal&aacute;ria e outras enfermidades.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m os pa&iacute;ses da ONU se comprometeram nessa oportunidade a garantir a sustentabilidade ambiental e criar uma sociedade global para o desenvolvimento entre o Norte e o Sul. Mas agora todo o sistema da ONU e as ag&ecirc;ncias especializadas que t&ecirc;m import&acirc;ncia para os PMA embarcaram no processo e o exame de meio termo que o f&oacute;rum mundial far&aacute; em setembro pr&oacute;ximo \u201cgerou grande interesse\u201d, observou o subsecret&aacute;rio. Se realmente n&atilde;o pudermos ajudar estes 50 pa&iacute;ses menos adiantados de uma maneira generosa, nosso compromisso com o desenvolvimento n&atilde;o ter&aacute; credibilidade, advertiu.<\/p>\n<p>Por outro lado, Chowdhury tamb&eacute;m preveniu que, se a comunidade internacional n&atilde;o se empenhar no Programa de Bruxelas para os PMA, o conjunto dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio n&atilde;o ser&aacute; alcan&ccedil;ado, porque os indicadores destes 50 pa&iacute;ses s&atilde;o muito baixos. Um dos crit&eacute;rios da ONU para incluir um pa&iacute;s na categoria dos PMA &eacute; sua baixa renda, o que significa que a renda nacional bruta por habitante deve ser inferior a US$ 750 por ano, praticamente a barreira dos dois d&oacute;lares di&aacute;rios, abaixo da qual se classifica como pobre.<\/p>\n<p>Outros crit&eacute;rios se referem a fatores humanos, como os &iacute;ndices de nutri&ccedil;&atilde;o, de mortalidade infantil, de matr&iacute;cula escolar e de alfabetiza&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m incidem crit&eacute;rios de vulnerabilidade econ&ocirc;mica. Desde 1971, quando a ONU estabeleceu esta classifica&ccedil;&atilde;o, a quantidade de PMA duplicou. Dos 50 pa&iacute;ses que hoje integram esta lista dram&aacute;tica, 34 s&atilde;o da &Aacute;frica. No horizonte dos PMA, os Estados mais pobres do planeta, tamb&eacute;m aparecem as possibilidades de obter resultados da negocia&ccedil;&atilde;o chamada de Rodada de Doha, que a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio mant&eacute;m h&aacute; quase cinco anos.<\/p>\n<p>A sexta confer&ecirc;ncia ministerial da OMC, realizada em dezembro, em Hong Kong, determinou que o mundo industrializado e os pa&iacute;ses em desenvolvimento em condi&ccedil;&otilde;es de faz&ecirc;-lo dar&atilde;o acesso aos mercados livres de tarifas e de cotas para todos os produtos origin&aacute;rios dos PMA, a partir de 2008. Mas no contexto dessa decis&atilde;o aceitou-se que os pa&iacute;ses que tiverem dificuldades para adotar a medida anterior poder&atilde;o permitir o acesso aos mercados nas mesmas condi&ccedil;&otilde;es, mas apenas para 97% dos bens dos PMA.<\/p>\n<p>Chowdhury observou que esses 3% restantes representam para muitos PMA 100% de suas exporta&ccedil;&otilde;es, como ocorre com os t&ecirc;xteis e outros produtos. Esse assunto ter&aacute; de ser revisado no processo de aplica&ccedil;&atilde;o dessa decis&atilde;o da OMC, prop&ocirc;s o funcion&aacute;rio. Temos de fornecer um acesso substancial e genu&iacute;no aos mercados para os PMA, destacou o subsecret&aacute;rio. Por outro lado, a OMC disp&otilde;e de um mecanismo, denominado Marco Integrado para a Assist&ecirc;ncia T&eacute;cnica dos PMA, que conta com apoio dos principais organismos multilaterais, como o Fundo Monet&aacute;rio Internacional, o Centro de Com&eacute;rcio Internacional, a Confer&ecirc;ncia da ONU sobre Com&eacute;rcio e Desenvolvimento, o Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento, o Banco Mundial e a pr&oacute;pria OMC.<\/p>\n<p>O Marco Integrado foi estabelecido em 1997 para ajudar os governos dos PMA a criarem capacidades comerciais e integrarem quest&otilde;es de com&eacute;rcio nas estrat&eacute;gias nacionais de desenvolvimento. A OMC estimou que no come&ccedil;o deste ano 40 PMA se encontravam em fases distintas do processo do Marco Integrado, embora apenas 20 tivessem validado os estudos de diagn&oacute;stico e as listas de prioridades comerciais. Chowdhury disse &agrave; IPS que at&eacute; o momento somente cerca de 30 dessas na&ccedil;&otilde;es pobres se beneficiaram do Marco Integrado. \u201cNecessitamos que o mecanismo cubra os 50 PMA\u201d, insistiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, 21\/08\/2006 &ndash; Os 50 pa&iacute;ses menos adiantados necessitam, de acordo com a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, da contribui&ccedil;&atilde;o da sociedade civil para atingirem as metas do Programa de Bruxelas, concebido pela ONU para melhorar as extremas condi&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias de seus 750 milh&otilde;es de habitantes. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/08\/mundo\/mundo-aliana-civil-contra-a-pobreza\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":86,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4,11],"tags":[21,16],"class_list":["post-1977","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica","tag-metas-do-milenio","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1977","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/86"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1977"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1977\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1977"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1977"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1977"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}