{"id":198,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=198"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"direitos-humanos-de-defensor-da-tortura-a-procurador-geral-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-de-defensor-da-tortura-a-procurador-geral-nos-eua\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: De defensor da tortura a procurador-geral nos EUA"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 23\/01\/2005 &ndash; Grupos de direitos humanos pediram urg&ecirc;ncia ao Senado dos Estados Unidos no sentido de rever o papel do assessor legal presidencial Alberto Gonzales na cria&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de deten&ccedil;&atilde;o e interrogat&oacute;rio de suspeitos terroristas, antes de confirm&aacute;-lo como procurador-geral. Gonzales, que provavelmente se converter&aacute; no primeiro cidad&atilde;o de origem hispana a ocupar um cargo ministerial nesse pa&iacute;s, foi muito criticado por ativistas dos direitos humanos por aprovar uma s&eacute;rie de memorandos que os cr&iacute;ticos vinculam diretamente com as torturas constatadas na pris&atilde;o iraquiana de Abu Ghraib e outros abusos conhecidos desde abril passado.<br \/> <!--more--> <br \/> Nos memorandos mais pol&ecirc;micos, Gonzales afirma que as prote&ccedil;&otilde;es outorgadas pelas conven&ccedil;&otilde;es de Genebra de 1949 aos prisioneiros de guerra n&atilde;o deveriam ser aplicadas aos suspeitos de terrorismo e, tamb&eacute;m, que as leis nacionais e internacionais que pro&iacute;bem a tortura &quot;n&atilde;o se aplicam &agrave; deten&ccedil;&atilde;o e ao interrogat&oacute;rio de combatentes inimigos por decis&atilde;o presidencial&quot;. Gonzales &quot;deve demonstrar que pode fazer julgamentos independentes dentro da lei&quot;, mas &quot;seus antecedentes nesse sentido n&atilde;o s&atilde;o animadores&quot;, alertou Lisa Massimino, diretora em Washington da organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights First, que antes se chamava Comit&ecirc; de Advogados sobre Direitos Humanos.<\/p>\n<p> As Audi&ecirc;ncias de confirma&ccedil;&atilde;o de Gonzales, de 49 anos, come&ccedil;aram esta semana, no que seus partid&aacute;rios chamam de uma &quot;batalha real&quot; entre o governo e &quot;a esquerda&quot;, em alus&atilde;o a ativistas dos direitos humanos, alguns opositores democratas e, inclusive, um punhado de legisladores republicanos preocupados com os antecedentes do candidato. Devido &agrave; maioria de 55 a 45 cadeiras que o governante Partido Republicano tem no Senado, prev&ecirc;-se que Gonzales ser&aacute; confirmado &agrave; frente do Departamento de Justi&ccedil;a.&quot;H&aacute; muito em risco nesta batalha&quot;, escreveram Lee Casey e David Rivkin, membros da Sociedade Federalista, um grupo de advogados de direita cujos membros dominam as mais altas esferas do governo, especialmente o Departamento de Justi&ccedil;a, o Pent&aacute;gono (Departamento de Defesa), o escrit&oacute;rio do vice-presidente, Dick Cheneym, e a pr&oacute;pria Casa Branca.<\/p>\n<p> &quot;Est&aacute; em jogo nada menos que o futuro da soberania norte-americana&quot;, escreveu na semana passada na publica&ccedil;&atilde;o National Review, numa refer&ecirc;ncia &agrave; posi&ccedil;&atilde;o da Sociedade de que os Estados Unidos n&atilde;o se devem ater a normas do direito internacional que n&atilde;o tenha ratificado expressamente. Gonzales, cuja origem pobre e hispana o converte em um candidato especialmente atrativo (especialmente para os democratas, preocupados pelas recentes conquistas republicanas entre o eleitorado latino), cresceu em Houston, no Gtexas. Foi o segundo de oito filhos de um lar que n&atilde;o tinha &aacute;gua corrente nem telefone, mas chegou a se formar em leis na Universidade de Harvard e foi contratado pelo escrit&oacute;rio jur&iacute;dico mais poderoso do Estado do Texas.<\/p>\n<p> Quando o presidente George W. Bush foi eleito governador do Texas em 1994, designou Gonzales como seu assessor geral, a seguir secret&aacute;rio de Estado do Texas e, em 1999, membro da Suprema Corte estadual, antes de lev&aacute;-lo para Washington como assessor legal do presidente e seus principais colaboradores. Como juiz, Gonzales ganhou a reputa&ccedil;&atilde;o de conservador moderado, rigoroso na aplica&ccedil;&atilde;o das leis &#8211; por exemplo, sobre aborto -, apesar de suas opini&otilde;es pessoais. Politicamente, &eacute; mais moderado do que o atual promotor geral, John Ashcroft, mas de todo modo, &eacute; considerado absolutamente leal ao presidente.<\/p>\n<p> A organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Human Rights Watch considerou a nomea&ccedil;&atilde;o de Gonzales em novembro como &quot;uma m&aacute; escolha&quot;, enquanto a Human Rights First e a Uni&atilde;o Americana de Liberdades Civis (Aclu) se mostraram mais discretas em suas express&otilde;es. Mas, todos os grupos exigem, at&eacute; agora sem sucesso, que o governo entregue ao Senado documentos internos que poriam uma luz sobre o preciso papel de Gonzales na aprova&ccedil;&atilde;o dos memorandos mais controversos sobre a &quot;guerra contra o terrorismo&quot;. Os memorandos referentes &agrave;s conven&ccedil;&otilde;es de Genebra e ao suposto poder presidencial para redefinir a tortura, de modo proteger as for&ccedil;as norte-americanas da justi&ccedil;a nacional ou internacional, ficaram conhecidos porque vazaram para a imprensa.<\/p>\n<p> Os documentos revelados permitem apreciar claramente o papel de Gonzales em tr&ecirc;s importantes posturas pol&iacute;ticas. A primeira se consagrou no decreto presidencial de novembro de 2001 que estabeleceu comiss&otilde;es militares para julgar e mesmo executar acusados de terrorismo de forma secreta, sem as garantias b&aacute;sicas do devido processo. A segunda dessas posturas pol&iacute;ticas se refletiu na afirma&ccedil;&atilde;o, em janeiro de 2002, de que o presidente tem autoridade constitucional para negar as garantias das conven&ccedil;&otilde;es de Genebra a prisioneiros de guerra no Afeganist&atilde;o. Inclusive, Gonzales qualificou de &quot;rebuscadas&quot; e &quot;obsoletas&quot; algumas normas dessas conven&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p> A terceira postura se traduziu no memorando divulgado pelo Departamento de Justi&ccedil;a em agosto de 202, segundo o qual o presidente tem &quot;autoridade de comandante em chefe&quot; para ordenar torturas e propor defesas legais para oficiais acusados de abusos. Todas estas posi&ccedil;&otilde;es foram rejeitadas por tribunais ou, no caso do &quot;memorando da tortura&quot;, pelo pr&oacute;prio Departamento de Justi&ccedil;a, que na semana passada ampliou a defini&ccedil;&atilde;o de tortura, embora sem esclarecer se o presidente, na qualidade de comandante em chefe, pode passar por cima de leis nacionais ou mesmo da Constitui&ccedil;&atilde;o. Paradoxalmente, a falta de esclarecimento dessa suposta autoridade de comandante em chefe, a quest&atilde;o &quot;mais explosiva&quot; surgida no debate legal sobre a guerra contra o terrorismo, &quot;poderia significar mais problemas do que ajuda para Gonzales&quot;, afirmou Massimino. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 23\/01\/2005 &ndash; Grupos de direitos humanos pediram urg&ecirc;ncia ao Senado dos Estados Unidos no sentido de rever o papel do assessor legal presidencial Alberto Gonzales na cria&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de deten&ccedil;&atilde;o e interrogat&oacute;rio de suspeitos terroristas, antes de confirm&aacute;-lo como procurador-geral. Gonzales, que provavelmente se converter&aacute; no primeiro cidad&atilde;o de origem hispana a ocupar um cargo ministerial nesse pa&iacute;s, foi muito criticado por ativistas dos direitos humanos por aprovar uma s&eacute;rie de memorandos que os cr&iacute;ticos vinculam diretamente com as torturas constatadas na pris&atilde;o iraquiana de Abu Ghraib e outros abusos conhecidos desde abril passado.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-de-defensor-da-tortura-a-procurador-geral-nos-eua\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-198","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=198"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/198\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}