{"id":1980,"date":"2006-10-05T00:00:00","date_gmt":"2006-10-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1980"},"modified":"2006-10-05T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-05T00:00:00","slug":"jornalismo-o-perigo-de-se-trabalhar-no-iraque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/jornalismo-o-perigo-de-se-trabalhar-no-iraque\/","title":{"rendered":"Jornalismo:: O perigo de se trabalhar no Iraque"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 05\/10\/2006 &ndash; Para a IPS, a fam&iacute;lia e os amigos do jornalista Alaa Hassan, 28 de junho foi um dia diferente. Pela primeira vez desde o come&ccedil;o da guerra no Iraque, esta ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias perdeu um rep&oacute;rter no cumprimento de suas fun&ccedil;&otilde;es. O assassinato de Hassan foi a segunda vez em sua hist&oacute;ria que a IPS perde um dos seus por causa da viol&ecirc;ncia. Em fevereiro de 1990, um grupo armado seq&uuml;estrou e matou o rep&oacute;rter da IPS Richard de Soysa, no Sri Lanka. <!--more--> Hassan recebeu cinco tiros quando seu autom&oacute;vel foi alvo de uma rajada de metralhadora. Sua morte &eacute; uma estremecedora lembran&ccedil;a dos perigos enfrentado por muitos jornalistas independentes que informam desde zonas a&ccedil;oitadas pela guerra. Informes iniciais sobre o tiroteio sugeriam que Hassan n&atilde;o foi um alvo por ser jornalista \u2013 ou, mas especificamente, um jornalista iraquiano \u2013 mas por se encontrar \u201cno lugar errado, no momento errado\u201d. Mas o brutal ataque provocou declara&ccedil;&otilde;es de condena&ccedil;&atilde;o e chamados no sentido de serem adotadas medidas mais efetivas para garantir a seguran&ccedil;a dos jornalistas no Iraque.<\/p>\n<p>Koichiro Matsuura, diretor-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura (Unesco), &uacute;nica ag&ecirc;ncia da ONU com mandato para defender a liberdade de express&atilde;o e uma imprensa livre, divulgou uma declara&ccedil;&atilde;o denunciando o assassinato do jornalista. \u201cCondeno a morte de Alaa Hassan. Os assassinatos s&atilde;o parte da tr&aacute;gica realidade cotidiana do Iraque hoje, e os jornalistas t&ecirc;m que enfrent&aacute;-la mais do que os que exercem qualquer outra profiss&atilde;o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Setenta por cento dos 75 jornalistas assassinados no Iraque desde a invas&atilde;o a esse pa&iacute;s por uma coaliz&atilde;o liderada pelos Estados Unidos, em mar&ccedil;o de 2003, s&atilde;o iraquianos, disse &agrave; IPS Frank Smyth, representante de Washington no Comit&ecirc; para a Prote&ccedil;&atilde;o dos Jornalistas. Mas em uma declara&ccedil;&atilde;o condenando o assassinato de Hassan, a Federa&ccedil;&atilde;o Internacional de Jornalistas (FIP) disse que s&atilde;o 131 os profissionais e trabalhadores de meios de comunica&ccedil;&atilde;o mortos no Iraque, incluindo o da IPS, desde o come&ccedil;o da guerra.<\/p>\n<p>\u201cA morte de outro iraquiano nos enche de dor e indigna&ccedil;&atilde;o\u201d, disse o secret&aacute;rio-geral da FIP, Aidan White. \u201cEste &eacute; um pa&iacute;s onde a viol&ecirc;ncia e as mortes se tornaram rotina e uma caracter&iacute;stica intoler&aacute;vel da vida cotidiana na qual os jornalistas continuam se destacando entre as v&iacute;timas\u201d. A FIP e a IPS exigiram uma completa e imediata investiga&ccedil;&atilde;o do assassinato de Hassan. \u201cA IPS reclama do governo iraquiano que realize uma plena investiga&ccedil;&atilde;o para determinar o motivo do assassinato de um jornalistas quando realizava seu trabalho\u201d, disse o diretor-geral da IPS, Mario Lubetkin, em carta enviada ao presidente do Iraque, Jalal Talabani.<\/p>\n<p>\u201cA IPS &eacute; uma das poucas organiza&ccedil;&otilde;es de imprensa que cobrem a invas&atilde;o desde uma perspectiva iraquiana e no lugar dos fatos\u201d, disse Lubetkin em carta enviada ao secret&aacute;rio-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Kofi Annan. \u201cComo parte desta &aacute;rdua tarefa jornal&iacute;stica, nossos rep&oacute;rteres e trabalhadores t&ecirc;m de interagir regularmente com pessoas que vivem em um contexto hostil de viol&ecirc;ncia crescente e mortal\u201d.<\/p>\n<p>Contar a hist&oacute;ria a partir de um &acirc;ngulo iraquiano como jornalista n&atilde;o radicado no Iraque &eacute; uma tarefa perigosa. Requer ampla mobiliza&ccedil;&atilde;o entre as trincheiras dos rebeldes e em outras &aacute;reas n&atilde;o controladas por for&ccedil;as da coaliz&atilde;o para avaliar com precis&atilde;o como vivem essas pessoas e ouvir suas opini&otilde;es. \u201cEstar destacado no local permite aos jornalistas contar a vers&atilde;o das tropas, mas n&atilde;o responde a pergunta sobre as demais partes do acontecimento\u201d, disse &agrave; IPS Thomas Rosenstiel, diretor do Projeto para a Excel&ecirc;ncia no Jornalismo.<\/p>\n<p>Como o conflito no Iraque \u2013 e, mais recentemente, os violentos enfrentamentos entre Israel e o movimento isl&acirc;mico xiita Hezbollah, no L&iacute;bano \u2013 n&atilde;o ocorre entre dois governos leg&iacute;timos, mas entre um governo, ou um poder ocupante, e uma organiza&ccedil;&atilde;o rebelde, usar os jornalistas como alvo se converteu em uma nova estrat&eacute;gia no campo de batalha, segundo Rosenstiel. \u201cA guerra moderna no s&eacute;culo 21 tem a ver com a publicidade. \u201cAlgumas pessoas pensam que matar jornalistas faz parte de seu interesse militar estrat&eacute;gico\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para \u201ccontinuar fazendo seu trabalho de informar o p&uacute;blico sem restri&ccedil;&otilde;es, est&atilde;o permanentemente expostos &aacute; viol&ecirc;ncia que, de maneira t&atilde;o horrorosa, se converteu em um lugar comum\u201d, disse Matsuura em sua declara&ccedil;&atilde;o condenando o assassinato de Hassan. \u201cSaudamos sua coragem, mas tamb&eacute;m devemos fazer o m&aacute;ximo para melhorar sua seguran&ccedil;a, j&aacute; que o trabalho dos jornalistas &eacute; essencial para devolver a democracia a um pa&iacute;s que suportou d&eacute;cadas de opress&atilde;o e viol&ecirc;ncia\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Rosenstiel disse que os jornalistas que viajam sozinhos, como Hassan, devem faz&ecirc;-lo \u201ccom crit&eacute;rio\u201d, por causa dos muitos perigos, e que contar com prote&ccedil;&atilde;o de uma for&ccedil;a de seguran&ccedil;a &eacute; caro e pode chamar a aten&ccedil;&atilde;o, especialmente em &aacute;reas onde se misturar com a popula&ccedil;&atilde;o reduz os riscos de se converter em alvo. Como iraquiano, Hassan n&atilde;o teve que fazer este &uacute;ltimo, mas tamb&eacute;m foi v&iacute;tima de um c&iacute;rculo vicioso de viol&ecirc;ncia que arruinou as tentativas de democratizar o pa&iacute;s. Hassan, que tinha somente 35 anos quando foi assassinado, deixa sua mulher gr&aacute;vida, m&atilde;e, cinco irm&atilde;os e cinco irm&atilde;s.<\/p>\n<p>Outros meios de comunica&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m enviaram mensagens de condol&ecirc;ncia e solidariedade. \u201cN&oacute;s, em Antiwar.com, estamos tristes e perplexos com a morte do senhor Hassan\u201d, escreveu &agrave; IPS Eric Garris, editor desse popular site antiimperialista da internet. \u201cEle era um jornalista excelente e valente\u201d, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 05\/10\/2006 &ndash; Para a IPS, a fam&iacute;lia e os amigos do jornalista Alaa Hassan, 28 de junho foi um dia diferente. Pela primeira vez desde o come&ccedil;o da guerra no Iraque, esta ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias perdeu um rep&oacute;rter no cumprimento de suas fun&ccedil;&otilde;es. O assassinato de Hassan foi a segunda vez em sua hist&oacute;ria que a IPS perde um dos seus por causa da viol&ecirc;ncia. Em fevereiro de 1990, um grupo armado seq&uuml;estrou e matou o rep&oacute;rter da IPS Richard de Soysa, no Sri Lanka. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/mundo\/jornalismo-o-perigo-de-se-trabalhar-no-iraque\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4],"tags":[16],"class_list":["post-1980","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1980","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1980"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1980\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1980"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1980"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1980"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}