{"id":19829,"date":"2015-09-15T13:42:18","date_gmt":"2015-09-15T13:42:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=200294"},"modified":"2015-09-15T13:42:18","modified_gmt":"2015-09-15T13:42:18","slug":"nas-trincheiras-curdas-contra-o-ei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/09\/ultimas-noticias\/nas-trincheiras-curdas-contra-o-ei\/","title":{"rendered":"Nas trincheiras curdas contra o EI"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_200295\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/karlos1-629x353-629x353.jpg\"><img class=\"wp-image-200295\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/karlos1-629x353-629x353.jpg\" alt=\"Guerrilheiro do Partido dos Trabalhadores do Curdist\u00e3o (PKK) mant\u00e9m sua posi\u00e7\u00e3o em Nouafel, uma aldeia \u00e1rabe a oeste da cidade de Kirkuk, norte do Iraque. Foto: Karlos Zurutuza\/IPS\" width=\"340\" height=\"191\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Guerrilheiro do Partido dos Trabalhadores do Curdist\u00e3o (PKK) mant\u00e9m sua posi\u00e7\u00e3o em Nouafel, uma aldeia \u00e1rabe a oeste da cidade de Kirkuk, norte do Iraque. Foto: Karlos Zurutuza\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Karlos Zurutuza, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Kirkuk, Iraque, 15\/9\/2015 \u2013 Os soldados sa\u00fadam a bandeira, ou sorriem enquanto acolhem nos bra\u00e7os crian\u00e7as resgatadas do horror da guerra. S\u00e3o os murais da 12\u00aa Divis\u00e3o de Infantaria iraquiana, ainda vis\u00edveis \u00e0 entrada do acampamento K1, a oeste da cidade de Kirkuk. Mas os antigos ocupantes fugiram, ap\u00f3s a fulgurante chegada do extremista Estado Isl\u00e2mico (EI), em junho de 2014. Hoje, os novos inquilinos do K1 s\u00e3o um combinado formado por unidades peshmerga (ex\u00e9rcito curdo) e guerrilheiros do Partido dos Trabalhadores do Curdist\u00e3o (PKK).<\/p>\n<p>Feitas as apresenta\u00e7\u00f5es, o <em>heval<\/em> Rebar (camarada Rebar, em curdo) se oferece para acompanhar o enviado especial da IPS em dire\u00e7\u00e3o ao sul, sempre ao longo de um muro de terra levantado \u00e0 direita. Uma cadeia de barreiras vigiadas por peshmergas d\u00e1 acesso a postos de combate, bem como a aldeias recuperadas dos jihadistas do EI, muitas completamente destru\u00eddas pelos ataques a\u00e9reos dos Estados Unidos e seus aliados.<\/p>\n<p>O coronel peshmerga Jamal Masim Jafar recebe a IPS dentro de um <em>bunker<\/em> ao p\u00e9 de um promont\u00f3rio de terra de aproximadamente 15 metros de altura, e que tem sua r\u00e9plica a cada quil\u00f4metro ao longo do muro. Jafar fala de um combate \u201cconstante\u201d. \u201cRecebemos fogo de franco-atiradores a partir de duas casas e uma torre levantada do outro lado, mas tamb\u00e9m nos atingem com um artefato caseiro fabricado com botij\u00f5es de g\u00e1s\u201d, contou o oficial, acrescentando que a \u00faltima troca de fogo importante foi \u201ch\u00e1 apenas uma hora\u201d.<\/p>\n<p>Sobre a colabora\u00e7\u00e3o com a guerrilha curda, Jafar se mostra satisfeito. \u201cTemos muito boa rela\u00e7\u00e3o com o PKK e lutamos juntos, n\u00e3o s\u00f3 pelos curdos, porque o EI \u00e9 inimigo de toda a humanidade\u201d, pontuou. Sentado \u00e0 sua direita, Rebar concorda. Ap\u00f3s uma for\u00e7ada x\u00edcara de ch\u00e1, Jafar convida este jornalista a subir ao promont\u00f3rio, do qual poder\u00edamos ver a frente entre sacos de terra. A menos de um quil\u00f4metro se divisa Al Noor, uma das centenas de localidades levantadas por Saddam Hussein (que governou o Iraque entre 1979 e 2003) para receber os colonos \u00e1rabes em terra curda.<\/p>\n<p>Al Noor est\u00e1 hoje sob controle do EI, mas, na primeira semana deste m\u00eas, o combinado curdo lan\u00e7ou uma ofensiva em grande escala um pouco mais ao sul, ap\u00f3s a qual recuperaram nove localidades em uma \u00e1rea de 24 quil\u00f4metros quadrados. \u201cEsses avan\u00e7os s\u00e3o poss\u00edveis gra\u00e7as \u00e0 ajuda internacional, tanto em suprimentos como em cobertura a\u00e9rea\u201d, ressaltou Jafar enquanto, j\u00e1 no promont\u00f3rio, caminhava para uma das peruas armadas com artilharia.<\/p>\n<div id=\"attachment_200296\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/karlos2.jpg\"><img class=\"wp-image-200296\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/karlos2.jpg\" alt=\"As mulheres tamb\u00e9m est\u00e3o presentes na linha de frente no combate ao Estado Isl\u00e2mico, em Kirkuk, na regi\u00e3o aut\u00f4noma curda do Iraque, norte do pa\u00eds. Foto: Karlos Zurutuza\/IPS\" width=\"340\" height=\"191\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As mulheres tamb\u00e9m est\u00e3o presentes na linha de frente no combate ao Estado Isl\u00e2mico, em Kirkuk, na regi\u00e3o aut\u00f4noma curda do Iraque, norte do pa\u00eds. Foto: Karlos Zurutuza\/IPS<\/p><\/div>\n<p>\u201cAcabamos de instalar as metralhadoras. S\u00e3o francesas e chegaram faz pouco tempo. Tamb\u00e9m recebemos \u00f3culos para vis\u00e3o noturna, imprescind\u00edveis neste entorno, e m\u00edsseis teledirigidos Milano que chegaram da Alemanha\u201d, contou Jafar. \u201cQuanto \u00e0 cobertura a\u00e9rea, nos d\u00e3o sempre que a pedimos\u201d, acrescentou este oficial que passou sete anos com as tropas norte-americanas no Iraque, que invadiram e ocuparam este pa\u00eds entre 2003 e 2011.<\/p>\n<p>A harmonia entre as fac\u00e7\u00f5es curdas \u00e9 evidente, mas esta nunca foi a tend\u00eancia nessa regi\u00e3o aut\u00f4noma do norte do Iraque. Disputada por curdos, \u00e1rabes e turcomanos, Kirkuk pertence aos chamados \u201cterrit\u00f3rios em disputa\u201d entre Bagd\u00e1 e Erbil, capital administrativa da regi\u00e3o aut\u00f4noma curda. \u00c9 um dos conflitos mais duros do Iraque, desde muito antes do surgimento do EI. Na \u00faltima d\u00e9cada, o conflito \u00e9tnico e sect\u00e1rio foi demolidor nessa parte do pa\u00eds em que a popula\u00e7\u00e3o se viu presa no fogo cruzado entre as diferentes fac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A parada seguinte no caminho para o sul \u00e9 Nouafel, uma aldeia \u00e1rabe incrustada contra o muro onde o PKK mant\u00e9m uma de suas posi\u00e7\u00f5es. De uma das casas que serve de quartel-general, o camarada Selim prefere n\u00e3o revelar o n\u00famero de guerrilheiros que est\u00e3o nesta frente. \u201cTemos o suficiente para lutar contra o EI\u201d, contou, sorrindo. H\u00e1 outro promont\u00f3rio protegido por sacos de terra, do qual o camarada Farashin vigia, com a ajuda de bin\u00f3culos, a localidade de Wastaniya, hoje pra\u00e7a do EIs.<\/p>\n<div id=\"attachment_200297\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/karlos3.jpg\"><img class=\"wp-image-200297\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/karlos3.jpg\" alt=\"O coronel peshmerga, Jamal Masim Jafar, diz estar satisfeito com o apoio que suas for\u00e7as curdas recebem do exterior para combater o Estado Isl\u00e2mico. Foto: Karlos Zurutuza\/IPS\" width=\"340\" height=\"191\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O coronel peshmerga, Jamal Masim Jafar, diz estar satisfeito com o apoio que suas for\u00e7as curdas recebem do exterior para combater o Estado Isl\u00e2mico. Foto: Karlos Zurutuza\/IPS<\/p><\/div>\n<p>O armamento dos guerrilheiros se reduz aos fuzis de assalto, alguns de longo alcance, e um par de metralhadoras pesadas apontando para o horizonte. Embora seja \u00f3bvio que o PKK n\u00e3o parece se beneficiar do mesmo modo que seus colegas de trincheira, o testemunho do camarada Aso confirma que a guerrilha curda tampouco se encontra desamparada.<\/p>\n<p>Aso contou que \u201cna primavera recebemos um curso de guerrilha urbana de dois meses dado por instrutores italianos. Aprendi muitas coisas que n\u00e3o me ensinaram durante minha instru\u00e7\u00e3o em Qandil\u201d, explicou este jovem de Tuz Khormato, localidade pr\u00f3xima, brutalmente castigada durante anos pela guerra. \u201cEram profissionais, nunca nos deixaram tirar uma foto nem nos disseram a qual companhia pertenciam\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O que torna particularmente interessante esta posi\u00e7\u00e3o de combate \u00e9 que fica em uma aldeia onde a maioria de seus moradores n\u00e3o abandonou suas casas, apesar de ter permanecido sob controle do EI por seis meses. A pedido do camarada Rebar, v\u00e1rios deles concordaram em falar com a IPS, em uma casa pr\u00f3xima \u00e0 que agora a guerrilha ocupa.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, a rela\u00e7\u00e3o entre civis e combatentes parece cordial. Trocam sauda\u00e7\u00f5es e os guerrilheiros se atrevem com algumas palavras em \u00e1rabe para quebrar o gelo. Enquanto isso, Arkan Bader Ali, o anfitri\u00e3o, serve ch\u00e1 \u00e1rabe, do qual se bebe um trago e se passa a x\u00edcara de m\u00e3o em m\u00e3o no sentido dos ponteiros do rel\u00f3gio. O ru\u00eddo dos disparos a poucos metros do lugar, junto com o da muni\u00e7\u00e3o mais pesada, n\u00e3o provoca mais do que um leve olhar para cima.<\/p>\n<p>Bader Al\u00ed lamentou que suas terras, como as da maioria em Nouafel, estejam hoje na \u201cterra de ningu\u00e9m\u201d, entre os curdos e o EI. No momento, suas vacas e ovelhas est\u00e3o escondidas a leste deste povoado, afirmou. Tamb\u00e9m usando a tradicional <em>dishdasha<\/em> \u00e1rabe \u2013 uma camisa folgada que vai at\u00e9 os p\u00e9s \u2013, como os demais moradores, Juma Hussein Toma assegurou que os sete meses que permaneceram sob controle dos jihadistas n\u00e3o alteraram a vida do povoado de forma significativa.<\/p>\n<p>\u201cQuando chegaram, anunciaram por alto-falantes que a mesquita da revolu\u00e7\u00e3o triunfara, e que haviam nos libertado dos infi\u00e9is, mas n\u00e3o sofremos amea\u00e7as de nenhum tipo\u201d, pontuou o campon\u00eas. Os que se foram, o fizeram por falta de trabalho ou recursos, mas n\u00e3o por causa da guerra, acrescentou Hussein.<\/p>\n<p>\u201cO EI matou gente em Al Noor porque eram membros do Conselho do Despertar (uma mil\u00edcia iraquiana que lutou contra a rede jihadista Al Qaeda com ajuda norte-americana), mas nos deixaram em paz\u201d, destacou Mohamed Al Ubeid, lembrando que dois jovens da localidade haviam se unido ao EI \u201cdesde o princ\u00edpio\u201d.<\/p>\n<p>Os moradores afirmam estar satisfeitos com a presen\u00e7a dos guerrilheiros em sua aldeia, mas como deram essas declara\u00e7\u00f5es na presen\u00e7a deles, \u00e9 imposs\u00edvel saber se se sentiram coagidos. Ap\u00f3s uma despedida t\u00e3o cordial quanto foi o resto do encontro, um dos combatentes apontou para uma profunda trincheira que rodeia seu improvisado quartel-general em Nouafel. \u201cA cavamos porque n\u00e3o confiamos nessa gente\u201d, disse o guerrilheiro, antes de se despedir para voltar ao seu posto de guarda no muro. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Karlos Zurutuza, da IPS &ndash;&nbsp; Kirkuk, Iraque, 15\/9\/2015 &ndash; Os soldados sa&uacute;dam a bandeira, ou sorriem enquanto acolhem nos bra&ccedil;os crian&ccedil;as resgatadas do horror da guerra. S&atilde;o os murais da 12&ordf; Divis&atilde;o de Infantaria iraquiana, ainda vis&iacute;veis &agrave; entrada do acampamento K1, a oeste da cidade de Kirkuk. 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