{"id":19831,"date":"2015-09-16T12:59:44","date_gmt":"2015-09-16T12:59:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=200368"},"modified":"2015-09-16T12:59:44","modified_gmt":"2015-09-16T12:59:44","slug":"gas-de-xisto-fratura-comunidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/09\/ultimas-noticias\/gas-de-xisto-fratura-comunidades\/","title":{"rendered":"G\u00e1s de xisto fratura comunidades"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_200369\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/xisto1.jpg\"><img class=\"wp-image-200369\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/xisto1.jpg\" alt=\"O ativista Ray Kimble transformou sua casa, em Dimock, em um emblema da oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto e \u00e0 t\u00e9cnica do fracking no Estado da Pensilv\u00e2nia, nos Estados Unidos. Foto: Emilio Godoy\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O ativista Ray Kimble transformou sua casa, em Dimock, em um emblema da oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto e \u00e0 t\u00e9cnica do fracking no Estado da Pensilv\u00e2nia, nos Estados Unidos. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Emilio Godoy, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Montrose, Estados Unidos, 16\/9\/2015 \u2013 A norte-americana Vera Scroggins foi processada cinco vezes pela ind\u00fastria petroleira e, desde outubro de 2013, pesa sobre ela uma ordem de restri\u00e7\u00e3o permanente para se aproximar de suas instala\u00e7\u00f5es. \u201cMe sinto uma cidad\u00e3 pela metade, porque as empresas podem fazer o que querem e os cidad\u00e3os n\u00e3o. As corpora\u00e7\u00f5es violam leis ambientais e continuam operando\u201d, lamentou \u00e0 IPS esta agente imobili\u00e1ria aposentada, m\u00e3e de tr\u00eas filhos e com dois netos.<\/p>\n<p>Desde 2008, Scroggins, do movimento Shaleshock Media, \u00e9 uma decidida ativista contra a prospec\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o do g\u00e1s de xisto no munic\u00edpio de Montrose, no Estado da Pensilv\u00e2nia, no nordeste do pa\u00eds. O desenvolvimento desse hidrocarbono n\u00e3o convencional, tamb\u00e9m conhecido pela palavra inglesa <em>shale<\/em>, requer a t\u00e9cnica da fratura hidr\u00e1ulica, ou <em>fracking<\/em>, em ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Nesta localidade, com 1.600 habitantes e parte do condado de Susquehanna, h\u00e1 cerca de 1.100 po\u00e7os em aproximadamente 600 campos, al\u00e9m de 43 esta\u00e7\u00f5es que compactam o g\u00e1s para transport\u00e1-lo a longa dist\u00e2ncia. Toda essa infraestrutura est\u00e1 pr\u00f3xima de moradias e escolas, e est\u00e1 nas m\u00e3os de sete empresas.<\/p>\n<p>Este Estado \u00e9 atravessado pela bacia gas\u00edfera Marcellus, um dos tr\u00eas grandes dep\u00f3sitos do recurso, que converteram os Estados Unidos em \u201cfrackist\u00e3o\u201d, pela utiliza\u00e7\u00e3o corrente do <em>fracking<\/em> na ind\u00fastria de petr\u00f3leo e g\u00e1s. Nesses dep\u00f3sitos, a mol\u00e9cula do hidrocarbono est\u00e1 presa em rochas profundas, perfuradas e quebradas pela inje\u00e7\u00e3o de enorme quantidade de uma mistura de \u00e1gua, areia e aditivos qu\u00edmicos, que s\u00e3o considerados nocivos para a sa\u00fade e o ambiente.<\/p>\n<p>Dessa forma, o g\u00e1s ou o petr\u00f3leo \u00e9 liberado. Mas a tecnologia gera maci\u00e7os volumes de dejetos l\u00edquidos, que devem ser tratados para sua reciclagem, e de emiss\u00f5es de metano, mais contaminante do que o di\u00f3xido de carbono, o maior respons\u00e1vel pelo aquecimento global. \u201cOs po\u00e7os contaminam a \u00e1gua com o metano e o g\u00e1s vaza para a atmosfera. Muitos n\u00e3o sabem o que acontece, n\u00e3o t\u00eam informa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o me sinto segura com o <em>fracking<\/em>\u201d, denunciou Scroggins, que vive em Montrose com seu marido, um professor aposentado, e tem como vizinho um po\u00e7o de g\u00e1s que opera a um quil\u00f4metro de sua casa.<\/p>\n<p>O <em>fracking<\/em> alterou a paisagem, pois o desenvolvimento dos po\u00e7os se traduziu na presen\u00e7a de dezenas de caminh\u00f5es transportando terra, areia e \u00e1gua. As empresas constroem altas torres de a\u00e7o para perfurar o po\u00e7o, e, quando sai o g\u00e1s, \u00e9 como se um ferro de passar roupas passasse por cima, porque o terreno fica visivelmente plano. S\u00f3 florescem a tampa do po\u00e7o e os tubos que transportam o hidrocarbono, conforme den\u00fancia de seus vizinhos for\u00e7ados.<\/p>\n<p>A industrializa\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas rurais as deixou pouco atraentes, enquanto o ac\u00famulo de metano pode acabar em explos\u00f5es ou problemas respirat\u00f3rios para as pessoas, afirmam os ativistas.<\/p>\n<div id=\"attachment_200370\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/xisto2.jpg\"><img class=\"wp-image-200370\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/xisto2.jpg\" alt=\"Perfura\u00e7\u00e3o de um po\u00e7o de g\u00e1s de xisto em Montrose, na Pensilv\u00e2nia, nos Estados Unidos. Muitas localidades desse Estado tiveram suas vidas alteradas pelo desenvolvimento desse hidrocarbono n\u00e3o convencional e pela pol\u00eamica t\u00e9cnica de fratura hidr\u00e1ulica exigida para sua explora\u00e7\u00e3o. Foto: Emilio Godoy\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Perfura\u00e7\u00e3o de um po\u00e7o de g\u00e1s de xisto em Montrose, na Pensilv\u00e2nia, nos Estados Unidos. Muitas localidades desse Estado tiveram suas vidas alteradas pelo desenvolvimento desse hidrocarbono n\u00e3o convencional e pela pol\u00eamica t\u00e9cnica de fratura hidr\u00e1ulica exigida para sua explora\u00e7\u00e3o. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Em sua Prospectiva Anual de Energia 2015, a estatal Administra\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica indica que, em 2014, o setor do xisto forneceu 11,34 trilh\u00f5es de p\u00e9s c\u00fabicos de g\u00e1s, equivalentes a 47% da produ\u00e7\u00e3o gas\u00edfera do pa\u00eds. J\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo por <em>fracking<\/em> foi de 4,2 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios no ano passado, equivalentes a 49% da extra\u00e7\u00e3o total de petr\u00f3leo no pa\u00eds, acrescenta o documento.<\/p>\n<p>O petr\u00f3leo \u00e9 a principal fonte nacional de energia, com 36% do total, seguido do g\u00e1s, com 27%, e do carv\u00e3o com 19%. Na Pensilv\u00e2nia, a produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s saltou de 9.757 p\u00e9s c\u00fabicos, em 2008, para 3,05 milh\u00f5es, em 2013. Nesse Estado, ber\u00e7o do primeiro <em>boom<\/em> do petr\u00f3leo norte-americano e da fratura hidr\u00e1ulica, foram perfurados 9.200 po\u00e7os, enquanto as permiss\u00f5es concedidas passam de 16 mil.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos s\u00e3o o pa\u00eds que de forma mais intensiva e comercial explora atualmente os hidrocarbonos de xisto. Esse desenvolvimento foi facilitado desde que, em 2005, a Lei de Pol\u00edtica Energ\u00e9tica eximiu a ind\u00fastria petroleira das sete maiores normas ambientais. Por isso, a ind\u00fastria desatou uma onda de queixas em torno de quest\u00f5es ambientais, sanit\u00e1rias e contratuais, quando as regulamenta\u00e7\u00f5es estaduais lhe eram adversas.<\/p>\n<p>Em setembro de 2012, o Congresso norte-americano aprovou a Lei de Petr\u00f3leo e G\u00e1s, conhecida como Lei 13, que cancelava o poder das localidades de aprovar ou vetar autoriza\u00e7\u00f5es de hidrofraturas. Depois da apela\u00e7\u00e3o apresentada por conselhos, pessoas e organiza\u00e7\u00f5es ambientais, a Suprema Corte de Justi\u00e7a declarou essa lei inconstitucional, o que facultou novamente \u00e0s administra\u00e7\u00f5es locais utilizar suas legisla\u00e7\u00f5es territoriais para tomar decis\u00f5es sobre o desenvolvimento do <em>shale<\/em> em suas jurisdi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O viajante se depara constantemente na estrada com cartazes onde se l\u00ea \u201cMantenha bonita a Pensilv\u00e2nia\u201d, mas o que acontece em suas art\u00e9rias rurais pouco contribui para esse lema. Ray Kimble, mec\u00e2nico de 59 anos, pode testemunhar a contradi\u00e7\u00e3o desse lema em Dimock, a localidade pr\u00f3xima onde vive. Ele denunciou \u00e0 IPS que seu povoado sofre a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua desde 2009, pelos res\u00edduos da ind\u00fastria gas\u00edfera, onde ele trabalhou como transportador.<\/p>\n<p>\u201cDestru\u00edram o povoado. N\u00e3o os queremos aqui\u201d, protestou Kimble, alegando que tem tosse persistente e os tornozelos inflamados por causa do contato com os gases enquanto trabalhou no setor. Agora se nega a beber a \u00e1gua que sai das torneiras e se dedica a transportar esse recurso para fam\u00edlias afetadas pela contamina\u00e7\u00e3o denunciada.<\/p>\n<p>Dimock \u00e9 um povoado com cerca de 1.500 habitantes e cen\u00e1rio do muito premiado document\u00e1rio <em>Gasland<\/em>, do norte-americano Joshua Fox, que mostra os danos causados pelo <em>fracking<\/em> e gerou as primeiras demandas legais contra os chamados \u201csenhores do <em>shale<\/em>\u201d, que desembocaram em acordos extrajudiciais. A casa de Kimble est\u00e1 a pouco mais de 150 metros de um po\u00e7o de g\u00e1s.<\/p>\n<p>Com o xisto, \u201ch\u00e1 ganhos no curto prazo, mas o que acontece quando os campos secam e resta o legado de dejetos?\u201d, questionou \u00e0 IPS o ativista Tyson Slocum. \u201cResta \u00e1gua contaminada, fluidos de refluxo, transforma\u00e7\u00e3o de \u00e1reas agr\u00edcolas rurais afetadas pela opera\u00e7\u00e3o dos po\u00e7os. H\u00e1 poucas obriga\u00e7\u00f5es legais e financeiras de longo prazo para garantir que o legado seja abordado adequadamente\u201d, afirmou esse diretor do programa de Energia do n\u00e3o governamental Public Citizen. Essa organiza\u00e7\u00e3o promove a defesa do consumidor e assessora afetados pelo <em>fracking<\/em>.<\/p>\n<p>Agora a ind\u00fastria enfrenta a queda dos pre\u00e7os internacionais dos hidrocarbonos, a contra\u00e7\u00e3o do financiamento e uma crescente oposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 sua tecnologia. Nos \u00faltimos oito meses, cerca de 400 cidades em 28 Estados aprovaram vetos ou morat\u00f3rias ao <em>fracking<\/em>. Os casos mais importantes aconteceram nos Estados de Nova York, que censurou essa extra\u00e7\u00e3o em dezembro de 2014, e em Vermont, em 2012.<\/p>\n<p>\u201cPor que n\u00e3o colocam um po\u00e7o ao lado da casa de um pol\u00edtico? Os cidad\u00e3os n\u00e3o os querem junto de suas casas\u201d, ressaltou Scroggins. \u201cTomara que n\u00e3o ocorra um vazamento maior, porque ser\u00e1 devastador. Mas a ind\u00fastria n\u00e3o aceita que praticou mal algum\u201d, acrescentou. Para Slocum, os Estados se acomodaram aos interesses da ind\u00fastria. \u201cO balan\u00e7o entre ganhos e sa\u00fade p\u00fablica foi aviltado, o debate sobre empregos e benef\u00edcios econ\u00f4micos \u00e9 secund\u00e1rio\u201d, destacou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Emilio Godoy, da IPS &ndash;&nbsp; Montrose, Estados Unidos, 16\/9\/2015 &ndash; A norte-americana Vera Scroggins foi processada cinco vezes pela ind&uacute;stria petroleira e, desde outubro de 2013, pesa sobre ela uma ordem de restri&ccedil;&atilde;o permanente para se aproximar de suas instala&ccedil;&otilde;es. &ldquo;Me sinto uma cidad&atilde; pela metade, porque as empresas podem fazer o que querem e [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/09\/ultimas-noticias\/gas-de-xisto-fratura-comunidades\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2781,2898,1405,2458,2783],"class_list":["post-19831","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-featured","tag-fracking","tag-gas-de-xisto","tag-inter-press-service","tag-news3"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19831","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19831"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19831\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19832,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19831\/revisions\/19832"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}