{"id":19833,"date":"2015-09-16T12:55:56","date_gmt":"2015-09-16T12:55:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=200365"},"modified":"2015-09-16T12:55:56","modified_gmt":"2015-09-16T12:55:56","slug":"dupla-moral-com-bombas-de-fragmentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/09\/ultimas-noticias\/dupla-moral-com-bombas-de-fragmentacao\/","title":{"rendered":"Dupla moral com bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_200366\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cluster-bombs-629x419-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-200366\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/cluster-bombs-629x419-629x419.jpg\" alt=\"Ta Doangchom, v\u00edtima de uma bomba de fragmenta\u00e7\u00e3o, ao lado das pr\u00f3teses caseiras do Centro Nacional de Reabilita\u00e7\u00e3o \u2013 Empresa Cooperativa de Ortopedia e Pr\u00f3teses, em Vientiane, no Laos. Foto: Irwin Loy\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Ta Doangchom, v\u00edtima de uma bomba de fragmenta\u00e7\u00e3o, ao lado das pr\u00f3teses caseiras do Centro Nacional de Reabilita\u00e7\u00e3o \u2013 Empresa Cooperativa de Ortopedia e Pr\u00f3teses, em Vientiane, no Laos. Foto: Irwin Loy\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Thalif Deen, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 16\/9\/2015 \u2013 A Conven\u00e7\u00e3o sobre Muni\u00e7\u00f5es de Fragmenta\u00e7\u00e3o (CMR) proibiu o uso destas armas mortais porque liberam pequenas bombas em \u00e1reas extensas, o que gera riscos para al\u00e9m da zona de guerra, deixando explosivos sem explodir, que matam civis muito depois do fim dos conflitos. At\u00e9 agosto, 117 pa\u00edses haviam aderido \u00e0 CMR, com 95 Estados parte, que assinaram e ratificaram o tratado, e 22 signat\u00e1rios que ainda n\u00e3o deram sua ratifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Primeira Confer\u00eancia de Exame da CMR, que come\u00e7ou na semana passada em Dubrovnik, na Cro\u00e1cia, tr\u00eas Estados parte (Austr\u00e1lia, Canad\u00e1 e Gr\u00e3-Bretanha) expressaram reservas diante de um projeto de declara\u00e7\u00e3o sobre o uso das muni\u00e7\u00f5es de fragmenta\u00e7\u00e3o. Os tr\u00eas argumentaram que n\u00e3o podiam aceitar ou aprovar um texto condenando todos os tipos de uso dessas muni\u00e7\u00f5es, porque interferiria em sua capacidade de realizar opera\u00e7\u00f5es militares conjuntas com os Estados de fora da CMR.<\/p>\n<p>A Gr\u00e3-Bretanha, que condenou o uso de bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o na S\u00edria, no Sud\u00e3o e na Ucr\u00e2nia este ano, se negou a censurar o uso dessas armas pela coaliz\u00e3o liderada pela Ar\u00e1bia Saudita no I\u00eamen. N\u00e3o \u00e9 de estranhar que a Ar\u00e1bia Saudita seja um multimilion\u00e1rio mercado para as armas fabricadas na Gr\u00e3-Bretanha, que vendeu modernos avi\u00f5es de combate, m\u00edsseis e bombas guiadas de precis\u00e3o a esse rico pa\u00eds petroleiro.<\/p>\n<p>Segundo Steve Goose, das organiza\u00e7\u00f5es Human Rights Watch e Coaliz\u00e3o Contra as Muni\u00e7\u00f5es de Fragmenta\u00e7\u00e3o, para que a CMR tenha \u00eaxito, os Estados parte devem condenar o uso absoluto dessas armas, sem importar o respons\u00e1vel ou o lugar. \u201cOs Estados partes n\u00e3o podem ser seletivos em sua condena\u00e7\u00e3o, segundo a rela\u00e7\u00e3o que tenham com o infrator, ou pelo tipo de muni\u00e7\u00e3o de fragmenta\u00e7\u00e3o usada\u201d, destacou. Se um Estado parte faz sil\u00eancio sobre o uso confirmado dessas armas, pode-se argumentar que, nos fatos, est\u00e1 aceitando seu uso e, portanto, descumpre suas obriga\u00e7\u00f5es decorrentes da CMR, enfatizou.<\/p>\n<p>Thomas Nash, diretor da organiza\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica Article 36, apontou \u00e0 IPS que seu pa\u00eds tentou impedir que a comunidade internacional condenasse estas armas proibidas em uma reuni\u00e3o dos Estados parte da CMR. E recordou que a Gr\u00e3-Bretanha se nega a condenar o uso das bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o no I\u00eamen pelas for\u00e7as lideradas pela Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>\u201cA prote\u00e7\u00e3o dos civis deve ser apol\u00edtica. Ao escolher quando quer condenar o uso das bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o, a Gr\u00e3-Bretanha est\u00e1 fazendo pol\u00edtica com a prote\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o civil\u201d, denunciou Nash. \u201cAs tentativas brit\u00e2nicas de diluir a condena\u00e7\u00e3o internacional dessas armas exibem um cruel desprezo pelo sofrimento humano que elas causam\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo a Article 36, antes da assinatura da CMR, em 2008, a Gr\u00e3-Bretanha empregou bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o na guerra das Malvinas (1982), em Kosovo (1998-1999) e no Iraque (1991-2003). A Gr\u00e3-Bretanha tamb\u00e9m vendeu dessas bombas para a Ar\u00e1bia Saudita antes de 2008, mas n\u00e3o est\u00e1 claro se entre elas se encontrava o tipo de muni\u00e7\u00e3o de fragmenta\u00e7\u00e3o utilizada no I\u00eamen.<\/p>\n<p>Nash pontuou \u00e0 IPS que Londres n\u00e3o quer condenar o uso das bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o porque poderia desestimular alguns pa\u00edses de aderirem ao tratado no futuro, \u201cmas isso n\u00e3o tem sentido\u201d. A Gr\u00e3-Bretanha tem a obriga\u00e7\u00e3o legal de desestimular o uso dessas armas por parte de qualquer pa\u00eds, e condenar seu emprego \u00e9 a melhor maneira de faz\u00ea-lo, acrescentou. Londres \u00e9 alvo de um forte escrut\u00ednio por causa de suas vendas de armas aos sauditas e h\u00e1 grande preocupa\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao cumprimento por esse pa\u00eds dos direitos humanos e do direito internacional humanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mais al\u00e9m de a negativa de Londres de condenar o uso das bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o pela coaliz\u00e3o liderada pela Ar\u00e1bia Saudita no I\u00eamen estar diretamente relacionada \u00e0s transfer\u00eancias de armas brit\u00e2nicas para os sauditas, \u00e9 evidente que a pol\u00edtica brit\u00e2nica nesse campo \u00e9 muito duvidosa, apontou Nash. \u201cA melhor maneira para a Gr\u00e3-Bretanha deixar isso claro \u00e9 condenar o uso dessas bombas por parte das for\u00e7as da Ar\u00e1bia Saudita no I\u00eamen\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Nash tamb\u00e9m afirmou que, historicamente, a Gr\u00e3-Bretanha \u00e9 muito influenciada pelos Estados Unidos na quest\u00e3o das muni\u00e7\u00f5es de fragmenta\u00e7\u00e3o, e, como a Ar\u00e1bia Saudita, Washington n\u00e3o gostaria que Londres condenasse o seu uso por parte de qualquer pa\u00eds. Novamente, Washington est\u00e1 do lado errado da hist\u00f3ria quando se trata das bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o, e Londres, que assinou e ratificou a CMR, tem que escolher o lado que deseja estar, ressaltou Nash.<\/p>\n<p>Nicole Auger, analista para Oriente M\u00e9dio da empresa de pesquisa de mercado de defesa Forecast International, afirmou \u00e0 IPS que a Ar\u00e1bia Saudita continua sendo um mercado importante para a Gr\u00e3-Bretanha. \u201cCreio que no ano passado a Ar\u00e1bia Saudita foi o maior mercado de importa\u00e7\u00e3o de armas brit\u00e2nicas, com cerca de US$ 2,4 bilh\u00f5es\u201d, destacou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Thalif Deen, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 16\/9\/2015 &ndash; A Conven&ccedil;&atilde;o sobre Muni&ccedil;&otilde;es de Fragmenta&ccedil;&atilde;o (CMR) proibiu o uso destas armas mortais porque liberam pequenas bombas em &aacute;reas extensas, o que gera riscos para al&eacute;m da zona de guerra, deixando explosivos sem explodir, que matam civis muito depois do fim dos conflitos. 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