{"id":1984,"date":"2006-10-06T00:00:00","date_gmt":"2006-10-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1984"},"modified":"2006-10-06T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-06T00:00:00","slug":"pena-de-morte-execues-sobre-rodas-na-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/direitos-humanos\/pena-de-morte-execues-sobre-rodas-na-china\/","title":{"rendered":"Pena de morte: Execu&ccedil;&otilde;es sobre rodas na China"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, 06\/10\/2006 &ndash; A China passa, gradualmente, a executar seus condenados em caminhonetes, um m&eacute;todo que considera mais discreto e que pretende calar as cr&iacute;ticas pela pr&aacute;tica cruel e arbitr&aacute;ria da pena capital contra uma grande quantidade de cidad&atilde;os. <!--more--> Cr&iacute;ticos do governo e defensores dos direitos humanos afirmam que isto &eacute; o equivalente a esquadr&otilde;es da morte oficiais, que permitem executar prisioneiros de maneira mais r&aacute;pida e f&aacute;cil, fora da vista do p&uacute;blico. Funcion&aacute;rios de justi&ccedil;a chineses respondem que as frotas de ve&iacute;culos para execu&ccedil;&otilde;es m&oacute;veis s&atilde;o uma forma \u201cmais humana\u201d de concretizar as senten&ccedil;as de morte. As duas partes concordam que esta pr&aacute;tica marca uma mudan&ccedil;a maior a respeito das execu&ccedil;&otilde;es por fuzilamento em atos p&uacute;blicos com assist&ecirc;ncia maci&ccedil;a.\u201cDefinitivamente, &eacute; um progresso para a China, que mostra mais considera&ccedil;&atilde;o, tanto com os condenados quanto para os demais\u201d, as fam&iacute;lias e o p&uacute;blico, disse &agrave; IPS Li Guifang, vice-presidente do Comit&ecirc; de Assuntos Penais da Associa&ccedil;&atilde;o de Advogados. \u201cH&aacute; menos dor e uma morte mais r&aacute;pida para os condenados\u201d, disse. Abandonados os fuzilamentos p&uacute;blicos, agora os condenados s&atilde;o executados em caminhonetes fabricadas com esse prop&oacute;sito em um contexto praticamente cl&iacute;nico. O prisioneiro &eacute; preso a uma cama semelhante &agrave; maca das ambul&acirc;ncias e morto atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o de uma inje&ccedil;&atilde;o. O conte&uacute;do dos coquet&eacute;is letais usados nessas inje&ccedil;&otilde;es &eacute; preparado em Pequim e entregues aos tribunais locais que realizam os julgamentos. Ativistas de direitos humanos destacam que, segundo as evid&ecirc;ncias conhecidas os Estados Unidos, a inje&ccedil;&atilde;o letal est&aacute; longe de ser indolor.<\/p>\n<p>Lentamente, a China desenvolveu uma frota de ve&iacute;culos para realizar execu&ccedil;&otilde;es, ap&oacute;s experimentar com cautela as inje&ccedil;&otilde;es letais pela primeira vez em 1997 em algumas prov&iacute;ncias selecionadas. Agora, a pr&aacute;tica est&aacute; ganhando uma escala maior. O n&uacute;mero exato destas caminhonetes da morte &eacute; um segredo de estado. O que se sabe &eacute; que somente na prov&iacute;ncia de Yunnan h&aacute; 18 destes ve&iacute;culos em uso. Autoridades de Pequim prev&ecirc;em estender as execu&ccedil;&otilde;es m&oacute;veis a algumas prov&iacute;ncias determinadas, mas n&atilde;o disseram &agrave; IPS quais s&atilde;o. A IPS falou com v&aacute;rios funcion&aacute;rios respons&aacute;veis pelo programa, com a condi&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o cit&aacute;-los.<\/p>\n<p>A passagem do pelot&atilde;o de fuzilamento para as inje&ccedil;&otilde;es letais \u201cconstitui um tremendo progresso nos procedimentos judiciais penais na China\u201d, disse aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o estatais, em junho, o diretor da Suprema Corte da prov&iacute;ncia de Zhejiang, Yin Yong. Provadas pela primeira vez em 1997 na prov&iacute;ncia de Yunnan \u2013 uma atrasada regi&atilde;o que limita com o Tri&acirc;ngulo Dourado (ao sul do Rio Yangtze) e que &eacute; famosa pelo narcotr&aacute;fico \u2013 as caminhonetes da morte agora tamb&eacute;m ir&atilde;o operar em lugares de auge industrial onde o crime disparou, com a prov&iacute;ncia de Zhejiang e outras. Zhejiang come&ccedil;ar&aacute; a us&aacute;-las a partir de 1&ordm; de setembro.<\/p>\n<p>Organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos afirmam que a cada ano a China executa mais criminosos do que em todo o resto do mundo. O n&uacute;mero exato continua sendo segredo m&aacute;ximo. A Anistia Internacional registrou, pelo menos, 1.770 execu&ccedil;&otilde;es nesse pa&iacute;s em 2005, mas assegura que o n&uacute;mero real poderia chegar a at&eacute; oito mil. A frota de caminhonetes &eacute; apresentada por funcion&aacute;rios judiciais como o &uacute;ltimo avan&ccedil;o do sistema penal chin&ecirc;s, enquanto Pequim procura mudar sua imagem internacional j&aacute; que vai ser a sede dos Jogos Ol&iacute;mpicos de 2008. Segundo a imprensa nacional, cada ve&iacute;culo de execu&ccedil;&atilde;o m&oacute;vel custa cerca de US$ 60 mil. Est&atilde;o em evid&ecirc;ncia porque evitam a habitual viagem ao local de execu&ccedil;&atilde;o e s&atilde;o mais baratas.<\/p>\n<p>A inje&ccedil;&atilde;o letal requer apenas a presen&ccedil;a de quatro pessoas, enquanto o pelot&atilde;o de fuzilamento exige muitos guardas para cuidar do traslado e da execu&ccedil;&atilde;o. Assim, a China abandona a hist&oacute;rica pr&aacute;tica de execu&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas. Depois de ter assinado a Conven&ccedil;&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas contra a Tortura, em 1984, foram adotadas normas que proibiam praticar a pena de morte perante o p&uacute;blico. Entretanto, ativistas de direitos humanos alegam que essas pr&aacute;ticas continuaram durante a ofensiva contra o crime lan&ccedil;ada em 1983 e refor&ccedil;ada em 1996. J&aacute; n&atilde;o acontecem em grandes cidades onde vivem estrangeiros.<\/p>\n<p>Na medida em que essas caminhonetes da morte come&ccedil;am a ingressar silenciosamente em mais cidade e aldeias, tornando mais f&aacute;cil e r&aacute;pida a morte de um condenado, surgem novos temores. Defensores dos direitos humanos e cr&iacute;ticos da pena capital temem que a China esteja usando mais a inje&ccedil;&atilde;o letal para conseguir &oacute;rg&atilde;os de prisioneiros executados destinados ao crescente mercado nacional de transplantes. Os hospitais chineses come&ccedil;aram a realizar transplantes nos anos 60, e agora realizam entre 10 mil e 20 mil por ano, segundo n&uacute;meros oficiais.<\/p>\n<p>Um transplante de rins na China custa cerca de US$ 7,2 mil, mas este pre&ccedil;o oficial pode chegar a US$ 20 mil, ou mesmo US$ 50 mil, se o paciente estiver disposto a pagar mais para conseguir um &oacute;rg&atilde;o mais rapidamente. Por&eacute;m, mesmo os pre&ccedil;os mais elevados equivalem a uma fra&ccedil;&atilde;o do que &eacute; cobrado por uma interven&ccedil;&atilde;o similar em pa&iacute;ses desenvolvidos. Enquanto pacientes da Mal&aacute;sia, do Jap&atilde;o, de Hong Kong e Cingapura inundam a China em busca de transplantes, o neg&oacute;cio gera milh&otilde;es de d&oacute;lares para o financiamento do sistema de sa&uacute;de do pa&iacute;s. No exterior aumentam as suspeitas de que o uso das novas caminhonetes para execu&ccedil;&otilde;es possa estar ligado a este auge.<\/p>\n<p>A Sociedade Brit&acirc;nica de Transplantes e a Anistia Internacional condenaram a China, em maio, por retirar &oacute;rg&atilde;os de prisioneiros. Nesse pa&iacute;s foram realizados oito mil transplantes de rins no ano passado, mas somente 270 desses &oacute;rg&atilde;os, menos do que 4% do total, procediam de doa&ccedil;&otilde;es volunt&aacute;rias. \u201cO uso das caminhonetes m&oacute;veis exacerba os problemas existentes para os prisioneiros na China\u201d, afirmou Sharon Hom, diretora-executiva da organiza&ccedil;&atilde;o Direitos Humanos na China, em uma entrevista via e-mail com a IPS. \u201cIsso facilita o mercado negro de venda de &oacute;rg&atilde;os, particularmente porque n&atilde;o existe acesso para controles independentes, como os da Cruz Vermelha, das pris&otilde;es, dos centros de deten&ccedil;&atilde;o e acampamentos de trabalho\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Na China &eacute; ilegal retirar &oacute;rg&atilde;os sem autoriza&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via da pessoa que faleceu ou de seus familiares, mas os cr&iacute;ticos da pena de morte dizem que essas normas comumente s&atilde;o violadas por causa do segredo que cerca tais opera&ccedil;&otilde;es. Normas de 1984 estabelecem que a retirada de &oacute;rg&atilde;os de prisioneiros executados deve \u201cser mantida em r&iacute;gido segredo\u201d e que \u201cdeve-se evitar repercuss&otilde;es negativas\u201d. Como rotina, as autoridades negam aos familiares acesso aos corpos dos que s&atilde;o executados, e os cremam rapidamente depois das execu&ccedil;&otilde;es, afirmou Robin Nunro, especialista brit&acirc;nico sobre o sistema penal da China. \u201cUma vez que o corpo seja cremado, &eacute; imposs&iacute;vel determinar se algum &oacute;rg&atilde;o foi retirado\u201d, disse &aacute; IPS. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequim, 06\/10\/2006 &ndash; A China passa, gradualmente, a executar seus condenados em caminhonetes, um m&eacute;todo que considera mais discreto e que pretende calar as cr&iacute;ticas pela pr&aacute;tica cruel e arbitr&aacute;ria da pena capital contra uma grande quantidade de cidad&atilde;os. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/direitos-humanos\/pena-de-morte-execues-sobre-rodas-na-china\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":435,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[17],"class_list":["post-1984","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1984","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/435"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1984"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1984\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}