{"id":19882,"date":"2015-09-23T13:38:58","date_gmt":"2015-09-23T13:38:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=200667"},"modified":"2015-09-23T13:38:58","modified_gmt":"2015-09-23T13:38:58","slug":"soldados-acusados-de-crimes-de-guerra-em-darfur","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/09\/ultimas-noticias\/soldados-acusados-de-crimes-de-guerra-em-darfur\/","title":{"rendered":"Soldados acusados de crimes de guerra em Darfur"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_200668\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/darfur.jpg\"><img class=\"wp-image-200668\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/darfur.jpg\" alt=\"Mulheres e crian\u00e7as deslocadas pelas For\u00e7as de Apoio R\u00e1pido (RSF). Foto: Adriane Ohanesian\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mulheres e crian\u00e7as deslocadas pelas For\u00e7as de Apoio R\u00e1pido (RSF). Foto: Adriane Ohanesian<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Britta Schmitz, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 23\/9\/2015 \u2013 As For\u00e7as de Apoio R\u00e1pido (RSF), um grupo especial criado pelo governo do Sud\u00e3o em meados de 2013 para combater grupos rebeldes, foram acusadas de crimes de guerra e de lesa humanidade na prov\u00edncia de Darfur. Um informe completo sobre a magnitude dos ataques das RSF \u00e9 dif\u00edcil de ser feito por falta de acesso \u00e0 regi\u00e3o e a dados confi\u00e1veis. Entretanto, a organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) conseguiu entrevistar 212 testemunhas, que foram v\u00edtimas ou que puderam fornecer outro tipo de depoimento sobre a brutalidade dessa for\u00e7a governamental.<\/p>\n<p>\u201cQuando ocorre um ataque, chamo as pessoas que conhe\u00e7o na \u00e1rea para ver se podem me ajudar a localizar pessoas que fugiram por causa do ataque e tentar conseguir um telefone para cham\u00e1-las ou, como conseguimos com a maioria das pessoas, conversar com elas nos acampamentos de refugiados\u201d, contou \u00e0 IPS Jonathan Loeb, da Divis\u00e3o da \u00c1frica da HRW.<\/p>\n<p>Em <em>Homens Sem Piedade<\/em>, a HRW oferece provas de que os ataques das RSF contra civis, entre maio de 2014 e julho de 2015, foram generalizados e sistem\u00e1ticos, provocando deslocamentos for\u00e7ados, torturas, execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais, viola\u00e7\u00f5es em massa e destrui\u00e7\u00e3o de infraestrutura, crimes de jurisdi\u00e7\u00e3o universal, pelos quais os Estados s\u00e3o respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>Uma mulher de Bardani, pequena localidade de Darfur, descreveu como foi violada por soldados das RSF. \u201cSepararam as meninas. Quando acabaram de violar as meninas, nos violaram. Cada uma foi violada por duas pessoas. \u00c9ramos cerca de cem. Minhas filhas t\u00eam 18, 12 e oito anos. Bateram em todos os homens\u201d, contou.<\/p>\n<p>\u201cDestru\u00edram tudo. S\u00f3 deixaram corpos e casas queimadas. N\u00f3s, as mulheres, come\u00e7amos a enterrar os corpos. \u00c0s vezes, encontr\u00e1vamos um bra\u00e7o ou uma perna. Os enterr\u00e1vamos. Enterrei cinco corpos completos e muitos incompletos\u201d, contou \u00e0 HRW Zeinab, uma jovem de 25 anos do povoado de Birdik. \u201cDepois do enterro, colocamos as crian\u00e7as sobre burros e fugimos. Caminhamos cinco dias at\u00e9 o povoado de Im Baru\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo o informe, n\u00e3o havia grupos rebeldes na vasta maioria das aldeias atacadas. Omar, um desertor das for\u00e7as sudanesas regulares, declarou \u00e0 HRW: \u201co que vi o ex\u00e9rcito fazer n\u00e3o posso aceitar. Violaram mulheres e mataram civis. Diziam que lut\u00e1vamos contra os movimentos, mas nunca fomos aonde estavam\u201d.<\/p>\n<p>Membros das RSF disseram \u00e0 HRW que receberam ordens de cometer crimes como viola\u00e7\u00f5es em massa, e o vice-presidente do Sud\u00e3o, Hassabo Mohammed Abdel Rahman, ordenou ao pessoal das RSF que matassem todas as pessoas que viviam em \u00e1reas rebeldes perto de Jebel Marra. \u201cNos perguntaram onde estavam os rebeldes. Dissemos que n\u00e3o sab\u00edamos. Vi como mataram dois homens. Os disparos foram feitos por crian\u00e7as pequenas\u201d, contou \u00e0 HRW um pastor de Um Daraba.<\/p>\n<p>A maioria dos integrantes das RSF s\u00e3o darfurianos recrutados por Hemeti, um ex-comandante da Guarda Fronteiri\u00e7a e l\u00edder da mil\u00edcia Yanyauid, por isso muitos soldados pertenciam a esse grupo paramilitar. As RSF s\u00e3o consideradas uma for\u00e7a bem equipada com cerca de cinco mil a seis mil soldados e de 600 a 750 ve\u00edculos. Testemunhas contaram \u00e0 HRW que os soldados das RSF s\u00e3o reconhecidos pela cor de seus ve\u00edculos, que levam seu logotipo.<\/p>\n<p>O conflito no Sud\u00e3o j\u00e1 dura 12 anos e \u00e9 um dos mais graves do mundo. Darfur, uma prov\u00edncia no oeste do Sud\u00e3o, na fronteira com o Chade, \u00e9 uma das mais pobres e de mais dif\u00edcil acesso. A proibi\u00e7\u00e3o que o governo sudan\u00eas imp\u00f5e para chegar at\u00e9 ali faz com que seja dif\u00edcil para as for\u00e7as da miss\u00e3o de paz da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e as ag\u00eancias humanit\u00e1rias levarem ajuda \u00e0s aldeias afetadas.<\/p>\n<p>\u201cA miss\u00e3o da ONU pediu v\u00e1rias vezes que lhe fosse dado acesso imediato e sem restri\u00e7\u00f5es \u00e0s \u00e1reas em conflito ou onde houvessem cessado h\u00e1 pouco as hostilidades entre as for\u00e7as governamentais e rebeldes, inclusive a \u00e1rea de Jebel Marra\u201d, informou o porta-voz das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Farhan Haq, em um comunicado sobre a Opera\u00e7\u00e3o H\u00edbrida da Uni\u00e3o Africana e da ONU em Darfur (Unamid).<\/p>\n<p>O trabalho do componente de direitos humanos da Unamid tamb\u00e9m se viu seriamente prejudicado desde que a miss\u00e3o pediu ao governo do Sud\u00e3o permiss\u00e3o para ir a Tabit, em Darfur Setentrional, para investigar acusa\u00e7\u00f5es de viola\u00e7\u00e3o, afirmou Haq. Nessa prov\u00edncia h\u00e1 4,4 milh\u00f5es de pessoas que necessitam de assist\u00eancia humanit\u00e1ria, mas a falta de acesso dificulta muito a realiza\u00e7\u00e3o de um registro do conflito e a preven\u00e7\u00e3o de futuros ataques.<\/p>\n<p>\u201cDo come\u00e7o de 2015 at\u00e9 agora, a miss\u00e3o procurou chegar \u00e0s \u00e1reas do conflito, no centro de Darfur, incluindo Golo nove vezes, oito negativas, e as duas partes (rebeldes e governo) impuseram uma restri\u00e7\u00e3o \u00e0s patrulhas nessas regi\u00f5es\u201d, disse a porta-voz da Unamid, Ashraf Eissa. \u201cAt\u00e9 agora a Unamid ainda n\u00e3o conseguiu acesso a Golo e, portanto, n\u00e3o p\u00f4de verificar, em primeira m\u00e3o, o conte\u00fado de nenhum dos informes sobre o que acontece na regi\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Pela natureza sist\u00eamica dos ataques contra civis, governos e institui\u00e7\u00f5es que n\u00e3o realizam a\u00e7\u00f5es s\u00e3o respons\u00e1veis na hora de resolver o conflito. A HRW oferece recomenda\u00e7\u00f5es espec\u00edficas \u00e0 ONU, Unamid, Uni\u00e3o Africana e outras institui\u00e7\u00f5es sobre como evitar novos abusos das RSF durante o pr\u00f3ximo per\u00edodo seco, que come\u00e7ar\u00e1 no final deste ano.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de uma for\u00e7a criada pelo governo do Sud\u00e3o, foi armada, treinada e integra o ex\u00e9rcito sudan\u00eas. E como qualquer grupo dentro do ex\u00e9rcito, pode ser desarmada e dissolvida se assim decidirem as autoridades\u201d, destacou Loeb. O embaixador sudan\u00eas nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, por sua vez, criticou a HRW por acusar as RSF, consideradas pelo Sud\u00e3o como uma de suas melhores ferramentas para lutar contra os rebeldes.<\/p>\n<p>China e R\u00fassia bloquearam toda possibilidade de a\u00e7\u00e3o no contexto do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, mas fontes informadas consideram que \u00e9 essencial que esse \u00f3rg\u00e3o esteja unido para resolver o conflito e exercer press\u00e3o sobre o governo do Sud\u00e3o. Outros governos e outras organiza\u00e7\u00f5es internacionais tamb\u00e9m devem elevar sua voz para convencer esses dois pa\u00edses a passarem \u00e0 a\u00e7\u00e3o, pressionar o Sud\u00e3o para que d\u00ea o importante passo de proibir as RSF e investigar toda forma de abuso de forma ativa.<\/p>\n<p>O governo sudan\u00eas tem o poder de dissolver essa for\u00e7a, criada por ele mesmo. Mas a responsabilidade \u00e9 coletiva no que se refere \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o do conflito. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Britta Schmitz, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 23\/9\/2015 &ndash; As For&ccedil;as de Apoio R&aacute;pido (RSF), um grupo especial criado pelo governo do Sud&atilde;o em meados de 2013 para combater grupos rebeldes, foram acusadas de crimes de guerra e de lesa humanidade na prov&iacute;ncia de Darfur. 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