{"id":19887,"date":"2015-09-25T12:07:29","date_gmt":"2015-09-25T12:07:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=200845"},"modified":"2015-09-25T12:07:29","modified_gmt":"2015-09-25T12:07:29","slug":"definicoes-na-fronteira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/09\/ultimas-noticias\/definicoes-na-fronteira\/","title":{"rendered":"Defini\u00e7\u00f5es na fronteira"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_200846\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/presidentes.jpg\"><img class=\"wp-image-200846\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/presidentes.jpg\" alt=\"Da esquerda para a direita: os presidentes Nicol\u00e1s Maduro (Venezuela), Tabar\u00e9 V\u00e1zquez (Uruguai), Rafael Correa (Equador) e Juan Manuel Santos (Col\u00f4mbia), unem suas m\u00e3os ao final da reuni\u00e3o realizada em Quito, no dia 21, em um primeiro passo para superar a crise do fechamento da fronteira colombo-venezuelana pelo governo de Caracas. Foto: Presid\u00eancia do Equador\" width=\"340\" height=\"202\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Da esquerda para a direita: os presidentes Nicol\u00e1s Maduro (Venezuela), Tabar\u00e9 V\u00e1zquez (Uruguai), Rafael Correa (Equador) e Juan Manuel Santos (Col\u00f4mbia), unem suas m\u00e3os ao final da reuni\u00e3o realizada em Quito, no dia 21, em um primeiro passo para superar a crise do fechamento da fronteira colombo-venezuelana pelo governo de Caracas. Foto: Presid\u00eancia do Equador<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Constanza Vieira, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Bogot\u00e1, Col\u00f4mbia, 25\/9\/2015 \u2013 Na cobertura da guerra colombiana \u2013 de origem social, mas cruzada pelo narcotr\u00e1fico e por ele financiada \u2013 se aprende que uma \u201crota de droga\u201d \u00e9 uma cadeia de funcion\u00e1rios corruptos, civis ou uniformizados, que permitem que narc\u00f3ticos passem por pelos postos de controle ou territ\u00f3rios sob sua responsabilidade. O mesmo se aplica para o contrabando.<\/p>\n<p>Segundo dados venezuelanos, 35% da gasolina produzida na Venezuela chega ilegalmente \u00e0 Col\u00f4mbia. As margens de lucro s\u00e3o fabulosas para os grandes contrabandistas. O economista colombiano Santiago Montenegro escreveu, h\u00e1 poucos dias, que a Col\u00f4mbia \u00e9 a que menos deveria reagir diante dessa situa\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o se protesta diante de um presente.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o fosse tema de debate p\u00fablico, em 2005 ficou claro que a ultrabarata gasolina da Venezuela do ent\u00e3o presidente esquerdista Hugo Ch\u00e1vez (1999-2013) estava contribuindo para financiar o paramilitarismo de ultradireita na Col\u00f4mbia. O mandat\u00e1rio se absteve de agir.<\/p>\n<p>Por que? Seguramente por governabilidade. Ch\u00e1vez precisou \u2013 afirmam conhecedores da situa\u00e7\u00e3o interna de seu governo \u2013 trocar a lealdade dos altos comandos venezuelanos pela permiss\u00e3o de contrabandearem combust\u00edveis e outros bens. Durante os tensos anos de governo colombiano de extrema direita de \u00c1lvaro Uribe (2002-2010), as disputas entre os dois presidentes eram frequentes. Chegou-se ao rompimento de rela\u00e7\u00f5es e houve ventos de guerra.<\/p>\n<p>Rafael Samudio Molina, um general da reserva, se dirigiu, no dia 20 de julho de 2010, \u00e0 tropa pela Emissora do Ex\u00e9rcito, para afirmar que nunca as for\u00e7as armadas colombianas aceitariam uma guerra na fronteira, enquanto mant\u00eam outra com um inimigo interno (a guerrilha), que, al\u00e9m do mais, \u00e9 aliado ideol\u00f3gico do governo de Caracas. \u201cContinuem concentrados na guerra contra nosso inimigo interno, que s\u00e3o as Farc\u201d (For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia), pediu o general.<\/p>\n<p>Mas mesmo este tipo de enfrentamento n\u00e3o importava a esse terceiro pa\u00eds, constitu\u00eddo pelos habitantes da fronteira comum, com v\u00ednculos siameses de fam\u00edlia e sobreviv\u00eancia. O que temiam na verdade era que a fronteira fosse fechada. Na fronteiri\u00e7a cidade colombiana de C\u00facuta campeiam o desemprego e a pobreza. Os refugiados da guerra e muitos dos mais pobres da Col\u00f4mbia se juntaram nessa capital do departamento colombiano de Norte de Santander, logo que o chavismo subiu ao poder.<\/p>\n<p>Segundo a jurisdi\u00e7\u00e3o especial de Justi\u00e7a e Paz para paramilitares desmobilizados, desde 1996 se desenvolve a ofensiva paramilitar que deixou, s\u00f3 em terras do Norte de Santander, mais de 11 mil assassinatos, e mais de cinco mil apenas em C\u00facuta. Numerosos cad\u00e1veres desapareceram em fornos cremat\u00f3rios para n\u00e3o afetar as estat\u00edsticas de seguran\u00e7a da pol\u00edcia. A guerrilha retrocedeu.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os sem-terra colombianos, inclu\u00eddos os expulsos de suas propriedades, ficavam com \u00e1gua na boca ao verem as terras sem cultivar no pa\u00eds vizinho, que desde a d\u00e9cada de 1970 importa mais v\u00edveres do que produz. Nesse \u201csonho venezuelano\u201d, havia estudo e sa\u00fade gr\u00e1tis e, com sorte, moradia e trabalho: aquilo que n\u00e3o tinham na Col\u00f4mbia, inclu\u00edda uma vida em paz.<\/p>\n<p>Desde 2004, as campanhas de registro na Venezuela come\u00e7aram a regularizar os estrangeiros que eram encontrados. O fato correu feito rastilho de p\u00f3lvora na Col\u00f4mbia: os regularizados passam de um milh\u00e3o. Em 2012, as filas de colombianos paup\u00e9rrimos na cal\u00e7ada do consulado colombiano, na cidade fronteiri\u00e7a venezuelana de San Antonio del T\u00e1chira, come\u00e7avam cedo: \u00e0s 10 horas da noite do dia anterior, e davam a volta no quarteir\u00e3o. Diariamente, desde oito da manh\u00e3, o consulado lhes concedia um registro, com data, de sua presen\u00e7a na Venezuela.<\/p>\n<div id=\"attachment_200847\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/venda.jpg\"><img class=\"wp-image-200847\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/venda.jpg\" alt=\"Venda informal de gasolina venezuelana no lado colombiano, na movimentada fronteira binacional. O grande contrabando do combust\u00edvel acontece, e \u00e9 comercializado, de maneiras muito diferentes, por redes ilegais dos dois pa\u00edses. Foto: Humberto M\u00e1rquez\/IPS \" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Venda informal de gasolina venezuelana no lado colombiano, na movimentada fronteira binacional. O grande contrabando do combust\u00edvel acontece, e \u00e9 comercializado, de maneiras muito diferentes, por redes ilegais dos dois pa\u00edses. Foto: Humberto M\u00e1rquez\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Com o documento, entre 500 e 600 colombianos diariamente entravam na Venezuela para melhorar sua sorte. Segundo Caracas, 16% de sua popula\u00e7\u00e3o \u00e9 colombiana. O governo de Bogot\u00e1 ignora quantos colombianos fugiram ou migraram para o exterior nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Em todo caso, uma coisa era compartilhar quando o petr\u00f3leo estava a mais de US$ 100 o barril e outra coisa \u00e9 agora, quando est\u00e1 em torno dos US$ 40.<\/p>\n<p>Argumentando que a Venezuela n\u00e3o aguenta mais, Maduro, sucessor de Ch\u00e1vez ap\u00f3s sua morte, se atreveu, no dia 21 de agosto, a fechar indefinidamente a fronteira com a Col\u00f4mbia, de 2.219 quil\u00f4metros de extens\u00e3o cont\u00ednua. Primeiro fechou as passagens por C\u00facuta, depois Paraguach\u00f3n, a passagem fronteiri\u00e7a da pen\u00ednsula de La Guajira, territ\u00f3rio way\u00fau (povo ind\u00edgena binacional) e, mais tarde, as passagens em frente \u00e0s cidades de Arauca e Arauquita, no departamento colombiano de Arauca.<\/p>\n<p>Mas Maduro agiu mal. Cerca de 1.400 deportados colombianos foram v\u00edtimas de desmandos por parte de militares venezuelanos, que atropelaram seus direitos, depois que o presidente os estigmatizou como \u201cparamilitares\u201d. A crise provocou o regresso \u00e0 Col\u00f4mbia de mais de 20 mil pessoas que, agora, precisam do governo colombiano de \u201csolu\u00e7\u00f5es de longo prazo\u201d, como pedido pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), conhecedora do abandono estatal no Norte de Santander e La Guajira.<\/p>\n<p>Arauca, departamento petroleiro colombiano, n\u00e3o fica atr\u00e1s. As pessoas pedem \u201cque fique independente\u201d da Venezuela, pois as estradas colombianas est\u00e3o em mau estado. Seus v\u00ednculos econ\u00f4micos, familiares e de estudos s\u00e3o com C\u00facuta, atrav\u00e9s de uma magn\u00edfica autopista venezuelana que os levava em cinco horas. A alternativa \u201cpara ir \u00e0 Col\u00f4mbia\u2019, como dizem em Arauca, \u00e9 que o governo finalmente invista em estradas.<\/p>\n<p>As estradas colombianas atravessam for\u00e7osamente zonas que at\u00e9 agora estiveram em guerra. Os gastos b\u00e9licos originaram um atraso de 30 anos em infraestrutura vi\u00e1ria, segundo a Sociedade Colombiana de Engenheiros. Como em C\u00facuta ou La Guajira, a Col\u00f4mbia tampouco fornecia gasolina a Arauca. Seus moradores pedem para baratear a passagem a\u00e9rea e aumentar a frequ\u00eancia dos voos.<\/p>\n<p>Os abusos contra os deportados produziram uma forte rea\u00e7\u00e3o do governo da Col\u00f4mbia que incluiu \u2013 novamente \u2013 chamar seu embaixador para consultas. O caso foi levado pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, no dia 21, a uma c\u00fapula em Quito com seu colega venezuelano, patrocinada pela Unasul (Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas) e pela Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), com primeiro passo para a reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os presentes no pal\u00e1cio presidencial equatoriano aplaudiram o primeiro ponto, que para os habitantes de fronteira n\u00e3o significa nada: os dois pa\u00edses decidiram pelo retorno imediato dos respectivos embaixadores. No dia 23, come\u00e7aram em Caracas as reuni\u00f5es em n\u00edvel ministerial para negociar a \u201cnormaliza\u00e7\u00e3o progressiva\u201d da fronteira: soa muito distante e sem forma para os que vivem ali o dia a dia.<\/p>\n<p>Agora vem um per\u00edodo de defini\u00e7\u00f5es. Col\u00f4mbia e Venezuela t\u00eam que combater a corrup\u00e7\u00e3o fronteiri\u00e7a. Esta financia, em parte, os grupos criminosos paramilitares colombianos, que persistem e amea\u00e7am os pactos de paz de Santos com a guerrilha, que devem culminar em seis meses.<\/p>\n<p>Maduro precisa garantir os fornecimentos em seu territ\u00f3rio e a \u00fanica veia rompida n\u00e3o \u00e9 a fronteira colombiana. Ainda maior \u00e9 o megacontrabando por Brasil, Guiana e Mar do Caribe. Deveriam acontecer destitui\u00e7\u00f5es e deten\u00e7\u00f5es de figuras poderosas no Estado venezuelano, inclu\u00eddos oficiais da Marinha e da Aeron\u00e1utica venezuelanas.<\/p>\n<p>Enquanto isso, em C\u00facuta foram vistos grandes ve\u00edculos com mercadorias venezuelanas sendo descarregados. Em La Fr\u00eda, cidade venezuelana a nordeste de S\u00e3o Crist\u00f3bal, capital do Estado fronteiri\u00e7o venezuelano de T\u00e1chira, voltaram as filas para comprar gasolina. O contrabando se recomp\u00f5e e os nomes dos maiores beneficiados n\u00e3o se conhece. Por outro lado, os repatriados e deportados colombianos receber\u00e3o tr\u00eas meses de ajuda estatal. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Constanza Vieira, da IPS &ndash;&nbsp; Bogot&aacute;, Col&ocirc;mbia, 25\/9\/2015 &ndash; Na cobertura da guerra colombiana &ndash; de origem social, mas cruzada pelo narcotr&aacute;fico e por ele financiada &ndash; se aprende que uma &ldquo;rota de droga&rdquo; &eacute; uma cadeia de funcion&aacute;rios corruptos, civis ou uniformizados, que permitem que narc&oacute;ticos passem por pelos postos de controle ou territ&oacute;rios [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/09\/ultimas-noticias\/definicoes-na-fronteira\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2458],"class_list":["post-19887","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-inter-press-service"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19887","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19887"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19887\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19888,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19887\/revisions\/19888"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}