{"id":19893,"date":"2015-09-24T12:52:09","date_gmt":"2015-09-24T12:52:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=200826"},"modified":"2015-09-24T12:52:09","modified_gmt":"2015-09-24T12:52:09","slug":"transnacionais-manipulam-a-onu-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/09\/ultimas-noticias\/transnacionais-manipulam-a-onu-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Transnacionais manipulam a ONU, diz estudo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_200827\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/bankimoon-629x420.jpg\"><img class=\"wp-image-200827\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/bankimoon-629x420.jpg\" alt=\"Secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon. Foto: Bomoon Lee\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon. Foto: Bomoon Lee\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Thalfi Deen, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 24\/9\/2015 \u2013 A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) \u00e9 manipulada politicamente por empresas transnacionais, algumas das quais violam abertamente direitos trabalhistas e normas ambientais que o f\u00f3rum mundial defende, segundo um estudo da organiza\u00e7\u00e3o independente Global Policy Forum. O documento, divulgado no dia 22, alerta que a ONU \u201cest\u00e1 iniciando uma nova era de multilateralismo seletivo, formada por paralisa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas intergovernamentais e uma crescente depend\u00eancia de solu\u00e7\u00f5es empresariais para os problemas mundiais\u201d.<\/p>\n<p>O informe acrescenta que \u201cos padr\u00f5es mut\u00e1veis de financiamento da ONU e de seus fundos, programas e organismos especializados, refletem esstas tend\u00eancias alarmantes\u201d. E destaca a brecha que h\u00e1 entre a magnitude dos problemas globais e a capacidade financeira das Na\u00e7\u00f5es Unidas para resolv\u00ea-los, a crescente participa\u00e7\u00e3o dos aportes complementares e os fundos fiduci\u00e1rios nas finan\u00e7as do f\u00f3rum mundial, sua maior depend\u00eancia do setor empresarial e a terceiriza\u00e7\u00e3o do financiamento e da tomada de decis\u00f5es.<\/p>\n<p>O estudo de 140 p\u00e1ginas, intitulado <em>Apta Com Qual Objetivo? O Financiamento Privado e a Influ\u00eancia Corporativa nas Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/em>, foi publicado dias antes da C\u00fapula de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da ONU, que acontecer\u00e1 entre os dias 25 e 27 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>Quando a IPS perguntou quem tem a culpa por essa situa\u00e7\u00e3o, Jens Martens, diretor da Global Policy Forum e coautor do estudo, respondeu que os Estados membros n\u00e3o entregaram fundos suficientes e confi\u00e1veis ao sistema da ONU. \u201cEssa situa\u00e7\u00e3o se agrava pela insist\u00eancia de muitos anos dos governos ocidentais, encabe\u00e7ados pelos Estados Unidos, na doutrina do crescimento zero para o or\u00e7amento ordin\u00e1rio da ONU\u201d, acrescentou. O resultado \u00e9 uma depend\u00eancia cada vez maior do financiamento volunt\u00e1rio e n\u00e3o central, bem como de um n\u00famero crescente de alian\u00e7as d\u00edspares entre o setor empresarial e a ONU, ressaltou.<\/p>\n<p>O Centro da ONU sobre as Corpora\u00e7\u00f5es Transnacionais, criado em 1975 principalmente para supervisionar essas empresas, foi desmantelado em 1992. Algumas das iniciativas que obrigam as empresas a prestarem contas ao p\u00fablico come\u00e7aram na d\u00e9cada de 1970, inclu\u00eddas as discuss\u00f5es sobre um C\u00f3digo de Conduta para as Empresas Transnacionais. Mas esta e todas as gest\u00f5es posteriores nesse sentido fracassaram devido \u00e0 en\u00e9rgica oposi\u00e7\u00e3o das empresas e de seus grupos de press\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, segundo o estudo, as companhias tiveram grande \u00eaxito com estrat\u00e9gias de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, que ajudaram a apresent\u00e1-las como boas cidad\u00e3s corporativas que buscam o di\u00e1logo com os governos, a ONU e demais grupos de interesse, e tamb\u00e9m como capazes de cumprir normas ambientais, sociais e de direitos humanos mediante iniciativas volunt\u00e1rias de responsabilidade social empresarial.<\/p>\n<p>Martens apontou que o secret\u00e1rio-geral, Ban Ki-moon, e os diretores das ag\u00eancias da ONU se converteram em en\u00e9rgicos defensores do relacionamento com o setor empresarial. Al\u00e9m de considerar essas alian\u00e7as como uma nova fonte de fundos, as mesmas se baseiam na cren\u00e7a de que as rela\u00e7\u00f5es com poderosas corpora\u00e7\u00f5es s\u00e3o essenciais para manter a relev\u00e2ncia das Na\u00e7\u00f5es Unidas com rela\u00e7\u00e3o aos desafios globais de hoje, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cMas vendem a ONU a um pre\u00e7o barato. Enquanto os custos das empresas s\u00e3o muito baixos, os benef\u00edcios podem ser comparativamente altos\u201d, ressaltou Martens. As empresas se beneficiam da imagem forte por se associar \u00e0 ONU, ganhar maior visibilidade e conseguir acesso direto \u00e0s autoridades internacionais, pontuou. \u201cO que significa essa transfer\u00eancia de imagem para a reputa\u00e7\u00e3o e a neutralidade da ONU? N\u00e3o se corre o risco de a colabora\u00e7\u00e3o com empresas controversas afetar negativamente a imagem da ONU como intermedi\u00e1ria neutra e impactar sua reputa\u00e7\u00e3o?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>Quando a ONU busca ajuda financeira externa, seja para suas necessidades de desenvolvimento ou para defender causas sociais, recorre invariavelmente ao setor privado atualmente, afirma uma fonte do f\u00f3rum mundial. Ban pediu aos investidores privados que ajudem a ONU a arrecadar a descomunal quantia de US$ 100 bilh\u00f5es por ano para lutar contra as consequ\u00eancias devastadoras da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m critica o Pacto Mundial da ONU, considerado a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, que inclui 8.371 empresas de 162 pa\u00edses. Este Pacto Mundial foi decisivo na abertura da ONU para o setor empresarial, de acordo com o documento. \u201cEmbora possa ter sido concebido para fazer exatamente o contr\u00e1rio \u2013 sensibilizar as empresas sobre o interesse p\u00fablico \u2013 tamb\u00e9m atua como uma plataforma e promotor dos interesses corporativos na ONU\u201d, acrescenta o informe.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 agravado pela depend\u00eancia no financiamento privado e na excessiva complexidade de sua estrutura de governo, que d\u00e1 pouco espa\u00e7o aos Estados membros, enquanto limita a supervis\u00e3o dos que fazem contribui\u00e7\u00f5es financeiras. \u201cDe fato, o Pacto Mundial \u00e9 uma das poucas entidades da ONU que dependem predominantemente do dinheiro privado. Isto pode ter repercuss\u00f5es em como se interpreta e aplica seu mandato\u201d, alerta o estudo.<\/p>\n<p>O financiamento de todas as atividades do sistema da ONU chega a US$ 40 bilh\u00f5es por ano, afirmou Martens. \u201cEmbora possa parecer uma soma importante, na realidade \u00e9 inferior ao or\u00e7amento da cidade de Nova York, menos de um quarto do or\u00e7amento da Uni\u00e3o Europeia e apenas 2,3% do gasto militar mundial\u201d, explicou. Segundo o ativista, \u201cenquanto o Banco Mundial pede \u00e0 comunidade internacional que passe dos bilh\u00f5es para os trilh\u00f5es para cumprir as necessidades de investimentos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, as Na\u00e7\u00f5es Unidas ainda t\u00eam de calcular em termos de milh\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Barbara Adams, coautora do estudo, disse que \u201cmuitos Estados membros, em particular os grandes doadores, aplicam a dupla estrat\u00e9gia de exigir maior coer\u00eancia nas atividades de desenvolvimento da ONU, enquanto, ao mesmo tempo, aumentam o uso de fundos espec\u00edficos, o que favorece a fragmenta\u00e7\u00e3o. Essa din\u00e2mica seletiva, junto com as restri\u00e7\u00f5es financeiras em curso, abriram espa\u00e7o para a participa\u00e7\u00e3o do setor empresarial\u201d.<\/p>\n<p>Impulsionada pela cren\u00e7a de que o relacionamento com aqueles de maior poder econ\u00f4mico \u00e9 essencial para manter a relev\u00e2ncia da ONU, essa pr\u00e1tica tem consequ\u00eancias perniciosas para a governabilidade democr\u00e1tica e o apoio do p\u00fablico em geral, j\u00e1 que se alinha mais com os centros de poder e se afasta dos menos poderosos, enfatizou Adams. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Thalfi Deen, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 24\/9\/2015 &ndash; A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) &eacute; manipulada politicamente por empresas transnacionais, algumas das quais violam abertamente direitos trabalhistas e normas ambientais que o f&oacute;rum mundial defende, segundo um estudo da organiza&ccedil;&atilde;o independente Global Policy Forum. 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