{"id":19923,"date":"2015-10-01T14:00:32","date_gmt":"2015-10-01T14:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=201185"},"modified":"2015-10-02T13:15:32","modified_gmt":"2015-10-02T13:15:32","slug":"xisto-mexe-com-a-geoeconomia-do-petroleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/10\/ultimas-noticias\/xisto-mexe-com-a-geoeconomia-do-petroleo\/","title":{"rendered":"Xisto mexe com a geoeconomia do petr\u00f3leo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_201186\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/xisto.jpg\"><img class=\"wp-image-201186\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/xisto.jpg\" alt=\"No longo prazo, a extra\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto n\u00e3o ser\u00e1 sustent\u00e1vel nos Estados Unidos, afirmam especialistas. Na imagem, um po\u00e7o desse tipo de hidrocarbono em Montrose, no Estado norte-americano da Pensilv\u00e2nia. Foto: Emilio Godoy\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">No longo prazo, a extra\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto n\u00e3o ser\u00e1 sustent\u00e1vel nos Estados Unidos, afirmam especialistas. Na imagem, um po\u00e7o desse tipo de hidrocarbono em Montrose, no Estado norte-americano da Pensilv\u00e2nia. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Emilio Godoy, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 1\/10\/2015 \u2013 A irrup\u00e7\u00e3o da fratura hidr\u00e1ulica alterou o mercado mundial de hidrocarbonos, mas a queda de seus pre\u00e7os dilui esse efeito, em uma disputa que especialistas norte-americanos acreditam que os produtores convencionais poderiam ganhar em uma d\u00e9cada. A ind\u00fastria petroleira dos Estados Unidos vivia o que os especialistas denominam de \u201cpico\u201d \u2013 quando a descoberta de novos po\u00e7os e a produ\u00e7\u00e3o dos existentes come\u00e7am a cair \u2013, o que colocava o pa\u00eds diante de uma maior depend\u00eancia das importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No entanto, a equa\u00e7\u00e3o se reverteu com a nova t\u00e9cnica. A inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica da fratura hidr\u00e1ulica (<em>fracking<\/em>) e a descoberta de grandes jazidas de xisto (<em>shale<\/em>), junto com o maci\u00e7o aporte do mercado de capitais, levou \u00e0 garantia de que os Estados Unidos seriam aut\u00f4nomos em mat\u00e9ria de hidrocarbonos na mesma d\u00e9cada. Dessa vez, a queda dos pre\u00e7os desativou as previs\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cO mundo est\u00e1 entrando em uma nova era de incerteza na geoeconomia do petr\u00f3leo, embora esteja longe de ser certo que o mercado de petr\u00f3leo, notoriamente vol\u00e1til, ser\u00e1 menos c\u00edclico\u201d, afirmou David Livingston, analista associado do Programa de Energia e Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica do norte-americano Fundo Carnegie para a Paz Internacional. A consequ\u00eancia da demanda interna dos Estados Unidos ser\u00e1 que as companhias \u201cperder\u00e3o capacidade sobressalente, entre o que podem produzir e o que produzem, o que \u00e9 importante, porque o mercado \u00e9 determinado por essa capacidade\u201d, apontou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>As cota\u00e7\u00f5es internacionais do petr\u00f3leo subiram desde 2003 at\u00e9 chegarem a US$ 140 o barril (de 159 litros) em 2008, quando a surgimento da crise financeira global fez com que ca\u00edssem, para se reabilitarem nesta d\u00e9cada e ficar em torno dos US$ 100 o barril. Mas, desde o final de 2014, ocorreram novas quedas e sua cota\u00e7\u00e3o atual est\u00e1 em torno dos US$ 40.<\/p>\n<p>Isso significa que os produtores norte-americanos, em particular os de g\u00e1s de xisto, enfrentam pre\u00e7os rasteiros, superprodu\u00e7\u00e3o, falta de infraestrutura para armazenar o super\u00e1vit extra\u00eddo e contra\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito para os projetos, embora seus custos tenham encolhido. Al\u00e9m disso, a contra\u00e7\u00e3o da economia chinesa e a paralisa\u00e7\u00e3o europeia dificultam um aumento da demanda energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>O desenvolvimento do petr\u00f3leo e do g\u00e1s de xisto tamb\u00e9m colocou o setor norte-americano em rota de colis\u00e3o com os membros da Organiza\u00e7\u00e3o de Pa\u00edses Exportadores de Petr\u00f3leo (Opep), mais ainda quando entre seus anunciados objetivos est\u00e1 reduzir as importa\u00e7\u00f5es do bloco. Desde novembro do ano passado, a Opep mant\u00e9m inalteradas suas cotas de produ\u00e7\u00e3o, em uma estrat\u00e9gia imposta pelo maior produtor do bloco, a Ar\u00e1bia Saudita, destinada a deixar cair os pre\u00e7os at\u00e9 desestimular o desenvolvimento do setor de xisto, cuja prospec\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais cara do que as dos hidrocarbonos da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_201187\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/metano.jpg\"><img class=\"wp-image-201187\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/metano.jpg\" alt=\"Uma advert\u00eancia sobre o perigo das emiss\u00f5es de metano em um dos po\u00e7os de g\u00e1s de xisto, na localidade de Dimock, Estado da Pensilv\u00e2nia, nos Estados Unidos. Foto: Emilio Godoy\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma advert\u00eancia sobre o perigo das emiss\u00f5es de metano em um dos po\u00e7os de g\u00e1s de xisto, na localidade de Dimock, Estado da Pensilv\u00e2nia, nos Estados Unidos. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p>A consultoria norueguesa Rystald Energy calculou, no final de 2014, em US$ 65 o custo de produzir um barril de <em>shale<\/em> nos Estados Unidos, o que significa que o setor est\u00e1 operando com perda. O custo m\u00e9dio para extrair um barril de petr\u00f3leo convencional no pa\u00eds fica em torno dos US$ 13, contra US$ 5 no Golfo.<\/p>\n<p>Para Miriam Grunstein, acad\u00eamica do Centro de Pesquisa e Doc\u00eancia Econ\u00f4micas, do M\u00e9xico, o panorama \u00e9 muito incerto. \u201cH\u00e1 d\u00favidas por v\u00e1rias raz\u00f5es. Em primeiro lugar, pelo regime de pre\u00e7os t\u00e3o baixos\u201d, pontuou \u00e0 IPS, do M\u00e9xico, pa\u00eds que come\u00e7ou a explorar suas altas reservas de g\u00e1s de xisto. \u201cApesar de for\u00e7ar muitas empresas a melhorarem a capacidade de execu\u00e7\u00e3o, reduzir investimentos e ter maior efici\u00eancia, est\u00e3o em um contexto no qual precisam buscar mercados, na Europa ou na \u00c1sia. Mas para isso \u00e9 necess\u00e1rio infraestrutura de liquefa\u00e7\u00e3o, um investimento muito forte\u201d, acrescentou a acad\u00eamica sobre a situa\u00e7\u00e3o atual dos produtores de g\u00e1s de xisto.<\/p>\n<p>Em junho, os Estados Unidos produziram 9,3 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios de petr\u00f3leo, cerca da metade de xisto, segundo a Administra\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica (IEA). As perspectivas do ramo come\u00e7am a se deslocar. Em seu Informe sobre a Produtividade de Perfura\u00e7\u00e3o, do final de agosto, esse \u00f3rg\u00e3o projetava queda na produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto para setembro, a primeira no ano, para 44,9 bilh\u00f5es de p\u00e9s c\u00fabicos di\u00e1rios. Cada p\u00e9 c\u00fabico equivale a 0,3048 metro c\u00fabico. A IEA destacou que a extra\u00e7\u00e3o de novos po\u00e7os n\u00e3o \u00e9 suficientemente grande para compensar a baixa dos existentes.<\/p>\n<p>Para Livingston, a Opep, e em particular a Ar\u00e1bia Saudita, possivelmente emergir\u00e3o desse novo paradigma mais fortes do que antes em muitas formas. \u201cCom sua nova estrat\u00e9gia, nascida da necessidade, o reino (saudita) est\u00e1 enfatizando cota de mercado, em lugar de pre\u00e7o, ao mesmo tempo em que delega a carga do equil\u00edbrio do mercado petroleiro mundial \u00e0 ind\u00fastria norte-americana do xisto. Isto marca uma significativa mudan\u00e7a na geoeconomia do petr\u00f3leo\u201d, explicou este analista. Dessa forma, os Estados Unidos se converteriam no novo \u201cjogador gangorra\u201d \u2013 de conveni\u00eancia, segundo o movimento do mercado \u2013 embora sem conseguir o mesmo poder que os produtores do Golfo para definir seu rumo.<\/p>\n<p>No longo prazo, a produ\u00e7\u00e3o petroleira norte-americana total tender\u00e1 \u00e0 baixa, segundo as proje\u00e7\u00f5es da IEA. Em 2020, a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo se situaria em 10,6 milh\u00f5es de barreis por dia, em 2030 seriam 10,04, e dez anos depois, 9,43 milh\u00f5es. No caso do g\u00e1s de xisto, as previs\u00f5es s\u00e3o favor\u00e1veis, mas a pre\u00e7os maiores. Em 2020, o pa\u00eds produziria 15,44 trilh\u00f5es de p\u00e9s c\u00fabicos di\u00e1rios, dez anos depois, 17,85 e em 2040, 19,58.<\/p>\n<p>No total, a IEA prev\u00ea que o pa\u00eds produzira 28,82 trilh\u00f5es de p\u00e9s c\u00fabicos di\u00e1rios de g\u00e1s natural em 2020, 33,01 em 2030, e 35,45 em 2040. Mas seu pre\u00e7o m\u00e9dio encareceria. Este ano o valor na intersec\u00e7\u00e3o distribuidora de Henry Hub \u2013 a refer\u00eancia norte-americana para o g\u00e1s, situada no Estado da Luisiana \u2013 foi de US$ 2,93 por milh\u00e3o de unidades t\u00e9rmicas brit\u00e2nicas (Btu), o calor necess\u00e1rio para aquecer uma medida de \u00e1gua. Em 2020, esse indicador seria de US$ 4,88 por Btu, de US$ 5,69 em 2030 e de US$ 7,8 em 2040.<\/p>\n<p>\u201cA bolha n\u00e3o explodir\u00e1, mas desinflar\u00e1 progressivamente. Aos pre\u00e7os atuais, ver\u00edamos uma contra\u00e7\u00e3o relativamente r\u00e1pida da disponibilidade de capital para o setor do xisto, porque est\u00e3o produzindo com perdas\u201d, previu Livingston. \u201cO objetivo saudita \u00e9 impedir que os Estados Unidos se tornem um exportador significativo. Os mercados fortes s\u00e3o os que fazem mais press\u00e3o. Na medida em que n\u00e3o houver um aumento da demanda, haver\u00e1 uma posi\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda de demanda e pre\u00e7o. H\u00e1 necessidade de consumo e n\u00e3o vejo de onde poder\u00e1 vir\u201d, afirmou Grunstein.<\/p>\n<p>Para Livingston, um op\u00e7\u00e3o \u00e9 revisar o veto \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, vigente desde a d\u00e9cada de 1970, pois, \u201cse aumentar a produ\u00e7\u00e3o, as refinarias n\u00e3o poder\u00e3o process\u00e1-la\u201d e seriam necess\u00e1rios novos mercados para sua coloca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O <em>fracking<\/em>, inimigo p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<p>A mol\u00e9cula do xisto se encontra presa em rochas profundas, perfuradas e quebradas pela grandiosa inje\u00e7\u00e3o de uma mescla de \u00e1gua, areia e aditivos qu\u00edmicos, considerados por ambientalistas como nocivos para a sa\u00fade e o ambiente.<\/p>\n<p>A tecnologia do <em>fracking<\/em> que libera ao g\u00e1s e o petr\u00f3leo gera maci\u00e7os volumes de dejetos l\u00edquidos, que devem ser tratados para sua reciclagem, e de emiss\u00f5es de metano, mais contaminante do que os gases respons\u00e1veis pelo aquecimento global.<\/p>\n<p>Essas caracter\u00edsticas provocaram uma extensa rejei\u00e7\u00e3o nas comunidades norte-americanas onde se explora e em prov\u00e1veis futuros cen\u00e1rios de seu desenvolvimento. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Emilio Godoy, da IPS &ndash;&nbsp; Washington, Estados Unidos, 1\/10\/2015 &ndash; A irrup&ccedil;&atilde;o da fratura hidr&aacute;ulica alterou o mercado mundial de hidrocarbonos, mas a queda de seus pre&ccedil;os dilui esse efeito, em uma disputa que especialistas norte-americanos acreditam que os produtores convencionais poderiam ganhar em uma d&eacute;cada. 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