{"id":19961,"date":"2015-10-13T13:49:01","date_gmt":"2015-10-13T13:49:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=201582"},"modified":"2015-10-13T13:49:01","modified_gmt":"2015-10-13T13:49:01","slug":"minorias-se-fazem-ouvir-sobre-populacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/10\/ultimas-noticias\/minorias-se-fazem-ouvir-sobre-populacao\/","title":{"rendered":"Minorias se fazem ouvir sobre popula\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_201583\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/minorias.jpg\"><img class=\"wp-image-201583\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/minorias.jpg\" alt=\"\u201cNem um passo atr\u00e1s\u201d no cumprimento da agenda demogr\u00e1fica da regi\u00e3o, pediram ativistas em diferentes sess\u00f5es da Segunda Reuni\u00e3o sobre Popula\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, realizada na Cidade do M\u00e9xico entre os dias 6 e 9 deste m\u00eas. Foto: Emilio Godoy\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">\u201cNem um passo atr\u00e1s\u201d no cumprimento da agenda demogr\u00e1fica da regi\u00e3o, pediram ativistas em diferentes sess\u00f5es da Segunda Reuni\u00e3o sobre Popula\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, realizada na Cidade do M\u00e9xico entre os dias 6 e 9 deste m\u00eas. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Emilio Godoy, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 13\/10\/2015 \u2013 \u201cOs Estados latino-americanos n\u00e3o assumiram os acordos internacionais nem permitiram aos povos ind\u00edgenas acesso a eles. Tampouco socializaram seus conte\u00fados\u201d, para ajudar a cobrar seu cumprimento, lamentou a guatemalteca \u00c1ngela Suc.<\/p>\n<p>O questionamento desta l\u00edder ind\u00edgena \u00e9 um alerta sobre os compromissos estabelecidos durante a Segunda Reuni\u00e3o da Confer\u00eancia Regional sobre Popula\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, realizada na Cidade do M\u00e9xico, entre os dias 6 e 9 deste m\u00eas, organizada pela Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica da Am\u00e9rica Latina e do Caribe (Cepal) e pelo Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA).<\/p>\n<p>\u201cTemos necessidade de terra, territ\u00f3rio, acesso a sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, que tenham um enfoque de pertin\u00eancia cultural, apegadas \u00e0s nossas tradi\u00e7\u00f5es e aos nossos conhecimentos, e em nosso idioma\u201d, destacou Suc \u00e0 IPS. Esta integrante do povo pocomch\u00ed e membro da delega\u00e7\u00e3o da Guatemala na reuni\u00e3o, destacou que a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena tamb\u00e9m experimenta fen\u00f4menos demogr\u00e1ficos como migra\u00e7\u00e3o e envelhecimento, compartilhados com os segmentos n\u00e3o ind\u00edgenas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>As vicissitudes dos povos origin\u00e1rios e afrodescendentes protagonizaram parte dos debates da Confer\u00eancia, que seguiu \u00e0 celebrada em Montevid\u00e9u em agosto de 2013, e que contou com um f\u00f3rum paralelo das organiza\u00e7\u00f5es sociais. Esse debate se justifica a partir dos flagelos que continuam afetando essas coletividades, como pobreza, discrimina\u00e7\u00e3o, falta de oportunidades, mortalidade materna e infantil.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o vivem mais de 45 milh\u00f5es de ind\u00edgenas, de uma popula\u00e7\u00e3o total de aproximadamente 600 milh\u00f5es, repartidos em mais de 800 povos origin\u00e1rios, segundo o informe <em>Os Povos Ind\u00edgenas na Am\u00e9rica Latina. Avan\u00e7os na \u00daltima D\u00e9cada e Desafios Pendentes Para a Garantia de Seus Direitos<\/em>, preparado pela Cepal.<\/p>\n<p>O Brasil encabe\u00e7a a lista com 305 grupos, seguido por Col\u00f4mbia (102), Peru (85) e M\u00e9xico (78). No outro extremo est\u00e3o Costa Rica e Panam\u00e1 (9), El Salvador (3) e Uruguai (2). Entre os pa\u00edses com maior quantidade de habitantes de povos nativos, o M\u00e9xico \u00e9 l\u00edder com aproximadamente 17 milh\u00f5es, seguido de Peru com 7,21 milh\u00f5es, Bol\u00edvia 6,22 milh\u00f5es, e Guatemala, 5,88 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A Cepal constata a fragilidade demogr\u00e1fica de muitos povos ind\u00edgenas, que est\u00e3o em perigo de desaparecimento f\u00edsico ou cultural, como se pode observar no Brasil, Peru, Bol\u00edvia e Col\u00f4mbia. A isso se somam deslocamentos for\u00e7ados, escassez de alimentos, contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, degrada\u00e7\u00e3o dos solos, desnutri\u00e7\u00e3o e elevada mortalidade.<\/p>\n<p>A fecundidade tende \u00e0 baixa na regi\u00e3o, com m\u00e9dias de 2,4 filhos por mulher ind\u00edgena no Uruguai, 4 na Nicar\u00e1gua e Venezuela, e 5 na Guatemala e no Panam\u00e1. Al\u00e9m disso, a mortalidade infantil ind\u00edgena continua sendo maior do que a n\u00e3o ind\u00edgena. As maiores desigualdades s\u00e3o encontradas no Panam\u00e1, Peru e Bol\u00edvia, nessa ordem. Paralelamente, a desnutri\u00e7\u00e3o campeia na Guatemala, Equador, Bol\u00edvia e Nicar\u00e1gua.<\/p>\n<div id=\"attachment_201584\" style=\"width: 504px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/indigenas_espanol.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-201584\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/indigenas_espanol.jpg\" alt=\"Mapa dos povos ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, elaborado pela Cepal, segundo o qual h\u00e1 45 milh\u00f5es de pessoas pertencentes a algum deles. Foto: Cepal\" width=\"494\" height=\"640\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mapa dos povos ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, elaborado pela Cepal, segundo o qual h\u00e1 45 milh\u00f5es de pessoas pertencentes a algum deles. Foto: Cepal<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O informe da Cepal destaca que a inf\u00e2ncia ind\u00edgena cresce em pobreza material e que persiste a viol\u00eancia contra a inf\u00e2ncia e as mulheres de povos nativos. Dos 12,8 milh\u00f5es de crian\u00e7as ind\u00edgenas que vivem na regi\u00e3o, o M\u00e9xico conta com 2,73 milh\u00f5es, a Guatemala com 2,43 milh\u00f5es e a Bol\u00edvia com 2,24 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cNossas demandas foram apresentadas em diferentes plataformas internacionais e continuam sendo v\u00e1lidas\u201d, ressaltou \u00e0 IPS a nicaraguense Dorotea Wilson, coordenadora-geral da Associa\u00e7\u00e3o Rede de Mulheres Afro-Latino-Americanas, Afro-Caribenhas e da Di\u00e1spora. \u201cVamos monitorar, observar e dar seguimento para que os Estados assumam esses compromisso e os cumpram\u201d, afirmou esta l\u00edder que tamb\u00e9m participou da confer\u00eancia regional. Dorotea acrescentou que o cumprimento das medidas a favor das minorias exige vontade pol\u00edtica, al\u00e9m de acordos entre os Estados e a sociedade civil e or\u00e7amentos espec\u00edficos.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o vivem mais de 120 milh\u00f5es de afrodescendentes, dos quais 97 milh\u00f5es no Brasil, 1 milh\u00e3o no Equador e 800 mil na Nicar\u00e1gua, segundo dados dos censos nacionais que inclu\u00edram perguntas espec\u00edficas a respeito. Sabe-se, por exemplo, que a Col\u00f4mbia tem um grupo importante de afrodescendentes, mas n\u00e3o h\u00e1 estat\u00edsticas espec\u00edficas.<\/p>\n<p>O informe <em>Juventude Afrodescendente na Am\u00e9rica Latina: Realidades Diversas e Direitos (Des)cumpridos<\/em>, elaborado pela Cepal em 2011, mostra que a maternidade precoce entre as jovens afrodescendentes era mais elevada do que entre as demais jovens, especialmente na Col\u00f4mbia, Equador, Guatemala, Nicar\u00e1gua e Panam\u00e1. Um dos problemas evidenciados na Confer\u00eancia \u00e9 a falta de estat\u00edsticas demogr\u00e1ficas sobre a popula\u00e7\u00e3o afrodescendente da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No Consenso de Montevid\u00e9u sobre Popula\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento, com o qual concluiu a primeira confer\u00eancia, os Estados se comprometeram a considerar as din\u00e2micas demogr\u00e1ficas particulares dos povos ind\u00edgenas no desenho das pol\u00edticas p\u00fablicas, garantir seu direito \u00e0 sa\u00fade, inclu\u00eddos os direitos sexuais e reprodutivos, bem como seus pr\u00f3prios medicamentos tradicionais e suas pr\u00e1ticas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, acordaram adotar as medidas necess\u00e1rias para garantir que mulheres, crian\u00e7as, adolescentes e jovens ind\u00edgenas gozem de prote\u00e7\u00e3o e garantias plenas contra todas as formas de viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o. Quanto aos afrodescendentes, assumiram abordar as desigualdades de g\u00eanero, ra\u00e7a, etnia e geracional, garantir seu exerc\u00edcio do direito \u00e0 sa\u00fade, em particular \u00e0 sa\u00fade sexual e reprodutiva, e promover o desenvolvimento dessa popula\u00e7\u00e3o, bem como garantir as pol\u00edticas e os programas para a eleva\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida das mulheres.<\/p>\n<p>A plen\u00e1ria da Segunda Confer\u00eancia aprovou o <em>Guia Operacional para a Implanta\u00e7\u00e3o e o Acompanhamento do Consenso de Montevid\u00e9u sobre Popula\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento<\/em>, que inclui 14 disposi\u00e7\u00f5es para os povos ind\u00edgenas e afrodescendentes. Sua aprova\u00e7\u00e3o foi dificultada pela reclama\u00e7\u00e3o das delega\u00e7\u00f5es caribenhas por n\u00e3o terem recebido o <em>Guia<\/em> com anteced\u00eancia, o que foi resolvido somente na madrugada da jornada de encerramento.<\/p>\n<p>\u201cNa medida em que ocorrer a participa\u00e7\u00e3o plena dos povos ind\u00edgenas, o <em>Guia <\/em>ser\u00e1 cumprido. \u00c9 um desafio para o Estado\u201d, afirmou Suc. O processo pode ser um motor para o avan\u00e7o da D\u00e9cada Internacional dos Afrodescendentes 2015-2024, estabelecida pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). \u201cO <em>Guia <\/em>pode ser melhorado. Podemos incidir no acompanhamento. Mas \u00e9 um desafio\u201d, pontuou Dorotea Wilson.<\/p>\n<p>A Declara\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do F\u00f3rum Social, paralelo \u00e0 confer\u00eancia oficial, com participa\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es sociais da regi\u00e3o, destacou que cada indicador do <em>Guia <\/em>dever\u00e1 ser discriminado por idade, sexo, g\u00eanero, ra\u00e7a e etnia. Mas tamb\u00e9m critica que, dois anos depois da aprova\u00e7\u00e3o do Consenso de Montevid\u00e9u, a agenda \u201cambiciosa e inovadora ainda n\u00e3o tenha sido traduzida em avan\u00e7os substanciais, e que, inclusive, em alguns pa\u00edses h\u00e1 retrocesso\u201d, como viol\u00eancia de g\u00eanero, crimes de \u00f3dio, mortalidade materna, aumento da gravidez de adolescentes e discrimina\u00e7\u00e3o de amplos setores. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Emilio Godoy, da IPS &ndash;&nbsp; Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 13\/10\/2015 &ndash; &ldquo;Os Estados latino-americanos n&atilde;o assumiram os acordos internacionais nem permitiram aos povos ind&iacute;genas acesso a eles. Tampouco socializaram seus conte&uacute;dos&rdquo;, para ajudar a cobrar seu cumprimento, lamentou a guatemalteca &Aacute;ngela Suc. 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