{"id":19968,"date":"2015-10-14T13:11:01","date_gmt":"2015-10-14T13:11:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=201643"},"modified":"2015-10-14T13:11:01","modified_gmt":"2015-10-14T13:11:01","slug":"migracao-atinge-recorde-historico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/10\/ultimas-noticias\/migracao-atinge-recorde-historico\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00e3o atinge recorde hist\u00f3rico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_201644\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/migrantes1.jpg\"><img class=\"wp-image-201644\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/migrantes1.jpg\" alt=\"Migrantes do Chade que ser\u00e3o repatriados por avi\u00e3o partindo do aeroporto de Kufra, na L\u00edbia. Foto: Rebecca Murray\/IPS\" width=\"340\" height=\"241\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Migrantes do Chade que ser\u00e3o repatriados por avi\u00e3o partindo do aeroporto de Kufra, na L\u00edbia. Foto: Rebecca Murray\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Alejo Carpentier, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Roma, It\u00e1lia, 14\/10\/2015 \u2013 A quantidade de refugiados no mundo alcan\u00e7ou seu m\u00e1ximo hist\u00f3rico, por isso a migra\u00e7\u00e3o se transformou em sin\u00f4nimo de crise humanit\u00e1ria. Devido aos custos econ\u00f4micos, pol\u00edticos e morais que representa a migra\u00e7\u00e3o em massa (em particular a experi\u00eancia que se desenvolve este ano na Europa), \u00e9 cada vez mais evidente a necessidade de contar com um conjunto universal de normas e princ\u00edpios, bem como o desejo de que as pessoas possam se manter com seguran\u00e7a em suas casas.<\/p>\n<p>Diversos pol\u00edticos europeus insistem em afirmar que mais ajuda e investimento nos pa\u00edses de origem podem limitar o deslocamento de pessoas. Inclusive Matteo Salvini, um l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o italiana contr\u00e1rio ao ref\u00fagio que \u00e9 oferecido por seu pr\u00f3prio pa\u00eds, \u00e9 um declarado crente da ideia de que o desenvolvimento evitaria que as pessoas continuem fugindo para a Europa.<\/p>\n<p>Mas poucos entendem as dificuldades pr\u00e1ticas que implica financiar esse desenvolvimento. Em primeiro lugar, cada vez mais quantias da ajuda oficial s\u00e3o destinadas \u00e0s crises humanit\u00e1rias, o que reduz os fundos dispon\u00edveis para o desenvolvimento sustent\u00e1vel. E, em segundo lugar, grande parte da ajuda prometida nunca se materializa, por v\u00e1rias raz\u00f5es.<\/p>\n<p>O Nepal \u00e9 um exemplo. Menos da metade da ajuda prometida para a reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, ap\u00f3s o terremoto que sofreu em abril, foi entregue, segundo funcion\u00e1rios da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). As controv\u00e9rsias sobre o novo projeto de Constitui\u00e7\u00e3o do Nepal tampouco animaram os doadores. A consequ\u00eancia \u00e9 que o desastre pode ser expresso em uma cat\u00e1strofe mais persistente do que deveria ser, que em \u00faltima inst\u00e2ncia limitar\u00e1 as oportunidades econ\u00f4micas e a seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 o I\u00eamen. A Ar\u00e1bia Saudita anunciou uma grande doa\u00e7\u00e3o para as opera\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias em seu vizinho, apesar de estar envolvida no conflito militar que agravou o deslocamento e a pobreza no pa\u00eds. Por outro lado, em meio \u00e0s hist\u00f3rias de horror sobre os maus tratos que recebem os refugiados na Europa, a Tun\u00edsia constr\u00f3i um fosso ao longo de sua fronteira com a L\u00edbia, o que demonstra seus pr\u00f3prios temores.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que as somas combinadas gastas na ajuda humanit\u00e1ria para os refugiados e para dissuadir a migra\u00e7\u00e3o fazem com que o discurso sobre a necessidade de fomentar o crescimento nos pa\u00edses de origem seja um exerc\u00edcio de puro otimismo. Mas isso poderia mudar agora.<\/p>\n<p>A comunidade mundial se reuniu no dia 12, na sede da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), em Roma, e votou a favor de aprovar o Marco de A\u00e7\u00e3o para a Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional em Crises Prolongadas. O objetivo do acordo, negociado pelo Comit\u00ea para a Seguran\u00e7a Alimentar Mundial, \u00e9 fechar a brecha disfuncional que separa cada vez mais os or\u00e7amentos destinados \u00e0 ajuda humanit\u00e1ria e ao desenvolvimento.<\/p>\n<p>Como os signat\u00e1rios s\u00e3o doadores e atores estatais e n\u00e3o estatais, o marco acordado deveria facilitar para os recursos transcenderem as barreiras pol\u00edticas e burocr\u00e1ticas e chegarem onde s\u00e3o desesperadamente necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>No caso da S\u00edria, onde mais da metade de seus 23 milh\u00f5es de habitantes teve que se deslocar devido \u00e0 guerra civil iniciada em mar\u00e7o de 2011, a Uni\u00e3o Europeia demorou meses para chegar a um acordo destinado a aceitar menos de 5% dos refugiados que agora est\u00e3o acampados no L\u00edbano e na Turquia.<\/p>\n<p>Muitos refugiados, que temem que as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de vida nos pa\u00edses vizinhos se tornem permanentes e se desanimam em buscar prote\u00e7\u00e3o no Ocidente, de fato est\u00e3o regressando \u00e0 S\u00edria, apesar dos perigos. Isso poder\u00e1 chegar a ser um fracasso diplom\u00e1tico internacional, e muitos dos repatriados culpam a ONU por sua dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, trata-se de uma quest\u00e3o pr\u00e1tica, e \u00e9 a\u00ed onde o novo marco pode ajudar.<\/p>\n<p>A FAO, por sua vez, j\u00e1 come\u00e7ou a atuar como se o acordo estivesse vigorando. Neste ver\u00e3o boreal associou-se \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es, a fim de ajudar 500 fam\u00edlias produtoras agr\u00edcolas a retornarem \u00e0 S\u00edria. A ajuda consiste em sementes, ferramentas para a lavoura e granjas av\u00edcolas j\u00e1 instaladas, para ajudar as fam\u00edlias e tamb\u00e9m evitar a deser\u00e7\u00e3o agr\u00edcola do pa\u00eds em guerra.<\/p>\n<p>\u201cO apoio aos meios de subsist\u00eancia agr\u00edcolas pode contribuir para ajudar as pessoas a permanecerem em suas terras quando sentirem a seguran\u00e7a para faz\u00ea-lo e criar as condi\u00e7\u00f5es para o retorno dos refugiados e dos migrantes\u201d, pontuou o diretor-geral da FAO, Jos\u00e9 Graziano da Silva.<\/p>\n<p>O marco foi idealizado para lidar com as crises prolongadas, em lugares onde a inseguran\u00e7a alimentar impera de forma quase permanente h\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada. Atualmente existem 21 lugares nessa situa\u00e7\u00e3o. Mas a maioria dessas crises ocorre nos Estados fr\u00e1geis, nos quais o conflito armado \u00e9 moeda corrente, seja como causa ou consequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Tal como as coisas est\u00e3o, um ter\u00e7o dos habitantes do mundo que passa fome (fora da China e da \u00cdndia) vive em contextos de crises prolongadas. E, embora a agricultura gere um ter\u00e7o do produto interno bruto desses pa\u00edses, esta recebe menos de 4% dos fundos de assist\u00eancia externa, segundo Luca Alinov, funcion\u00e1rio da FAO radicado no Qu\u00eania.<\/p>\n<p>Dessa forma, o marco acordado em Roma prepara o caminho para que os recursos fluam para o setor agr\u00edcola \u2013 onde o rendimento em termos de seguran\u00e7a \u00e9 mais alto \u2013 precisamente onde mais s\u00e3o necess\u00e1rios. J\u00e1 \u00e9 hora de acabar com a distin\u00e7\u00e3o cada vez mais arcaica entre a assist\u00eancia humanit\u00e1ria e a ajuda para o desenvolvimento e, com ela, com a separa\u00e7\u00e3o dos canais oficiais que repartem os recursos.<\/p>\n<p>\u201cO desenvolvimento rural e a seguran\u00e7a alimentar s\u00e3o fundamentais para a resposta mundial \u00e0 crise dos refugiados\u201d, afirmou Graziano. Sem d\u00favida, a forma de realiz\u00e1-lo pode variar na pr\u00e1tica, mas a g\u00eanese do marco, que \u00e9 fruto do di\u00e1logo entre m\u00faltiplos interessados, provavelmente ampliar\u00e1 as possibilidades.<\/p>\n<p>Uma vez mais a FAO j\u00e1 est\u00e1 se preparando, como reflete sua associa\u00e7\u00e3o com a empresa MasterCard para oferecer \u00e0s pessoas nos campos de refugiados do Qu\u00eania cart\u00f5es de cr\u00e9dito pr\u00e9-pagos que lhes permitam comprar produtos locais, um modelo que se presta \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o a diferentes circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Os programas de prote\u00e7\u00e3o social apoiados pelo Estado s\u00e3o ideais, como o programa Rede de Seguran\u00e7a Produtiva, que ajudou a Eti\u00f3pia a se converter no \u00fanico pa\u00eds com uma crise prolongada a alcan\u00e7ar um dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM), o de reduzir pela metade a porcentagem da popula\u00e7\u00e3o que sofria fome. Mas, para prosperar, necessitam estabilidade institucional e pol\u00edtica, que nem sempre existem.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, talvez seja onde o novo marco seria mais inovador, segundo Daniel Maxwell, da Universidade de Tufts, nos Estados Unidos. Em concord\u00e2ncia os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), sugere transcender a depend\u00eancia do Estado como via aprovada para a interven\u00e7\u00e3o e aponta para o consenso de que o fortalecimento dos meios de vida \u00e9 a prioridade, destacou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Alejo Carpentier, da IPS &ndash;&nbsp; Roma, It&aacute;lia, 14\/10\/2015 &ndash; A quantidade de refugiados no mundo alcan&ccedil;ou seu m&aacute;ximo hist&oacute;rico, por isso a migra&ccedil;&atilde;o se transformou em sin&ocirc;nimo de crise humanit&aacute;ria. 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