{"id":19974,"date":"2015-10-15T13:35:37","date_gmt":"2015-10-15T13:35:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=201715"},"modified":"2015-10-15T13:35:37","modified_gmt":"2015-10-15T13:35:37","slug":"mulheres-pela-paz-duradoura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/10\/ultimas-noticias\/mulheres-pela-paz-duradoura\/","title":{"rendered":"Mulheres pela paz duradoura"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_201716\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/phumzile-629x419-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-201716\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/phumzile-629x419-629x419.jpg\" alt=\"Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora-executiva da ONU Mulheres. Foto: Cortesia da ONU Mulheres\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora-executiva da ONU Mulheres. Foto: Cortesia da ONU Mulheres<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Phumzile Mlambo-Ngcuka*<\/em><\/p>\n<p>Nova York, Estados Unidos, 15\/10\/2015 \u2013 Recentemente comemoramos os progressos realizados no processo de paz na Col\u00f4mbia. O acordo alcan\u00e7ado em temas de justi\u00e7a representa o sinal mais claro at\u00e9 agora de um poss\u00edvel fim de cinco d\u00e9cadas de conflito. Por outro lado, fala-se menos das muitas formas construtivas em que as mulheres colombianas participaram, influenciando nessas negocia\u00e7\u00f5es ou se mobilizando a favor da paz, inclu\u00eddas as muitas reuni\u00f5es realizadas por mulheres sobreviventes com as mulheres das duas equipes negociadoras.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, poucas pessoas sabem que no ano passado tamb\u00e9m ocorreu o final de outro conflito que durou d\u00e9cadas nas Filipinas, entre o governo e a Frente Moro de Liberta\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica. Nessas negocia\u00e7\u00f5es de paz, mais de um ter\u00e7o das pessoas encarregadas das negocia\u00e7\u00f5es eram mulheres. Isso representa muito mais do que o habitual nas negocia\u00e7\u00f5es oficiais que, em geral, ou s\u00e3o assunto apenas de homens ou envolvem pouqu\u00edssimas mulheres.<\/p>\n<p>Essa participa\u00e7\u00e3o se apoiou em uma longa hist\u00f3ria de lideran\u00e7a das mulheres em n\u00edvel local e nacional nas Filipinas, inclu\u00eddas as a\u00e7\u00f5es de duas presidentes, que investiram capital pol\u00edtico no rein\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es com o grupo rebelde. E, enquanto as tens\u00f5es colocam em risco a fr\u00e1gil situa\u00e7\u00e3o de paz no Burundi, as mulheres desse pa\u00eds se organizaram rapidamente em uma rede nacional de mediadoras para sufocar ou mitigar a infinidade de conflitos locais e evitar sua intensifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 129 munic\u00edpios de todo o pa\u00eds, calcula-se que foram abordados cerca de tr\u00eas mil conflitos locais em 2015, inclu\u00edda a media\u00e7\u00e3o entre for\u00e7as de seguran\u00e7a e manifestantes, a luta pela liberta\u00e7\u00e3o de manifestantes e presas(os) pol\u00edticas(os), promo\u00e7\u00e3o da n\u00e3o viol\u00eancia e do di\u00e1logo entre as comunidades divididas, bem como seu trabalho para enfrentar os boatos e os temores exagerados com informa\u00e7\u00e3o comprov\u00e1vel para evitar o p\u00e2nico generalizado.<\/p>\n<p>A ONU Mulheres teve a honra de apoiar esses esfor\u00e7os.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de hist\u00f3rias isoladas. Um estudo exaustivo preparado para o 15\u00ba anivers\u00e1rio da Resolu\u00e7\u00e3o 1325 do Conselho de Seguran\u00e7a \u2013 uma resolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que reconhece o papel da igualdade de g\u00eanero e a lideran\u00e7a das mulheres na paz e na seguran\u00e7a internacionais \u2013 apresenta os melhores argumentos at\u00e9 agora para demonstrar que a igualdade de g\u00eanero melhora nossa ajuda humanit\u00e1ria, fortalece os esfor\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o de nossas miss\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o da paz, contribui para o \u00eaxito das negocia\u00e7\u00f5es de paz e a sustentabilidade dos acordos, e acelera a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica depois dos conflitos.<\/p>\n<p>Recopila a crescente evid\u00eancia acumulada por pesquisas cient\u00edficas que demonstra que nas negocia\u00e7\u00f5es de paz nas quais h\u00e1 influ\u00eancia das mulheres existe uma probabilidade muito maior de acabar em um acordo e de perdurar. De fato, a probabilidade de um acordo durar 15 anos aumenta em at\u00e9 35%.Nos casos em que as comunidades afetadas por conflitos se esfor\u00e7am para empoderar as mulheres, ocorre uma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e uma redu\u00e7\u00e3o da pobreza mais r\u00e1pida e resultados humanit\u00e1rios muito melhores, n\u00e3o s\u00f3 para as mulheres e as meninas, mas para as popula\u00e7\u00f5es inteiras.<\/p>\n<p>Em um mundo em que os extremistas fazem da subordina\u00e7\u00e3o das mulheres um aspecto principal de sua ideologia e t\u00e1ticas de guerra, a comunidade internacional e as Na\u00e7\u00f5es Unidas dever\u00e3o colocar a igualdade de g\u00eanero no centro de suas interven\u00e7\u00f5es de paz e seguran\u00e7a. Al\u00e9m das pol\u00edticas, das declara\u00e7\u00f5es e aspira\u00e7\u00f5es, a igualdade de g\u00eanero deve impulsionar nossas decis\u00f5es sobre as pessoas que contratamos e em que gastamos nosso tempo e dinheiro.<\/p>\n<p>Est\u00e1 claro que devemos nos esfor\u00e7ar para conseguir mudan\u00e7as tang\u00edveis para as mulheres afetadas pela guerra e aproveitar a capacidade extremamente ignorada das mulheres para evitar esses conflitos.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses devem fazer mais para aproximar as mulheres das mesas de negocia\u00e7\u00e3o em todas as conversa\u00e7\u00f5es de paz. A sociedade civil e os movimentos de mulheres contribuem extraordinariamente para os processos de paz eficazes. Sabemos que, quando as e os representantes da sociedade civil participam dos acordos de paz, \u00e9 64% mais prov\u00e1vel que estes tenham \u00eaxito e sejam duradouros.<\/p>\n<p>Chegou o momento de p\u00f4r fim \u00e0 domina\u00e7\u00e3o dos processos de paz por aqueles que lutam nas guerras e a desqualifica\u00e7\u00e3o das pessoas que trabalham pela paz. Chegou o momento de acabar com o investimento insuficiente em igualdade de g\u00eanero. A porcentagem de ajuda aos Estados fr\u00e1geis que est\u00e1 orientada para a igualdade de g\u00eanero como um dos objetivos principais \u00e9 de apenas 2%. A mudan\u00e7a exige medidas audaciosas, e n\u00e3o pode ocorrer se n\u00e3o houver investimento.<\/p>\n<p>Agora chegou o momento. No dia 25 de setembro, os pa\u00edses das Na\u00e7\u00f5es Unidas adotaram a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, que expressa a inten\u00e7\u00e3o de \u201cvelar para que todos os seres humanos possam tornar realidade seu potencial com dignidade e igualdade\u201d e \u201cpropiciar sociedades pac\u00edficas, justas e inclusivas, livres do temor e da viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Dois dias depois, 72 chefes de Estado e de governo participaram da nossa Reuni\u00e3o de L\u00edderes Mundiais para destacar o apoio de alto n\u00edvel para a igualdade de g\u00eanero e se comprometer a tomar medidas concretas. Al\u00e9m disso, no dia 13 de outubro, o Conselho de Seguran\u00e7a comemorou o 15\u00ba anivers\u00e1rio da Resolu\u00e7\u00e3o 1325, para injetar nova energia, novas ideias e novos recursos \u00e0 lideran\u00e7a das mulheres para a paz.<\/p>\n<p>Em um mundo t\u00e3o afetado por conflitos, extremismo e deslocamento de pessoas, n\u00e3o podemos depender apenas das fa\u00edscas de esperan\u00e7a que despertam as a\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias de pessoas comuns. Precisamos de toda a for\u00e7a de nossas a\u00e7\u00f5es coletivas e da coragem pol\u00edtica das e dos l\u00edderes da comunidade internacional. Afinal, os anivers\u00e1rios devem servir para algo mais al\u00e9m de contar a passagem dos anos. Devem ser o momento de convertermos as palavras em a\u00e7\u00f5es. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Phumzile Mlambo-Ngcuka<\/strong> \u00e9 secret\u00e1ria-geral adjunta das Na\u00e7\u00f5es Unidas e diretora-executiva da ONU Mulheres.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Phumzile Mlambo-Ngcuka* Nova York, Estados Unidos, 15\/10\/2015 &ndash; Recentemente comemoramos os progressos realizados no processo de paz na Col&ocirc;mbia. O acordo alcan&ccedil;ado em temas de justi&ccedil;a representa o sinal mais claro at&eacute; agora de um poss&iacute;vel fim de cinco d&eacute;cadas de conflito. 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