{"id":1998,"date":"2006-10-06T00:00:00","date_gmt":"2006-10-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1998"},"modified":"2006-10-06T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-06T00:00:00","slug":"oriente-mdio-israelenses-tambm-fogem-do-bombardeio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/direitos-humanos\/oriente-mdio-israelenses-tambm-fogem-do-bombardeio\/","title":{"rendered":"Oriente M&eacute;dio: Israelenses tamb&eacute;m fogem do bombardeio"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, 06\/10\/2006 &ndash; Da mesma maneira que os civis libaneses assolados pelos bombardeios a&eacute;reos, dezenas de milhares de israelenses fogem do norte de seu pa&iacute;s para o sul, por causa dos m&iacute;sseis lan&ccedil;ados pelo movimento isl&acirc;mico Hezbollah desde o L&iacute;bano. <!--more--> Avner Pomeranetz n&atilde;o perde o sono por causa dos 26 m&iacute;sseis Katyusha disparados no final de semana contra sua cidade, Kiryat Shmona, perto da fronteira setentrional de Israel. E tampouco por ter de ficar ali por ordem do ex&eacute;rcito, sem poder continuar sua viagem para o sul, fora do alcance dos foguetes. Este farmac&ecirc;utico, e os servi&ccedil;os que presta, s&atilde;o considerados essenciais.\u201cIsto n&atilde;o &eacute; nada novo\u201d, disse &agrave; IPS. Desde que chegou, ap&oacute;s emigrar da Argentina, em meados da d&eacute;cada de 70, Kiryat Shmona foi alvo de m&iacute;sseis disparados desde o L&iacute;bano. Mas a maioria dos moradores do norte de Israel &eacute; muito menos confiante do que Pomeranetz, de 73 anos, neste \u201cver&atilde;o dos Katyusha\u201d. Quem vive em cidades setentrionais, como Haifa, Safed, Carmel, Acre e Tiber&iacute;ades, vive pela primeira vez a experi&ecirc;ncia de ter m&iacute;sseis do Hezbollah sobre suas cabe&ccedil;as. Dezenas de milhares viajaram para o sul, fora do alcance dos m&iacute;sseis, para se alojar em casas de parentes, amigos e hot&eacute;is.<\/p>\n<p>O ex&eacute;rcito israelense estima que entre um ter&ccedil;o e a metade dos residentes do norte de Israel abandonaram suas casas e seus trabalhos. Os que ficaram em Haifa e outras cidades do norte do pa&iacute;s passaram boa parte das &uacute;ltimas duas semanas em abrigos antibomba e quartos acondicionados, ou com os ouvidos gastos pelas sirenes que alertam da iminente queda de um m&iacute;ssil. Mas nem todos encontraram ref&uacute;gio a tempo. Uma adolescente de 15 anos morreu na ter&ccedil;a-feira quando um m&iacute;ssil disparado pelo Hezbollah atingiu um bairro mu&ccedil;ulmano da aldeia de Maghar.<\/p>\n<p>Em Haifa, o terceiro centro urbano mais importante de Israel, um homem morreu no domingo quando seu autom&oacute;vel foi destru&iacute;do por um m&iacute;ssil, enquanto dirigia por uma das principais ruas desta cidade portu&aacute;ria. Nesse mesmo dia, outro homem morreu quando um m&iacute;ssil alcan&ccedil;ou a f&aacute;brica onde trabalhava, no sub&uacute;rbio. At&eacute; agora, 42 israelenses morreram e mais de 300 ficaram feridos nos bombardeios. Junto com o custo humano, o preju&iacute;zo econ&ocirc;mico &eacute; cada vez maior. Os m&iacute;sseis j&aacute; acabaram com a ind&uacute;stria tur&iacute;stica no norte, que esperava outra temporada de sucesso ap&oacute;s seis anos de relativa seguran&ccedil;a, depois que Israel saiu do sul do L&iacute;bano, em meados de 2000.<\/p>\n<p>Os agricultores tamb&eacute;m sofrem os preju&iacute;zos, pois as hortas est&atilde;o vazias e os trabalhadores n&atilde;o podem colher seus frutos. Os muitos hot&eacute;is que oferecem \u201cquarto e caf&eacute; da manh&atilde;\u201d no norte de Israel est&atilde;o vazios e os pequenos com&eacute;rcios fechados. \u201cAs pessoas n&atilde;o deixam suas casas, tudo est&aacute; morto\u201d, disse ao Canal 10 de televis&atilde;o Shiri Gelbart, dona de uma pequena empresa em Haifa. \u201cNo fim do dia, a caixa registradora est&aacute; vazia\u201d. Mais da metade das f&aacute;bricas da regi&atilde;o setentrional de Israel fecharam ou funcionam parcialmente. O preju&iacute;zo econ&ocirc;mico causado &agrave; ind&uacute;stria no norte do pa&iacute;s desde o come&ccedil;o do conflito, h&aacute; duas semanas, &eacute; calculado em cerca de US$ 450 milh&otilde;es.<\/p>\n<p>Apesar do custo, o amplo apoio interno e pol&iacute;tico &agrave; ofensiva militar de Israel contra o Hezbollah no L&iacute;bano continua forte. \u201cA resposta do primeiro-ministro, Ehud Olmert, foi correta\u201d, disse Avner. \u201cN&atilde;o t&iacute;nhamos op&ccedil;&atilde;o. Nos retiramos at&eacute; o &uacute;ltimo cent&iacute;metro. O L&iacute;bano meridional j&aacute; n&atilde;o &eacute; territ&oacute;rio ocupado. &Eacute; uma l&aacute;stima que este tipo de resposta n&atilde;o tenha chegado antes\u201d, disse. Avner se referia aos 12 mil m&iacute;sseis de curto e m&eacute;dio alcances lan&ccedil;ados contra Israel pelo Hezbollah nos seis anos transcorridos desde que as tropas israelenses abandonaram o sul do L&iacute;bano.<\/p>\n<p>Chani, mulher de Avner, considera \u201cmuito dolorosa\u201d a devasta&ccedil;&atilde;o do L&iacute;bano e a morte de civis por causa dos bombardeios israelenses, mas acrescentou que os m&iacute;sseis do Hezbollah s&atilde;o uma \u201camea&ccedil;a direta\u201d para Israel que n&atilde;o devia ser ignorada. \u201cEstamos tentando fazer o melhor que podemos para n&atilde;o ferir civis\u201d, acrescentou Avner. \u201cMas o Hezbollah coloca seus lan&ccedil;a-m&iacute;sseis entre a popula&ccedil;&atilde;o civil libanesa. E, ao contr&aacute;rio de n&oacute;s, dispara diretamente contra os civis\u201d. Como uma quantidade crescente de ex-militares que expressam seus pontos de vista no r&aacute;dio e na televis&atilde;o, Chani acredita que Israel n&atilde;o pode dominar o Hezbollah somente por meio de um ataque a&eacute;reo.<\/p>\n<p>Mas alguns analistas alertaram contra uma incurs&atilde;o por terra, dizendo que o Hezbollah quer atrair Israel para o sul do L&iacute;bano, onde acredita que o ex&eacute;rcito convencional israelense pode ser vulner&aacute;vel. Chani disse que n&atilde;o h&aacute; mais op&ccedil;&atilde;o a n&atilde;o ser realizar opera&ccedil;&otilde;es por terra, para \u201climpar a &aacute;rea pr&oacute;xima da fronteira\u201d de combatentes do Hezbollah. E ela compreende plenamente qual pode ser o pre&ccedil;o de uma opera&ccedil;&atilde;o desse tipo: Seu filho foi morto h&aacute; quatro anos, quando a unidade de elite que integrava participou de uma opera&ccedil;&atilde;o militar na cidade de Ramal&aacute;, na Cisjord&acirc;nia.<\/p>\n<p>As pesquisas de opini&atilde;o mostram que mais de 80% dos israelenses ap&oacute;iam a ofensiva determinada por Olmert depois que o Hezbollah atacou um posto de fronteira israelense, no dia 12 passado, matando oito soldados e fazendo outros dois de ref&eacute;ns. Mas esse apoio pode mudar se a opera&ccedil;&atilde;o militar acabar e Olmert n&atilde;o conseguir os objetivos que prop&ocirc;s: a liberta&ccedil;&atilde;o dos soldados capturados, o envio do ex&eacute;rcito liban&ecirc;s ou de uma for&ccedil;a internacional de paz no L&iacute;bano meridional, e que o Hezbollah se retire para longe da &aacute;rea de fronteira.<\/p>\n<p>\u201cO Hezbollah n&atilde;o pode ser eliminado\u201d, disse Avner. \u201c&Eacute; uma parte integral do L&iacute;bano. Mas tem de ser mantido distante da fronteira e os soldados t&ecirc;m de ser libertados\u201d. Os dirigentes de Israel acreditam que a guerra n&atilde;o ser&aacute; decidida somente no campo de batalha, mas que o resultado tamb&eacute;m depender&aacute; da capacidade da popula&ccedil;&atilde;o civil de suportar os ataques com m&iacute;sseis e o crescente n&uacute;mero de v&iacute;timas entre os militares. Esta &eacute; uma das raz&otilde;es pelas quais o ex&eacute;rcito v&ecirc; como particularmente significativa a batalha que se trava em torno do povoado de Bint Jbail, reduto do Hezbollah no sul do L&iacute;bano.<\/p>\n<p>Depois que Israel se retirou do L&iacute;bano h&aacute; seis anos, o l&iacute;der do Hezbollah, Hassan Nasrallah, fez um discurso triunfal na aldeia, declarando que a sociedade israelense era t&atilde;o fraca quanto uma \u201cteia\u201d. Avner pensa que a resposta israelense mandou uma mensagem muito diferente a Nasrallah. \u201cO Hezbollah n&atilde;o esperava que estes dois civis reagissem da maneira como o fizeram\u201d, disse, se referindo a Olmert e ao ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, nenhum deles com carreira militar antes de entrar na vida p&uacute;blica, ao contr&aacute;rio de muitos ex-dirigentes israelenses. \u201cEles acreditavam que Israel dispararia alguns poucos m&iacute;sseis e depois iniciaria negocia&ccedil;&otilde;es em torno da liberta&ccedil;&atilde;o dos soldados. Agora, Nasrallah est&aacute; descobrindo que as coisas n&atilde;o s&atilde;o como pensava\u201d, concluiu. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, 06\/10\/2006 &ndash; Da mesma maneira que os civis libaneses assolados pelos bombardeios a&eacute;reos, dezenas de milhares de israelenses fogem do norte de seu pa&iacute;s para o sul, por causa dos m&iacute;sseis lan&ccedil;ados pelo movimento isl&acirc;mico Hezbollah desde o L&iacute;bano. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/direitos-humanos\/oriente-mdio-israelenses-tambm-fogem-do-bombardeio\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1471,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[16],"class_list":["post-1998","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1471"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1998"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1998\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}