{"id":20018,"date":"2015-10-27T13:07:51","date_gmt":"2015-10-27T13:07:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=202189"},"modified":"2015-10-27T13:07:51","modified_gmt":"2015-10-27T13:07:51","slug":"sudeste-da-asia-tem-sua-crise-de-refugiados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/10\/ultimas-noticias\/sudeste-da-asia-tem-sua-crise-de-refugiados\/","title":{"rendered":"Sudeste da \u00c1sia tem sua crise de refugiados"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_202190\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/refugiados1.jpg\"><img class=\"wp-image-202190\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/refugiados1.jpg\" alt=\"Homens abandonados por traficantes de pessoas em alto mar foram resgatados pela Guarda Fronteiri\u00e7a de Bangladesh e se reuniram com suas fam\u00edlias em Teknaf, um povoado do distrito de Cox\u2019s Bazar. Foto: Abdur Rahman\/IPS\" width=\"340\" height=\"191\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Homens abandonados por traficantes de pessoas em alto mar foram resgatados pela Guarda Fronteiri\u00e7a de Bangladesh e se reuniram com suas fam\u00edlias em Teknaf, um povoado do distrito de Cox\u2019s Bazar. Foto: Abdur Rahman\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Tharanga Yakupitiyage, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 27\/10\/2015 \u2013 Com o fim da temporada das mon\u00e7\u00f5es, milhares de pessoas perseguidas em Myanmar (Birm\u00e2nia) e Bangladesh se lan\u00e7am ao mar no sudeste da \u00c1sia, segundo den\u00fancia da organiza\u00e7\u00e3o Anistia Internacional, com sede em Londres. Os refugiados se arriscam em perigosas travessias, com a esperan\u00e7a de escapar da persegui\u00e7\u00e3o e da marginaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, dezenas de milhares de pessoas atravessaram a ba\u00eda de Bengala e o mar de Adam\u00e3 rumo aos pa\u00edses vizinhos, inclusive at\u00e9 a Indon\u00e9sia. A maioria das pessoas que fogem \u00e9 de mu\u00e7ulmanos rohingya, uma minoria religiosa e \u00e9tnica de Myanmar, que tem maioria budista. O governo nega a cidadania a esse grupo \u00e9tnico e aplica pol\u00edticas discriminat\u00f3rias, deixando-o ap\u00e1trida.<\/p>\n<p>O Escrit\u00f3rio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur) descreveu a comunidade rohingya como uma das \u201cmais exclu\u00eddas, perseguidas e vulner\u00e1veis do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Para mostrar a dimens\u00e3o e o grau da crise, a Anistia entrevistou 179 solicitantes de asilo e elaborou o novo informe <em>Deadly Journeys: The Refugee and Trafficking Crisis in Southeasdt Asia<\/em> (Travessias Mortais: Crises de Refugiados e de Tr\u00e1fico de Pessoas no Sudeste da \u00c1sia). O documento destaca que as pessoas que fogem em busca de ref\u00fagio, al\u00e9m do risco de se afogar ou ficarem perdidas em alto mar, podem cair em m\u00e3os de organiza\u00e7\u00f5es de tr\u00e1fico humano.<\/p>\n<p>\u201cO abuso f\u00edsico di\u00e1rio que os rohingyas sofrem, presos em barcos, \u00e9 extremamente horr\u00edvel para ser expresso em palavras. Escaparam de Myanmar, mas s\u00f3 o que fizeram foi trocar um pesadelo por outro\u201d, afirmou a investigadora Anna Shea. Quase todos os entrevistados experimentaram ou testemunharam reiterados socos por parte dos membros da tripula\u00e7\u00e3o. As pessoas apanhavam por se mover, por pedir comida ou \u00e1gua e at\u00e9 por pedir para usar o banheiro. As crian\u00e7as tampouco se salvavam quando choravam, afirmou.<\/p>\n<p>Uma garota de 15 anos contou que apanhava enquanto os traficantes ligavam para seu pai em Bangladesh pedindo resgate de US$ 1.700. Outro adolescente da mesma idade relatou os golpes e castigos sistem\u00e1ticos que teve de suportar. Ele contou que pela manh\u00e3 apanhavam tr\u00eas vezes. \u00c0 tarde outras tr\u00eas, e \u00e0 noite eram nove vezes. \u201cNos jogavam ao mar. T\u00ednhamos que nadar durante horas, e se tent\u00e1vamos segurar na embarca\u00e7\u00e3o nos batiam. Quando j\u00e1 est\u00e1vamos afogando, \u00e9ramos colocados a bordo e nos batiam\u201d, acrescentou. Certa vez a tripula\u00e7\u00e3o o jogou no mar 15 vezes durante v\u00e1rias horas.<\/p>\n<p>Os rohingyas entrevistados tamb\u00e9m descreveram as condi\u00e7\u00f5es de vida como sendo \u201cdesumanas e degradantes\u201d. Denunciaram embarca\u00e7\u00f5es lotadas e comida e bebida insuficiente para todos. Tamb\u00e9m disseram que eram obrigados a ficar sentados com as pernas cruzadas durante as travessias que duravam uma semana e recebiam uma pequena por\u00e7\u00e3o de arroz por dia.<\/p>\n<p>As embarca\u00e7\u00f5es n\u00e3o estavam limpas, criando um ambiente repulsivo. Um morador local que ajudou a resgatar os refugiados que chegaram a Aceh, na Indon\u00e9sia, disse que cheiravam t\u00e3o mal que o pessoal de resgate n\u00e3o conseguia nem subir na embarca\u00e7\u00e3o. \u201cO mau cheiro \u00e9 porque havia muita gente sem banho\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Os abusos causam problemas de sa\u00fade em curto e longo prazos, como dores musculares, desidrata\u00e7\u00e3o, m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o e outras enfermidades, acrescenta o informe da Anistia. A organiza\u00e7\u00e3o pede urg\u00eancia aos governos do sudeste asi\u00e1tico para que tomem medidas de combate ao tr\u00e1fico de pessoas, realizem investiga\u00e7\u00f5es, fa\u00e7am opera\u00e7\u00f5es de resgate e identifiquem pontos de desembarque seguros.<\/p>\n<p>O documento destaca que a busca e o resgate n\u00e3o s\u00e3o apenas um \u201cum imperativo humanit\u00e1rio\u201d, mas uma obriga\u00e7\u00e3o legal estabelecida na Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Direito do Mar, que tem entre seus Estados-parte Bangladesh, Indon\u00e9sia, Mal\u00e1sia e Tail\u00e2ndia.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio, os governos obrigavam as embarca\u00e7\u00f5es lotadas a voltarem para o mar, impedindo o desembarque. Em maio deste ano, a Tail\u00e2ndia come\u00e7ou a perseguir o tr\u00e1fico, o que levou as tripula\u00e7\u00f5es a abandonarem as embarca\u00e7\u00f5es, deixando cerca de oito mil pessoas perdidas em alto mar durante semanas.<\/p>\n<p>Indon\u00e9sia e Mal\u00e1sia ofereceram ref\u00fagio aos rohingyas, mas ainda n\u00e3o se sabe se ter\u00e3o permiss\u00e3o para permanecer depois de maio de 2016, correndo o risco de voltarem a ficar no limbo. \u201cSem coopera\u00e7\u00e3o entre os governos para combater o tr\u00e1fico de pessoas, voltar\u00e3o a ser cometidas graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos contra as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis e desesperadas da \u00c1sia meridional\u201d, ressaltou Shea.<\/p>\n<p>Segundo o Acnur, nos primeiros seis meses deste ano cerca de 31 mil pessoas procedentes de Myanmar e Bangladesh empreenderam perigosas travessias por mar. A Anistia estima que aproximadamente 1.100 morreram em alto mar desde 2014. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Tharanga Yakupitiyage, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 27\/10\/2015 &ndash; Com o fim da temporada das mon&ccedil;&otilde;es, milhares de pessoas perseguidas em Myanmar (Birm&acirc;nia) e Bangladesh se lan&ccedil;am ao mar no sudeste da &Aacute;sia, segundo den&uacute;ncia da organiza&ccedil;&atilde;o Anistia Internacional, com sede em Londres. 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