{"id":20024,"date":"2015-10-28T14:10:55","date_gmt":"2015-10-28T14:10:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=202258"},"modified":"2015-10-28T14:10:55","modified_gmt":"2015-10-28T14:10:55","slug":"mudanca-climatica-afeta-bangladesh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/10\/ultimas-noticias\/mudanca-climatica-afeta-bangladesh\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a clim\u00e1tica afeta Bangladesh\u00a0"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_202259\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/bangla_amantha-629x418-629x418.jpg\"><img class=\"wp-image-202259\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/bangla_amantha-629x418-629x418.jpg\" alt=\"Dezenas de mulheres esperam na fila para encher centenas de recipientes com \u00e1gua em Bangladesh. Foto: Amantha Perera\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Dezenas de mulheres esperam na fila para encher centenas de recipientes com \u00e1gua em Bangladesh. Foto: Amantha Perera\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Amantha Perera, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Boyarshing, Bangladesh, 28\/10\/2015 \u2013 Duas vezes por semana, Kulsum Begam, de 20 anos e m\u00e3e de dois filhos, passa mais de tr\u00eas horas conversando com as vizinhas nesta aldeia de Bangladesh, a 300 quil\u00f4metros de Daca, a capital. Seu marido e familiares incentivam esse ritual, quase a empurrando pela porta para que reencontre suas amigas. A raz\u00e3o desse entusiasmo \u00e9 que, enquanto Begam conversa, na realidade est\u00e1 fazendo fila para conseguir \u00e1gua para uso da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Cerca de 50 mulheres esperam durante horas com seus baldes na \u00fanica fonte p\u00fablica, em uma fila que anda lentamente, no povoado de Boyarshing. Na verdade, est\u00e3o rodeadas de \u00e1gua, pelas chuvas da \u00faltima mon\u00e7\u00e3o que inundaram grande extens\u00f5es de terras de cultivo. \u201cMas n\u00e3o podemos usar essa \u00e1gua para beber ou cozinhar. H\u00e1 muito sal nela\u201d, explicou Begam \u00e0 IPS, olhando ao seu redor.<\/p>\n<p>Seus problemas s\u00e3o comuns neste pa\u00eds de 156 milh\u00f5es de habitantes que enfrentam os diversos impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, como secas e inunda\u00e7\u00f5es recorrentes, aumento do n\u00edvel do mar e saliniza\u00e7\u00e3o das terras agr\u00edcolas. Mas nem todos sofrem a crise por igual. Os 1.500 habitantes de Boyarshing, por exemplo, t\u00eam acesso peri\u00f3dico a \u00e1gua pot\u00e1vel, gra\u00e7as a um projeto-piloto dirigido pelo Banco Asi\u00e1tico de Desenvolvimento, que instalou 3,5 quil\u00f4metros de tubula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Embora alguns se queixem de que o encanamento seja muito estreito e se demore horas para recolher cinco litros de \u00e1gua, no munic\u00edpio pr\u00f3ximo de Shyamnagar a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais prec\u00e1ria. Em destaque na periferia de Sundarbans, o maior territ\u00f3rio de mangues em zonas de mares do mundo, as pitorescas casas desse povoado desmentem uma realidade de pobreza e dificuldades extremas.<\/p>\n<p>Mizunur, um morador de 30 anos, ganha US$ 12 por m\u00eas, dos quais gasta US$ 2,5 para comprar \u00e1gua pot\u00e1vel em baldes de dez litros. \u201cVenham almo\u00e7ar conosco, mas traga sua pr\u00f3pria \u00e1gua\u201d, foi o convite de Riysshath Gain, de 65 anos, \u00e0 IPS, acrescentando que o tuf\u00e3o Aila, que assolou Bangladesh em 2009, destruiu muitas fontes de \u00e1gua doce e subterr\u00e2nea nas \u00e1reas rurais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A diretora de Gest\u00e3o de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica e Risco de Desastres do Banco Asi\u00e1tico de Desenvolvimento, Preety Bhandari, afirmou \u00e0 IPS, da sede da institui\u00e7\u00e3o nas Filipinas, que Bangladesh \u201crealmente est\u00e1 sentindo o impacto\u201d do aquecimento do planeta. Se o aumento da temperatura mundial superar os dois graus Celsius o pa\u00eds perder\u00e1, at\u00e9 2050, o equivalente a 2% de seu produto interno bruto anual em gastos provocados pelo clima.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed as perdas ser\u00e3o mais pronunciadas, chegando a aproximadamente 8,8% do PIB ao ano at\u00e9 2100, segundo avalia\u00e7\u00f5es do Banco. At\u00e9 2030, Bangladesh necessitar\u00e1 de US$ 89 milh\u00f5es ao ano para garantir que o pa\u00eds resista ao impacto. Em 2050, o custo anual da adapta\u00e7\u00e3o poderia aumentar quatro vezes, para US$ 369 milh\u00f5es. E o estresse financeiro \u00e9 apenas um fator do problema. Os fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos extremos apresentam um desafio ainda maior.<\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o em um metro do n\u00edvel do mar poderia inundar periodicamente 14% da superf\u00edcie de Daca, e as zonas mais pr\u00f3ximas a Sundarbans ter\u00e3o pior sorte. O aumento da frequ\u00eancia dos desastres naturais implica que a costa de 47 mil quil\u00f4metros quadrados, onde vivem 36 milh\u00f5es de pessoas, ou cerca de 25% da popula\u00e7\u00e3o, far\u00e1 com que tenham que suportar mais tempestades, ciclones e salinidade.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de arroz poderia cair entre 17% e 28%, o que seria catastr\u00f3fico para o setor agr\u00edcola, que contribui com 20% do PIB e emprega 48% da m\u00e3o de obra de 60 milh\u00f5es de pessoas em Bangladesh. Em Daca, onde vivem quase 15 milh\u00f5es de pessoas, as inunda\u00e7\u00f5es repentinas s\u00e3o um fen\u00f4meno comum. \u201cCada vez que chove durante meia hora, a cidade inunda. A \u00e1gua demora tr\u00eas horas para escorrer, e a\u00ed j\u00e1 perdi o ganho de um dia\u201d, se queixou Hussain Mohamed, motorista de carro na capital.<\/p>\n<p>Algumas interven\u00e7\u00f5es funcionaram. O pa\u00eds conseguiu reduzir drasticamente a mortandade provocada pelos ciclones em mais de cem vezes nos \u00faltimos 40 anos. \u201cQuando h\u00e1 um alto n\u00edvel de participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, ent\u00e3o os programas de resili\u00eancia funcionam melhor\u201d, apontou Afrif Mohammad Faisal, especialista ambiental do Banco Asi\u00e1tico de Desenvolvimento em Bangladesh.<\/p>\n<p>\u00c9 precisamente isso que fizeram os moradores de Chenchuri, uma pequena aldeia no sudoeste do pa\u00eds. Em 2012, ap\u00f3s a passagem do ciclone Alia, fundos do Banco Asi\u00e1tico de Desenvolvimento, da Holanda e do governo de Bangladesh permitiram a reabilita\u00e7\u00e3o de uma represa de dez comportas. Agora, um comit\u00ea de 572 membros locais administra a \u00e1gua que flui no rio Chitra. \u201cQuando necessitamos de \u00e1gua para cultivo, o Comit\u00ea decide ou os alde\u00f5es usam o telefone celular para se comunicar com o comit\u00ea\u201d, explicou Raiza Sultana, um campon\u00eas cuja fam\u00edlia vive do cultivo de arroz.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o de um investimento milion\u00e1rio em d\u00f3lares com tecnologia acess\u00edvel funcionou bem nesse caso. Os alde\u00f5es usam um simples monitor de salinidade, que custa US$ 70, para testar as \u00e1guas. Quando este indica que o teor de sal est\u00e1 aumentando, bloqueiam a corrente de \u00e1gua para evitar dano aos cultivos.<\/p>\n<p>\u201cA produ\u00e7\u00e3o de arroz aqui aumentou quatro vezes, as pessoas est\u00e3o ganhando mais e t\u00eam mais controle da situa\u00e7\u00e3o\u201d, pontuou Munsheer Sulaiman, presidente do comit\u00ea de gest\u00e3o da \u00e1gua. Antes, demorava dois dias para entrar em contato com a pessoa encarregada s\u00f3 para que abrisse as comportas, explicou \u00e0 IPS. Agora o comit\u00ea conta com um operador permanente das comportas, ao qual se paga fundos arrecadados dos benefici\u00e1rios ao longo dos 2.400 hectares que a represa alcan\u00e7a.<\/p>\n<p>O sucesso do projeto se baseia em alde\u00f5es como Sulaiman e Sultana, que se convenceram da efici\u00eancia de um enfoque de gest\u00e3o comunit\u00e1ria. \u201cEstavam acostumados \u00e0 velha mentalidade, quando o governo administrava tudo\u201d, indicou o engenheiro Masud Karim. \u201cTivemos que convenc\u00ea-los de que o governo n\u00e3o tem o dinheiro nem a capacidade para fazer isso agora\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mas os especialistas dizem que, se o pa\u00eds quer enfrentar adequadamente a realidade da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, tem que aplicar mudan\u00e7as semelhantes nas atitudes e pol\u00edticas em n\u00edvel nacional. \u201cA \u00c1sia meridional est\u00e1 na primeira linha da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. \u00c9 uma travessia que a regi\u00e3o tem que empreender e h\u00e1 tantas prioridades em jogo que as autoridades respons\u00e1veis devem integrar as considera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas aos objetivos de desenvolvimento\u201d, ressaltou Bandhari. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Amantha Perera, da IPS &ndash;&nbsp; Boyarshing, Bangladesh, 28\/10\/2015 &ndash; Duas vezes por semana, Kulsum Begam, de 20 anos e m&atilde;e de dois filhos, passa mais de tr&ecirc;s horas conversando com as vizinhas nesta aldeia de Bangladesh, a 300 quil&ocirc;metros de Daca, a capital. 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