{"id":20028,"date":"2015-10-28T13:00:33","date_gmt":"2015-10-28T13:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=202265"},"modified":"2015-10-28T13:00:33","modified_gmt":"2015-10-28T13:00:33","slug":"agricultura-contra-a-malaria-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/10\/ultimas-noticias\/agricultura-contra-a-malaria-na-africa\/","title":{"rendered":"Agricultura contra a mal\u00e1ria na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_202266\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/mosquito_Aedes_aegypti_alimentandose_de_un_humano_Dominio_Publico_1.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-202266\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/mosquito_Aedes_aegypti_alimentandose_de_un_humano_Dominio_Publico_1.jpg\" alt=\"Mosquito Anopheles, transmissor da mal\u00e1ria. Foto: FAO\" width=\"200\" height=\"159\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mosquito Anopheles, transmissor da mal\u00e1ria. Foto: FAO<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Mzizi Kabiba, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Kampala, Uganda, 28\/10\/2015 \u2013 Sessenta e cinco anos depois da hist\u00f3rica c\u00fapula internacional sobre a mal\u00e1ria realizada em Uganda a doen\u00e7a continua sendo um flagelo e sua incid\u00eancia poderia aumentar em zonas da \u00c1frica subsaariana pelos efeitos combinados da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, das pr\u00e1ticas agr\u00edcolas e pelo deslocamento de pessoas. Quase a metade da popula\u00e7\u00e3o mundial est\u00e1 em risco de contrair a enfermidade, transmitida ao ser humano pelo mosquito <em>Anopheles<\/em>. Al\u00e9m disso, estima-se que 214 milh\u00f5es de pessoas se contagiar\u00e3o este ano e quase 500 mil morrer\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA mal\u00e1ria \u00e9 o problema de sa\u00fade n\u00famero um em nosso pa\u00eds\u201d, afirmou Babria Babiler El-Sayed, diretora do Instituto de Pesquisa em Medicina Tropical do Sud\u00e3o. Com ajuda da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) e da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA), esse pa\u00eds come\u00e7ou a liberar mosquitos machos esterilizados para deslocar seus cong\u00eaneres f\u00e9rteis e assim reduzir a popula\u00e7\u00e3o de mosquitos.<\/p>\n<p>A FAO e a AIEA aplicaram a t\u00e9cnica \u201cnuclear\u201d (utilizando baixas doses de radia\u00e7\u00e3o) com sucesso contra a letal mosca ts\u00e9-ts\u00e9 e a mosca da fruta. A mal\u00e1ria \u00e9 uma nova \u00e1rea e as duas ag\u00eancias experimentam na \u00c1frica oriental a T\u00e9cnica dos Insetos Est\u00e9reis (TIE) para controle demogr\u00e1fico de pragas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e1 provado que a mal\u00e1ria \u00e9 uma doen\u00e7a que pode ser prevenida, e que \u00e9 explicitamente mencionada no terceiro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), que dever\u00e3o ser cumpridos at\u00e9 2030. Uma das metas busca \u201cp\u00f4r fim \u00e0s epidemias de aids, tuberculose, mal\u00e1ria e \u00e0s enfermidades tropicais desatendidas, e combater a hepatite, as doen\u00e7as transmitidas pela \u00e1gua e outras enfermidades transmiss\u00edveis.<\/p>\n<p>A chave est\u00e1 em n\u00e3o depender de um \u00fanico m\u00e9todo ou ferramenta, mas em integrar os diferentes esfor\u00e7os para controlar a doen\u00e7a, afirmou El-Sayed. Essa \u00e9 uma mudan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a 1950, quando a confer\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), realizada em Kampala, resolveu apoiar a utiliza\u00e7\u00e3o de diclordifeniltricloroetano (DDT) para erradica a mal\u00e1ria. A trancos, aprendeu-se que mesmo um produto qu\u00edmico t\u00e3o potente n\u00e3o pode resolver sozinho o problema.<\/p>\n<p>De fato, no emblem\u00e1tico caso do vale do Tennessee, nos Estados Unidos, chegou-se ao desaparecimento da mal\u00e1ria nos anos 1930 sem usar qu\u00edmicos, mediante uma maci\u00e7a campanha contra a pobreza, combinada com um vasto programa de gera\u00e7\u00e3o de emprego em uma central hidrel\u00e9trica.<\/p>\n<p>O mais alarmante \u00e9 a subida literal da mal\u00e1ria para as terras altas, densamente povoadas, da \u00c1frica oriental. As popula\u00e7\u00f5es do sudoeste de Uganda e algumas regi\u00f5es de Z\u00e2mbia e Ruanda costumam carecer da resist\u00eancia gen\u00e9tica que os protegeria da doen\u00e7a, desenvolvida por agricultores de \u00e1reas propensas \u00e0 sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica causa todo tipo de varia\u00e7\u00f5es no ambiente. Por exemplo, cada vez mais zambianos perdem a vida por culpa de crocodilos, le\u00f5es e b\u00fafalos, porque s\u00e3o obrigados a percorrer maiores dist\u00e2ncias em busca de \u00e1gua por causa da seca. Para n\u00e3o mencionar o n\u00famero recorde de migrantes, muitos dos quais n\u00e3o abandonam seu pa\u00eds, mas buscaram novos ecossistemas.<\/p>\n<p>A isso se soma o sustentado aumento da temperatura, que eleva o poss\u00edvel habitat dos vetores da mal\u00e1ria, que \u201cse relaciona mais com a altitude do que com a latitude\u201d, segundo pesquisa do Instituto Internacional de Pesquisa de Pol\u00edticas Alimentares sobre as causas do dr\u00e1stico aumento da incid\u00eancia da doen\u00e7a em zonas altas de Uganda. Isso tamb\u00e9m significa riscos especiais para as \u00e1reas acima de dois mil metros no Qu\u00eania, Burundi e Eti\u00f3pia.<\/p>\n<p>M\u00e9todos integrados, t\u00e9cnicas agr\u00edcolas, os pr\u00f3prios cultivos e as pr\u00e1ticas humanas, como o uso de mosquiteiros, fazem parte dos \u00eaxitos na luta contra a mal\u00e1ria. Com apoio internacional, o Instituto da Mal\u00e1ria de Z\u00e2mbia praticamente eliminou a doen\u00e7a nos distritos do sul, principalmente gra\u00e7as a um esfor\u00e7o combinado, segundo o m\u00e9dico Phil Thuma, um dos pilares e defensores do que chamou de \u201cintenso esfor\u00e7o\u201d para lutar contra a epidemia.<\/p>\n<p>H\u00e1 tempos a FAO incorporou a distribui\u00e7\u00e3o de mosquiteiros aos seus programas, uma ferramenta simples, mas fundamental. De fato, atualmente um projeto no Qu\u00eania promove o uso de mosquiteiros tratados com inseticidas nos galp\u00f5es onde est\u00e3o os animais, e conseguiu um sens\u00edvel aumento na produ\u00e7\u00e3o l\u00e1ctea, pois tanto humanos como animais est\u00e3o mais sadios.<\/p>\n<p>Apesar das cr\u00edticas de que muitos pescadores zambianos acabaram usando os mosquiteiros para melhorar sua captura ou que em Uganda eram usados para confeccionar vestidos de noiva, o fato \u00e9 que s\u00e3o muito usados na \u00c1frica oriental e que muitas pessoas compram outros, confirmando sua utilidade, segundo um estudo realizado na Tanz\u00e2nia.<\/p>\n<p>O verdadeiro problema \u00e9 que muitos agricultores se levantam antes do amanhecer ou ficam at\u00e9 mais tarde, o que os obriga a abandonar a prote\u00e7\u00e3o durante as horas em que os mosquitos picam. Quase todas as pessoas t\u00eam conhecimentos b\u00e1sicos sobre a mal\u00e1ria, mas pouqu\u00edssimas ouviram falar sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Os estudos emp\u00edricos mostram claramente que, onde as pr\u00e1ticas de cultivo reduzem a cobertura vegetal, as temperaturas aumentam em \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o do mosquito. Isto \u00e9, o uso da terra e os esfor\u00e7os de reflorestamento devem fazer parte das pol\u00edticas combinadas que s\u00e3o implantadas em escala comunit\u00e1ria. As escolas de campo para agricultores, h\u00e1 tempos uma prioridade da FAO, s\u00e3o fundamentais para difundir conhecimento \u00fatil em escala local.<\/p>\n<p>O desenvolvimento de programas que contemplam a luta contra a mal\u00e1ria devem levar isso em conta, especialmente dentro dos esfor\u00e7os para aumentar a infraestrutura de irriga\u00e7\u00e3o para melhorar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola na \u00c1frica subsaariana.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada na Eti\u00f3pia mostra que a incid\u00eancia da mal\u00e1ria entre crian\u00e7as era sete vezes maior em povoados localizados a tr\u00eas quil\u00f4metros de uma microrrepresa para irriga\u00e7\u00e3o, do que entre os menores que residiam a oito quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O cultivo de milho, uma for\u00e7a enorme na regi\u00e3o, tamb\u00e9m poderia aumentar a incid\u00eancia da mal\u00e1ria porque as variedades h\u00edbridas de maior rendimento s\u00e3o polinizadas em per\u00edodo mais avan\u00e7ado do ano, o que ajuda a engordar as larvas do mosquito e se traduz em mais adultos, maiores e que vivem mais tempo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Mzizi Kabiba, da IPS &ndash;&nbsp; Kampala, Uganda, 28\/10\/2015 &ndash; Sessenta e cinco anos depois da hist&oacute;rica c&uacute;pula internacional sobre a mal&aacute;ria realizada em Uganda a doen&ccedil;a continua sendo um flagelo e sua incid&ecirc;ncia poderia aumentar em zonas da &Aacute;frica subsaariana pelos efeitos combinados da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, das pr&aacute;ticas agr&iacute;colas e pelo deslocamento de pessoas. 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