{"id":20032,"date":"2015-10-29T11:16:13","date_gmt":"2015-10-29T11:16:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=202306"},"modified":"2015-10-29T11:16:13","modified_gmt":"2015-10-29T11:16:13","slug":"plantas-medicinais-subsistem-no-mexico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/10\/ultimas-noticias\/plantas-medicinais-subsistem-no-mexico\/","title":{"rendered":"Plantas medicinais subsistem no M\u00e9xico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_202307\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/plantas.jpg\"><img class=\"wp-image-202307\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/plantas.jpg\" alt=\"Clemente Calixto, m\u00e9dico tradicional certificado, exp\u00f5e propriedades curativas de uma planta, durante um f\u00f3rum na Cidade do M\u00e9xico. Em sua comunidade, no Estado de Oaxaca, utilizava variadas esp\u00e9cies bot\u00e2nicas medicinais na produ\u00e7\u00e3o de sabonetes e pomadas para tratar diversos problemas de sa\u00fade. Foto: Emilio Godoy\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Clemente Calixto, m\u00e9dico tradicional certificado, exp\u00f5e propriedades curativas de uma planta, durante um f\u00f3rum na Cidade do M\u00e9xico. Em sua comunidade, no Estado de Oaxaca, utilizava variadas esp\u00e9cies bot\u00e2nicas medicinais na produ\u00e7\u00e3o de sabonetes e pomadas para tratar diversos problemas de sa\u00fade. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Emilio Godoy, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 29\/10\/2015 \u2013 \u201cEsta planta cura 150 doen\u00e7as, como diabetes, press\u00e3o alta e gastrite. \u00c9 preparada como infus\u00e3o ou dissolvida em \u00e1gua e deve ser tomada todos os dias\u201d, afirma o ind\u00edgena mexicano Clemente Calixto, enquanto agita um ramo de folhas verdes. Esse m\u00e9dico tradicional, do povo mazateco, elogia a fum\u00e1ria (<em>Fumaria officinalis<\/em>), tamb\u00e9m conhecida como sangue de Cristo, uma das mais de tr\u00eas mil plantas usadas frequentemente nesse pa\u00eds para tratar v\u00e1rios doen\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cTrabalhamos com plantas saud\u00e1veis. Algumas crescem no campo e outras plantamos no quintal. Fazemos sabonetes, pomadas, xarope, antiparasitas\u201d, explicou Calixto \u00e0 IPS. Oriundo do munic\u00edpio de Jalapa de D\u00edaz, no Estado de Oaxaca, 460 quil\u00f4metros ao sul de Cidade do M\u00e9xico, este curandeiro tamb\u00e9m inclui em seu herban\u00e1rio a folha de chaya (<em>Cnidoscolus chayamansa<\/em>) e a jacuacanga (<em>Costus spicatus<\/em>), e assegura que, misturadas, resolvem problemas renais.<\/p>\n<p>Calixto \u00e9 um dos 30 m\u00e9dicos tradicionais registrados com credencial das autoridades sanit\u00e1rias em sua regi\u00e3o, e \u00e9 um dos milhares de estudiosos de ervas que processam e comercializam plantas medicinais, cuja prote\u00e7\u00e3o legal ainda \u00e9 fraca.<\/p>\n<p>A Biblioteca Digital da Medicina Tradicional, implantada pela Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico (Unam), lista mais de tr\u00eas mil esp\u00e9cies de uso cotidiano. S\u00e3o comercializadas frescas e desidratadas mais de 250 esp\u00e9cies. No M\u00e9xico, com cerca de 120 milh\u00f5es de habitantes, oito em cada dez pessoas consomem plantas e produtos animais para tratar doen\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 pouca prote\u00e7\u00e3o legal, n\u00e3o existe legisla\u00e7\u00e3o adequada, precisa haver uma lei federal e uma institucionalidade que se repita em n\u00edvel estadual\u201d, para prevenir a biopirataria e dar reconhecimento a essa sabedoria ancestral, argumentou \u00e0 IPS o acad\u00eamico Arturo Argueta, do Centro de Pesquisas Interdisciplinares em Ci\u00eancias e Humanidades, da Unam.<\/p>\n<p>Pesquisador de longo hist\u00f3rico, Argueta publicou com outros colegas, em 1994, o primeiro <em>Atlas das Plantas da Medicina Tradicional Mexicana<\/em>. Suas pesquisas mostraram que esse material biol\u00f3gico prolifera especialmente em zonas do sul da Cidade do M\u00e9xico, seus usu\u00e1rios pertencem a todas as camadas sociais e seus pre\u00e7os s\u00e3o baixos.<\/p>\n<p>\u201cAs mais usadas s\u00e3o 50, uma boa quantidade \u00e9 silvestre e outras s\u00e3o plantadas pela popula\u00e7\u00e3o. Se passou de um usu\u00e1rio ex\u00f3tico localizado no sul do pa\u00eds para um mais estendido\u201d, detalhou o especialista. V\u00e1rias das esp\u00e9cies est\u00e3o cobertas pela regulariza\u00e7\u00e3o asteca, por estarem amea\u00e7adas ou em risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A medicina tradicional ind\u00edgena \u00e9 reconhecida na Constitui\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do M\u00e9xico como direito cultural dos povos ancestrais. Al\u00e9m disso, a Dire\u00e7\u00e3o de Medicina Tradicional do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, criada em 2002, conta com um quadro b\u00e1sico de 125 variedades para serem receitadas no sistema nacional, a partir das reformas introduzidas em 2008 na Lei Geral de Sa\u00fade, \u00e0 qual foi incorporada e regulamentada a medicina tradicional.<\/p>\n<p>Esse marco legal reconhece a exist\u00eancia de medicamentos herb\u00e1rios e o Regulamento de Insumos para a Sa\u00fade regula a defini\u00e7\u00e3o, o registro, a elabora\u00e7\u00e3o, o envase, a publicidade e os pontos de venda dos medicamentos \u00e0 base de ervas. Essa subordina\u00e7\u00e3o se estende \u00e0s credenciais anuais concedidas aos m\u00e9dicos tradicionais, que os autoriza \u00e0 pr\u00e1tica, transmitida de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da ind\u00edgena maia Lorenza Euan, que elabora sabonetes, pomadas, repelentes de mosquitos, g\u00e9is antibactericidas, xaropes e xampus, junto com outras quatro mulheres na cooperativa Maya Dzak (medicina maia, nessa l\u00edngua), no munic\u00edpio de L\u00e1zaro C\u00e1rdenas, no Estado de Quinta Roo. \u201cHerdamos de nossos antepassados. Um se cura com um talo, outro com uma planta, ou uma raiz\u201d, explicou \u00e0 IPS, dando como exemplo uma pomada para dores musculares e pancadas que cont\u00e9m extratos de 18 variedades bot\u00e2nicas.<\/p>\n<p>\u201cColhemos plantas frescas, pesamos, lavamos, moemos e fervemos a mistura\u201d, para preparar os produtos, explicou C\u00e1rdenas. As mulheres da cooperativa mant\u00eam um jardim bot\u00e2nico, onde colhem cerca de 25 esp\u00e9cies, como urtiga, arnica e alfavaca.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) recomenda proteger o conhecimento ancestral, integrar a medicina alternativa aos sistemas nacionais, incentivar a pesquisa e certificar seus praticantes. Euan se soma ao coro que pede maior prote\u00e7\u00e3o, \u201cpara que haja mais promo\u00e7\u00e3o e maior reconhecimento\u201d.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade delineou o <em>Guia de Implanta\u00e7\u00e3o Para o Fortalecimento dos Servi\u00e7os de Sa\u00fade com Medicina Tradicional<\/em>, que reconhece como amea\u00e7a a perda da biodiversidade, resultante dos processos de mudan\u00e7a de uso do solo pela atividade agr\u00edcola, pelo desmatamento e por depreda\u00e7\u00e3o dos recursos naturais.<\/p>\n<p>Em sua <em>Estrat\u00e9gia Sobre Medicina Tradicional 2014-2015<\/em>, a OMS diz que, na medida em que se torna mais popular, \u201c\u00e9 importante equilibrar a necessidade de proteger os direitos de propriedade intelectual dos povos ind\u00edgenas e comunidades locais, bem como suas tradi\u00e7\u00f5es de cuidados com a sa\u00fade\u201d. Ao mesmo tempo argumenta que se deve garantir o acesso \u00e0 medicina alternativa e promover a pesquisa, o desenvolvimento e a inova\u00e7\u00e3o nesse segmento.<\/p>\n<p>A OMS tamb\u00e9m alerta que, embora a propriedade intelectual permita apoiar a inova\u00e7\u00e3o e proporcionar um est\u00edmulo ao investimento em pesquisa, tamb\u00e9m pode \u201cser usada de maneira abusiva para apropriar-se indevidamente de recursos\u201d da medicina tradicional. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi) protege os conhecimentos m\u00e9dicos tradicionais contra a utiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o autorizada por terceiros.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o Comit\u00ea Intergovernamental da Ompi sobre Propriedade Intelectual e Recursos Gen\u00e9ticos, Conhecimentos Tradicionais e Folclore ainda n\u00e3o alcan\u00e7ou um acordo sobre um instrumento jur\u00eddico internacional que assegure essas garantias. A esses fen\u00f4menos se soma a postura do governo mexicano de proibir a utiliza\u00e7\u00e3o de algumas plantas na prepara\u00e7\u00e3o de infus\u00f5es ou \u00f3leos por seu n\u00edvel de toxidade, atitude que \u00e9 rejeitada pelos m\u00e9dicos tradicionais e especialistas.<\/p>\n<p>A \u00faltima lista, de 1999, veta 76 esp\u00e9cies, entre elas algumas usadas habitualmente na medicina tradicional, como c\u00e1lamo, c\u00e2nhamo (variedade da erva <em>cannabis<\/em>), beladona, erva-de-santa-maria (<em>Dysphania ambrosioides<\/em>), arruda e s\u00e1lvia. Em setembro de 2014, o governo do conservador Enrique Pe\u00f1a Nieto tinha pronta a atualiza\u00e7\u00e3o desse cat\u00e1logo, com sua amplia\u00e7\u00e3o para 200 variedades proibidas, mas sua entrada em vigor foi congelada.<\/p>\n<p>Para Argueta, \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o, porque, \u201cem lugar de informar sobre os problemas, atua de maneira punitiva, sem informa\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cN\u00e3o concordamos que sejam declaradas como t\u00f3xicas as plantas que s\u00e3o curativas\u201d, destacou Calixto. Euan tampouco v\u00ea justificativa. \u201cN\u00e3o entendemos o motivo de quererem nos prejudicar, se o que precisamos \u00e9 de apoio\u201d, queixou-se.<\/p>\n<p>Argueta ressaltou que uma solu\u00e7\u00e3o seria registrar a medicina tradicional como patrim\u00f4nio cultural intang\u00edvel junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco). \u201cEstamos empenhados em juntar informa\u00e7\u00e3o de qualidade sobre o setor, e oferecer uma imagem digna e completa\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Emilio Godoy, da IPS &ndash;&nbsp; Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 29\/10\/2015 &ndash; &ldquo;Esta planta cura 150 doen&ccedil;as, como diabetes, press&atilde;o alta e gastrite. &Eacute; preparada como infus&atilde;o ou dissolvida em &aacute;gua e deve ser tomada todos os dias&rdquo;, afirma o ind&iacute;gena mexicano Clemente Calixto, enquanto agita um ramo de folhas verdes. 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