{"id":20034,"date":"2015-10-29T11:13:20","date_gmt":"2015-10-29T11:13:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=202303"},"modified":"2015-10-29T11:13:20","modified_gmt":"2015-10-29T11:13:20","slug":"zimbabue-contra-as-aflotoxinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/10\/ultimas-noticias\/zimbabue-contra-as-aflotoxinas\/","title":{"rendered":"Zimb\u00e1bue contra as aflotoxinas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_202304\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Farmers_zim_640-629x420-629x420.jpg\"><img class=\"wp-image-202304\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Farmers_zim_640-629x420-629x420.jpg\" alt=\"Os agricultores Enock Gwangwawa e Alice Mhonda, do Zimb\u00e1bue, armazenam seu milho em sacos herm\u00e9ticos para proteg\u00ea-lo do caruncho e dos fungos. Foto: Busani Bafana\/IPS\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os agricultores Enock Gwangwawa e Alice Mhonda, do Zimb\u00e1bue, armazenam seu milho em sacos herm\u00e9ticos para proteg\u00ea-lo do caruncho e dos fungos. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Busani Bafana, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Shamva, Zimb\u00e1bue, 29\/10\/2015 \u2013 Na \u00faltima safra os carunchos e fungos fizeram a agricultora Mollene Kachambwa perder uma das cinco toneladas de milho que sua fam\u00edlia havia colhido no Zimb\u00e1bue. Mas agora essas pragas ter\u00e3o que procurar outra v\u00edtima. Oriunda da aldeia hom\u00f4nima 75 quil\u00f4metros a nordeste de Harare, capital deste pa\u00eds, ela armazenou a nova colheita em um herm\u00e9tico silo de metal galvanizado.<\/p>\n<p>Antes, Kachambwa usava armaz\u00e9ns tradicionais ou sacas de polietileno, que n\u00e3o s\u00e3o \u00e0 prova de fungos ou insetos. Alguns fungos produzem a toxina aflatoxina, que pode infestar o gr\u00e3o de milho no campo ou durante seu armazenamento. An\u00e1lises realizadas no Zimb\u00e1bue detectaram importantes n\u00edveis de contamina\u00e7\u00e3o nos cultivos de milho, e tamb\u00e9m em leguminosas, como o amendoim.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s aflatoxinas est\u00e1 vinculada \u00e0 debilidade imunol\u00f3gica e ao risco de c\u00e2ncer. As crian\u00e7as expostas a elas podem sofrer atraso no crescimento e inclusive os rec\u00e9m-nascidos podem ser afetados atrav\u00e9s do leite materno contaminado.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), 25% dos cultivos mundiais de alimentos est\u00e3o contaminados por aflatoxinas, e os Centros para Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as, dos Estados Unidos, estimam que mais de 4,5 bilh\u00f5es de pessoas no Sul em desenvolvimento est\u00e3o expostas a elas.<\/p>\n<p>Estudos do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Pol\u00edticas Alimentares sugerem que aproximadamente 26 mil africanos da \u00c1frica subsaariana morrem anualmente de c\u00e2ncer no f\u00edgado em raz\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica \u00e0s aflatoxinas.<\/p>\n<p>Agricultores como Kachambwa gastam, em m\u00e9dia, mais de US$ 50 por safra em pesticidas contra o caruncho, mas t\u00eam pouca prote\u00e7\u00e3o contra a contamina\u00e7\u00e3o por fungos. Dados do custo dos insumos agr\u00edcolas na atribulada economia do Zimb\u00e1bue, a possibilidade de m\u00e9todos de armazenamento sem pesticidas e a pre\u00e7o acess\u00edvel \u00e9 irresist\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que o milho est\u00e1 seguro no recipiente met\u00e1lico. Me ensinaram a sec\u00e1-lo adequadamente antes de armazenar. Coloquei uma vela acesa para tirar todo o ar antes de selar o recipiente. Tamb\u00e9m aprendi a medir a quantidade de umidade do gr\u00e3o antes da armazenagem\u201d, afirmou Kachambwa.<\/p>\n<p>Uma equipe pesquisa a exposi\u00e7\u00e3o a aflatoxinas entre os produtores de milho e as formas de reduzi-la, em um projeto de 30 meses que inclui 12 bairros dos distritos de Shamva e Makoni. O projeto \u00e9 implantado pela organiza\u00e7\u00e3o A\u00e7\u00e3o Contra a Fome e pelo Instituo de Alimenta\u00e7\u00e3o, Nutri\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancias da Fam\u00edlia, da Universidade do Zimb\u00e1bue, em colabora\u00e7\u00e3o com o governo nacional.<\/p>\n<p>Os pesquisadores analisam a efic\u00e1cia dos silos met\u00e1licos herm\u00e9ticos e os sacos de pl\u00e1stico grosso para reduzir a contamina\u00e7\u00e3o por aflatoxinas no milho e avaliam a exposi\u00e7\u00e3o de mulheres e crian\u00e7as \u00e0 mortal toxina. Tamb\u00e9m determinam o n\u00edvel de aflatoxinas em leguminosas, como noz de bambara, amendoim e feij\u00e3o fradinho. \u201cSe o n\u00edvel de aflatoxina no milho \u00e9 alto, pode significar um risco para a sa\u00fade humana e tamb\u00e9m para o com\u00e9rcio do milho, um alimento b\u00e1sico no pa\u00eds\u201d, explicou \u00e0 IPS Charlene Ambali, coordenadora do projeto como representante da A\u00e7\u00e3o Contra a Fome.<\/p>\n<p>A produtora Alice Mhonda, de Mushowani, colheu duas toneladas de milho que armazenou em sacos herm\u00e9ticos devidamente empilhados em um c\u00f4modo junto de sua cozinha. \u201cAbrirei as sacas em fevereiro para ver se o m\u00e9todo funcionou. Estou contente porque n\u00e3o tive que comprar pesticida, ao contr\u00e1rio da safra passada quando usei sete latas, e ainda assim perdi cinco sacas de milho por causa dos carunchos, e uma parte tinha fungos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Do estudo participam fam\u00edlias agr\u00edcolas que consomem seu pr\u00f3prio milho por mais de seis meses ao ano e que incluem mulheres gr\u00e1vidas ou que amamentam filhos menores de cinco anos. As m\u00e3es e seus filhos fornecem amostras biol\u00f3gicas (sangue, urina, leite materno) al\u00e9m das amostras de gr\u00e3os, para que sejam analisadas em laborat\u00f3rio. Os resultados dos exames do milho e das leguminosas, bem como das amostras biol\u00f3gicas, est\u00e3o previstos para final do m\u00eas que vem e determinar\u00e3o se os agricultores consomem gr\u00e3os contaminados com aflatoxinas.<\/p>\n<p>\u201cAs comunidades estavam entusiasmadas por serem parte da pesquisa que ajudar\u00e1 na redu\u00e7\u00e3o das perdas posteriores \u00e0 colheita\u201d, afirmou Loveness Nyanga, principal pesquisador do projeto e professor na Universidade do Zimb\u00e1bue. \u201cElas se preocupam pelo uso constante de pesticidas e fertilizantes, pois temem que tamb\u00e9m sejam um perigo para a sa\u00fade, e receberam muito bem a tecnologia herm\u00e9tica, j\u00e1 que n\u00e3o precisam usar pesticidas no gr\u00e3o colhido\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>As temperaturas cada vez mais altas que afetam o Zimb\u00e1bue e as secas derivadas da mudan\u00e7a clim\u00e1tica aumentam a vulnerabilidade do milho e das leguminosas \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por aflatoxinas. M\u00e9todos inadequados de armazenamento e secagem usados pelos agricultores depois da colheita tamb\u00e9m ajudam na exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s toxinas, afirmou o t\u00e9cnico em extens\u00e3o agr\u00edcola Ozwell Chitono, que trabalha com agricultores no distrito de Shamva.<\/p>\n<p>\u201cOs sacos herm\u00e9ticos e os silos met\u00e1licos s\u00e3o m\u00e9todos eficazes, segundo os agricultores, que em sua maioria n\u00e3o tinham conhecimento das aflatoxinas e alimentavam com gr\u00e3os contaminados os frangos e as cabras\u201d, pontuou Chitono.<\/p>\n<p>A bioqu\u00edmica nutricional e coordenadora do projeto por parte da Universidade do Zimb\u00e1bue, Cathrine Chidewe, ressaltou \u00e0 IPS que a contamina\u00e7\u00e3o por aflatoxinas \u00e9 um grande problema que n\u00e3o \u00e9 levado com a devida seriedade no pa\u00eds devido \u00e0 ignor\u00e2ncia e \u00e0 falta de pesquisa. O estudo em andamento fornecer\u00e1 dados que poder\u00e3o melhorar a pol\u00edtica nacional contra as aflatoxinas e fazer do armazenamento herm\u00e9tico um modelo para a gest\u00e3o posterior \u00e0 colheita no pa\u00eds, afirmou.<\/p>\n<p>A seguran\u00e7a e a qualidade alimentares s\u00e3o uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente a fim de melhorar a produtividade agr\u00edcola africana em virtude dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS). \u201cOs problemas de qualidade e seguran\u00e7a alimentares resultantes da contamina\u00e7\u00e3o por aflatoxinas apresentam um grave obst\u00e1culo para melhorar a nutri\u00e7\u00e3o, aumentar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e vincular os pequenos agricultores aos mercados\u201d, segundo um informe da Funda\u00e7\u00e3o Africana de Tecnologia Agr\u00edcola, que coordena o projeto Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Busani Bafana, da IPS &ndash;&nbsp; Shamva, Zimb&aacute;bue, 29\/10\/2015 &ndash; Na &uacute;ltima safra os carunchos e fungos fizeram a agricultora Mollene Kachambwa perder uma das cinco toneladas de milho que sua fam&iacute;lia havia colhido no Zimb&aacute;bue. 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