{"id":20040,"date":"2015-10-30T12:07:06","date_gmt":"2015-10-30T12:07:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=202326"},"modified":"2015-10-30T12:07:06","modified_gmt":"2015-10-30T12:07:06","slug":"america-central-e-vulneravel-ao-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/10\/ultimas-noticias\/america-central-e-vulneravel-ao-clima\/","title":{"rendered":"Am\u00e9rica Central \u00e9 vulner\u00e1vel ao clima"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_202327\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/22564855212_9a02ae389b_z-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-202327 size-medium\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/22564855212_9a02ae389b_z-629x419-300x200.jpg\" alt=\"22564855212_9a02ae389b_z-629x419\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Em sua contribui\u00e7\u00e3o nacional, a Costa Rica estima que o setor mais afetado pela vulnerabilidade clim\u00e1tica \u00e9 a infraestrutura vi\u00e1ria. Esta estrada, que liga S\u00e3o Jos\u00e9 com a costa do Caribe e atravessa a cordilheira montanhosa central, fecha v\u00e1rias vezes ao ano por deslizamentos e bloqueios. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diego Arguedas Ortiz, da IPS &#8211;<\/p>\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9, Costa Rica, 30\/10\/2015 \u2013 Durante d\u00e9cadas, os pa\u00edses da Am\u00e9rica Central sofreram o pesado impacto que os fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos, como secas ou furac\u00f5es, exercem sobre seu istmo. Agora, seis dessas na\u00e7\u00f5es querem que todo o planeta reconhe\u00e7a sua vulnerabilidade ao clima.<\/p>\n<p>Uma iniciativa nascida da sociedade civil centro-americana quer que o novo tratado universal e vinculante oficialize que a regi\u00e3o \u00e9 especialmente vulner\u00e1vel \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, uma distin\u00e7\u00e3o que atualmente \u00e9 dada aos pequenos Estados insulares e aos chamados pa\u00edses menos adiantados.<\/p>\n<p>Nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas realizadas na cidade alem\u00e3 de Bonn entre, 19 e 23 deste m\u00eas, a proposta encontrou o caminho at\u00e9 o rascunho do esperado Acordo de Paris e, se for aprovada, o istmo centro-americano poderia ter prioridade na destina\u00e7\u00e3o de financiamento clim\u00e1tico para medidas de adapta\u00e7\u00e3o, algo crucial para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s, da sociedade civil \u2013 e me atreveria a dizer que dos governos \u2013, estamos apresentando essa demanda porque pode facilitar ao istmo o acesso a janelas de financiamento, tecnologia e fortalecimento de capacidades\u201d, pontuou Tania Guill\u00e9n, oficial de mudan\u00e7a clim\u00e1tica do nicaraguense Centro Humboldt.<\/p>\n<p>A especialista apontou \u00e0 IPS que \u201cessas contribui\u00e7\u00f5es devem beneficiar as comunidades vulner\u00e1veis\u201d do istmo, mas agora a prioridade \u00e9 dada aos pequenos Estados insulares em desenvolvimento (Sids) e aos pa\u00edses menos adiantados (LDC).<\/p>\n<p>As discuss\u00f5es sem\u00e2nticas ganham import\u00e2ncia capital um m\u00eas antes de come\u00e7ar, na capital francesa, a 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 21) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMNUCC). Isso porque ser\u00e3o parte das bases em que forem assentadas as diretrizes jur\u00eddicas do acordo que deve aprovado na c\u00fapula de Paris, entre 30 de novembro e 11 de dezembro.<\/p>\n<p>Os 48 milh\u00f5es de centro-americanos vivem no cintur\u00e3o da Am\u00e9rica, o istmo localizado entre o Oceano Pac\u00edfico e o Mar do Caribe, que \u00e9 percorrido em quase toda sua extens\u00e3o por uma longa cadeia montanhosa e um \u00e1rido Corredor Seco. Quase metade de seus habitantes (23 milh\u00f5es, ou 48%) est\u00e1 abaixo da linha da pobreza, segundo dados oficiais de pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A vulnerabilidade clim\u00e1tica \u2013 o conjunto de condi\u00e7\u00f5es que tornam uma sociedade ou um ecossistema mais propenso a ser afetado por fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos \u2013 est\u00e1 h\u00e1 anos na agenda centro-americana, onde a desastrosa passagem do furac\u00e3o Mitch, em 1998, obrigou a se repensar a gest\u00e3o do risco. Como parte desse processo, em 2009 nasceu o F\u00f3rum Centro-Am\u00e9rica Vulner\u00e1vel, Unida pela Vida, uma organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil do istmo que desde ent\u00e3o defende essa declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No \u00faltimo ano, os impactos clim\u00e1ticos acrescentaram perdas humanas e materiais em todo o istmo, desde o catastr\u00f3fico deslizamento de Cambray, na Guatemala, at\u00e9 o aumento do n\u00edvel do mar que amea\u00e7a a comarca Guna Yala, no Panam\u00e1.<\/p>\n<p>O mais geograficamente estendido desses impactos foi a seca associada ao fen\u00f4meno atmosf\u00e9rico El Ni\u00f1o Oscila\u00e7\u00e3o Sul (Enos), que complicou as condi\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas do chamado Corredor Seco Centro-Americano. Trata-se de uma faixa \u00e1rida de floresta seca, com predomin\u00e2ncia da agricultura familiar de subsist\u00eancia, e onde a precipita\u00e7\u00e3o caiu entre 40% e 60% na esta\u00e7\u00e3o \u00famida de 2014.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Central lan\u00e7a na atmosfera apenas 0,6% das emiss\u00f5es mundiais de gases-estufa, o que faz com que as a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o da \u00e1rea percam urg\u00eancia frente \u00e0s de redu\u00e7\u00e3o de suas vulnerabilidades clim\u00e1ticas. A proposta de que a regi\u00e3o seja reconhecida como especialmente vulner\u00e1vel priorizaria o istmo como receptor de financiamento e tecnologia para adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Mas ter\u00e1 um duro caminho nas negocia\u00e7\u00f5es, entorpecido por outros pa\u00edses do Sul em desenvolvimento e inclusive por alguns do pr\u00f3prio istmo.<\/p>\n<p>As tens\u00f5es come\u00e7aram dentro do pr\u00f3prio Sistema Centro-Americano de Integra\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica (Sica), que teve tr\u00eas reuni\u00f5es durante a sess\u00e3o de outubro das negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas em Bonn, mas n\u00e3o conseguiu consenso sobre a iniciativa por causa da oposi\u00e7\u00e3o interna de Belize.<\/p>\n<p>\u201cDeve-se mencionar que Belize e Rep\u00fablica Dominicana (integrantes do Sica) s\u00e3o pa\u00edses Sids, por isso para evitar problemas com este grupo de negocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o aderiram \u00e0 proposta\u201d, explicou Guill\u00e9n. A seu ver, \u201co pior \u00e9 com Belize, porque Rep\u00fablica Dominicana tem outras condi\u00e7\u00f5es\u201d (por n\u00e3o ficar no istmo) e ser geograficamente uma na\u00e7\u00e3o insular caribenha. Embora Belize seja um pa\u00eds continental, nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas somou-se aos Sids.<\/p>\n<p>O chefe da delega\u00e7\u00e3o do governo da Guatemala nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, Edwin Castellanos, confirmou \u00e0 IPS que n\u00e3o houve consenso interno. Por isso, \u201ca proposta foi feita por El Salvador, por ter a presid\u00eancia do Sica, mas n\u00e3o o fez em nome do grupo, porque um pa\u00eds membro n\u00e3o apoiou a mo\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou. A proposta tamb\u00e9m foi subscrita por Costa Rica, Guatemala, Honduras, Nicar\u00e1gua e Panam\u00e1.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Castellanos apontou que tamb\u00e9m h\u00e1 outros pa\u00edses que buscam figurar na lista de mais vulner\u00e1veis e esse foi um tema tratado dentro do poderoso grupo de negocia\u00e7\u00e3o do Grupo dos 77 mais China, conhecido como G-77+China, que engloba os pa\u00edses do Sul em desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cQuando a Am\u00e9rica Central fez essa proposta, o Nepal seguiu com outra semelhante para pa\u00edses montanhosos. O problema \u00e9 que se inicia uma lista que pode ser intermin\u00e1vel e j\u00e1 inclui os LDC, as ilhas e, mais recentemente, a \u00c1frica\u201d, pontuou o negociador. Castellanos reconheceu que a proposta nasceu da sociedade civil centro-americana, e mencionou em particular o F\u00f3rum Sociedade Civil do M\u00e9xico e da Am\u00e9rica Central, rumo \u00e0 COP 21, realizado na Cidade do M\u00e9xico, entre 7 e 9 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>A costa-riquenha Alejandra Granados, participante do F\u00f3rum, disse \u00e0 IPS que a iniciativa foi apresentada pela guatemalteca Alejandra Sobenes, do Instituto de Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, e \u201ccada organiza\u00e7\u00e3o a enviou aos negociadores de seus respectivos pa\u00edses\u201d, antes da reuni\u00e3o em Bonn.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses centro-americanos que j\u00e1 apresentaram \u00e0 CMNUCC suas contribui\u00e7\u00f5es previstas e determinadas em n\u00edvel nacional (INDC) concordaram em incluir componentes de adapta\u00e7\u00e3o que os governos se comprometerem a cumprir. El Salvador e Nicar\u00e1gua ainda n\u00e3o apresentaram seus INDC, o conjunto de medidas com que cada pa\u00eds vai colaborar para conter a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura do planeta.<\/p>\n<p>Segundo Granados, que lidera a organiza\u00e7\u00e3o CO2.cr, se for reconhecida a vulnerabilidade centro-americana, os pa\u00edses do istmo dever\u00e3o trabalhar fortemente com as comunidades locais para melhorar seus planos de adapta\u00e7\u00e3o anteriores a 2020, quando come\u00e7aria a vigorar o novo tratado.<\/p>\n<p>\u201cEsse reconhecimento n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesmo, \u00e9 uma grande responsabilidade que a regi\u00e3o assume, porque \u00e9 como se em n\u00edvel internacional se voltasse os olhos para a regi\u00e3o e dissesse: bem, o que esperam para fazer algo? Voc\u00eas queriam esse reconhecimento, agora assumam sua responsabilidade por adotar a\u00e7\u00f5es\u201d, concluiu a ativista costa-riquenha. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Diego Arguedas Ortiz, da IPS &ndash; S&atilde;o Jos&eacute;, Costa Rica, 30\/10\/2015 &ndash; Durante d&eacute;cadas, os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Central sofreram o pesado impacto que os fen&ocirc;menos clim&aacute;ticos extremos, como secas ou furac&otilde;es, exercem sobre seu istmo. Agora, seis dessas na&ccedil;&otilde;es querem que todo o planeta reconhe&ccedil;a sua vulnerabilidade ao clima. 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