{"id":20057,"date":"2015-11-05T12:47:17","date_gmt":"2015-11-05T12:47:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=202453"},"modified":"2015-11-05T12:47:17","modified_gmt":"2015-11-05T12:47:17","slug":"clima-alterado-ameaca-sabores-argentinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/11\/ultimas-noticias\/clima-alterado-ameaca-sabores-argentinos\/","title":{"rendered":"Clima alterado amea\u00e7a sabores argentinos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_202454\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/tanques.jpg\"><img class=\"wp-image-202454\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/tanques.jpg\" alt=\"Tanques de armazenamento de uma das adegas da prov\u00edncia de Mendoza, na Argentina. A cor diferenciada do vinho de uva malbec, a principal da vitivinicultura da regi\u00e3o, come\u00e7a a ser alterada pelo impacto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Tanques de armazenamento de uma das adegas da prov\u00edncia de Mendoza, na Argentina. A cor diferenciada do vinho de uva malbec, a principal da vitivinicultura da regi\u00e3o, come\u00e7a a ser alterada pelo impacto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Fabiana Frayssinet, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Mendoza, Argentina, 5\/11\/2015 \u2013 Alho menos vermelho? Vinho mais transl\u00facido? A mudan\u00e7a clim\u00e1tica tamb\u00e9m pode afetar os sabores da mesa, se n\u00e3o forem tomadas medidas para mitigar os impactos do aquecimento global, que j\u00e1 s\u00e3o percebidos em cultivos fundamentais para economias locais, como ocorre na prov\u00edncia argentina de Mendoza.<\/p>\n<p>Uma exposi\u00e7\u00e3o da Universidade Nacional de Cuyo (UNCuyo), durante o F\u00f3rum de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, realizado em outubro em Mendoza, capital da prov\u00edncia de mesmo nome, junto com o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), provoca ironias, ao mesmo tempo em que alerta. \u201cA mudan\u00e7a clim\u00e1tica afetar\u00e1 a qualidade do malbec?\u201d, pergunta um dos cartazes sobre a mais famosa qualidade de vinho argentino.<\/p>\n<p>\u201cO aumento da temperatura diminuiu a cor dos dentes de alho dos tipos morado e colorado\u201d, conclui outro estudo, realizado pela especialista em horticultura M\u00f3nica Gui\u00f1az\u00fa, da Faculdade de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias. Aprecia\u00e7\u00f5es gastron\u00f4micas \u00e0 parte, de cultivos como esses depende grande parte da economia dessa prov\u00edncia andina no centro ocidental do pa\u00eds. Somente a vitivinicultura representa 6% de seu produto interno bruto.<\/p>\n<p>\u201cEm nossa economia regional, a uva malbec \u00e9 a variedade mais importante. Por isso, foi escolhida como objeto de estudo\u201d, explicou Emiliano Malovini, um dos pesquisadores sobre o \u201cefeito do aumento da temperatura na fisiologia e qualidade das uvas malbec\u201d, da cadeira de Fisiologia Vegetal e do Conselho Nacional de Pesquisas Cient\u00edficas e T\u00e9cnicas. Na Argentina, \u201cquase 90% da superf\u00edcie de alho e de sua produ\u00e7\u00e3o saem de Mendoza\u201d, acrescentou Gui\u00f1az\u00fa.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o \u00e9 motivo de alarme para os degustadores de vinho, nem para os que usam o alho como condimento, de provadas propriedades nutricionais e terap\u00eauticas. Mas, no caso do malbec, explicou Malovini \u00e0 IPS, \u201cprojetando a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e, por outro lado, o que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo, de anos muito quentes, vemos uma diminui\u00e7\u00e3o na qualidade das uvas.<\/p>\n<p>Malovini tomou por base o aumento t\u00e9rmico previsto pelo Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC) para o final do s\u00e9culo, entre dois e quatro graus Celsius para essas latitudes sul-americanas. \u201cO que se observa em resultados preliminares \u00e9 uma pequena diminui\u00e7\u00e3o, principalmente na cor\u201d, afirmou, ao se referir \u00e0s antocianinas, composto qu\u00edmico respons\u00e1vel pela cor do vinho.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito importante porque para um vinho de qualidade, de pre\u00e7o alto, para exporta\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso um n\u00edvel m\u00ednimo de cor nas uvas\u201d, pontou Malovini. Paralelamente, \u201ch\u00e1 outro componente, o \u00edndice de polifenol no vinho, que \u00e9 o que possibilita guard\u00e1-lo por mais tempo para se obter vinhos envelhecidos de dois ou tr\u00eas anos\u201d, acrescentou. Tamb\u00e9m se percebe um aumento no \u00e1lcool e diminui\u00e7\u00e3o de sua acidez.<\/p>\n<div id=\"attachment_202455\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/forum.jpg\"><img class=\"wp-image-202455\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/forum.jpg\" alt=\"F\u00f3rum sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica realizado em outubro, na cidade de Mendoza, capital da prov\u00edncia argentina de mesmo nome, onde a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura amea\u00e7a os sabores de cultivos determinantes para sua economia. Foto: Fabiana Frayssinet\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">F\u00f3rum sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica realizado em outubro, na cidade de Mendoza, capital da prov\u00edncia argentina de mesmo nome, onde a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura amea\u00e7a os sabores de cultivos determinantes para sua economia. Foto: Fabiana Frayssinet<\/p><\/div>\n<p>Se a mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 irrevers\u00edvel, Malovini estuda t\u00e9cnicas para enfrentar seus efeitos, como aplica\u00e7\u00f5es hormonais e pr\u00e1ticas agron\u00f4micas, inclu\u00edda a restri\u00e7\u00e3o h\u00eddrica dos vinhedos. Tamb\u00e9m est\u00e3o preocupados os produtores de alho de Mendoza, que fazem da Argentina o terceiro exportador mundial, depois de China e Espanha, em um pa\u00eds onde mais da metade das exporta\u00e7\u00f5es \u00e9 de produtos agropecu\u00e1rios.<\/p>\n<p>As simula\u00e7\u00f5es conclu\u00edram redu\u00e7\u00f5es do ciclo de cultivo de at\u00e9 dez dias, o que em princ\u00edpio seria positivo, segundo Gui\u00f1az\u00fa, pois permitiria adiantar colheitas para outros mercados. A m\u00e1 not\u00edcia foi que, diante de um aumento da temperatura ambiente de cinco graus cent\u00edgrados, e de 1,5 grau no solo, houve uma descolora\u00e7\u00e3o not\u00e1vel dos alhos colorado e morado. Na Argentina, \u201cmesmo com perda de cor, ainda t\u00eam valor, n\u00e3o os desmerece visualmente. Mas na Uni\u00e3o Europeia d\u00e3o muito import\u00e2ncia \u00e0 cor\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Estimativas do setor indicam que a produ\u00e7\u00e3o de alho gera dez mil empregos diretos e 7.500 indiretos, e \u00e9 um dinamizador da regi\u00e3o natural de Cuyo, especialmente de Mendoza e da vizinha prov\u00edncia de San Juan. Participantes do F\u00f3rum de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica recordaram que o aquecimento do planeta reduzir\u00e1 a \u00e1gua proveniente da neve das montanhas, aumentando o processo de desertifica\u00e7\u00e3o em Mendoza. Al\u00e9m de provocar outros eventos clim\u00e1ticos, como granizo ou secas.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos quatro anos, foi detectado um d\u00e9ficit h\u00eddrico significativo. Que pode ser parte da variabilidade hist\u00f3rica, como tamb\u00e9m da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, apontou Daniel Tomasini, coordenador de ambiente e desenvolvimento sustent\u00e1vel do Pnud Argentina. \u201cEspera-se que nos pr\u00f3ximos anos os rios de Mendoza diminuam entre 15% e 20% seu caudal\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Um documento informativo do Pnud alerta que isso afetaria o rendimento das colheitas e a qualidade de vida dos pequenos produtores rurais. \u2018\u201dH\u00e1 risco n\u00e3o s\u00f3 para a seguran\u00e7a alimentar, mas tamb\u00e9m para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos que \u00e9 distribu\u00edda no resto do pa\u00eds, \u00e9 exportada, e contribui para sustentar a matriz produtiva\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Perspectiva que, para Elena Abraham, do Instituto Argentino de Pesquisas de Zonas \u00c1ridas, aumentaria a desigualdade social entre zonas secas e o\u00e1sis produtivos. Em Mendoza, 95% do territ\u00f3rio \u00e9 des\u00e9rtico e apenas 4,8% constituem o\u00e1sis irrigados, onde se concentram 95% de seus 1,786 milh\u00e3o de habitantes. A agricultura consome 90% da \u00e1gua da prov\u00edncia.<\/p>\n<p>Fora dos o\u00e1sis vivem fundamentalmente pastores, dedicados \u00e0 pecu\u00e1ria extensiva de subsist\u00eancia, e pequenos produtores agr\u00edcolas, relegados historicamente. \u201cTeremos um deserto no mais estrito sentido da palavra. Deserto vem de desertar, justamente. E as pessoas partir\u00e3o porque n\u00e3o ter\u00e3o nenhuma op\u00e7\u00e3o de desenvolvimento, como j\u00e1 est\u00e3o fazendo\u201d, destacou Abraham \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u00c9 o paradoxo de uma regi\u00e3o do Sul em desenvolvimento que se prepara para mitigar os efeitos de uma mudan\u00e7a clim\u00e1tica da qual praticamente n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel, mas uma v\u00edtima direta, j\u00e1 que os especialistas prognosticam que Mendoza ser\u00e1 uma das prov\u00edncias mais afetadas pela eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas. \u201cA mudan\u00e7a clim\u00e1tica deixou de ser algo irreal. \u00c9 o mundo em que viver\u00e3o meus filhos e os filhos dos meus filhos\u201d, afirmou durante o F\u00f3rum Jos\u00e9 Octavio Bord\u00f3n, presidente do Centro de Assuntos Globais da UNCuyo, que trabalha na adapta\u00e7\u00e3o aos seus efeitos.<\/p>\n<p>No plano nacional, a Argentina \u00e9 o terceiro emissor latino-americano de gases-estufa e o 22\u00ba no mundo, com 0,88% do total planet\u00e1rio, segundo o Instituto Mundial dos Recursos (WRI). Em suas contribui\u00e7\u00f5es previstas e determinadas em n\u00edvel nacional (INDC), esse pa\u00eds se compromete a uma redu\u00e7\u00e3o incondicional dessas emiss\u00f5es de 15% at\u00e9 2030, somando outros 15% desde que haja financiamento internacional para isso.<\/p>\n<p>Esse compromisso, considerado \u201cinsuficiente\u201d por ambientalistas locais e internacionais, integra as INDC que ser\u00e3o inclu\u00eddas no tratado clim\u00e1tico a ser aprovado na 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 21) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMNUCC), que acontecer\u00e1 em dezembro, em Paris.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a posi\u00e7\u00e3o argentina \u00e9 a de que \u201cn\u00e3o vamos reduzir emiss\u00f5es se isso gera problemas para nossa gente, para o desenvolvimento nacional, e as metas que propomos levam isso em conta\u201d, disse \u00e0 IPS o subsecret\u00e1rio de Promo\u00e7\u00e3o de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, Juan Pablo Vismara.<\/p>\n<p>Segundo esse funcion\u00e1rio do Minist\u00e9rio de Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da Argentina, \u201cnos preocupa o estabelecimento de obriga\u00e7\u00f5es (em Paris) que sejam absolutas, como termos uma cota ou teto de emiss\u00f5es. \u00c9 preciso considerar que teremos que continuar emitindo, para nos desenvolver e combater a pobreza, mas tamb\u00e9m porque damos uma contribui\u00e7\u00e3o alimentar para o mundo\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Fabiana Frayssinet, da IPS &ndash;&nbsp; Mendoza, Argentina, 5\/11\/2015 &ndash; Alho menos vermelho? Vinho mais transl&uacute;cido? A mudan&ccedil;a clim&aacute;tica tamb&eacute;m pode afetar os sabores da mesa, se n&atilde;o forem tomadas medidas para mitigar os impactos do aquecimento global, que j&aacute; s&atilde;o percebidos em cultivos fundamentais para economias locais, como ocorre na prov&iacute;ncia argentina de Mendoza. Uma [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/11\/ultimas-noticias\/clima-alterado-ameaca-sabores-argentinos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[979,1639,2458,2783],"class_list":["post-20057","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-argentina","tag-clima","tag-inter-press-service","tag-news3"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20057","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20057"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20057\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20058,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20057\/revisions\/20058"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20057"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20057"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20057"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}