{"id":20075,"date":"2015-11-10T13:10:26","date_gmt":"2015-11-10T13:10:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=202637"},"modified":"2015-11-10T13:10:26","modified_gmt":"2015-11-10T13:10:26","slug":"plano-de-represa-ignora-mudanca-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/11\/ultimas-noticias\/plano-de-represa-ignora-mudanca-climatica\/","title":{"rendered":"Plano de represa ignora mudan\u00e7a clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_202638\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/usina.jpg\"><img class=\"wp-image-202638\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/usina.jpg\" alt=\"Usina hidrel\u00e9trica Batoka, no Zimb\u00e1bue. Foto: Construction Review Online\" width=\"340\" height=\"225\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Usina hidrel\u00e9trica Batoka, no Zimb\u00e1bue. Foto: Construction Review Online<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Ignatius Banda, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Bulawayo, Zimb\u00e1bue, 10\/11\/2015 \u2013 O governo do Zimb\u00e1bue assegura que o projeto da represa hidrel\u00e9trica de Batoka, no rio Zambeze, ir\u00e1 gerar 2.400 megawatts (MW) de energia, mas ativistas alertam que o impacto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica tornaria a obra invi\u00e1vel. Nos \u00faltimos dois meses, a empresa nacional de energia refor\u00e7ou o racionamento de eletricidade, com apag\u00f5es di\u00e1rios de at\u00e9 20 horas em todo esse pa\u00eds da \u00c1frica austral.<\/p>\n<p>O Zimb\u00e1bue depende da energia hidrel\u00e9trica h\u00e1 anos, e \u00e9 um de v\u00e1rios pa\u00edses africanos que apostam nela para impulsionar seu crescimento econ\u00f4mico, com a constru\u00e7\u00e3o de represas, a um custo multimilion\u00e1rio, que se espera gerem milhares de megawatts.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 data prevista para o in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o da represa de Batoka, que ter\u00e1 custo de US$ 3 bilh\u00f5es e come\u00e7ar\u00e1 a dar lucro ap\u00f3s dez anos. A obra acrescentar\u00e1 energia muito necess\u00e1ria no Zimb\u00e1bue, cuja capacidade energ\u00e9tica atual chega a 1.600 MW, enquanto a demanda supera os 2.200 MW. Uma vez que esteja conclu\u00edda, o pa\u00eds poder\u00e1 exportar energia, afirmam as autoridades.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a crise energ\u00e9tica paralisou a expans\u00e3o econ\u00f4mica e obrigou ao fechamento de grandes empresas, como a firma de produtos qu\u00edmicos Sable Chemicals, que este m\u00eas foi desconectada da grade nacional, no que o ministro de Energia, Samuel Undenge, explicou como sendo parte de uma estrat\u00e9gia de curto prazo para abastecer de eletricidade outros setores.<\/p>\n<p>Entretanto, essa medida obrigou a \u00fanica f\u00e1brica de fertilizantes do pa\u00eds a deixar de funcionar e levou ao desemprego mais de 500 pessoas, segundo trabalhadores da companhia. A empresa deve \u00e0 estatal de energia el\u00e9trica US$ 150 milh\u00f5es. Segundo Undenge, 80% do Zimb\u00e1bue n\u00e3o tem acesso a eletricidade. Espera-se que a usina de Batoka \u2013 um projeto conjunto com Z\u00e2mbia, que utilizar\u00e1 \u00e1guas do Zambeze, rio transfronteiri\u00e7o compartilhado por oito pa\u00edses \u2013 impulsione a produ\u00e7\u00e3o de energia e a leve a zonas rurais remotas.<\/p>\n<p>No in\u00edcio deste m\u00eas, o ministro declarou no parlamento que a bacia do rio Zambeze foi afetada pela escassez de chuvas em outros pa\u00edses. \u201cA \u00e1gua continua fluindo para o Zambeze desde o norte, mas estamos extraindo mais \u00e1gua do que entra, da\u00ed sua cont\u00ednua redu\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Undenge para explicar a diminui\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de energia. O baixo n\u00edvel da \u00e1gua preocupa os especialistas, e alguns perguntam se as represas s\u00e3o investimentos vi\u00e1veis no longo prazo devido \u00e0 incerteza clim\u00e1tica. De fato, a crise energ\u00e9tica, tanto no Zimb\u00e1bue como em Z\u00e2mbia, \u00e9 atribu\u00edda ao baixo n\u00edvel de \u00e1gua do rio Zambeze.<\/p>\n<p>Pesquisadores da International Rivers, uma organiza\u00e7\u00e3o que investiga o estado dos rios do mundo e como as popula\u00e7\u00f5es locais podem se beneficiar deles, alertam que os projetos de grandes represas poderiam ser in\u00fateis no longo prazo, devido \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o. A organiza\u00e7\u00e3o se inclina por represas menores para a gera\u00e7\u00e3o de energia localizada, mas estas tamb\u00e9m custam dinheiro que o Zimb\u00e1bue n\u00e3o tem.<\/p>\n<p>Em 2014, o Minist\u00e9rio do Clima anunciou que seriam constru\u00eddas mais represas para proteger o Zimb\u00e1bue contra a incerteza clim\u00e1tica, mas recomendou aos consumidores industriais de eletricidade que constru\u00edssem suas pr\u00f3prias usinas geradoras de energia. Na falta desses geradores privados de energia, a represa de Batoka \u00e9 apresentada como a solu\u00e7\u00e3o definitiva para o d\u00e9ficit energ\u00e9tico, apesar das advert\u00eancias de que o projeto poderia apresentar seus pr\u00f3prios problemas, j\u00e1 que n\u00e3o considera a futura realidade relacionada com o clima.<\/p>\n<p>Peter Bosshard, diretor interino da International Rivers, afirma que a bacia do Zambeze tem um dos climas mais vari\u00e1veis do mundo, o que aumentar\u00e1 os riscos hidrol\u00f3gicos da represa. \u201cO Grupo intergovernamental de Especialistas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC) alertou que o Zambeze pode sofrer o pior impacto clim\u00e1tico poss\u00edvel entre as onze principais bacias fluviais da \u00c1frica\u201d, afirmou \u00e0 IPS. \u201cNumerosos estudos calculam que o caudal do rio Zambeze diminuir\u00e1 entre 26% e 40% at\u00e9 2050. Apesar desses graves progn\u00f3sticos, a represa proposta de Batoka n\u00e3o foi avaliada em rela\u00e7\u00e3o aos riscos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Hodson Makurira, hidr\u00f3logo da Universidade de Zimb\u00e1bue, discorda dessa opini\u00e3o. \u201cIsso seria uma simplifica\u00e7\u00e3o excessiva de uma proje\u00e7\u00e3o complicada e altamente incerta de fatos futuros\u201d, enfatizou \u00e0 IPS. \u201cOs mesmos progn\u00f3sticos de mudan\u00e7a clim\u00e1tica preveem aumento dos eventos extremos, secas e inunda\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o voc\u00ea iria querer captar a maior quantidade de \u00e1gua procedente das inunda\u00e7\u00f5es para maior armazenamento. Isso leva a uma amortiza\u00e7\u00e3o contra os per\u00edodos de vaz\u00e3o baixa\u201d, pontuou o especialista.<\/p>\n<p>Segundo Makurira, \u201cningu\u00e9m sabe com exatid\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o dos caudais devido \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, por isso a constru\u00e7\u00e3o de represas ainda pode ter sentido econ\u00f4mico\u201d.<\/p>\n<p>Bosshard afirmou que o estudo de viabilidade do projeto da represa data de 1993, \u201ce as considera\u00e7\u00f5es sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o foram integradas a ele\u201d. E acrescentou que \u201co projeto se baseia nos dados de caudais hist\u00f3ricos, que n\u00e3o refletem realidades futuras. Os investidores, financistas e contribuintes devem estar conscientes de que os estudos desse projeto milion\u00e1rio em d\u00f3lares superestima seriamente sua viabilidade econ\u00f4mica\u201d.<\/p>\n<p>Mas, para o ministro Undenge, que sofre cada vez mais press\u00e3o para resolver a crise energ\u00e9tica do Zimb\u00e1bue, nem o financiamento e nem a mudan\u00e7a clim\u00e1tica deter\u00e3o o ambicioso projeto da represa de Batoka. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Ignatius Banda, da IPS &ndash;&nbsp; Bulawayo, Zimb&aacute;bue, 10\/11\/2015 &ndash; O governo do Zimb&aacute;bue assegura que o projeto da represa hidrel&eacute;trica de Batoka, no rio Zambeze, ir&aacute; gerar 2.400 megawatts (MW) de energia, mas ativistas alertam que o impacto da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica tornaria a obra invi&aacute;vel. 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