{"id":20093,"date":"2015-11-13T12:36:24","date_gmt":"2015-11-13T12:36:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=202806"},"modified":"2015-11-13T12:36:24","modified_gmt":"2015-11-13T12:36:24","slug":"desaceleracao-economica-ameaca-progresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/11\/ultimas-noticias\/desaceleracao-economica-ameaca-progresso\/","title":{"rendered":"Desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica amea\u00e7a progresso"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_202807\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/matoferro1-629x472.jpg\"><img class=\"wp-image-202807\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/matoferro1-629x472.jpg\" alt=\"Apesar do discurso oficial que afirma o contr\u00e1rio, as normas multilaterais est\u00e3o muito longe de apoiar o desenvolvimento sustent\u00e1vel e devem ser modificadas de maneira acordada, recomenda Jomo Kwame Sundaram. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Apesar do discurso oficial que afirma o contr\u00e1rio, as normas multilaterais est\u00e3o muito longe de apoiar o desenvolvimento sustent\u00e1vel e devem ser modificadas de maneira acordada, recomenda Jomo Kwame Sundaram. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Jomo Kwame Sundaram*<\/em><\/p>\n<p>Roma, It\u00e1lia, 13\/11\/2015 \u2013 A desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico a partir de 2008, e especialmente ap\u00f3s a queda dos pre\u00e7os dos produtos b\u00e1sicos, no final de 2014, amea\u00e7a reverter os \u00eaxitos do excepcional quinqu\u00eanio anterior \u00e0 crise financeira mundial, quando o crescimento do Sul em desenvolvimento superou o do Norte Industrializado. Desde 2002, muitos pa\u00edses em desenvolvimento, inclu\u00eddos alguns dos mais pobres, cresceram mais rapidamente depois de um quarto de s\u00e9culo de paralisa\u00e7\u00e3o na \u00c1frica, por exemplo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, essa n\u00e3o foi sua tardia recompensa por apegar-se \u00e0s pol\u00edticas prescritas pelo saber convencional, como afirmam alguns apologistas dos programas de ajuste estrutural nos \u00faltimos 20 anos do s\u00e9culo 20. As principais raz\u00f5es foram o contexto internacional mais favor\u00e1vel, caracterizado pelos pre\u00e7os mais altos das mat\u00e9rias-primas, as baixas taxas de juros e os renovados fundos de ajuda, junto com o crescimento acelerado de China e \u00cdndia.<\/p>\n<p>As tend\u00eancias recentes devem ser vistas dentro de um contexto hist\u00f3rico mais extenso, para que se possa extrair as li\u00e7\u00f5es adequadas. O crescimento econ\u00f4mico nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990 foi, em geral, mais lento do que nas duas d\u00e9cadas anteriores. Apesar do espetacular crescimento de v\u00e1rios pa\u00edses em desenvolvimento, a \u00c1frica subsaariana perdeu devido \u00e0 sua paralisa\u00e7\u00e3o durante mais de 20 anos desde o final dos anos 1970, e a Am\u00e9rica Latina perdeu a d\u00e9cada de 1980, pelo menos.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas estatais nesse \u00faltimo per\u00edodo \u2013 aparentemente para se ajustarem \u00e0s \u201cexpectativas do mercado\u201d \u2013 com frequ\u00eancia reduziram o gasto p\u00fablico, principalmente na \u00e1rea social. Como a desigualdade em n\u00edvel nacional cresceu na maioria dos pa\u00edses nos anos 1980, as desigualdades internacionais entre os Estados continuaram aumentando.<\/p>\n<p>O bem-estar econ\u00f4mico no Sul em desenvolvimento foi constrangido ainda mais pela press\u00e3o demogr\u00e1fica, inclu\u00edda a r\u00e1pida urbaniza\u00e7\u00e3o. A industrializa\u00e7\u00e3o incipiente em muitos pa\u00edses foi abortada pelos ajustes estruturais e pela liberaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. A prematura liberaliza\u00e7\u00e3o comercial exacerbou a desindustrializa\u00e7\u00e3o, o desemprego e o d\u00e9ficit fiscal, sem gerar fontes alternativas de crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses de baixa renda, bem como os Estados falidos, se caracterizam geralmente por uma reduzida industrializa\u00e7\u00e3o que, por sua vez, retarda a transforma\u00e7\u00e3o estrutural e o desenvolvimento sustent\u00e1vel mais inclusivo. As consequ\u00eancias adversas que as pol\u00edticas e os programas impostos aos pa\u00edses do Sul provocam no desenvolvimento, independente das circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas e do contexto econ\u00f4mico, s\u00e3o bem conhecidas.<\/p>\n<p>Existe um mundo de diferen\u00e7a entre a liberaliza\u00e7\u00e3o comedida a partir de uma posi\u00e7\u00e3o de poderio econ\u00f4mico, como ocorreu na \u00c1sia oriental de recente industrializa\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1980, e sua ado\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, para atender a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio ou as obriga\u00e7\u00f5es do empr\u00e9stimo. Apesar do discurso oficial que afirma o contr\u00e1rio, as normas multilaterais est\u00e3o bem longe de apoiar o desenvolvimento sustent\u00e1vel e devem ser modificadas de maneira acordada.<\/p>\n<p>Desde finais do s\u00e9culo 19, os termos de interc\u00e2mbio adversos (que favorecem as ind\u00fastrias em detrimento das mat\u00e9rias-primas, os produtos das zonas temperadas frente aos produtos agr\u00edcolas tropicais, e os artigos industriais do Norte \u00e0 frente dos do Sul) implicam que muitos pa\u00edses em desenvolvimento produzem e exportam mais, mas ganham relativamente menos.<\/p>\n<p>Supunha-se que a liberaliza\u00e7\u00e3o financeira internacional deveria atrair os capitais privados para preencher os vazios de financiamento. Mas deu lugar a transfer\u00eancias de capital dos \u201cpobres em capital\u201d para os \u201cricos em capital\u201d, maior volatilidade financeira e a desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico. A experi\u00eancia tamb\u00e9m demonstrou que as \u201cterapias de choque\u201d, que frequentemente se correspondem com as grandes crises do sistema financeiro, em geral, causaram mais dano do que benef\u00edcio.<\/p>\n<p>Por sua maior vulnerabilidade \u00e0s vicissitudes externas, os pa\u00edses em desenvolvimento devem ter maior espa\u00e7o fiscal para garantir sua capacidade contrac\u00edclica, bem como um gasto p\u00fablico sustentado para os investimentos necess\u00e1rios em infraestrutura f\u00edsica e social e em recursos humanos. O fortalecimento da base impositiva, a obten\u00e7\u00e3o de mais fontes confi\u00e1veis de finan\u00e7as internacionais e a canaliza\u00e7\u00e3o da ajuda por meio dos or\u00e7amentos nacionais podem ser fundamentais.<\/p>\n<p>Em lugar da atual obsess\u00e3o pela elimina\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit fiscal, \u00e9 necess\u00e1ria uma estrat\u00e9gia de estabiliza\u00e7\u00e3o macroecon\u00f4mica mais equilibrada e adequada para reduzir ao m\u00ednimo as idas e vindas desestabilizadoras da atividade econ\u00f4mica e dos saldos externos, j\u00e1 que se fomenta um c\u00edrculo vicioso de maior estabilidade macroecon\u00f4mica, investimento, crescimento e gera\u00e7\u00e3o de emprego.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses em desenvolvimento precisam fortalecer suas capacidades e aptid\u00f5es e garantir suficiente \u201cespa\u00e7o pol\u00edtico\u201d para realizar reformas adequadas que favore\u00e7am o desenvolvimento sustent\u00e1vel. Com frequ\u00eancia afirma-se que o desenvolvimento s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ado mediante a redu\u00e7\u00e3o do Estado. Por\u00e9m, em grande parte do Sul em desenvolvimento, isso levou a democracias antiliberais que n\u00e3o permitem as op\u00e7\u00f5es, e \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, privada de seus direitos. Por\u00e9m, os governos com responsabilidade democr\u00e1tica devem consultar a sociedade para promover os investimentos destinados \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o estrutural e \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de emprego.<\/p>\n<p>A economia mundial corre o risco de continuar sua espiral descendente para a paralisa\u00e7\u00e3o prolongada. Os mecanismos de vigil\u00e2ncia melhorados do Fundo Monet\u00e1rio Internacional n\u00e3o geraram melhor coordena\u00e7\u00e3o macroecon\u00f4mica internacional, como se apregoava. Por outro lado, o caminho para o desenvolvimento sustent\u00e1vel continua obstaculizado pelas limita\u00e7\u00f5es autoimpostas das pol\u00edticas deflacion\u00e1rias e pela negativa em proporcionar a ajuda necess\u00e1ria ou cooperar para aumentar os impostos para todos. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Jomo Kwame Sundaram <\/strong>\u00e9 coordenador de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Jomo Kwame Sundaram* Roma, It&aacute;lia, 13\/11\/2015 &ndash; A desacelera&ccedil;&atilde;o do crescimento econ&ocirc;mico a partir de 2008, e especialmente ap&oacute;s a queda dos pre&ccedil;os dos produtos b&aacute;sicos, no final de 2014, amea&ccedil;a reverter os &ecirc;xitos do excepcional quinqu&ecirc;nio anterior &agrave; crise financeira mundial, quando o crescimento do Sul em desenvolvimento superou o do Norte Industrializado. 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