{"id":20113,"date":"2015-11-18T12:04:40","date_gmt":"2015-11-18T12:04:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=203018"},"modified":"2015-11-18T12:04:40","modified_gmt":"2015-11-18T12:04:40","slug":"africa-nao-pode-esquecer-o-gas-metano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/11\/ultimas-noticias\/africa-nao-pode-esquecer-o-gas-metano\/","title":{"rendered":"\u00c1frica n\u00e3o pode esquecer o g\u00e1s metano"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_203019\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/metano.jpg\"><img class=\"wp-image-203019\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/metano.jpg\" alt=\"O gado bovino concentra o maior volume de emiss\u00f5es de metano das atividades pecu\u00e1rias. Foto: Miriam Gathigah\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O gado bovino concentra o maior volume de emiss\u00f5es de metano das atividades pecu\u00e1rias. Foto: Miriam Gathigah\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Miriam Gathigah, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Nova D\u00e9lhi, \u00cdndia, 18\/11\/2015 \u2013 Os crescentes chamados para que a \u00c1frica reduza suas emiss\u00f5es de g\u00e1s metano, produto da atividade pecu\u00e1ria, continuam gerando controv\u00e9rsias. Especialistas as consideram um fator do aumento das temperaturas, mas os setores envolvidos exigem maiores provas a respeito. In\u00fameros cientistas recordam que se trata de um g\u00e1s contaminante esquecido e de curto prazo, com significativo potencial para acelerar o aquecimento global que o continente n\u00e3o pode mais ignorar.<\/p>\n<p>Entretanto, os cr\u00edticos dessa posi\u00e7\u00e3o afirmam que, diante da falta de um ac\u00famulo de provas cient\u00edficas que apoiem a premissa de que as emiss\u00f5es de metano procedentes do gado africano constituem uma grande contribui\u00e7\u00e3o para a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, o continente deve ignorar os chamados para reduzir o volume desse g\u00e1s que lan\u00e7a na atmosfera.<\/p>\n<p>Por outro lado, especialistas como Asaah Ndambi consideram que, embora a \u00c1frica concentre apenas 3% das emiss\u00f5es globais de gases-estufa, \u201ctemos o maior potencial para reduzir os gases contaminantes por unidade de produto pecu\u00e1rio\u201d, afirmou. Estat\u00edsticas da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) mostram que as emiss\u00f5es de metano do gado representam 14,5% dos gases liberados na atmosfera em escala global.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos fugir do fato de que as emiss\u00f5es de metano por unidade de produ\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses em desenvolvimento, particularmente na \u00c1frica e \u00c1sia, s\u00e3o significativamente altas em compara\u00e7\u00e3o com os mesmos animais nos pa\u00edses industrializados\u201d, afirmou Ndambi, do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Pecu\u00e1ria (ILRI), com sede em Nair\u00f3bi, no Qu\u00eania. Isso ocorre \u201cdevido \u00e0 sua baixa produtividade nesses continentes\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201cSe forem ignoradas, as emiss\u00f5es de metano representar\u00e3o um grande desafio no futuro\u201d, apontou Ndambi, que participou de um f\u00f3rum anual sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica para jornalistas do Sul global, organizado pelo Centro para a Ci\u00eancia e o Ambiente, nos dias 5 e 6 deste m\u00eas, em Nova D\u00e9lhi.<\/p>\n<p>Segundo a FAO, a pecu\u00e1ria contribui tanto de forma direta como indireta para a mudan\u00e7a clim\u00e1tica por meio das emiss\u00f5es de gases-estufa como o di\u00f3xido de carbono (CO2), metano e \u00f3xido nitroso. Ndambi disse que as emiss\u00f5es de g\u00e1s metano procedentes do gado representam cerca de 80% do g\u00e1s liberado pela agricultura e 35% de todas as emiss\u00f5es produzidas pela atividade humana. As emiss\u00f5es de metano costumam ser o resultado do processo digestivo natural dos animais e do manuseio do excremento na atividade pecu\u00e1ria, detalhou.<\/p>\n<p>O professor de climatologia Emmanuel Oladipo, da Rede de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, em Lagos, na Nig\u00e9ria, disse \u00e0 IPS que \u201cs\u00e3o necess\u00e1rias mais pesquisas sobre as emiss\u00f5es de metano pelo gado, mas n\u00e3o podemos ignorar o que indicam os estudos preliminares, o metano \u00e9 um g\u00e1s potente\u201d.<\/p>\n<p>Dados como os inclu\u00eddos no quinto informe de avalia\u00e7\u00e3o do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC), divulgado em 2014, mostram que as temperaturas no continente africano, em particular nas regi\u00f5es mais \u00e1ridas, onde a maioria da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 pastoril, aumentar\u00e3o mais rapidamente do que em outras \u00e1reas.<\/p>\n<p>Na medida em que as pastagens \u00e1ridas e semi\u00e1ridas registrarem dias mais quentes, com frequentes ondas de calor, como indica o informe do IPCC, os especialistas dizem que, com as interven\u00e7\u00f5es corretas, h\u00e1 uma oportunidade de que a gera\u00e7\u00e3o atual experimente a elimina\u00e7\u00e3o gradual do metano como potente g\u00e1s-estufa.<\/p>\n<p>Segundo o IPCC, entre 65% e 80% do CO2, o g\u00e1s-estufa produto da atividade humana que \u00e9 o mais liberado na atmosfera, se dissolvem no oceano em um per\u00edodo entre 20 e 200 anos. O \u00f3xido nitroso \u00e9 outro g\u00e1s-estufa eliminado na atmosfera em um processo que pode durar cerca de 114 anos.<\/p>\n<p>J\u00e1 o metano \u00e9 considerado um g\u00e1s contaminante de curta dura\u00e7\u00e3o, porque demora de 12 a 14 anos para desaparecer totalmente da atmosfera, mas tem uma capacidade muito mais forte de prender o calor. Na medida em que as temperaturas aumentam, a cont\u00ednua eleva\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es desse g\u00e1s vai superar as de CO2, segundo os especialistas.<\/p>\n<p>Para eliminar a contribui\u00e7\u00e3o da atividade pecu\u00e1ria \u00e0s emiss\u00f5es de gases-estufa, os especialistas no f\u00f3rum de meios de comunica\u00e7\u00e3o sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica de Nova D\u00e9lhi concordaram que deve haver dupla estrat\u00e9gia. \u201cDevemos dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de metano pela pecu\u00e1ria, e \u00e0s estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Ndambi. A \u00c1frica deve apostar em menos animais, por\u00e9m mais produtivos, um chamado ao qual j\u00e1 demonstram resist\u00eancia as comunidades pastoris, e outras que t\u00eam animais dom\u00e9sticos para fins religiosos, acrescentou.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o pode se complicar, porque alguns especialistas, como a nutricionista Sarah Akinyi, residente em Nair\u00f3bi, afirmam que o consumo de prote\u00ednas animais entre as popula\u00e7\u00f5es mais pobres dos pa\u00edses em desenvolvimento \u00e9 muito baixo. \u201cIncentivamos maior produ\u00e7\u00e3o e consumo\u201d, afirmou. Com o crescimento exponencial da popula\u00e7\u00e3o nas na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, \u201cnaturalmente haver\u00e1 maior consumo e produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna animal\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Se observarmos o total de emiss\u00f5es procedentes da atividade pecu\u00e1ria (m\u00e9dia de emiss\u00f5es por animal multiplicado pelo n\u00famero de cabe\u00e7as de um pa\u00eds), o gado bovino responde pela maior propor\u00e7\u00e3o de g\u00e1s liberado, seguido do leiteiro, dos porcos, dos b\u00fafalos e dos frangos, segundo o IIRI. \u201cIsso quer dizer que as emiss\u00f5es por cabe\u00e7a podem ser altas porque temos mais gado bovino no mundo ou porque as emiss\u00f5es pelo gado s\u00e3o elevadas\u201d, avaliou Ndambi.<\/p>\n<p>Ovelhas e cabras s\u00e3o respons\u00e1veis por um elevado volume de emiss\u00f5es por quilo de carne, mas seu n\u00famero \u00e9 menor e liberam na atmosfera menos g\u00e1s do que o gado bovino. \u201cPrecisamos explorar estrat\u00e9gias de alimenta\u00e7\u00e3o apropriadas, que aumentem a produtividade e tamb\u00e9m reduzam as emiss\u00f5es de metano da fermenta\u00e7\u00e3o ent\u00e9rica. As estrat\u00e9gias, portanto, incluir\u00e3o alimentar o gado com forragens melhoradas com complementos alimentares\u201d, disse Ndambi.<\/p>\n<p>\u201cEmbora as emiss\u00f5es por habitante sejam baixas (a divis\u00e3o das emiss\u00f5es anuais de um pa\u00eds entre sua popula\u00e7\u00e3o), quando comparadas por unidade de produ\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, pelo litro de leite ou o quilo de carne, s\u00e3o elevadas\u201d, explicou Oladipo.<\/p>\n<p>Segundo o ILRI, outras estrat\u00e9gias incluir\u00e3o a explora\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios aditivos alimentares, como extratos de plantas, e a melhoria da efici\u00eancia da convers\u00e3o do alimento. Ndambi explicou que a quantidade de alimento consumido por unidade de produ\u00e7\u00e3o ajuda a reduzir o volume de metano, pois se demonstrou que animais mais eficientes produzem menos metano. Possivelmente, isso se consiga oferecendo uma dieta mais f\u00e1cil de digerir.<\/p>\n<p>A FAO tamb\u00e9m incentiva a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre as estrat\u00e9gias e as tecnologias apropriadas para reduzir as emiss\u00f5es de metano da pecu\u00e1ria e para mitigar os efeitos do aquecimento global. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Miriam Gathigah, da IPS &ndash;&nbsp; Nova D&eacute;lhi, &Iacute;ndia, 18\/11\/2015 &ndash; Os crescentes chamados para que a &Aacute;frica reduza suas emiss&otilde;es de g&aacute;s metano, produto da atividade pecu&aacute;ria, continuam gerando controv&eacute;rsias. Especialistas as consideram um fator do aumento das temperaturas, mas os setores envolvidos exigem maiores provas a respeito. 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