{"id":20117,"date":"2015-11-19T12:54:46","date_gmt":"2015-11-19T12:54:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=203080"},"modified":"2015-11-19T12:54:46","modified_gmt":"2015-11-19T12:54:46","slug":"a-vez-da-agricultura-inteligente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/11\/ultimas-noticias\/a-vez-da-agricultura-inteligente\/","title":{"rendered":"A vez da agricultura inteligente"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_203081\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/agricultura.jpg\"><img class=\"wp-image-203081\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/agricultura.jpg\" alt=\"A agricultura climaticamente inteligente \u00e9 popular entre muitos zimbabuenses que tiveram que enfrentar a escassez de alimentos. Isso fez com que muitas \u00e1reas, como o distrito de Mwenezi, na prov\u00edncia de Masvingo, que costumavam ser secas e inaptas para a agricultura, se tornaram, pouco a pouco, produtivas. Foto: Jeffrey Moyo\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A agricultura climaticamente inteligente \u00e9 popular entre muitos zimbabuenses que tiveram que enfrentar a escassez de alimentos. Isso fez com que muitas \u00e1reas, como o distrito de Mwenezi, na prov\u00edncia de Masvingo, que costumavam ser secas e inaptas para a agricultura, se tornaram, pouco a pouco, produtivas. Foto: Jeffrey Moyo\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Jeffrey Moyo, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Harare, Zimb\u00e1bue, 19\/11\/2015 \u2013 A seca, que causa estragos em vastas \u00e1reas do Zimb\u00e1bue, empurra muitas pessoas para a agricultura climaticamente inteligente, para que possam enfrentar a escassez de alimentos. A agricultura inteligente \u00e9 uma pr\u00e1tica que reduz a exposi\u00e7\u00e3o, a sensibilidade e a vulnerabilidade dos cultivos diante da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e da variabilidade clim\u00e1tica, sendo um resultado de tecnologias que aumentam de forma sustent\u00e1vel a produtividade e ajudam os agricultores a se adaptarem \u00e0s consequ\u00eancias do aquecimento do planeta.<\/p>\n<p>Segundo a organiza\u00e7\u00e3o Environment Africa, essa forma de cultivo ajuda os agricultores do Zimb\u00e1bue que est\u00e3o em problemas. \u201cA agricultura climaticamente inteligente ajuda a reduzir as emiss\u00f5es de gases-estufa e permite que os produtores possam enfrentar as varia\u00e7\u00f5es do clima e os eventos extremos, o que melhora a produtividade e a renda, e constr\u00f3i a resili\u00eancia de agricultores com poucos recursos\u201d, explicou \u00e0 IPS o diretor da entidade, Barnabas Mawire.<\/p>\n<p>Muitos agricultores, como Livias Gawure, no distrito de Mwenezi, na prov\u00edncia de Masvingo, s\u00e3o uma prova viva dos benef\u00edcios da agricultura inteligente. \u201cA seca \u00e9 um problema do passado para mim, depois que coloquei em pr\u00e1tica cada aspecto da agricultura climaticamente inteligente para estar acima da mudan\u00e7a clim\u00e1tica aqui nas baixas <em>veld<\/em> (pradarias sul-africanas), onde costum\u00e1vamos ter uma magra produ\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou \u00e0 IPS. \u201cMe converti em um orgulhoso produtor de milho e sorgo, entre outros pequenos gr\u00e3os, que me d\u00e3o lucro todos os anos, apesar de a regi\u00e3o sofrer uma seca\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), mais de 70% dos 14 milh\u00f5es de habitantes do Zimb\u00e1bue dependem principalmente da agricultura, mas costumam ter baixa produtividade em raz\u00e3o do impacto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. \u201cOs zimbabuenses costumam praticar a agricultura climaticamente inteligente, de uma ou de outra forma, de maneira mais ou menos consciente\u201d, contou Gawure.<\/p>\n<p>\u00c9 uma atividade que se incentiva nesse pa\u00eds, dando destaque \u00e0 agricultura de conserva\u00e7\u00e3o. Outra pr\u00e1tica que j\u00e1 foi incorporada pelos zimbabuenses \u00e9 a diversifica\u00e7\u00e3o entre diferentes cultivos tolerantes \u00e0 seca, como os pequenos gr\u00e3os e as variedades com menor tempo de matura\u00e7\u00e3o, explicou \u00e0 IPS David Phiri, subcoordenador regional da FAO para a \u00c1frica austral.<\/p>\n<p>Alguns agricultores como Gawure, em uma regi\u00e3o agroecol\u00f3gica marginal, optaram por reduzir seus cultivos e se concentrar mais na atividade pecu\u00e1ria. Esses produtores n\u00e3o s\u00f3 diversificaram sua atividade, se voltando \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de animais, como escolheram animais resistentes \u00e0 falta de \u00e1gua, com cabras e aves aut\u00f3ctones.<\/p>\n<p>Nesse pa\u00eds h\u00e1 cerca de dois milh\u00f5es de pessoas que passam fome, segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA). Na medida em que aumenta o d\u00e9ficit de alimentos, a agricultura climaticamente inteligente se converteu em uma boa alternativa para muitos zimbabuenses sem situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cTenho que agradecer \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es cuja experi\u00eancia em mudan\u00e7a clim\u00e1tica nos ajudaram a combater o fen\u00f4meno, e agora, gra\u00e7as \u00e0 agricultura climaticamente inteligente, estamos melhor preparados para situa\u00e7\u00f5es de seca\u201d, testemunhou \u00e0 IPS Tambudzai Musina, vi\u00fava que mora no distrito de Mwenezi. Ela acrescentou que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica obrigou muitos ind\u00edgenas como ela a adotarem essa pr\u00e1tica. \u201cPara superar a incessante falta de alimentos, dissemos sim \u00e0 agricultura climaticamente inteligente e de forma gradual vencemos a fome\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Decididos a se livrar da fome, muitos zimbabuenses como Musina e Gawure tamb\u00e9m se voltaram aos poucos \u00e0 coleta de \u00e1gua, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de aterros, e ao uso de t\u00e9cnicas como cobrir o terreno com os restos da colheita, al\u00e9m de cultivar variedades tolerantes \u00e0 seca, outra forma de agricultura inteligente, que melhora sua capacidade de enfrentar eventos clim\u00e1ticos extremos.<\/p>\n<p>\u201cAs tecnologias climaticamente inteligentes praticadas no Zimb\u00e1bue n\u00e3o s\u00e3o totalmente novas para os agricultores, mas agora t\u00eam mais sentido do que nunca diante da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e, por isso, se voltaram \u00e0 agricultura inteligente\u201d, afirmou Phiri. Essa ag\u00eancia da ONU implantou um projeto de tr\u00eas anos, com fundos da Uni\u00e3o Europeia, em alguns distritos escolhidos nas oito prov\u00edncias rurais do Zimb\u00e1bue. A iniciativa, que durou de 2010 a 2013, ampliou a agricultura de conserva\u00e7\u00e3o entre os pequenos cultivadores.<\/p>\n<p>Segundo Phiri, \u201cos produtores que adotaram pr\u00e1ticas agr\u00edcolas de conserva\u00e7\u00e3o conseguiram, por exemplo, obter colheitas decentes, em compara\u00e7\u00e3o com os que n\u00e3o as adotaram. O mesmo ocorre para os que se voltaram a cultivos e variedades tolerantes \u00e0 seca. Quanto \u00e0 seguran\u00e7a alimentar dom\u00e9stica, as fam\u00edlias que usam tecnologias climaticamente inteligentes conseguiram garantir sua alimenta\u00e7\u00e3o, ressaltou. \u201cOs zimbabuenses compreendem que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 real e que suas pr\u00e1ticas precisam mudar, com ado\u00e7\u00e3o de tecnologias de cultivo de conserva\u00e7\u00e3o, para garantir a seguran\u00e7a alimentar para a fam\u00edlia\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mawire pontuou \u00e0 IPS que \u201ca maioria dos agricultores pobres que responderam ao chamado mudaram completamente suas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas e parecem adaptar-se aos impactos adversos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d. Muitos produtores como Gawure avan\u00e7aram mais um passo na pr\u00e1tica da agricultura climaticamente inteligente. \u201cConstru\u00ed reservat\u00f3rios de \u00e1gua para capturar \u00e1gua da chuva, e, como muitos agricultores locais, agora posso cultivar gra\u00e7as a pequenos sistemas de irriga\u00e7\u00e3o at\u00e9 tr\u00eas meses depois que deixou de chover\u201d, contou.<\/p>\n<p>Outra pr\u00e1tica climaticamente inteligente que o Zimb\u00e1bue emprega \u00e9 o agroflorestamento, que integra v\u00e1rias atividades agropecu\u00e1rias e implica, por exemplo, a planta\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores junto com cultivos tolerantes \u00e0 seca, como milho ou sorgo, para estabilizar e enriquecer o solo. As coisas tamb\u00e9m melhoram no n\u00edvel dom\u00e9stico. \u201cExiste maior seguran\u00e7a alimentar, a capacidade de produtividade da terra se mant\u00e9m e h\u00e1 uma boa recupera\u00e7\u00e3o de terrenos degradados\u201d, destacou Mawire. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Jeffrey Moyo, da IPS &ndash;&nbsp; Harare, Zimb&aacute;bue, 19\/11\/2015 &ndash; A seca, que causa estragos em vastas &aacute;reas do Zimb&aacute;bue, empurra muitas pessoas para a agricultura climaticamente inteligente, para que possam enfrentar a escassez de alimentos. 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