{"id":20121,"date":"2015-11-19T12:28:15","date_gmt":"2015-11-19T12:28:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=203066"},"modified":"2015-11-19T12:28:15","modified_gmt":"2015-11-19T12:28:15","slug":"contexto-e-consequencias-dos-ataques-a-paris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/11\/ultimas-noticias\/contexto-e-consequencias-dos-ataques-a-paris\/","title":{"rendered":"Contexto e consequ\u00eancias dos ataques a Paris"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_203067\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Paristorre-Eiffel-_16112015_0001.jpg\"><img class=\"wp-image-203067\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Paristorre-Eiffel-_16112015_0001.jpg\" alt=\"Torre Eiffel \u00e9 iluminada com cores da bandeira francesa. Foto: Sophie Robichon\/ Mairie de Paris\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Torre Eiffel \u00e9 iluminada com cores da bandeira francesa. Foto: Sophie Robichon\/ Mairie de Paris<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Joaqu\u00edn Roy*<\/em><\/p>\n<p>Miami, Estados Unidos, novembro\/2015 \u2013 V\u00e1rias perguntas surgem como mais urgentes diante da trag\u00e9dia de Paris. Algumas j\u00e1 foram respondidas e outras ficar\u00e3o para a especula\u00e7\u00e3o: \u201cquem cometeu? por qu\u00ea? para qu\u00ea? como foi poss\u00edvel o m\u00faltiplo crime? quais ser\u00e3o as consequ\u00eancias? como \u00e9 poss\u00edvel evitar repeti\u00e7\u00f5es? serve para alguma coisa a experi\u00eancia de outros pa\u00edses que antes foram v\u00edtimas, como Gr\u00e3-Bretanha e Espanha? como a sociedade francesa e a europeia podem se proteger? qual pode ser a rea\u00e7\u00e3o da ordem pol\u00edtica francesa e europeia? como podem colaborar outras pot\u00eancias, como os Estados Unidos? se isso \u00e9 uma guerra, a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan) deve intervir? qual pode ou deve ser a atua\u00e7\u00e3o de atores at\u00e9 agora mudos, distantes ou c\u00famplices diante de incidentes anteriores?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, os sinais iniciais j\u00e1 demonstravam que os ataques terroristas t\u00eam a marca dos setores radicais de origem isl\u00e2mica. Suas motiva\u00e7\u00f5es v\u00e3o al\u00e9m do puro assassinato: as a\u00e7\u00f5es, como toda estrat\u00e9gia terrorista, t\u00eam como finalidade de m\u00e9dio prazo implantar o p\u00e2nico, obrigando as for\u00e7as de seguran\u00e7a a oscilarem desde a prud\u00eancia at\u00e9 a hiper-rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E mais al\u00e9m, a ideologia diab\u00f3lica, que em numerosos casos se refugia na autoimola\u00e7\u00e3o, tem por objetivo \u00faltimo incitar os governos democr\u00e1ticos a agirem al\u00e9m dos limites de suas pr\u00f3prias leis.<\/p>\n<p>Ou seja, o roteiro inclui a reconvers\u00e3o da democracia em autoritarismo e agente da repress\u00e3o. Diante da incerteza e da seguran\u00e7a, lamentavelmente, os cidad\u00e3os de uma democracia podem reclamar a prote\u00e7\u00e3o indiscriminada, tanto na Europa como em outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, o mais preocupante \u00e9 que podem se tornar in\u00fateis as defesas de um Estado como o franc\u00eas, com o fechamento de suas fronteiras al\u00e9m da limita\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o de Schengen.<\/p>\n<p>Os agentes do terrorismo podem ter chegado de diferentes proced\u00eancias, n\u00e3o somente do exterior, mas tristemente estavam plenamente instalados na pr\u00f3pria sociedade francesa. Esse detalhe explica a relativa facilidade com que os que cometeram os atentados cumpriram seus planos.<\/p>\n<p>N\u00e3o tiveram necessidade de tra\u00e7ar planos ou se basear em dados de GPS para aplic\u00e1-los a uma opera\u00e7\u00e3o a partir do exterior. Simplesmente podem ter ensaiado no terreno o que foi uma rotina em seus passeios, como ir a um est\u00e1dio, a uma discoteca ou passear por um bulevar conhecido.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o primeiro-ministro brit\u00e2nico, David Cameron, acredita mesmo que a Gr\u00e3-Bretanha estar\u00e1 mais segura fora da Uni\u00e3o Europeia, com as fronteiras seladas e exigindo passaportes para viajar pelo Eurot\u00fanel? A Espanha esteve mais segura depois de superar o trauma de Atocha, uma vez que o governo de Jos\u00e9 Mar\u00eda Aznar deixou de insistir na mentira de que os atentados foram obra da ETA?<\/p>\n<p>Diante dessa estrat\u00e9gia, pouco pode fazer a sociedade francesa, ou a europeia em geral. Mas, pelo menos, agora \u00e9 que deve se comprovar a grandeza de uma democracia que custou muitos esfor\u00e7os para se firmar, tanto em cada um dos pa\u00edses como no conjunto da Uni\u00e3o Europeia (UE).<\/p>\n<p>Deve-se enfrentar os cantos de sereias infernais que pretendem impor uma rea\u00e7\u00e3o racista. H\u00e1 grupos e partidos na Fran\u00e7a e em outros pa\u00edses europeus que est\u00e3o esperando uma oportunidade de ouro para ocupar o lugar protagonista, que em circunst\u00e2ncias normais n\u00e3o lhes pertence. Marine Le Pen n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o, tristemente.<\/p>\n<p>Nesse contexto, os pa\u00edses vizinhos do cen\u00e1rio europeu (como Espanha, It\u00e1lia, Alemanha e tamb\u00e9m Gr\u00e3-Bretanha) devem estar convencidos de que, com ou sem Schengen, o terrorismo, como os furac\u00f5es e a contamina\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, n\u00e3o se det\u00e9m com meras medidas policiais.<\/p>\n<p>Agora, mais do que nunca, em Madri, Berlim e Londres deve-se dizer em voz alta que somos parisienses, como em seu momento o jornal franc\u00eas <em>Le Monde<\/em>: \u201cSomos todos americanos\u201d.<\/p>\n<p>Finalmente, \u00e9 preciso explicitar de forma clara e pertinente um c\u00f3digo preciso de conduta. Estar\u00e1 dirigido \u00e0s pot\u00eancias e aos oportunistas que permanecem silenciosos, cobertos por suas monarquias corruptas medievais, suas variantes de totalitarismo de velha \u00edndole, ou exercendo vergonhosa oposi\u00e7\u00e3o ao \u201cimperialismo\u201d ocidental. Na verdade, ser\u00e1 preciso espetar-lhes: est\u00e3o com a civiliza\u00e7\u00e3o ou com a barb\u00e1rie?<\/p>\n<p>E, se for o caso, para que alguns reticentes atinjam a raz\u00e3o, deve-se enviar dois ou tr\u00eas porta-avi\u00f5es Charles De Gaulle (poss\u00edvel causa dos atentados, por ter se deixado ver perto das praias da S\u00edria). Como se deve encarar o grave problema da subsist\u00eancia de regimes falidos, pseudo-Estados que n\u00e3o servem para nada mais do que a repress\u00e3o interna?<\/p>\n<p>E se, j\u00e1 h\u00e1 anos-luz da interven\u00e7\u00e3o norte-americana na Primeira Guerra Mundial, origem do Dia dos Veteranos (Armist\u00edcio), comemorado no dia anterior ao dos atentados (outra desculpa dos terroristas), o presidente Barack Obama tiver que se desdizer em sua promessa de n\u00e3o implicar \u201cbotas no terreno\u201d, pode n\u00e3o ter outra sa\u00edda. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Joaqu\u00edn Roy<\/strong> \u00e9 catedr\u00e1tico Jean Monnet e diretor do Centro da Uni\u00e3o Europeia da Universidade de Miami. jroy@Miami.edu\u00a0 <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Joaqu&iacute;n Roy* Miami, Estados Unidos, novembro\/2015 &ndash; V&aacute;rias perguntas surgem como mais urgentes diante da trag&eacute;dia de Paris. 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