{"id":20127,"date":"2015-11-23T12:19:23","date_gmt":"2015-11-23T12:19:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=203125"},"modified":"2015-11-23T12:19:23","modified_gmt":"2015-11-23T12:19:23","slug":"ambiente-vitima-da-guerra-na-siria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/11\/ultimas-noticias\/ambiente-vitima-da-guerra-na-siria\/","title":{"rendered":"Ambiente, v\u00edtima da guerra na S\u00edria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_203126\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Siria.jpg\"><img class=\"wp-image-203126\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Siria.jpg\" alt=\"Residente da cidade s\u00edria de Aleppo em meio a um pr\u00e9dio bombardeado pelas for\u00e7as do presidente Bashar al Assad. Foto: Zak Brophy\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Residente da cidade s\u00edria de Aleppo em meio a um pr\u00e9dio bombardeado pelas for\u00e7as do presidente Bashar al Assad. Foto: Zak Brophy\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Tharanga Yakupitiyage, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 23\/11\/2015 \u2013 A guerra civil na S\u00edria, caminhando para seu quinto ano, \u00e9 um fator fundamental na atual crise de refugiados, a maior desde a Segunda Guerra Mundial. Mas o conflito armado fez outra v\u00edtima, o ambiente. Um informe da organiza\u00e7\u00e3o independente holandesa Pax analisou as consequ\u00eancias da guerra civil s\u00edria, que come\u00e7ou em mar\u00e7o de 2011, no curto e m\u00e9dio prazos, para o ambiente e a sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u201cOs incidentes de contamina\u00e7\u00e3o em conflitos anteriores, o padr\u00e3o dos combates e a inseguran\u00e7a na S\u00edria indicam que as amea\u00e7as ambientais podem ser generalizadas\u201d, afirmou o autor do informe, Wim Zwijnenburg. Com a informa\u00e7\u00e3o fornecida por imagens obtidas via sat\u00e9lite, redes sociais e informes da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a Pax identificou a grande destrui\u00e7\u00e3o ambiental provocada em \u00e1reas densamente povoadas, f\u00e1bricas e outras obras de infraestrutura essenciais, com o consequente risco para a sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Por exemplo, em dezembro de 2014 foi constatado que 1,3 milh\u00e3o de casas, ou um ter\u00e7o de todas as moradias do pa\u00eds, estavam destru\u00eddas. Os danos deslocaram milh\u00f5es de civis e os escombros liberaram subst\u00e2ncias nocivas, como metais, bifenilpoliclorados (mais conhecidos como PCB) e amianto.<\/p>\n<p>Essas toxinas, que tamb\u00e9m s\u00e3o liberadas pelo uso das armas, podem deteriorar a sa\u00fade p\u00fablica, advertiu Zwijnenburg \u00e0 IPS, lembrando as consequ\u00eancias sanit\u00e1rias da exposi\u00e7\u00e3o aos escombros das torres g\u00eameas do World Trade Center, em Nova York, ap\u00f3s os atentados de setembro de 2001. Segundo os Centros para Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Enfermidades dos Estados Unidos, mais de 1.100 pessoas, que trabalhavam ou viviam perto das torres g\u00eameas durante o incidente, foram diagnosticadas com c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>O informe da Pax, intitulado <em>Em Meio aos Escombros<\/em>, destaca tamb\u00e9m os danos \u00e0 infraestrutura, como as refinarias de petr\u00f3leo e as f\u00e1bricas, que geram polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e contaminam a terra e a \u00e1gua, produzindo mais consequ\u00eancias negativas para a sa\u00fade no longo prazo. At\u00e9 setembro deste ano, os bombardeios a\u00e9reos da coaliz\u00e3o liderada pelos Estados Unidos haviam danificado 196 instala\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas na S\u00edria.<\/p>\n<p>Os combates provocaram o colapso absoluto dos servi\u00e7os de gest\u00e3o de res\u00edduos, acrescentou a organiza\u00e7\u00e3o. O ac\u00famulo de lixo pode provocar grave contamina\u00e7\u00e3o do ar, do solo e da \u00e1gua, al\u00e9m de enfermidades respirat\u00f3rias e c\u00e2ncer. Esses n\u00e3o s\u00e3o problemas apenas para os civis que ainda vivem na S\u00edria, mas tamb\u00e9m para aqueles que fugiram do pa\u00eds e desejam regressar.<\/p>\n<p>Entretanto, o impacto de longo prazo que as atividades militares t\u00eam sobre o ambiente e a popula\u00e7\u00e3o em geral continua em grande parte ignorado e sem aten\u00e7\u00e3o, afirma o documento. \u201cEm circunst\u00e2ncias de paz, existe um forte regime ambiental que regula nossa sociedade e impede nossa exposi\u00e7\u00e3o a materiais perigosos. Mas, em tempos de guerra, esses sistemas entram em colapso ou essas normas s\u00e3o jogadas no lixo, j\u00e1 que n\u00e3o t\u00eam utilidade militar\u201d, explicou Zwijnenburg.<\/p>\n<p>O colapso das normas ambientais n\u00e3o se limita \u00e0 guerra na S\u00edria. Desde a queima dos po\u00e7os de petr\u00f3leo no Iraque e Kuwait durante a Guerra do Golfo (1991) at\u00e9 os danos causados nas zonas industriais e mineiras pelo atual conflito na Ucr\u00e2nia, os combates armados representam um alto pre\u00e7o para o ambiente e a sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Por exemplo, depois de tr\u00eas d\u00e9cadas de guerra, o vizinho da S\u00edria, Iraque, se converteu em um dos pa\u00edses mais contaminados do mundo. No territ\u00f3rio iraquiano persistem os altos n\u00edveis de radia\u00e7\u00e3o e de outras subst\u00e2ncias t\u00f3xicas derivadas do ur\u00e2nio empobrecido utilizado durante a Guerra do Golfo e a invas\u00e3o de 2003, o que provocou o aumento dos defeitos cong\u00eanitos e da incid\u00eancia de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Dados estat\u00edsticos do governo iraquiano indicam que, antes da primeira Guerra do Golfo, o c\u00e2ncer afetava 40 em cada cem mil pessoas. Em 2005, essa rela\u00e7\u00e3o multiplicou para 1.600 para cada cem mil pessoas, e estima-se que continuar\u00e1 aumentando. O Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) destacou o perigo que os efeitos de longo prazo das guerras implicam para o ambiente e a sa\u00fade.<\/p>\n<p>Segundo o Pnuma, \u201cos efeitos do dano aos recursos ambientais e naturais em \u00e9pocas de guerra e conflito armado continuam muito depois do per\u00edodo do conflito em si\u201d, alertou o Pnuma em comunicado divulgado por ocasi\u00e3o do Dia Internacional da Preven\u00e7\u00e3o da Explora\u00e7\u00e3o do Ambiente na Guerra e os Conflitos Armados, celebrado no dia 6 deste m\u00eas. \u201cOs conflitos armados t\u00eam o potencial de reverter anos de desenvolvimento e destruir meios de vida\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Embora o Pnuma realize avalia\u00e7\u00f5es ambientais posteriores aos conflitos para ajudar os governos a lidarem com os problemas, o funcion\u00e1rio dessa ag\u00eancia para Assuntos Ambientais da divis\u00e3o Gest\u00e3o Posterior aos Conflitos e Desastres, Hassan Partow, afirmou que o financiamento \u00e9 um obst\u00e1culo. N\u00e3o existe um fundo espec\u00edfico que cubra essas avalia\u00e7\u00f5es, explicou. Para poder realiz\u00e1-las, \u201c\u00e9 necess\u00e1rio, para cada conflito, arrecadar dinheiro dos doadores interessados\u201d no problema, acrescentou.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s mais de uma d\u00e9cada de guerra na Lib\u00e9ria, o Pnuma n\u00e3o conseguiu mobilizar os fundos necess\u00e1rios para ajudar a reconstruir a capacidade nacional para a gest\u00e3o de recursos e a governan\u00e7a ambiental. Foram financiados apenas 37,5% do programa, o que for\u00e7ou a ag\u00eancia da ONU a se retirar do pa\u00eds, acrescentou Partow. Do mesmo modo, o programa do Pnuma no L\u00edbano para lidar com o excesso de res\u00edduos, depois do breve mas devastador conflito de 2006 com Israel, s\u00f3 conseguiu 40% dos fundos necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>O informe da Pax solicita que todas as partes, na S\u00edria e em outros pa\u00edses, levem em conta as amea\u00e7as e reforcem a prote\u00e7\u00e3o do ambiente em situa\u00e7\u00f5es de conflito armado. Tamb\u00e9m insiste na necessidade de aumentar a recopila\u00e7\u00e3o e o interc\u00e2mbio da informa\u00e7\u00e3o ambiental para localizar os pontos mais contaminados e mitigar os riscos para a sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cUm dia as hostilidades na S\u00edria terminar\u00e3o. Mas, do ponto de vista da sociedade, a recupera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m necessitar\u00e1 da a\u00e7\u00e3o decidida para enfrentar de maneira respons\u00e1vel e suficiente os riscos ambientais que o conflito gerou\u201d, enfatizou Zwijnenburg. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Tharanga Yakupitiyage, da IPS &ndash;&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 23\/11\/2015 &ndash; A guerra civil na S&iacute;ria, caminhando para seu quinto ano, &eacute; um fator fundamental na atual crise de refugiados, a maior desde a Segunda Guerra Mundial. Mas o conflito armado fez outra v&iacute;tima, o ambiente. Um informe da organiza&ccedil;&atilde;o independente holandesa Pax analisou as consequ&ecirc;ncias da [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/11\/ultimas-noticias\/ambiente-vitima-da-guerra-na-siria\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2535,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1410,2781,1202,2458,1093,2783,1507,1325],"class_list":["post-20127","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-conflito","tag-featured","tag-guerra-civil","tag-inter-press-service","tag-meio-ambiente","tag-news3","tag-refugiados","tag-siria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2535"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20127"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20127\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20128,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20127\/revisions\/20128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}