{"id":2014,"date":"2006-10-07T00:00:00","date_gmt":"2006-10-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2014"},"modified":"2006-10-07T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-07T00:00:00","slug":"peru-o-bid-continua-financiando-camisea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/peru-o-bid-continua-financiando-camisea\/","title":{"rendered":"Peru: O BID continua financiando Camisea"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 07\/10\/2006 &ndash; O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), principal financiador p&uacute;blico de Camisea, n&atilde;o descarta destinar mais dinheiro &agrave; segunda fase da constru&ccedil;&atilde;o desse gasoduto na selva amaz&ocirc;nica do Peru, o que preocupa e organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil. <!--more--> Esta entidade multilateral havia prometido que para conceder mais dinheiro esperaria o resultado das investiga&ccedil;&otilde;es sobre persistentes vazamentos ocorridos na tubula&ccedil;&atilde;o que unir&aacute; a Amaz&ocirc;nia com a costa peruana no Pac&iacute;fico. Cinco vazamentos afetaram as opera&ccedil;&otilde;es do gasoduto desde sua inaugura&ccedil;&atilde;o, em 2004.<\/p>\n<p>O BID, com sede em Washington, assinou na semana passada uma \u201ccarta de mandato\u201d com empresas ligadas ao gasoduto da companhia peruana Liquefied Natural G&aacute;s (LNG), que transporta o combust&iacute;vel desde o campo de Camisea. Este tipo de documento abre caminho, segundo os procedimentos do Banco, para uma iminente concess&atilde;o de empr&eacute;stimos. O cons&oacute;rcio de Camisea, liderado pelas empresas Hunt, SK Corporation e Repsol YPF, negocia cr&eacute;dito de US$ 400 milh&otilde;es para financiar parcialmente um terminal de g&aacute;s natural l&iacute;quido e outras instala&ccedil;&otilde;es na costa do Pac&iacute;fico, com vistas &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o. O g&aacute;s ser&aacute; vendido para o M&eacute;xico e, possivelmente, tamb&eacute;m para Chile e Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cO Banco examina este projeto por sua import&acirc;ncia &uacute;nica para o crescimento econ&ocirc;mico do Peru\u201d, informou a institui&ccedil;&atilde;o em um comunicado. \u201cO projeto da LNG &eacute; um elemento estrat&eacute;gico-chave no plano geral energ&eacute;tico do Peru para capitalizar suas amplas reservas de g&aacute;s nos campos de Camisea atrav&eacute;s de sua exporta&ccedil;&atilde;o a outros mercados\u201d, acrescenta o texto. No entanto, organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas e da sociedade civil advertiram que a decis&atilde;o do BID contradiz os compromissos assumidos antes por altos funcion&aacute;rios da institui&ccedil;&atilde;o. Estes funcion&aacute;rios asseguraram, diante dos protestos feitos contra os constantes vazamentos no gasoduto, que n&atilde;o autorizariam mais empr&eacute;stimos at&eacute; que as auditorias estejam terminadas.<\/p>\n<p>Prever um novo empr&eacute;stimo \u201cantes do in&iacute;cio da auditoria &eacute; um exemplo preocupante de tomada de decis&otilde;es com pouca vis&atilde;o por parte do BID, que contribuiu para a primeira e problem&aacute;tica fase do projeto\u201d, disse Simeon Tegel, da Amazon Watch, organiza&ccedil;&atilde;o com sede em S&atilde;o Francisco que h&aacute; muito tempo analisa o andamento do pol&ecirc;mico projeto. E-Tech, organiza&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos dedicada &agrave; pesquisa t&eacute;cnica, concluiu em uma investiga&ccedil;&atilde;o finalizada em mar&ccedil;o que a qualidade dos materiais e os procedimentos de constru&ccedil;&atilde;o de Camisea estavam abaixo dos padr&otilde;es. Esse &eacute; o fator determinante dos vazamentos de g&aacute;s registrados na &aacute;rea ambiental delicada por onde passam os dutos, segundo o estudo da E-Tech.<\/p>\n<p>Este informe obrigou o BID e o governo peruano a encomendar pesquisas sobre o impacto social e ambiental de Camisea. Mas organiza&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas do projeto j&aacute; ent&atilde;o duvidavam que o projeto parasse, e agora est&atilde;o ainda mais alarmadas porque o Banco mant&eacute;m sua tend&ecirc;ncia de controlar o impacto das obras que financia com uma intensidade muito baixa. Por outro lado, tamb&eacute;m consideram prov&aacute;vel que as auditorias encontrem mais erros no gasoduto, e advertiram que o Banco deveria esperar at&eacute; que os resultados sejam conhecidos para tomar uma decis&atilde;o sobre o financiamento. \u201cParece altamente improv&aacute;vel que uma auditoria completa e independente sobre o impacto social e ambiental da primeira fase de Camisea lhe de sua aprova&ccedil;&atilde;o\u201d, disse Tegel.<\/p>\n<p>O gasoduto de Camisea &eacute; um dos projetos-chave em mat&eacute;ria de energia na Am&eacute;rica Latina, e envolve a extra&ccedil;&atilde;o, o transporte e a distribui&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s natural para consumo interno e exporta&ccedil;&atilde;o. &Eacute; operado pela Transportadora de G&aacute;s do Peru (TGP), cons&oacute;rcio que inclui as argentinas Pluspetrol e Techint, a norte-americana Hunt Oil, a estatal argelina Sonatrach e a sul-coreana Sk Corp. As cr&iacute;ticas que choveram sobre o gasoduto se concentram em seu impacto social e ambiental. O projeto original, de US$ 1,6 bilh&atilde;o, &eacute; constru&iacute;do em uma zona tropical remota e ecologicamente fr&aacute;gil, o vale de Urubamba, na Amaz&ocirc;nia peruana, uma localiza&ccedil;&atilde;o que aumenta o risco de degrada&ccedil;&atilde;o ambiental em &aacute;reas de grande biodiversidade.<\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o de Camisea implica o traslado dos habitantes da zona e de outras regi&otilde;es, a destrui&ccedil;&atilde;o de fontes de alimento e &aacute;gua das comunidades locais, e a exposi&ccedil;&atilde;o de ind&iacute;genas isolados voluntariamente a doen&ccedil;as para as quais n&atilde;o t&ecirc;m defesas imunol&oacute;gicas. Em uma audi&ecirc;ncia no Senado norte-americano no &uacute;ltimo dia 12, o ex-ministro de Minera&ccedil;&atilde;o do Peru Carlos Herrera Descalzi advertiu que a nova voca&ccedil;&atilde;o peruana pela exporta&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s contradiz o objetivo original de Camisea: baratear a energia no mercado local.<\/p>\n<p>A m&aacute; administra&ccedil;&atilde;o do projeto \u201ctrar&aacute; problemas para o futuro, e, de fato, j&aacute; os causou: a credibilidade do governo \u2013 e tamb&eacute;m de institui&ccedil;&otilde;es como o BID \u2013 est&aacute; em xeque\u201d, disse Herrera aos legisladores encarregados de controlar a contribui&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos a institui&ccedil;&otilde;es financeiras internacionais. Entretanto, o BID insiste em que o gasoduto &eacute; bom para a economia peruana e para a produ&ccedil;&atilde;o de energia na Am&eacute;rica Latina em geral, e que o pronunciamento da semana passada n&atilde;o significa uma destina&ccedil;&atilde;o imediata de novos fundos.<\/p>\n<p>O Banco afirma que a decis&atilde;o de financiar o projeto est&aacute; sujeita &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o do Conselho de Diretores do BID. A institui&ccedil;&atilde;o calculou que Camisea render&aacute; US$ 800 milh&otilde;es anuais ao Peru, \u201caumentando em 1,5% as exporta&ccedil;&otilde;es totais do pa&iacute;s e transformando-o em um exportador de hidrocarbonetos a m&eacute;dio prazo. Espera-se que todo o projeto renda US$ 4,8 bilh&otilde;es em termos de benef&iacute;cios econ&ocirc;micos acumulativos, ou uma quantidade equivalente a 6% do produto interno bruto do Peru\u201d, disse o BID em seu comunicado. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 07\/10\/2006 &ndash; O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), principal financiador p&uacute;blico de Camisea, n&atilde;o descarta destinar mais dinheiro &agrave; segunda fase da constru&ccedil;&atilde;o desse gasoduto na selva amaz&ocirc;nica do Peru, o que preocupa e organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/peru-o-bid-continua-financiando-camisea\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":64,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,5,10,11],"tags":[],"class_list":["post-2014","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-economia","category-energia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2014","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/64"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2014"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2014\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}