{"id":20143,"date":"2015-11-26T13:01:03","date_gmt":"2015-11-26T13:01:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=203326"},"modified":"2015-11-26T13:01:03","modified_gmt":"2015-11-26T13:01:03","slug":"virada-a-direita-na-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/11\/ultimas-noticias\/virada-a-direita-na-america-do-sul\/","title":{"rendered":"Virada \u00e0 direita na Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_203327\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Mauricio-Macri.jpg\"><img class=\"wp-image-203327\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Mauricio-Macri.jpg\" alt=\"Em um futuro pr\u00f3ximo se saber\u00e1 se o triunfo de Mauricio Macri, que assumir\u00e1 a Presid\u00eancia da Argentina no dia 20 de dezembro, eleva o bal\u00e3o de uma mudan\u00e7a de \u00e9poca na Am\u00e9rica do Sul, com a irrup\u00e7\u00e3o de governos conservadores em um cen\u00e1rio que neste s\u00e9culo foi dominado por governantes chamados de esquerda. Foto: Cortesia de Mauricio Macri \" width=\"340\" height=\"191\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Em um futuro pr\u00f3ximo se saber\u00e1 se o triunfo de Mauricio Macri, que assumir\u00e1 a Presid\u00eancia da Argentina no dia 20 de dezembro, eleva o bal\u00e3o de uma mudan\u00e7a de \u00e9poca na Am\u00e9rica do Sul, com a irrup\u00e7\u00e3o de governos conservadores em um cen\u00e1rio que neste s\u00e9culo foi dominado por governantes chamados de esquerda. Foto: Cortesia de Mauricio Macri<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Mario Osava, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 26\/11\/2015 \u2013 A economia deteriorada, ainda que em diferentes graus, \u00e9 comum aos pa\u00edses sul-americanos, nos quais os governos chamados de esquerda tendem a cair sucessivamente, em um processo iniciado na Argentina e que deve continuar em seus vizinhos ao norte.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ainda definir se se trata do fim de um ciclo, porque as raz\u00f5es de sua ocorr\u00eancia continuam fortes\u201d, mas \u201cexiste uma crise de grande complexidade, com os governos que chamo de \u2018distributivistas\u2019 em dificuldades, sobretudo no Brasil, Argentina e Venezuela\u201d, afirmou \u00e0 IPS o professor Tullo Vigevani, da Universidade Estadual Paulista.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 fim de um ciclo na Am\u00e9rica Latina, mas a redu\u00e7\u00e3o de um grupo de governos com propens\u00e3o ao populismo associado ao nacionalismo\u201d, definiu, por sua vez, o diplomata aposentado Marcos Azambuja, ex-embaixador do Brasil na Argentina e na Fran\u00e7a. Ele acrescentou que esquerda \u00e9 um conceito que perdeu validade, e prefere falar de governos populistas, destacando os de pa\u00edses atl\u00e2nticos. \u201cOs da costa do Pac\u00edfico s\u00e3o mais modernos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A Argentina, sim, vive \u201co fim de um ciclo com normalidade democr\u00e1tica, o que deve ser comemorado\u201d, ap\u00f3s 12 anos de Presid\u00eancia do nome Kirchner, apontou Azambuja, referindo-se \u00e0s consecutivas Presid\u00eancias de N\u00e9stor Kirchner (2003-2007) e de sua mulher e sucessora, Cristina Fern\u00e1ndez, que entregar\u00e1 o poder no dia 10 de dezembro.<\/p>\n<p>Entretanto, acrescentou o ex-embaixador, \u201cqualquer governo n\u00e3o peronista enfrenta duras dificuldades nesse pa\u00eds\u201d. Os dois \u00faltimos presidentes peronistas, Ra\u00fal Alfons\u00edn (1983-1989) e Fernando de La Rua (1999-2001) n\u00e3o conseguiram concluir seus mandatos, renunciando antes.<\/p>\n<p>Esse ser\u00e1 um desafio que Mauricio Macri, chefe do governo de Buenos Aires desde 2007, que venceu o segundo turno eleitoral no dia 22, representando a opositora coaliz\u00e3o Mudemos, aglutinada por seu partido, o conservador Proposta Republicana (Pro), e a tradicional e mut\u00e1vel Uni\u00e3o C\u00edvica Radical.<\/p>\n<p>Mas, se no campo pol\u00edtico ele contar\u00e1 com a divis\u00e3o do Partido Justicialista (peronista), que o ajudou a vencer as elei\u00e7\u00f5es, no econ\u00f4mico ter\u00e1 que lidar com uma crise que se prolonga h\u00e1 anos e tamb\u00e9m foi decisiva em sua vit\u00f3ria. Paralisa\u00e7\u00e3o e consequente desemprego elevado, infla\u00e7\u00e3o alta perto dos 30%, segundo analistas, mas reduzida pela metade nos \u00edndices oficiais, baixas reservas internacionais e um mercado negro em que os d\u00f3lares s\u00e3o cotados cerca de 50% acima do c\u00e2mbio oficial, s\u00e3o alguns problemas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 distor\u00e7\u00f5es, como forte prote\u00e7\u00e3o a alguns setores, gravames sobre exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas e subs\u00eddios que afetam a produ\u00e7\u00e3o nacional e o com\u00e9rcio com o Brasil, que em um momento teve a Argentina como seu principal mercado para exporta\u00e7\u00f5es industriais. As mudan\u00e7as econ\u00f4micas prometidas por Macri, como acabar com o c\u00e2mbio controlado e muitas das restri\u00e7\u00f5es ao com\u00e9rcio exterior, ter\u00e3o efeitos nas rela\u00e7\u00f5es com os vizinhos. Mas \u00e9 sua pol\u00edtica externa que poder\u00e1 alterar dramaticamente o quadro regional.<\/p>\n<p>Macri quer, por exemplo, excluir a Venezuela do Mercado Comum do Sul (Mercosul), enquanto persistir o regime atual desse pa\u00eds, aplicando a cl\u00e1usula relativa \u00e0 democracia do bloco, que j\u00e1 levou \u00e0 suspens\u00e3o do Paraguai por mais de um ano, devido \u00e0 destitui\u00e7\u00e3o em 2012 do ent\u00e3o presidente Fernando Lugo.<\/p>\n<p>Reaproxima\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos, acordos de com\u00e9rcio com a Uni\u00e3o Europeia e blocos do Pac\u00edfico, e maior abertura comercial em geral fazem parte dos planos do presidente eleito, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0s tend\u00eancias protecionistas dos governos qualificados de esquerda, populistas, \u201cdistributivistas\u201d ou bolivarianos, segundo os diferentes vocabul\u00e1rios ideol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Mas espa\u00e7os como Mercosul, Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas (Unasul) e Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) n\u00e3o entrar\u00e3o em crise pelas mudan\u00e7as pol\u00edticas na regi\u00e3o, segundo Vigevani. S\u00e3o organismos de a\u00e7\u00e3o lenta, que \u201cservem adequadamente a alguns objetivos limitados\u201d, indicou.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a na Argentina e as crises de Brasil e Venezuela, com vertentes pol\u00edticas e econ\u00f4micas, apontam para uma prov\u00e1vel onda na Am\u00e9rica Latina de governos inclinados \u00e0 direita, liberais ou neoliberais, com prioridade mais \u00e0 economia do que \u00e0s pol\u00edticas sociais de seus antecessores.<\/p>\n<p>Segundo Azambuja, s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es distintas. Na Venezuela, com sua economia em virtual colapso, \u201cmeu medo \u00e9 que o chavismo moribundo tenha um desenlace n\u00e3o democr\u00e1tico, diante da fragilidade do presidente Nicol\u00e1s Maduro, enquanto no Brasil a mudan\u00e7a ser\u00e1 seguramente democr\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p>Nesses tr\u00eas pa\u00edses do lado Atl\u00e2ntico, \u201cn\u00e3o se administrou adequadamente a pol\u00edtica econ\u00f4mica, com baixos investimentos, baixa taxa de poupan\u00e7a e capacita\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e n\u00e3o se soube desenvolver pol\u00edticas para ampliar, em lugar de diminuir, o consenso. Assim, reduziu-se decisivamente a capacidade de evitar progressos liberais\u201d, admitiu Vigevani.<\/p>\n<p>O Brasil sofre uma recess\u00e3o econ\u00f4mica desde o final de 2014, agravada por uma infla\u00e7\u00e3o que subir\u00e1 a 10% ao ano e d\u00e9ficit fiscal que assusta investidores. A tudo isso somou-se o esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o que golpeou a Petrobras e envolveu todas as grandes construtoras brasileiras e meia centena de pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a campanha eleitoral que terminou com a reelei\u00e7\u00e3o da Dilma Rousseff, em outubro de 2014, foi feita com um grau de viol\u00eancia sem precedentes em confronta\u00e7\u00f5es e acusa\u00e7\u00f5es que destru\u00edram possibilidades de di\u00e1logo e negocia\u00e7\u00e3o. Assim, as contradi\u00e7\u00f5es entre o discurso eleitoral e a pr\u00e1tica de governo ficaram t\u00e3o enf\u00e1ticas que tiraram legitimidade e popularidade da presidente, aprovada por menos de 10% dos entrevistados nas \u00faltimas pesquisas e amea\u00e7ada de impeachment.<\/p>\n<p>A luta em que se converteu a atividade pol\u00edtica tornou invi\u00e1vel maiorias est\u00e1veis e, por fim, o ajuste fiscal, que exige aprova\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00f5es de gastos p\u00fablicos e aumento de impostos em um parlamento amotinado. Dessa forma, se prolonga a crise econ\u00f4mica que o oficialismo atribui ao quadro internacional adverso e a oposi\u00e7\u00e3o a erros do governo nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados econ\u00f4micos s\u00e3o fatores importantes\u201d dessa virada que favorece candidatos conservadores. \u201cMas, al\u00e9m da crise e da recess\u00e3o, h\u00e1 problemas te\u00f3ricos de fundo a serem enfrentados, para os quais tampouco os liberais t\u00eam respostas, resultando um equil\u00edbrio, inclusive no caso argentino\u201d, pontuou Vigevani. \u201cO distributivismo sem capacidade de investimento, inova\u00e7\u00e3o e adequa\u00e7\u00e3o do sistema produtivo n\u00e3o \u00e9 suficiente, embora seja necess\u00e1rio\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Subestimar ou conduzir mal as quest\u00f5es econ\u00f4micas parece ser um \u201ccalcanhar de Aquiles\u201d de governos ditos de esquerda ou populistas na Am\u00e9rica Latina. Essa maldi\u00e7\u00e3o n\u00e3o alcan\u00e7a governantes que, mesmo sendo \u201cdistributivistas\u201d e \u201cbolivarianos\u201d, adotaram pol\u00edticas econ\u00f4micas ortodoxas, como Evo Morales, no poder na Bol\u00edvia desde 2006, e Rafael Correa, que governa o Equador desde 2007.<\/p>\n<p>Por outro lado, n\u00e3o parece poss\u00edvel aos novos e futuros governantes, inclusive os liberais, eliminar ou mesmo reduzir os programas sociais com que os governos \u201cpopulistas\u201d tiraram milh\u00f5es de fam\u00edlias da pobreza. Macri j\u00e1 anunciou que os manter\u00e1.<\/p>\n<p>Tudo indica que se trata de uma dimens\u00e3o que se incorporou \u00e0 pol\u00edtica regional, enquanto persistir a pobreza e a desigualdade social em n\u00edveis considerados inaceit\u00e1veis, como acontece na maioria dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, que, apesar das pol\u00edticas de inclus\u00e3o, continua sendo a regi\u00e3o mais desigual do mundo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Mario Osava, da IPS &ndash;&nbsp; &nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 26\/11\/2015 &ndash; A economia deteriorada, ainda que em diferentes graus, &eacute; comum aos pa&iacute;ses sul-americanos, nos quais os governos chamados de esquerda tendem a cair sucessivamente, em um processo iniciado na Argentina e que deve continuar em seus vizinhos ao norte. &ldquo;N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ainda [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/11\/ultimas-noticias\/virada-a-direita-na-america-do-sul\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,1],"tags":[2830,1088,2784,2458,3179,2783],"class_list":["post-20143","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-ultimas-noticias","tag-1-1-canais","tag-america-do-sul","tag-economia-2015","tag-inter-press-service","tag-mario-osava","tag-news3"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20143"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20143\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20144,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20143\/revisions\/20144"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}