{"id":20149,"date":"2015-11-27T12:10:31","date_gmt":"2015-11-27T12:10:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=203398"},"modified":"2015-11-27T12:10:31","modified_gmt":"2015-11-27T12:10:31","slug":"cubanos-em-busca-de-um-sonho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/11\/ultimas-noticias\/cubanos-em-busca-de-um-sonho\/","title":{"rendered":"Cubanos em busca de um sonho"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_203399\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Cuba4.jpg\"><img class=\"wp-image-203399\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Cuba4.jpg\" alt=\"Um grupo de cubanos e cubanas espera em um abrigo instalado pelas autoridades da Costa Rica na localidade fronteiri\u00e7a de La Cruz, na prov\u00edncia costarriquenha de Guanacaste. Foto: Comiss\u00e3o Nacional de Preven\u00e7\u00e3o de Riscos e Aten\u00e7\u00e3o de Emerg\u00eancias\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um grupo de cubanos e cubanas espera em um abrigo instalado pelas autoridades da Costa Rica na localidade fronteiri\u00e7a de La Cruz, na prov\u00edncia costarriquenha de Guanacaste. Foto: Comiss\u00e3o Nacional de Preven\u00e7\u00e3o de Riscos e Aten\u00e7\u00e3o de Emerg\u00eancias<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Diego Arguedas Ort\u00edz, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9, Costa Rica, 27\/11\/2015 \u2013 Milhares de cubanos a caminho dos Estados Unidos est\u00e3o parados no norte da Costa Rica, na fronteira com a Nicar\u00e1gua, desde meados de novembro, \u00e0 espera de que as autoridades de Man\u00e1gua autorizem sua passagem rumo ao norte. S\u00e3o pouco mais de 2.500 pessoas, a maioria instalada em albergues provis\u00f3rios montados pelas autoridades locais, que receberam permiss\u00e3o de tr\u00e2nsito tempor\u00e1rio do governo costa-riquenho, mas encontraram resist\u00eancia por parte da Nicar\u00e1gua, que fechou a fronteira e os impediu de passar.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 estamos desesperados para chegarmos aos Estados Unidos, porque queremos um futuro melhor, para nossos filhos e para n\u00f3s mesmos\u201d, disse a cubana Arley Alonso Ferrarez, em um v\u00eddeo apresentado pela governamental Comiss\u00e3o Nacional de Preven\u00e7\u00e3o de Riscos e Aten\u00e7\u00e3o de Emerg\u00eancias.<\/p>\n<p>Alonso e seus compatriotas parados na fronteira com a Nicar\u00e1gua buscam amparo na Lei de Ajuste Cubano dos Estados Unidos e na pol\u00edtica conhecida como \u201cp\u00e9s secos, p\u00e9s molhados\u201d, que concede resid\u00eancia autom\u00e1tica aos cidad\u00e3os de Cuba que chegam ao territ\u00f3rio norte-americano. O \u00eaxodo se avivou este ano, pelo medo de que o degelo entre Havana e Washington, iniciado em dezembro de 2014 e que j\u00e1 se traduziu no restabelecimento de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, modifique em breve esse tratamento especial dado aos cubanos pelos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O tr\u00e2nsito de cubanos pela Am\u00e9rica Central j\u00e1 tem anos, mas havia passado despercebido at\u00e9 que, no come\u00e7o de novembro, o governo de S\u00e3o Jos\u00e9 adotou medidas para combater o tr\u00e1fico de pessoas pelo pa\u00eds. Isso interrompeu o fluxo ilegal de migrantes e revelou a verdadeira dimens\u00e3o do movimento de cidad\u00e3os cubanos do Equador para os Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cA atual crise foi detonada pela desarticula\u00e7\u00e3o da quadrilha, que tornou vis\u00edvel uma situa\u00e7\u00e3o, sobre a qual hav\u00edamos alertado h\u00e1 muito tempo, de aumento de migrantes cubanos\u201d, explicou \u00e0 IPS o chanceler da Costa Rica, Manuel Gonz\u00e1lez. \u201cIsso n\u00e3o se deseja a ningu\u00e9m. Nem ao pior inimigo. Nos assaltaram, nos obrigaram a pular no mar entre Col\u00f4mbia e Panam\u00e1, e at\u00e9 violaram mo\u00e7as, e os policiais nos roubaram\u201d, contou o cubano Ignacio Vald\u00e9s ao jornal local <em>La Naci\u00f3n<\/em>, sobre os perigos do longo percurso.<\/p>\n<p>Depois da deten\u00e7\u00e3o de integrantes da rede de tr\u00e1fico de pessoas, no dia 10 de novembro, que transportava clandestinamente migrantes pelo territ\u00f3rio costa-riquenho, os cubanos come\u00e7aram a se aglomerar na fronteira sul do pa\u00eds. Isso obrigou as autoridades a emitirem salvo-condutos v\u00e1lidos por sete dias, para regular sua passagem para a Nicar\u00e1gua. Entretanto, esse pa\u00eds fechou sua fronteira completamente no dia 15 deste m\u00eas, e bloqueou a passagem dos cubanos quando a reabriu no dia seguinte.<\/p>\n<p>Em uma rota incomum e muito menos conhecida do que a do estreito da Fl\u00f3rida, os cubanos empreendem a viagem por terra e mar desde o Equador, pa\u00eds que lhes facilita o visto de turista de tr\u00eas meses e no qual chegam por via a\u00e9rea. Entre a fronteira norte equatoriana e sul norte-americana, s\u00e3o cinco mil quil\u00f4metros em linha reta, dist\u00e2ncia que aumenta muito mais nas rotas tra\u00e7adas pelas m\u00e1fias de traficantes.<\/p>\n<p>Desde abril de 2014, o governo equatoriano eliminou o requisito de uma carta-convite para conceder visto aos cidad\u00e3os cubanos, deixando aberta sua entrada no pa\u00eds. J\u00e1 desde 2010, os cubanos entravam no Equador apresentando apenas o convite. Uma vez no continente, os migrantes atravessam por terra a fronteira entre Equador e Col\u00f4mbia, para seguirem em embarca\u00e7\u00f5es ao longo da costa do Oceano Pac\u00edfico, at\u00e9 chegarem ao Panam\u00e1, onde novamente por terra seguem at\u00e9 a fronteira com a Costa Rica.<\/p>\n<p>\u201cEssas pessoas est\u00e3o nas m\u00e3os das m\u00e1fias, das redes internacionais de tr\u00e1fico de pessoas, colocam em risco, sem d\u00favida alguma, suas vidas. Temos not\u00edcias de mulheres que foram violadas, de pessoas que cruzaram por selvas, e de crian\u00e7as que estiveram em perigo. S\u00e3o condi\u00e7\u00f5es deplor\u00e1veis\u201d, destacou o chanceler.<\/p>\n<p>Segundo a Dire\u00e7\u00e3o de Migra\u00e7\u00e3o e Estrangeiros da Costa Rica, cerca de 13 mil cidad\u00e3os cubanos transitaram pelo pa\u00eds desde o ano passado. Mas passam despercebidos ao serem conduzidos, em sua maioria, por redes de traficantes, que cobram entre US$ 7 mil e US$ 13 mil por pessoa.<\/p>\n<p>O especialista em migra\u00e7\u00e3o Carlos Sandoval ressaltou \u00e0 IPS que as redes de tr\u00e1fico s\u00e3o uma ilegalidade estendida por toda Am\u00e9rica Central, que tamb\u00e9m se nutre dos migrantes da regi\u00e3o que tentam entrar nos Estados Unidos. Embora seja urgente encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para a situa\u00e7\u00e3o dos cubanos, a Am\u00e9rica Central tem uma d\u00edvida hist\u00f3rica com seus pr\u00f3prios cidad\u00e3os que emigram para os Estados Unidos, acrescentou.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos migrantes esperava pelo resultado de uma reuni\u00e3o que aconteceu no dia 24 em El Salvador, na qual os pa\u00edses centro-americanos, junto com M\u00e9xico, Equador e Col\u00f4mbia, buscaram uma resposta regional conjunta. Uma das op\u00e7\u00f5es seria a cria\u00e7\u00e3o de um \u201ccorredor humanit\u00e1rio\u201d, que facilitaria a chegada aos Estados Unidos. Mas n\u00e3o houve acordo, com a insist\u00eancia da Nicar\u00e1gua em n\u00e3o permitir a passagem dos cubanos.<\/p>\n<p>\u201cAlgo paradoxal dessa iniciativa de criar um corredor humanit\u00e1rio \u00e9 que se d\u00e1 em uma regi\u00e3o que expulsa migrantes. Da Am\u00e9rica Central saem cerca de 300 mil pessoas a cada ano com destino aos Estados Unidos\u201d, indicou Sandoval, pesquisador do Instituto de Pesquisas Sociais da Universidade da Costa Rica. Para este especialista, os migrantes centro-americanos que viajam para os Estados Unidos enfrentam situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o complicadas quanto os cubanos. \u201cO caso dos cubanos \u00e9 apenas um a mais daquilo que na Am\u00e9rica Central \u00e9 uma realidade di\u00e1ria\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Sandoval, que estudou durante anos a migra\u00e7\u00e3o centro-americana para os Estados Unidos, com trabalho de campo no istmo, no M\u00e9xico e em solo norte-americano, afirmou que a situa\u00e7\u00e3o exige uma resposta regional, algo que a Costa Rica deveria prever quando emitiu os primeiros salvo-condutos tempor\u00e1rios. S\u00e3o os pr\u00f3prios governos os respons\u00e1veis pelas condi\u00e7\u00f5es para o aparecimento das redes de tr\u00e1fico, pontuou. \u201cO que torna poss\u00edvel o neg\u00f3cio das redes? \u00c9 poss\u00edvel na medida em que se fecham as fronteiras: fica t\u00e3o dif\u00edcil chegar que, sem apoio dessa gente, se torna mais complicado ou at\u00e9 mais perigoso\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A Costa Rica vai precisar abrir mais albergues no munic\u00edpio de Upala, pois os existentes est\u00e3o saturados, observou \u00e0 IPS o ministro de Desenvolvimento Humano e Inclus\u00e3o Social, Carlos Alvarado. \u201cMuitas dessas pessoas s\u00e3o profissionais, outros t\u00eam of\u00edcios. S\u00e3o pessoas entre 20 e 45 anos, mais homens do que mulheres, e cerca de 30 crian\u00e7as e dez mulheres gr\u00e1vidas\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>A cada dia chegam mais cubanos, informou o ministro. No dia 20, por exemplo, entraram mais 200 pessoas. No dia seguinte, as autoridades costa-riquenhas informaram a exist\u00eancia de mais de 2.500 cubanos em condi\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito. \u201cEm sua maioria dizem que vieram com recursos pr\u00f3prios, venderam tudo o que tinham e largaram tudo para chegar aos Estados Unidos\u201d, enfatizou Alvarado. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Diego Arguedas Ort&iacute;z, da IPS &ndash;&nbsp; S&atilde;o Jos&eacute;, Costa Rica, 27\/11\/2015 &ndash; Milhares de cubanos a caminho dos Estados Unidos est&atilde;o parados no norte da Costa Rica, na fronteira com a Nicar&aacute;gua, desde meados de novembro, &agrave; espera de que as autoridades de Man&aacute;gua autorizem sua passagem rumo ao norte. 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