{"id":20151,"date":"2015-11-30T11:46:57","date_gmt":"2015-11-30T11:46:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=203458"},"modified":"2015-11-30T11:46:57","modified_gmt":"2015-11-30T11:46:57","slug":"brics-nao-esta-em-risco-de-desaparecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/11\/ultimas-noticias\/brics-nao-esta-em-risco-de-desaparecer\/","title":{"rendered":"Brics n\u00e3o est\u00e1 em risco de desaparecer"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_203459\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/costa-rica-629x354.jpg\"><img class=\"wp-image-203459\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/costa-rica-629x354.jpg\" alt=\"O Est\u00e1dio Nacional da Costa Rica, doado pela China como presente pelo estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es bilaterais em 2007, constru\u00eddo em 2009 e 2010 por uma companhia e m\u00e3o de obra chinesas. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS\" width=\"340\" height=\"191\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O Est\u00e1dio Nacional da Costa Rica, doado pela China como presente pelo estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es bilaterais em 2007, constru\u00eddo em 2009 e 2010 por uma companhia e m\u00e3o de obra chinesas. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0N Chandra Mohan, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Nova D\u00e9lhi, \u00cdndia, 30\/11\/2015 \u2013 O banco Goldman Sachs fechou seu fundo destinado a investimento nos cinco pa\u00edses que integram o Brics (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul) porque lhe causava constantes perdas. Isso implica que se fechou a cortina para esse grupo que chegou a concentrar o interesse dos banqueiros pelos \u201cmercados emergentes\u201d? Parece que sim, depois que a queda do mercado de valores da China e sua economia em r\u00e1pida desacelera\u00e7\u00e3o provocaram o temor de que o drag\u00e3o chin\u00eas desencadeie a pr\u00f3xima recess\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>A economia do Brasil passa por sua pior recess\u00e3o nos \u00faltimos 25 anos. A R\u00fassia tamb\u00e9m est\u00e1 em um per\u00edodo de contra\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo e \u00e0s san\u00e7\u00f5es internacionais por causa do conflito armado com a Ucr\u00e2nia. A \u00cdndia continua sendo um remanso de estabilidade. O crescimento da \u00c1frica do Sul \u00e9 lento, com um desemprego de muito alto n\u00edvel.<\/p>\n<p>Nesse contexto sombrio, quais as perspectivas de que o Brics possa desempenhar um papel vital na economia mundial? H\u00e1 14 anos o Brics era em grande parte uma ideia para a qual havia chegado sua hora. O Goldman Sachs projetava os seus integrantes como os futuros motores de crescimento da economia mundial. O grupo logo se converteu em uma palavra de moda com vida pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o dada a essas economias emergentes, sobretudo a partir de 2006, gerou atraentes benef\u00edcios que chegaram ao seu m\u00e1ximo em 2010. Por\u00e9m, desde ent\u00e3o, os ativos do Fundo Brics ca\u00edram, de US$ 842 milh\u00f5es para US$ 98 milh\u00f5es no final de setembro deste ano, segundo a ag\u00eancia de not\u00edcias Bloomberg.<\/p>\n<p>Sem esperan\u00e7a de que no futuro pr\u00f3ximo ocorra um \u201ccrescimento importante dos ativos\u201d, o Goldman Sachs jogou a toalha no dia 23 de outubro, \u00faltimo dia em que o fundo foi negociado na bolsa. Essa situa\u00e7\u00e3o reflete claramente a franca deteriora\u00e7\u00e3o das perspectivas de crescimento das economias do Brics. Esperava-se que em conjunto as cinco superassem o tamanho da economia dos Estados Unidos este ano. Mas n\u00e3o \u00e9 prov\u00e1vel que isso aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>A desacelera\u00e7\u00e3o da economia chinesa, de fato, amea\u00e7a com a primeira recess\u00e3o mundial em 50 anos sem influ\u00eancia dos Estados Unidos, segundo um banco de investimento. Brasil e R\u00fassia est\u00e3o muito pior, j\u00e1 que dependem em grande parte das exporta\u00e7\u00f5es de seus produtos b\u00e1sicos para impulsionar seu crescimento. Como a China \u00e9 o maior importador mundial de petr\u00f3leo, min\u00e9rio de ferro e outras mat\u00e9rias-primas, essa \u00e9 uma m\u00e1 not\u00edcia para as perspectivas impulsionadas pelos produtos b\u00e1sicos. Somente os antecedentes da \u00cdndia levam a consider\u00e1-la a economia de crescimento mais r\u00e1pido do mundo.<\/p>\n<p>Essas preocupa\u00e7\u00f5es s\u00f3 fazem com que o Brics (que concentra 20% do produto interno bruto, 42% da popula\u00e7\u00e3o, 17,3% do com\u00e9rcio, 41% das reservas de divisas e 45% da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola do mundo) perca coes\u00e3o para exercer sua import\u00e2ncia geoecon\u00f4mica no planeta. Os analistas consideram que o grupo \u00e9 uma alian\u00e7a de economias de tamanho m\u00e9dio que poderiam liderar uma s\u00e9ria tentativa de contrapeso aos Estados Unidos, a economia mais poderosa do mundo.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o \u00e9 nada evidente, exceto, talvez, para a R\u00fassia, que sofre o peso das san\u00e7\u00f5es lideradas pelos Estados Unidos devido \u00e0 sua interven\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia. O argumento se aplica menos \u00e0 \u00cdndia, que est\u00e1 aprofundando suas rela\u00e7\u00f5es com Washington.<\/p>\n<p>Mas o Brics n\u00e3o est\u00e1 contente com a arquitetura financeira mundial liderada pelos Estados Unidos. Uma caracter\u00edstica comum, que se destaca nas sete declara\u00e7\u00f5es divulgadas pelas c\u00fapulas do grupo entre 2009 e 2015, \u00e9 que seus integrantes t\u00eam como objetivo promover a paz, a seguran\u00e7a, a prosperidade e o desenvolvimento de uma ordem mundial multipolar, equitativa e democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>O Brics pretende ter mais voz e participa\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es de governan\u00e7a internacional, como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), Banco Mundial, Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) e Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). A c\u00fapula realizada na cidade africana de Durban em 2013, por exemplo, assinalou que a OMC necessita de um l\u00edder novo que demonstre seu compromisso com o multilateralismo e que seja um representante de um pa\u00eds em desenvolvimento.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) \u00e9, de fato, uma express\u00e3o concreta da vontade do Brics de estabelecer sua pr\u00f3pria alternativa ao FMI e ao Banco Mundial liderados pelos Estados Unidos. O presidente do NBD, KV Kamath, indicou que o banco buscaria um caminho diferente ao das institui\u00e7\u00f5es de Bretton Woods, que imp\u00f5em condi\u00e7\u00f5es inaceit\u00e1veis para conceder seus empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>Em acentuado contraste, espera-se que o NBD priorize os interesses dos que tomam empr\u00e9stimo e n\u00e3o os dos que emprestam, o que refletiria melhor as expectativas e aspira\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses em desenvolvimento. Mas o Brics n\u00e3o tem desejos de apresentar o NBD como um rival do Banco Mundial ou do FMI. Em uma reuni\u00e3o do Brics, realizada antes da c\u00fapula do Grupo dos 20 na Turquia, o primeiro-ministro da \u00cdndia, Narendra Modi, afirmou que seu pa\u00eds guiar\u00e1 o NBD para que financie as necessidades das economias emergentes.<\/p>\n<p>A \u00cdndia assumir\u00e1 a presid\u00eancia do Brics em fevereiro de 2016 e o tema de sua presid\u00eancia ser\u00e1 \u201cConstru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es receptivas, inclusivas e coletivas\u201d. Segundo Modi, houve um momento em que se questionou a l\u00f3gica e a capacidade de dura\u00e7\u00e3o do grupo. Mas seus integrantes deram demasiadas provas de sua relev\u00e2ncia e seu valor com suas medidas em uma \u00e9poca de grandes desafios globais, acrescentou.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que os pa\u00edses do Brics est\u00e3o cooperando e competindo entre si para ocupar seu lugar no mundo. As sete c\u00fapulas realizadas, de S\u00e3o Petersburgo a Ufa, s\u00e3o testemunha disso. Os cinco pa\u00edses s\u00e3o os novos motores de crescimento para os pa\u00edses de baixa renda, especialmente na \u00c1frica, se levarmos em conta a crescente import\u00e2ncia de seu com\u00e9rcio e seu investimento estrangeiro direto nessas economias.<\/p>\n<p>O Brics est\u00e1 passando por tempos dif\u00edceis, mas constitui um mercado de consumo importante. Sua renda cresce na medida em que cada vez mais pessoas se somam \u00e0 classe m\u00e9dia, o que resulta em maior demanda por petr\u00f3leo, autom\u00f3veis e produtos b\u00e1sicos nos principais pa\u00edses membros, como China e \u00cdndia.<\/p>\n<p>Entretanto, o grupo dever\u00e1 abordar seriamente os problemas que implica encaminhar seu ritmo de expans\u00e3o para impulsionar o crescimento global como antes. \u00c9 poss\u00edvel que o Brics n\u00e3o esteja gerando benef\u00edcios financeiros aos bancos de investimento, mas n\u00e3o est\u00e3o em perigo iminente de desaparecer.<\/p>\n<p>Afinal, seus pa\u00edses membros levam as coisas suficientemente a s\u00e9rio para criar um rival potencial ao Banco Mundial e ao FMI. Embora o Goldman Sachs tenha fechado o Fundo Brics, essas economias continuar\u00e3o sendo relevantes no futuro.<\/p>\n<p>Sua capacidade de recupera\u00e7\u00e3o somente destaca a profunda verdade, sobre a qual o famoso economista brit\u00e2nico John Maynard Keynes falou h\u00e1 muito tempo, de que as ideias dos economistas e dos fil\u00f3sofos pol\u00edticos, estejam certas ou erradas, s\u00e3o mais poderosas do que se entende comumente. De fato, o mundo \u00e9 regido por elas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;N Chandra Mohan, da IPS &ndash;&nbsp; Nova D&eacute;lhi, &Iacute;ndia, 30\/11\/2015 &ndash; O banco Goldman Sachs fechou seu fundo destinado a investimento nos cinco pa&iacute;ses que integram o Brics (Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul) porque lhe causava constantes perdas. 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