{"id":20153,"date":"2015-11-30T11:39:51","date_gmt":"2015-11-30T11:39:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=203455"},"modified":"2015-11-30T11:39:51","modified_gmt":"2015-11-30T11:39:51","slug":"fazendas-verticais-agricultura-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/11\/ultimas-noticias\/fazendas-verticais-agricultura-do-futuro\/","title":{"rendered":"Fazendas verticais, agricultura do futuro"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_203456\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Nelson.jpg\"><img class=\"wp-image-203456\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Nelson.jpg\" alt=\"Nelson P\u00e9rez monitora a temperatura da \u00e1gua das bandejas onde crescem alfaces em ambiente controlado, em uma fazenda da localidade de Rio Hato, no Panam\u00e1. As chamadas fazendas verticais come\u00e7am a abrir caminho no mundo como uma t\u00e9cnica a favor da seguran\u00e7a alimentar, diante dos embates da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Foto: Emilio Godoy\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Nelson P\u00e9rez monitora a temperatura da \u00e1gua das bandejas onde crescem alfaces em ambiente controlado, em uma fazenda da localidade de Rio Hato, no Panam\u00e1. As chamadas fazendas verticais come\u00e7am a abrir caminho no mundo como uma t\u00e9cnica a favor da seguran\u00e7a alimentar, diante dos embates da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Emilio Godoy, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Rio Hato, Panam\u00e1, 30\/11\/2015 \u2013 Com um term\u00f4metro infravermelho na m\u00e3o, o panamenho Nelson P\u00e9rez examina a temperatura da \u00e1gua das bandejas onde dezenas de pequenas alfaces se alimentam. Esse l\u00edquido, que cont\u00e9m c\u00e1lcio, f\u00f3sforo, magn\u00e9sio e vitaminas, deve ser mantido \u00e0 temperatura m\u00e9dia de 21 graus, para facilitar o crescimento dessa verdura. P\u00e9rez \u00e9 um vigilante zeloso das alfaces que crescem em ambiente controlado na fazenda vertical da empresa Urban Farms, em Rio Hato, de 15.700 habitantes, na prov\u00edncia de Cocl\u00e9, 125 quil\u00f4metros ao norte da Cidade do Panam\u00e1.<\/p>\n<p>Essa instala\u00e7\u00e3o, a \u00fanica de seu tipo na Am\u00e9rica Latina, \u00e9 uma das variantes da agricultura controlada, uma alternativa diante dos efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica sobre essa atividade. \u201cA mudan\u00e7a clim\u00e1tica afeta a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Por isso sentimos a necessidade de ver quais mudan\u00e7as obter\u00edamos aplicando a tecnologia\u201d, explicou David Proenza, fundador da empresa Urban Farms, dona do projeto.<\/p>\n<p>Em 2010, Proenza soube do avan\u00e7o dessa modalidade no sudeste asi\u00e1tico, viajou ao Jap\u00e3o e fez contato com pesquisadores e empres\u00e1rios. Voltou ao Panam\u00e1 com os fundamentos da t\u00e9cnica e com seus novos s\u00f3cios decidiu enviar um engenheiro agr\u00f4nomo para se capacitar com os japoneses. At\u00e9 ent\u00e3o, era um produtor convencional de melancia e outras variedades.<\/p>\n<p>\u201cO produtor tem o controle desde a semente at\u00e9 a colheita. A ideia \u00e9 produzir e consumir localmente\u201d, explicou \u00e0 IPS Proenza, que se associou a outras duas pessoas e tem assessoria de um grupo externo. Tamb\u00e9m emprega dois trabalhadores permanentes e dois tempor\u00e1rios. Em sua propriedade de quatro hectares, destinou um espa\u00e7o de 17 por 12 metros para instalar 60 bandejas com capacidade de 30 a 36 plantas cada uma.<\/p>\n<p>A base \u00e9 a hidroponia. O processo come\u00e7a pela coloca\u00e7\u00e3o da semente, que germina durante tr\u00eas dias. Posteriormente \u00e9 transplantada para sua posi\u00e7\u00e3o de crescimento nas bandejas durante tr\u00eas semanas, para ser collhida, cortada e empacotada para distribui\u00e7\u00e3o em supermercados. O empreendimento produz cerca de duas mil alfaces mensais de cinco variedades, sem pesticidas, sem conservantes, nem grandes extens\u00f5es de terra.<\/p>\n<p>Um programa informatizado, controlado a partir de um telefone inteligente, administra a temperatura da sala e da \u00e1gua, bem como as l\u00e2mpadas e a irriga\u00e7\u00e3o. As l\u00e2mpadas de baixa ilumina\u00e7\u00e3o, que permanecem acesas durante 18 horas e cujo custo individual \u00e9 de US$ 120, emitem tons vermelhos, amarelos ou azuis, cada um deles tendo um efeito particular sobre seu objeto. As bandejas necessitam de 25 a 100 litros de \u00e1gua, dependendo de seu tamanho.<\/p>\n<p>A agricultura controlada inclui modalidades como as fazendas verticais, granjas e hortas urbanas e os cultivos hidrop\u00f4nicos.<\/p>\n<p>O Panam\u00e1 \u00e9 um pa\u00eds altamente vulner\u00e1vel \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, exposto a tempestades intensas, inunda\u00e7\u00f5es, deslizamentos e secas. O clima dessa na\u00e7\u00e3o tropical de aproximadamente quatro milh\u00f5es de habitantes se dividia em duas esta\u00e7\u00f5es: a seca e a chuvosa. Mas essa diferen\u00e7a agora \u00e9 menos acentuada.<\/p>\n<p>Rio Hato fica no umbral do chamado Arco Seco, onde come\u00e7a uma importante fonte alimentar do pa\u00eds, tanto para exporta\u00e7\u00e3o como para consumo interno. O Panam\u00e1 colhe principalmente milho, arroz, feij\u00e3o, mel\u00e3o, melancia, laranja, banana e caf\u00e9. A atividade pecu\u00e1ria tamb\u00e9m \u00e9 um importante motor econ\u00f4mico. O setor agropecu\u00e1rio do pa\u00eds responde por 4% do produto interno bruto (PIB).<\/p>\n<p>Dados oficiais indicam que as colheitas de gr\u00e3os foram menores em 2014 e 2015, salvo no caso do milho, por fatores que especialistas vinculam \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. O informe <em>Panam\u00e1, Efeitos da Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica Sobre a Agricultura<\/em>, elaborado em 2010 por v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os internacionais, indica que as varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas custariam a esse pa\u00eds perdas agropecu\u00e1rias entre 4% e 7% do PIB at\u00e9 2050, e entre 8% e 9% at\u00e9 2100.<\/p>\n<p>Para Gustavo Ram\u00edrez, acad\u00eamico da Faculdade de Estudos Superiores Cuautitl\u00e1n, da estatal Universidade Aut\u00f4noma do M\u00e9xico, o esquema da agricultura vertical \u00e9 vi\u00e1vel na Am\u00e9rica Latina, mas faltam pol\u00edticas id\u00f4neas a respeito. \u201cEsse sistema permite aproveitar da melhor maneira o espa\u00e7o. Em \u00e1reas urbanas, h\u00e1 pr\u00e9dios abandonados que poderiam ser utilizados enquanto nas rurais h\u00e1 muito mais espa\u00e7o\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Em Rio Hato, Proenza, que investiu mais de US$ 70 mil no projeto, testou o cultivo de morango, piment\u00e3o, pepino, mel\u00e3o e melancia, com resultados positivos.<\/p>\n<p>A agricultura vertical est\u00e1 em alta nos Estados Unidos, Jap\u00e3o, Taiwan e Coreia do Sul. De fato, j\u00e1 existe a Associa\u00e7\u00e3o para a Agricultura Vertical, que re\u00fane empresas, universidades e indiv\u00edduos e possui escrit\u00f3rios no Canad\u00e1, China, \u00cdndia e em v\u00e1rios pa\u00edses europeus. No Jap\u00e3o funcionam aproximadamente 180 fazendas verticais, cerca de 100 em Taiwan e 80 na Coreia do Sul.<\/p>\n<p>Essa modalidade pode ser uma alternativa em cidades de todo tipo e em \u00e1reas rurais empobrecidas e famintas. Em cidades como Buenos Aires, Cidade do M\u00e9xico ou Santiago j\u00e1 proliferam os terra\u00e7os com hortas que produzem vegetais e legumes.<\/p>\n<p>Para fomentar o interc\u00e2mbio de conhecimentos, Proenza criou a Funda\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento da Agricultura em Ambiente Controlado, que em maio organizou nesse pa\u00eds o Congresso Internacional de Agricultura em Ambiente Controlado, com participa\u00e7\u00e3o de mais de 350 pesquisadores, acad\u00eamicos e produtores agr\u00edcolas de todo o mundo. A pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o acontecer\u00e1 em 2017.<\/p>\n<p>\u201cO produtor ganha tr\u00eas vezes mais do que no campo. A fazenda vertical \u00e9 30% mais barata do que a agricultura tradicional e 15% do que as estufas. O risco \u00e9 m\u00ednimo\u201d, destacou Proenza, cuja iniciativa ficou em segundo lugar, no ano passado, no Pr\u00eamio Nacional \u00e0 Inova\u00e7\u00e3o Empresarial, concedido pela Secretaria Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia. Agora, seu plano \u00e9 acrescentar 400 metros quadrados \u00e0 fazenda vertical com esp\u00e9cies de salsinha, manjeric\u00e3o, coentro, r\u00facula e morango.<\/p>\n<p>Ram\u00edrez recomendou aos governos que reorientem as pol\u00edticas agr\u00edcolas e reavaliem prioridades. \u201cOs governos devem mostrar interesse, orientar pol\u00edticas para explorar essa modalidade. Temos um exerc\u00edcio ineficaz de planejamento em produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e log\u00edstica\u201d, pontuou. Com a agricultura vertical, seriam desenvolvidos mercados locais e regionais, com \u201cum impacto enorme, mas s\u00e3o necess\u00e1rios capital, semente e pacotes tecnol\u00f3gicos adequados, a partir de um modelo pr\u00f3prio\u201d, apontou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Emilio Godoy, da IPS &ndash;&nbsp; Rio Hato, Panam&aacute;, 30\/11\/2015 &ndash; Com um term&ocirc;metro infravermelho na m&atilde;o, o panamenho Nelson P&eacute;rez examina a temperatura da &aacute;gua das bandejas onde dezenas de pequenas alfaces se alimentam. 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