{"id":20161,"date":"2015-12-01T12:00:05","date_gmt":"2015-12-01T12:00:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=203557"},"modified":"2015-12-01T12:00:05","modified_gmt":"2015-12-01T12:00:05","slug":"aflotoxinas-envenenam-comercio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/12\/ultimas-noticias\/aflotoxinas-envenenam-comercio-e-saude\/","title":{"rendered":"Aflotoxinas envenenam com\u00e9rcio e sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_203558\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Lab-technician_-629x419-629x419.jpg\"><img class=\"wp-image-203558\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/Lab-technician_-629x419-629x419.jpg\" alt=\"O t\u00e9cnico laboratorista Herbert Mtopa colhe amostras biol\u00f3gicas em uma cl\u00ednica do Zimb\u00e1bue para avaliar a exposi\u00e7\u00e3o de mulheres e crian\u00e7as \u00e0s aflatoxinas. Foto: Busani Bafana\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O t\u00e9cnico laboratorista Herbert Mtopa colhe amostras biol\u00f3gicas em uma cl\u00ednica do Zimb\u00e1bue para avaliar a exposi\u00e7\u00e3o de mulheres e crian\u00e7as \u00e0s aflatoxinas. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Busani Bafana, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Bulawayo, Zimb\u00e1bue, 1\/12\/2015 \u2013 A contamina\u00e7\u00e3o por aflotoxinas \u00e9 um problema crescente para o com\u00e9rcio, a seguran\u00e7a alimentar e a sa\u00fade na \u00c1frica subsaariana, onde os pequenos agricultores n\u00e3o t\u00eam os recursos necess\u00e1rios para proteger suas colheitas. As aflotoxinas s\u00e3o subst\u00e2ncias t\u00f3xicas cancer\u00edgenas produzidas por certos fungos que nascem naturalmente na terra e que se converteram em um grave contaminador de alimentos b\u00e1sicos africanos, inclu\u00eddo milho, sorgo, inhame, arroz, amendoim, mandioca e castanha de caju.<\/p>\n<p>O Instituto Internacional de Pesquisas sobre Pol\u00edticas Alimentares (IITA), uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos com sede na Nig\u00e9ria, realiza pesquisas pioneiras na redu\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o por micotoxinas nesse continente. Segundo seus pesquisadores, a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s micotoxinas \u00e9 um obst\u00e1culo para a sa\u00fade e o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o da \u00c1frica, onde foram confirmados altos n\u00edveis de contamina\u00e7\u00e3o por aflotoxinas. Muito agricultores de pequeno porte n\u00e3o conseguem impedir a contamina\u00e7\u00e3o durante a produ\u00e7\u00e3o e o armazenamento de suas colheitas por carecerem de m\u00e9todos rent\u00e1veis para control\u00e1-la.<\/p>\n<p>A \u00c1frica subsaariana perde anualmente mais de US$ 450 milh\u00f5es no com\u00e9rcio de milho e amendoim, entre outros cultivos, por causa das aflotoxinas, disseram \u00e0 IPS os pesquisadores do IITA. Sem saber, muita gente consome alimentos contaminados, com o consequente gasto para a sa\u00fade p\u00fablica, em uma regi\u00e3o cujos centros de sa\u00fade est\u00e3o saturados.<\/p>\n<p>As toxinas presentes na \u00c1frica est\u00e3o vinculadas a imunodepress\u00e3o, c\u00e2ncer hep\u00e1tico e atraso no crescimento das crian\u00e7as. O Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) confirma que 40% da popula\u00e7\u00e3o infantil na regi\u00e3o tem crescimento retardado ou baixa estatura para a idade, o que pode ser associado a um desenvolvimento cerebral reduzido.<\/p>\n<p>As altas temperaturas e as condi\u00e7\u00f5es de seca favorecem o crescimento dos fungos. As m\u00e1s pr\u00e1ticas agr\u00edcolas e a inseguran\u00e7a alimentar de muitas pessoas na regi\u00e3o aumentam sua exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por aflotoxinas. Al\u00e9m disso, o alto conte\u00fado de umidade no solo atribu\u00eddo \u00e0s chuvas fora de temporada, em consequ\u00eancia da variabilidade do clima, tamb\u00e9m aumenta a contamina\u00e7\u00e3o durante a colheita.<\/p>\n<div id=\"attachment_203559\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/mani.jpg\"><img class=\"wp-image-203559\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/mani.jpg\" alt=\"O alto n\u00edvel das aflotoxinas no amendoim de Malawi afetou as exporta\u00e7\u00f5es desse pa\u00eds. Foto: Busani Bafana\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O alto n\u00edvel das aflotoxinas no amendoim de Malawi afetou as exporta\u00e7\u00f5es desse pa\u00eds. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p>\u201cEst\u00e1 previsto que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica ter\u00e1 profundo efeito de contamina\u00e7\u00e3o dos cultivos por aflotoxinas. Em consequ\u00eancia, toda redu\u00e7\u00e3o no n\u00edvel pluviom\u00e9trico ou eleva\u00e7\u00e3o da temperatura agravar\u00e1 o problema\u201d, alertou o cientista Jo\u00e3o Augusto, do IITA. Em 2009, o IITA, a Funda\u00e7\u00e3o Africana pelas Tecnologias Agr\u00edcolas e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos \u2013 Servi\u00e7o de Pesquisa Agr\u00edcola desenvolveram uma tecnologia aut\u00f3ctone de controle biol\u00f3gico, chamada AflaSafe, para mitigar a contamina\u00e7\u00e3o por aflotoxinas no milho e no amendoim.<\/p>\n<p>A AflaSafe \u00e9 uma mescla de quatro cepas n\u00e3o produtoras de aflotoxinas do fungo de mofo verde (<em>Aspergillus flavus<\/em>) de origem nativa. Ao se espalhar pelo campo, o produto cresce e evita que as cepas produtoras de toxinas colonizem, se multipliquem e contaminem os cultivos.<\/p>\n<p>A pesquisa para controlar a aflotoxina na \u00c1frica come\u00e7ou pela primeira vez na Nig\u00e9ria, onde a AflaSafe \u00e9 hoje um produto comercial registrado. Outros produtos, espec\u00edficos para cada pa\u00eds, foram desenvolvidos e introduzidos em Burkina Faso, G\u00e2mbia, Qu\u00eania, Senegal e Z\u00e2mbia. Nos seis pa\u00edses onde foram testados produtos de controle biol\u00f3gico, desde 2008 at\u00e9 agora, se conseguiu at\u00e9 99% de redu\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o por aflotoxinas com o uso da AflaSafe nos campos de milho e amendoim.<\/p>\n<p>\u201cOs benef\u00edcios da AflaSafe para mitigar a contamina\u00e7\u00e3o por aflotoxinas \u00e9 muito maior do que seu custo\u201d, afirmou Julieta Akello, patologista e integrante da equipe do IITA em Z\u00e2mbia. \u201cA exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s aflotoxinas mediante o consumo de alimentos contaminados se deve a uma combina\u00e7\u00e3o de ignor\u00e2ncia, pobreza e descumprimento das normas por parte dos governos\u201d, destacou.<\/p>\n<p>No mundo, as aflotoxinas s\u00e3o uma amea\u00e7a conhecida que se combate com investimento nos controles de seguran\u00e7a dos alimentos. Os pequenos agricultores na \u00c1frica recorrem a m\u00e9todos tradicionais de armazenamento e ao uso de pesticidas para prevenir os carunchos. Mas esses m\u00e9todos n\u00e3o s\u00e3o \u00e0 prova de pragas e por isso se perde grande parte da colheita armazenada quando mais se necessita.<\/p>\n<p>Nesse pa\u00eds, pesquisadores da Universidade do Zimb\u00e1bue e a organiza\u00e7\u00e3o A\u00e7\u00e3o Contra a Fome trabalham em duas localidades para ver se a melhora no armazenamento pode reduzir a contamina\u00e7\u00e3o no gr\u00e3o de milho. A pesquisa de dois anos, com apoio do programa Cultivar o Futuro da \u00c1frica, uma iniciativa financiada pelo canadense Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento Internacional e pelo Centro Australiano de Pesquisa para a Agricultura Internacional, tamb\u00e9m avaliar\u00e1 os n\u00edveis de exposi\u00e7\u00e3o em mulheres e crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O projeto utiliza silos met\u00e1licos e sacas de pl\u00e1stico grosso para que o milho seja armazenado hermeticamente. Os agricultores na \u00c1frica subsaariana carecem de equipamentos de secagem, e a maioria deixa suas colheitas de milho e amendoim nos campos para secarem antes da colheita. \u00c0s vezes, as armazenam antes de estarem totalmente secas, o que as deixa vulner\u00e1veis \u00e0s aflotoxinas.<\/p>\n<div id=\"attachment_203560\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/milho.jpg\"><img class=\"wp-image-203560\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/milho.jpg\" alt=\"O milho, produto b\u00e1sico da \u00c1frica austral, \u00e9 vulner\u00e1vel \u00e0s aflotoxinas se n\u00e3o for seco e armazenado de forma adequada. Foto: Busani Bafana\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O milho, produto b\u00e1sico da \u00c1frica austral, \u00e9 vulner\u00e1vel \u00e0s aflotoxinas se n\u00e3o for seco e armazenado de forma adequada. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p>As exporta\u00e7\u00f5es de produtos agr\u00edcolas africanos, em particular o amendoim, ca\u00edram at\u00e9 20% nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, porque n\u00e3o foram cumpridas as normas da Uni\u00e3o Europeia (UE) sobre n\u00edveis de aflotoxinas nos alimentos para consumo humano. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), em 2013, apenas 15 pa\u00edses africanos aplicavam limites regulamentares \u00e0s aflotoxinas.<\/p>\n<p>Em Z\u00e2mbia, por exemplo, quase 100% das marcas de pasta de amendoim analisadas nos supermercados e mercados locais, entre 2012 e 2014, superavam o n\u00edvel permitido de aflotoxinas de 20 partes por bilh\u00e3o (PPB). Al\u00e9m disso, menos de 30% da farinha de amendoim tinha n\u00edveis inferiores aos quatro PPB fixados pela UE.<\/p>\n<p>No Qu\u00eania considerado, o pa\u00eds mais afetado pela aflotoxina na \u00c1frica oriental, cerca de 200 pessoas morreram ap\u00f3s ingerir milho contaminado entre 2004 e 2006. Em 2010, aproximadamente dois milh\u00f5es de sacas de milho foram declaradas impr\u00f3prias para consumo humano devido ao seu elevado n\u00edvel de aflotoxinas.<\/p>\n<p>G\u00e2mbia, Malawi, Mo\u00e7ambique, Senegal e Z\u00e2mbia, que no passado foram exportadores de amendoim, perderam os lucrativos mercados da Uni\u00e3o Europeia, \u00c1frica do Sul e Estados Unidos devido \u00e0s aflotoxinas em seus produtos b\u00e1sicos, explicou Jo\u00e3o Augusto. A pesquisadora Chapwa Kasoma, de Z\u00e2mbia, advertiu que, se n\u00e3o for controlada a contamina\u00e7\u00e3o por aflotoxinas, poder\u00e1 haver atraso no desenvolvimento da \u00c1frica subsaariana.<\/p>\n<p>\u201cSe queremos superar a pobreza em todas as suas formas, combatendo n\u00e3o s\u00f3 a insufici\u00eancia de alimentos, mas tamb\u00e9m abordando toda forma de desnutri\u00e7\u00e3o, precisamos estar preocupados. Sendo potentes carcin\u00f3genos, as aflotoxinas s\u00e3o claramente um problema de nutri\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou Kasoma, que tamb\u00e9m trabalha como supervisora na empresa agroqu\u00edmica DuPont Pioneer. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Busani Bafana, da IPS &ndash;&nbsp; Bulawayo, Zimb&aacute;bue, 1\/12\/2015 &ndash; A contamina&ccedil;&atilde;o por aflotoxinas &eacute; um problema crescente para o com&eacute;rcio, a seguran&ccedil;a alimentar e a sa&uacute;de na &Aacute;frica subsaariana, onde os pequenos agricultores n&atilde;o t&ecirc;m os recursos necess&aacute;rios para proteger suas colheitas. 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