{"id":20163,"date":"2015-12-02T11:53:10","date_gmt":"2015-12-02T11:53:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=203604"},"modified":"2015-12-02T11:53:10","modified_gmt":"2015-12-02T11:53:10","slug":"os-olhos-do-mundo-estao-sobre-a-cop-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/12\/ultimas-noticias\/os-olhos-do-mundo-estao-sobre-a-cop-21\/","title":{"rendered":"Os olhos do mundo est\u00e3o sobre a COP 21"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_203605\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/COP21capa.jpg\"><img class=\"wp-image-203605\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/COP21capa.jpg\" alt=\"A c\u00fapula clim\u00e1tica de Paris acontece nos arredores da capital francesa, em um gigantesco espa\u00e7o que vai acolher 40 mil participantes entre delegados de pa\u00edses, da sociedade civil e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A c\u00fapula clim\u00e1tica de Paris acontece nos arredores da capital francesa, em um gigantesco espa\u00e7o que vai acolher 40 mil participantes entre delegados de pa\u00edses, da sociedade civil e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Diego Arguedas Ortiz, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Paris, Fran\u00e7a, 2\/12\/2015 \u2013 Finalmente come\u00e7ou a c\u00fapula clim\u00e1tica de Paris. Durante duas semanas, um gigantesco centro de reuni\u00f5es da capital francesa receber\u00e1 uma das confer\u00eancias mais importantes das \u00faltimas d\u00e9cadas, com a press\u00e3o do planeta que pede medidas urgentes para deter seu aquecimento.<\/p>\n<p>Em um ambiente de seguran\u00e7a extrema, l\u00edderes de mais de 150 pa\u00edses se reuniram no dia 30, em Paris, para a abertura da 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 21) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (CMNUCC), e se espera que termine, no dia 11, com um novo tratado sobre esse fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>Como em cada final de ano desde 1994, os negociadores buscam consenso sobre medidas para enfrentar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Mas nessa ocasi\u00e3o t\u00eam o mandato de alcan\u00e7ar um acordo universal para reduzir emiss\u00f5es de gases causadores do efeito estufa (GEE) e dessa forma conter o aquecimento do planeta e seus impactos.<\/p>\n<p>\u201cPode haver uma miss\u00e3o mais extraordin\u00e1ria do que essa que teremos nos pr\u00f3ximos dias?\u201d, perguntou Laurent Fabius, ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Fran\u00e7a, que preside a COP 21. \u201cOs olhos do mundo est\u00e3o sobre n\u00f3s e h\u00e1 grandes esperan\u00e7as\u201d, observou. Durante a cerim\u00f4nia de abertura da Confer\u00eancia, Fabius afirmou que esse acordo universal e legalmente vinculante est\u00e1 \u201cao nosso alcance\u201d, e pediu aos governos que incrementem sua a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Os Estados parte da CMNUCC devem encontrar uma maneira de chegar a um acordo que limite as emiss\u00f5es globais, que decida como lidar com os impactos clim\u00e1ticos negativos e que estabele\u00e7a regras para os financiamentos internacionais dedicados \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, \u00e0 tecnologia necess\u00e1ria para tornar isso realidade e ao contexto legal que abrigar\u00e1 esses princ\u00edpios.<\/p>\n<p>A tarefa parece simples, mas o caminho para chegar ao acordo global est\u00e1 cheio de assuntos espinhosos que travam as negocia\u00e7\u00f5es. A isso se soma o fato de os cientistas pedirem uma a\u00e7\u00e3o urgente e imediata para evitar altas perigosas na temperatura do planeta neste s\u00e9culo e nos seguintes. Ap\u00f3s quatro sess\u00f5es de negocia\u00e7\u00e3o este ano, ainda h\u00e1 muitos pa\u00edses reticentes em abandonar posi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas ou pol\u00edticas que s\u00e3o obst\u00e1culos \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o do tratado, que deve entrar em vigor em 2020.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que come\u00e7ou a COP 21, com discursos dos presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da China, Xi Jinping, e do secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Ban Ki-moon, entre outros l\u00edderes. Como outros governantes, Obama tra\u00e7ou certo paralelo entre esta c\u00fapula e os ataques terroristas que atingiram Paris no dia 13 de novembro, afirmando que a COP 21 \u00e9 \u201cuma rejei\u00e7\u00e3o aos que tentam fazer nosso mundo em peda\u00e7os\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o presidente da COP anterior, o ministro peruano do Meio Ambiente, Manuel Pulgar Vidal, afirmou que esse processo, e com sorte seu resultado favor\u00e1vel, \u00e9 por si s\u00f3 uma resposta mundial a esse terrorismo, expressando um sentimento que teve repercuss\u00e3o em muitos dos mandat\u00e1rios que discursaram. \u201cPor meio do multilateralismo podemos mostrar ao mundo que podemos trabalhar juntos contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e o terrorismo\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Esse encontro de l\u00edderes globais rompe a etiqueta das COPs clim\u00e1ticas, de que os ministros e delegados de alto n\u00edvel cheguem na fase final das reuni\u00f5es para resolver os temas mais sens\u00edveis e pactuar acordos. Foi esse mecanismo que marcou a COP 15, que aconteceu em Copenhague, em 2009, e fracassou na tentativa de conseguir o acordo global que substitu\u00edsse o Protocolo de Kyoto, que venceria em 2012 e cuja vig\u00eancia teve de ser prorrogada at\u00e9 2020.<\/p>\n<p>No fim de semana anterior ao in\u00edcio da c\u00fapula, a press\u00e3o da sociedade civil a favor de um tratado n\u00e3o apenas universal, mas tamb\u00e9m vinculante, se fez sentir com manifestantes em 175 pa\u00edses, com participa\u00e7\u00e3o total calculada em 700 mil pessoas. \u201cOs tipos de situa\u00e7\u00f5es que ocorrem antes de Paris d\u00e3o espa\u00e7o para certo otimismo, digamos assim\u201d, afirmou \u00e0 IPS o respons\u00e1vel de clima do Fundo Mundial da Natureza, Tasneem Essop.<\/p>\n<p>\u201cRealmente acreditamos no tipo de \u2018momentum\u2019 fora e dentro desse processo de negocia\u00e7\u00f5es, o que nos d\u00e1 motivos para estarmos mais positivos\u201d do que em ocasi\u00f5es anteriores, pontuou Essop. Tamb\u00e9m destacou que o acordo deve estar \u201cem linha com o que a ci\u00eancia requer\u201d, para se manter uma trajet\u00f3ria de conter a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura em menos de 1,5 grau Celsius. Esta \u00e9 uma demanda compartilhada pela maioria da sociedade civil e por v\u00e1rios grupos de negocia\u00e7\u00e3o, incluindo a muito ativa Alian\u00e7a de Pequenos Estados Insulares.<\/p>\n<p>Para chegar a essa meta, o planeta necessita acordar fortes redu\u00e7\u00f5es nas emiss\u00f5es de GEE, algo sobre o que n\u00e3o existe acordo. Durante 2015, mais de 180 pa\u00edses prometeram reduzir essas emiss\u00f5es em suas contribui\u00e7\u00f5es previstas e determinadas em n\u00edvel nacional (INDC), mas com n\u00edveis menos ambiciosos do que o necess\u00e1rio. Uma an\u00e1lise da organiza\u00e7\u00e3o Climate Interative determinou que as contribui\u00e7\u00f5es comprometidas levariam a temperatura do planeta a aumentar 3,5 graus. Outra estimativa, da rede Climate Action Tracker, calcula o aumento em 2,7 graus.<\/p>\n<p>Assim, um elemento fundamental no futuro acordo ser\u00e1 algum tipo de mecanismo (que alguns chamam de Mecanismo de Ambi\u00e7\u00e3o de Paris) que possa marcar o caminho para melhorar essas contribui\u00e7\u00f5es no futuro, dessa forma aproximando o mundo dos buscados dois graus. Ainda existem alguns assuntos sem resolver, como a periodicidade com que ser\u00e3o revisadas as INDC e o que se deve fazer com os impactos clim\u00e1ticos aos quais esses pa\u00edses n\u00e3o podem se adaptar, ou perdas e danos, no jarg\u00e3o das COPs.<\/p>\n<p>\u201cO acordo tem que tamb\u00e9m incluir perdas e danos, porque sabemos que esses pa\u00edses h\u00e1 d\u00e9cadas sentem os efeitos negativos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, afirmou Tania Guill\u00e9n, respons\u00e1vel clim\u00e1tica do nicaraguense Centro Humboldt. \u201cPrecisamos tanto nos preparar quanto ver a maneira como podemos preparar as comunidades e enfrentar esses efeitos que n\u00e3o podemos evitar\u201d, ressaltou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Guill\u00e9n coincide com Essop e a maioria dos observadores em que o tratado deve ser legalmente vinculante, para que os pa\u00edses tenham a obriga\u00e7\u00e3o de cumpri-lo. Entretanto, um dos temas mais cr\u00edticos que ainda n\u00e3o foi resolvido \u00e9 o das finan\u00e7as clim\u00e1ticas: quem dar\u00e1 o apoio financeiro que permitir\u00e1 uma transi\u00e7\u00e3o para energias renov\u00e1veis, em qual periodicidade e quem receber\u00e1 a contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs finan\u00e7as s\u00e3o um tema cujos meios de implanta\u00e7\u00e3o devem estar muito claros, para que possamos trabalhar em qualquer campo, como mitiga\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o ou outras coisas\u201d, enfatizou Guill\u00e9n, que coordena a Rede de A\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica na Am\u00e9rica Latina. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Diego Arguedas Ortiz, da IPS &ndash;&nbsp; Paris, Fran&ccedil;a, 2\/12\/2015 &ndash; Finalmente come&ccedil;ou a c&uacute;pula clim&aacute;tica de Paris. 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