{"id":20167,"date":"2015-12-02T11:43:41","date_gmt":"2015-12-02T11:43:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.envolverde.com.br\/?p=203596"},"modified":"2015-12-02T11:43:41","modified_gmt":"2015-12-02T11:43:41","slug":"orfaos-da-aids-lutam-pelo-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2015\/12\/ultimas-noticias\/orfaos-da-aids-lutam-pelo-futuro\/","title":{"rendered":"\u00d3rf\u00e3os da aids lutam pelo futuro"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_203597\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/world-aids_-629x418-629x418.jpg\"><img class=\"wp-image-203597\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/world-aids_-629x418-629x418.jpg\" alt=\"Ashok Rau, diretor da Funda\u00e7\u00e3o Liberdade, brinca com um grupo de \u00f3rf\u00e3os pelo HIV na \u00cdndia. Foto: Malini Shankar\/IPS \" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Ashok Rau, diretor da Funda\u00e7\u00e3o Liberdade, brinca com um grupo de \u00f3rf\u00e3os pelo HIV na \u00cdndia. Foto: Malini Shankar\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>Por\u00a0Malini Shankar, da IPS &#8211;\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Bangalore, \u00cdndia, 2\/12\/2015 \u2013 Quinze milh\u00f5es de pessoas t\u00eam acesso ao tratamento antirretroviral contra o v\u00edrus HIV \u2013 causador da aids \u2013 em todo o mundo, segundo o Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/Aids (Onusida). As novas infec\u00e7\u00f5es ca\u00edram 35% desde 2000 e as mortes derivadas da aids baixaram 42% desde o pico alcan\u00e7ado em 2004.<\/p>\n<p>No dia 1\u00ba, Dia Mundial da Luta contra a Aids, especialistas alertaram que ainda h\u00e1 muito a se fazer para erradicar o HIV\/aids, um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) que governantes de todo o mundo adotaram em setembro e que dever\u00e3o ser cumpridos at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>O Onusida indica que a regi\u00e3o da \u00c1sia e do Pac\u00edfico abriga a segunda maior popula\u00e7\u00e3o de pessoas que vivem com o v\u00edrus, com uma estimativa de 4,8 milh\u00f5es de afetados. Na \u00cdndia \u00e9 dif\u00edcil precisar a quantidade, j\u00e1 que existem grandes disparidades na recopila\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de dados nesse pa\u00eds de 1,25 bilh\u00e3o de habitantes.<\/p>\n<p>O informe do Onusida sobre d\u00e9ficits e diferen\u00e7as em 2014 indica que a \u00cdndia tem a terceira maior epidemia de HIV no mundo, com preval\u00eancia em 2013 calculada em 0,3% da popula\u00e7\u00e3o, ou 2,1 milh\u00f5es de pessoas. Nesse mesmo ano, estimava-se que 130 mil pessoas morreram nesse pa\u00eds devido a doen\u00e7as relacionadas com a aids. Mas a epidemia est\u00e1 desacelerando, com queda de 19% nas novas infec\u00e7\u00f5es, para 130 mil em 2013, e uma redu\u00e7\u00e3o de 38% nas mortes relacionadas com a aids entre 2005 e 2013. Entretanto, 51% das mortes na \u00c1sia ocorrem na \u00cdndia.<\/p>\n<p>\u201cAs crian\u00e7as e adultos que vivem com o HIV e a aids continuam sofrendo o estigma e a discrimina\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a aceita\u00e7\u00e3o social continua sendo muito escassa\u201d, denunciou Ashok Rau, diretor da Funda\u00e7\u00e3o Liberdade, com sede na cidade de Bangalore. Neethi, de 12 anos, \u00e9 uma rec\u00e9m-chegada ao orfanato da Funda\u00e7\u00e3o e ainda tem dificuldade em se adaptar.<\/p>\n<p>\u201cEstou estudando primeiro ano (da escola secund\u00e1ria). Tinha dois anos e meio quando minha m\u00e3e morreu. N\u00e3o me lembro do seu rosto. Morreu de aids. N\u00e3o sei que idade tinha, nem se foi ela que teve primeiro a doen\u00e7a ou o papai. Depois da morte da minha m\u00e3e, meu pai me deixou aos cuidados dos meus av\u00f3s maternos, com Neethi \u00e0 IPS. Seu pai se casou novamente e sua segunda esposa tamb\u00e9m contraiu o HIV. Neethi foi morar com eles, mas o ambiente era hostil. E, em algum momento depois que sua m\u00e3e morreu, foi diagnosticada com o v\u00edrus.<\/p>\n<p>\u201cNo hospital fui internada na sala de pediatria feminina. Me colocaram medicamento na veia e minha m\u00e3o ficou inchada. Meu pai me dava de comer na hora da janta. \u00c0s 20 horas o pessoal do hospital o retirava porque terminava a hora da visita\u201d e n\u00e3o se permitia a presen\u00e7a masculina, explicou. \u201cMinha madrasta se negou a me dar de comer e, por outro lado, comia a janta\u201d, contou Neethi.<\/p>\n<p>Depois desse incidente, seu pai a levou \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Liberdade. \u201cEle seu deu conta de que minha madrasta me maltratava e abusava de mim. Ele continua vivo, me visita, me agrada e me telefona uma vez por semana\u201d, acrescentou a jovem. \u201cEstou desesperada e necessitada de amor, porque sinto que o mundo n\u00e3o se preocupa com gente como eu. As conselheiras me dizem que devo ser valente e enfrentar o mundo\u201d, lamentou Neethi.<\/p>\n<p>O pai de Hamsini, de 16 anos, morreu h\u00e1 dez e sua m\u00e3e h\u00e1 seis. \u201cN\u00e3o sabia se meus pais eram soropositivos. Foi quando minha irm\u00e3 mais nova tamb\u00e9m morreu que fizeram o teste em mim. N\u00e3o se sabia com certeza se eu era positiva porque os resultados n\u00e3o foram conclusivos\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201cDepois da morte dos meus pais e da minha irm\u00e3, meus familiares me estigmatizaram e discriminaram, abusavam emocionalmente de mim e me insultavam. Ent\u00e3o me trouxeram para a Funda\u00e7\u00e3o Liberdade, e h\u00e1 uns tr\u00eas anos os testes confirmaram que tamb\u00e9m tenho HIV\u201d, contou Hamsini.<\/p>\n<p>Basavalinga, de 15 anos, \u00e9 oriundo de Gulbarga, distrito do Estado de Karnataka. \u201cCheguei ao orfanato da Funda\u00e7\u00e3o Liberdade em 2009. Meu pai morreu de aids em 2005 e minha m\u00e3e em 2007. Mas lembro que em 2004, quando tinha quatro anos, algu\u00e9m me disse que eu sofria de uma doen\u00e7a incur\u00e1vel. Meus pais me levaram a uma pessoa que marcou meu est\u00f4mago com uma barra de ferro quente. A cicatriz est\u00e1 l\u00e1\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cQuando meus pais morreram, meus tios cuidaram de mim, mas come\u00e7aram a me maltratar e discriminar entre as outras crian\u00e7as. Ent\u00e3o me dei conta de que alguma coisa n\u00e3o estava certa. Em 2007, me fizeram o teste de HIV e deu positivo\u201d, acrescentou Basavalinga. Em 2009, seus tios o levaram para o orfanato.<\/p>\n<p>Tejas e seu irm\u00e3o de 14 anos, Tarun, s\u00e3o da localidade de Malur, perto de Bangalore. Toda sua fam\u00edlia foi atingida pela doen\u00e7a. Ambos est\u00e3o na Funda\u00e7\u00e3o Liberdade desde 2009. Tejas n\u00e3o tem certeza se \u00e9 soropositivo. \u201cMas meu irm\u00e3o mais novo \u00e9. Meu pai tinha tr\u00eas esposas e teve dois filhos com cada uma, mas agora todos meus pais est\u00e3o mortos, todos morreram de adis. N\u00e3o sei se meus meio-irm\u00e3os tamb\u00e9m s\u00e3o positivos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Ashok Rau destacou que \u201cas crian\u00e7as precisam pagar suas mensalidades escolares, os livros, uniformes, para terem uma integra\u00e7\u00e3o efetiva. O crit\u00e9rio para a integra\u00e7\u00e3o sem atritos \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o e habilidades para a vida, al\u00e9m da medica\u00e7\u00e3o e do bom assessoramento. Muitos se casam e vivem uma vida produtiva como adultos jovens\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNosso assessoramento e apoio para a integra\u00e7\u00e3o teve alguns \u00eaxitos assombrosos: alguns dos nossos \u00f3rf\u00e3os pelo HIV trabalham em multinacionais importantes, e no setor empresarial. Isso ressalta a necessidade da educa\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou o diretor da Funda\u00e7\u00e3o, enfatizou que o orfanato necessita com urg\u00eancia de fundos para continuar funcionando. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por&nbsp;Malini Shankar, da IPS &ndash;&nbsp; Bangalore, &Iacute;ndia, 2\/12\/2015 &ndash; Quinze milh&otilde;es de pessoas t&ecirc;m acesso ao tratamento antirretroviral contra o v&iacute;rus HIV &ndash; causador da aids &ndash; em todo o mundo, segundo o Programa Conjunto das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre HIV\/Aids (Onusida). 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