{"id":2018,"date":"2006-10-07T00:00:00","date_gmt":"2006-10-07T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=2018"},"modified":"2006-10-07T00:00:00","modified_gmt":"2006-10-07T00:00:00","slug":"amrica-latina-cada-passo-conta-na-corrida-contra-a-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/10\/america-latina\/amrica-latina-cada-passo-conta-na-corrida-contra-a-pobreza\/","title":{"rendered":"Am&eacute;rica Latina: Cada passo conta na corrida contra a pobreza"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 07\/10\/2006 &ndash; A Am&eacute;rica Latina e o Caribe apresentam bons resultados na maioria dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio (ODM). Entretanto, a redu&ccedil;&atilde;o da pobreza &eacute; um desafio pendente, mas n&atilde;o imposs&iacute;vel para alguns pa&iacute;ses. <!--more--> A campanha de divulga&ccedil;&atilde;o brasileira \u201cOito maneiras de mudar o mundo: N&oacute;s podemos\u201d foi reconhecida pelo Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) como uma das cinco melhores pr&aacute;ticas em favor dos ODM, pela criatividade em mobilizar e comprometer diferentes setores da sociedade.<\/p>\n<p>A estrat&eacute;gia de comunica&ccedil;&atilde;o, impulsionada desde 2004 pelo Pnud do Brasil, envolve as empresas privadas, representadas por supermercados, empresas de servi&ccedil;os e bancos, bem como institui&ccedil;&otilde;es da sociedade civil. Assim, os ODM foram tema do carnaval carioca e passaram a ser &iacute;cones impressos em saquinhos de supermercados e cart&otilde;es. Os oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio foram adotados pela comunidade internacional em setembro de 2000 como uma grande plataforma de desenvolvimento para combater a pobreza, a fome e a desigualdade em todo o mundo. Incluem metas de g&ecirc;nero, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, ambiente e desenvolvimento sustent&aacute;vel. A campanha brasileira est&aacute; servindo de exemplo para pa&iacute;ses como Argentina e Chile. Enquanto isso, em algumas na&ccedil;&otilde;es andinas o desafio est&aacute; no &acirc;mbito econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>Al&eacute;m do mercado social de produtos alusivos aos oito ODM, a campanha compreende a realiza&ccedil;&atilde;o da Semana Nacional pela Cidadania e Solidariedade e o pr&ecirc;mio ODM Brasil, que no ano passado selecionou 23 experi&ecirc;ncias e quatro personalidades entre 920 candidaturas. A campanha &eacute; necess&aacute;ria porque os ODM somente ser&atilde;o alcan&ccedil;ados com um \u201cgrande impacto nacional\u201d que envolva a sociedade e os governos municipais, estaduais e federal, especialmente em um pa&iacute;s t&atilde;o grande, disse Anna Maria Peliano, diretora de Estudos Sociais do Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea), que coordenou o Informe Nacional de Acompanhamento dos ODM de 2005.<\/p>\n<p>O Brasil se prop&otilde;e n&atilde;o apenas cumprir, mas superar o primeiro ODM, que objetiva reduzir pela metade a propor&ccedil;&atilde;o de pessoas em extrema pobreza, isto &eacute;, que recebem menos de um d&oacute;lar por dia, entre 1990 e 2015. Para cumprir essa meta o Brasil deve chegar a 4,4%, o que &eacute; muito prov&aacute;vel, j&aacute; que reduziu de 9,9%, em 1990, para 5,7% em 2003, segundo o informe de monitoramento dos ODM realizado pelo Ipea. Entretanto, mesmo se essa porcentagem fosse atingida, haveria cerca de 10 milh&otilde;es de indigentes, sendo que o Brasil pretende reduzir a um quarto a propor&ccedil;&atilde;o desse grupo populacional. Por&eacute;m, h&aacute; vozes dissidentes.<\/p>\n<p>\u201cAs metas s&atilde;o minimalistas, insuficientes e n&atilde;o atacam as causas da pobreza e outros males\u201d, disse &Agrave; IPS Fernanda Carvalho, diretora do Instituto Brasileiro de An&aacute;lises Sociais e Econ&ocirc;micas (Ibase). A campanha responsabiliza a sociedade pelo cumprimento das metas, mas deveria se mobilizar para pressionar os governos, os organismos internacionais e os pa&iacute;ses ricos para que adotem, ou ap&oacute;iem, pol&iacute;ticas de verdadeira erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cO crescimento econ&ocirc;mico &eacute; o primeiro requisito para reduzir a pobreza. O Peru avan&ccedil;ou nesse sentido, mas n&atilde;o com a velocidade necess&aacute;ria\u201d e, al&eacute;m disso, deve enfrentar o desafio da \u201credistribui&ccedil;&atilde;o dos recursos para diminuir a brecha entre o mais pobre e o mais rico\u201d, disse &agrave; IPS o representante do Pnud nesse pa&iacute;s, Jorge Chediek. Se o Peru n&atilde;o superar o crescimento de 7% ao ano do produto interno bruto que registra atualmente, continuar&aacute; a passos lentos e sem perspectiva de &ecirc;xito na corrida para cumprir o primeiro ODM, acrescentou.<\/p>\n<p>A pobreza extrema deveria ser em 2015 no m&aacute;ximo de 15,6% e a total de 33,1% da popula&ccedil;&atilde;o peruana. Em 2004, as propor&ccedil;&otilde;es eram, respectivamente, de 19,2% e 51,6%, segundo dados da Pesquisa Nacional Residencial do Instituto Nacional de Estat&iacute;sticas e Inform&aacute;tica. A supera&ccedil;&atilde;o da pobreza &eacute; lenta e em algumas regi&otilde;es do pa&iacute;s registra paralisa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o houve mudan&ccedil;as significativas em zonas andinas ou amaz&ocirc;nicas, como Hu&aacute;nuco, onde a pobreza chegava a 77,6% dos habitantes, segundo a pesquisa de 2004 do Instituto Nacional de Estat&iacute;sticas.<\/p>\n<p>Segundo Chediek, o Peru n&atilde;o conta com um sistema de medi&ccedil;&atilde;o da ajuda estatal que permita determinar at&eacute; que ponto se conseguiu reduzir a pobreza. \u201cPrefere-se ter como maior indicador o n&uacute;mero de moradores beneficiados, explicou, ap&oacute;s assinalar como outras limita&ccedil;&otilde;es a \u201cincompatibilidade e falta de coordena&ccedil;&atilde;o\u201d existentes entre os programas sociais. Chediek destacou, entretanto, o programa de subs&iacute;dio diretos denominado Juntos, do governo do ex-presidente Alejandro Toledo, que entrega &agrave;s fam&iacute;lias mais pobres cerca de US$ 30 mensais para uso com sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O economista da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Peru, Pedro Francke, disse &agrave; IPS que os programas sociais tamb&eacute;m apresentam problemas de dispers&atilde;o, motivo pelo qual os recursos nem sempre chegam ao p&uacute;blico-alvo. O Peru deve melhorar a arrecada&ccedil;&atilde;o fiscal com o prop&oacute;sito de focar o gasto p&uacute;blico nos pobres. \u201cAs regi&otilde;es onde aumentou a explora&ccedil;&atilde;o mineira n&atilde;o melhoraram sua situa&ccedil;&atilde;o de car&ecirc;ncias, enquanto a pobreza aumenta nas zonas rurais\u201d, disse Francke.<\/p>\n<p>Outra dificuldade levantada pelo economista e por Chediek &eacute; que caiu a qualidade do emprego e n&atilde;o foram criadas oportunidades adequadas para que os pobres capitalizem seus recursos econ&ocirc;micos, por exemplo, com o acesso &agrave; propriedade mediante programas efetivos de titulariza&ccedil;&atilde;o de terras. \u201cEstamos diante de uma pobreza muito dif&iacute;cil de erradicar porque &eacute; estrutural, secular e, inclusive, tem elementos de exclus&atilde;o &eacute;tnica e cultural. A boa not&iacute;cia e que este problema est&aacute; conscientizado no Peru e foi revelado nas &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es\u201d, disse Chediek. De fato, Alan Garcia destacou a elimina&ccedil;&atilde;o da pobreza como meta de seu segundo mandato presidencial, no discurso de posse, no dia 28 de julho.<\/p>\n<p>Os esfor&ccedil;os tamb&eacute;m s&atilde;o sentidos em alguns pa&iacute;ses centro-americanos. El Salvador conseguiu grandes avan&ccedil;os em termos percentuais, cerca de 20%, no primeiro ODM,mas as diferen&ccedil;as de crit&eacute;rios metodol&oacute;gicos para medir a pobreza no pa&iacute;s colocam em d&uacute;vida a dimens&atilde;o dos progressos. Segundo a Dire&ccedil;&atilde;o Nacional de Estat&iacute;stica e Censos, respons&aacute;vel pelo primeiro informe sobre avan&ccedil;os dos ODM (2004), a popula&ccedil;&atilde;o com renda inferior a um d&oacute;lar por dia em 1991 era de 57,8%, caindo para 38,9% em 2002, o que significa que nesse ano estava a 10 pontos percentuais de alcan&ccedil;ar a meta de 28,9% at&eacute; 2015.<\/p>\n<p>Entretanto, considerando a porcentagem de pessoas vivendo em extrema pobreza apresentada pelo Informe de Desenvolvimento Humano de 2005, que se baseia na Pesquisa domiciliar com Prop&oacute;sito M&uacute;ltiplo, El Salvador estaria a menos de 3 pontos percentuais de cumprir a meta: em 2004 j&aacute; havia baixado para 15,2%, faltando pouco para chegar a 12,8%, em 2015. Tais indicadores criam d&uacute;vidas para especialistas como Jimmy Vasquez, coordenador estat&iacute;stico do Pnud. \u201cA estimativa n&atilde;o &eacute; limpa\u201d, afirmou. Os problemas procedem dos pre&ccedil;os atribu&iacute;dos &agrave; cesta b&aacute;sica de alimentos e &agrave; cesta b&aacute;sica ampliada, que cont&eacute;m servi&ccedil;os como eletricidade, moradia, educa&ccedil;&atilde;o ou sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Segundo Vasquez, a cesta b&aacute;sica de 1996 aparece 10% mais cara do que a atual \u201cquando qualquer um que v&aacute; ao supermercado pode ver claramente o contr&aacute;rio\u201d. Por isso se v&ecirc; uma baixa porcentagem de pessoas em extrema pobreza. Para encontrar a quantidade total de pobres o governo se serve da cesta b&aacute;sica ampliada ou de servi&ccedil;os, mas Vasquez considera que tampouco se trata de um c&aacute;lculo realista, pois os pre&ccedil;os do combust&iacute;vel, da eletricidade ou da moradia aumentaram mais do que se contabiliza.<\/p>\n<p>&Aacute;lvaro Trigueros, gerente da se&ccedil;&atilde;o de macroeconomia da Funda&ccedil;&atilde;o Salvadorenha para o Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social, tamb&eacute;m destacou o problema metodol&oacute;gico na hora de medir a pobreza, mas destacou a evolu&ccedil;&atilde;o positiva do pa&iacute;s desde 1991, quando 25,5% da popula&ccedil;&atilde;o vivia em condi&ccedil;&otilde;es de extrema pobreza. Quanto &agrave; execu&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para cumprir plenamente os Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, Trigueros afirmou que est&atilde;o sendo feitos bons projetos, como a Rede Solid&aacute;ria, que desde 2004 transfere aos lares mais pobres entre US$ 15 e US$ 20 mensais para que as crian&ccedil;as dessas fam&iacute;lias possam se integrar aos sistemas educacional e sanit&aacute;rio, em lugar de ter de trabalhar para ajudar na subsist&ecirc;ncia familiar. * Com as colabora&ccedil;&otilde;es de Milagros Salazar (Peru) e Alberto Mendoza (El Salvador).<\/p>\n<p>(Envolverde\/ IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 07\/10\/2006 &ndash; A Am&eacute;rica Latina e o Caribe apresentam bons resultados na maioria dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio (ODM). 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